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As Representacoes Da Mulher Na Revista a Bomba 1913

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As Representacoes Da Mulher Na Revista a Bomba 1913
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  ISSN 1809-2616   ANAIS  IV FÓRUM DE PESQUISA CIENTÍFICA EM ARTE  Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Criti!a 2006  AS REPRESENTAÇÕES DA MULHER NA REVISTA  A BOMBA  (1913) Marilda #o$es Pin%eiro &el'  1  ()el'*i+.co(.!r Resumo ,  o!eti/o deste tra!al%o  analisar as re$resentaes da (l%er $resentes na re/ista de %(or  A Bomba  319145 de Criti!a. A caricatra do incio do sclo 77 de ( (odo +eral /olto-se $ara a cidade $ara os )e nela /i/ia( e transita/a( reciclando os discrsos da cincia da arte da $!licidade da (oda do teatro da i($rensa e adando a re-ela!orar o sentido da e$erincia r!ana. No conteto do ad/ento da :e$ú!lica das re;or(as r!anas e das ino/aes tcnicas a i($rensa in/esti n( no/o %ori'onte de i(a+ens e o %(or +rá;ico te/e ( $a$el i($ortante nesse $rocesso. Mes(o e( (eio a ( rano (oralista a a+ncia da contesta<o ;oi dada =s (l%eres. Ao 'o(!ar do es$ao al(eado $ela (l%er e do es$ao )e ela real(ente oc$a/a na sociedade as caricatras deia/a( entre/er as inst>ncias de lta ao (es(o te($o )e da/a( /o' cria/a( ? inte+ra/a( no/os es$aos. Palavras-cave , Caricatra @nero Cltra O objetivo deste trabalho é analisar as representações da mulher presentes na revista de humor  A Bo(!a (1913), de Curitiba !  A ari atura do in# io do sé ulo $$, de um modo %eral, voltou&se para a idade, para os 'ue nela viviam e transitavam, re i lando e ontaminando&se dos dis ursos da in ia, da arte, da publi idade, da moda, do desi%n %r*i o, do teatro e da imprensa, entre outros, ajudando a re&elaborar o sentido da e+perin ia urbana o onte+to do advento da -ep.bli a, das re*ormas urbanas e das inovações té ni as, a imprensa investiu num novo hori/onte de ima%ens e o humor %r*i o teve um papel importante nesse pro esso A *i%ura *eminina era muito onstante nas har%es e, ainda 'ue n0o *osse a maioria, nem por isso a presença das mulheres era menos insti%ante ou polmi a-a hel oihet, num arti%o sobre as representações do 2se+o *r%il, lembra 'ue 2o re urso da ironia e da omédia *oi um poderoso instrumento para desmorali/ar a luta pela eman ipaç0o *eminina e re*orçar o mito da in*erioridade e da passividade da 1  4outora em Comuni aç0o e emi5ti a & 67C&6, pro*essora de 8ist5ria da Arte, 8ist5ria das Artes r*i as e :eoria do 4esi%n do 4epartamento de 4esenho ;ndustrial do C<=<:&6->7:=6- 2  :odas as ari aturas a'ui analisadas *oram *oto%ra*adas pela autora, no a ervo da 4ivis0o de 4o umentaç0o 6aranaense da Bibliote a 6.bli a do 6aran 16  mulher <la a*irma também 'ue a har%e teve um papel importante nesse pro esso 2O dis urso onservador dos meios de omuni aç0o *e/ muitas mulheres rejeitarem o *eminismo, tido omo in ompat#vel om o ideal de bele/a, mei%ui e e resi%naç0o 3  4is utindo o problema da ultura e da urbanidade, a partir das maneiras omo a mulher *oi representada, ?aria An%éli a @ubaran levanta a hip5tese de 'ue a ari atura servia para ridi ulari/ar o omportamento 2desviante, da'uela 'ue se a*astava da moralidade vi%ente  As ari aturas ontribu#ram assim para re*orçar a e+i%n ia da preo upaç0o *eminina om a estéti a e a moda, e também para identi*i ar a mulher om os produtos do imperialismo ultural *ran s do ;in de sicle  A mulher ele%ante era a'uela 'ue se vestia  *ran esa Ao mesmo tempo, o olhar vi%ilante mas ulino ridi ulari/ava o e+ esso de vaidade *eminina, representando&a omo e+a%erada, passa%eira, in onstante, banal, *ortale endo assim a ima%em ideal da mulher pura e ontida através da stira de seu ontratipo, a mulher mundana e *.til 6ortanto, se por um lado o estilo humor#sti o da imprensa ari ata oportuni/ou a apariç0o da mulher na ena p.bli a, por outro lado, revelou uma per epç0o hierr'ui a e morali/adora do *eminino, ontribuindo para re*orçar a normali/aç0o do outro    <mbora essa anlise seja importante nos estudos das artimanhas de dominaç0o e e+ lus0o da mulher em diversos setores, des onsidera a ri'ue/a do pr5prio me anismo da ari atura e da lin%ua%em par5di a A ambi%idade e a ironia dessas ima%ens revelam também as novas on'uistas e os outros aminhos trilhados pelas mulheresD laro 'ue para a mulher também havia um padr0o esperado de omportamento, re%ras, normas, posturas nesta 2nova idade, nesta so iedade 2moderna =r%il e soberana, abne%ada e vi%ilante, um novo modelo normativo de mulher, elaborado desde meados do sé ulo $;$, pre%a novas *ormas de omportamento e de eti'ueta, ini ialmente s moças das *am#lias mais abastadas e paulatinamente s das lasses trabalhadoras, e+altando as virtudes bur%uesas da laboriosidade, da astidade e do es*orço individual 6or aminhos so*isti ados e sinuosos se *orja uma representaç0o simb5li a da mulher, esposa&m0e&dona de asa, a*etiva mas asse+uada, no momento mesmo em 'ue as novas e+i%n ias da res ente urbani/aç0o e do desenvolvimento omer ial e industrial 'ue o orrem nos prin ipais entros do pa#s soli itam sua presença no espaço p.bli o das ruas, das praças, dos a onte imentos da vida so ial, nos teatros, nos a*és, e e+i%em sua parti ipaç0o ativa no mundo do trabalho E   3  O;8<:, -a hel 6isando no 2se+o *r%il Nossa istria , -io de FaneiroG Bibliote a a ional, n 3, p 1E&19, jan !HH   @7BA-A, ?aria An%éli a ?.ltiplos -etratos da ?ulherG moral, moda, seduç0o ;nG 6<AI<:O, andra F Porto Ale+re Caricata, a i(a+e( conta a %istria.  6orto Ale%reG <7 > e retaria ?uni ipal da Cultura, 1993 p J9&KH E  -AO, ?ar%areth o ca!ar ao lar. Dto$ia da cidade disci$linar. Brasil 1890-1940   -io de FaneiroG 6a/ e :erra, 19LE p J! 17  ?as tais ondutas *oram ironi/adas > a entuadas > riti adas nas har%es O 'ue se v nas har%es e nas ari aturas é de uma e+trema sensualidade, um universo de e+uberMn ia e abundMn ia, onde as relações privadas s0o retomadas e os valores, sentimentos e ideais, re&visitados 2A pr5pria ideali/aç0o da mulher, presente nos vNos poéti os simbolistas, em simbiose om a -ep.bli a ou ent0o om a pr5pria terra, *undindo nas met*oras poéti as o amor *ilial e o amor da ptria, edeu lu%ar, na par5dia Nmi a, ao prosai o e ao otidiano J  Os ari aturistas, em muitos momentos, desta am a atuaç0o da mulher, sua parti ipaç0o nas de isões ;nteressante 'ue s0o elas 'ue su%erem a mudança de padrões, elas se%uem > inventam a moda Colo am&se  *rente das ini iativas, ausando um erto espanto ?esmo seu papel no asamento e na *am#lia é tratado em seus reversos Até por'ue os desenhistas re onhe em 2a impossibilidade de dis orrer sobre a *am#lia brasileira, en'uanto um modelo ideal pairando sobre nossas abeças e determinando as ações dos a%entes hist5ri os independentemente das situações de lasses viven iadas por esses a%entes na prti a otidiana da vida K  -etomando a tradiç0o Nmi a européia de ironi/ar os hbitos bur%ueses, j no *inal do sé ulo $;$ os ari aturistas re*eriam&se  hipo risia do asamento indissol.vel, numa so iedade de adente em 'ue o adultério era uma prti a a eita 'ue om o div5r io apenas seria ameni/ada2=itas modernas era uma sess0o da revista  A Bo(!a (1913), na 'ual %eralmente eram tratados de *orma irNni a al%uns novos hbitos ou tendn ias =un ionavam omo as 2vistas modernas, omo se estivéssemos num inemat5%ra*o este e+emplo (=i% 1) o ari aturista sele ionou dois momentos ilustrativos da in onstMn ia dos tempos modernos presentes nos rela ionamentos A opç0o pela ima%em se'en iada remete  lin%ua%em dos 'uadrinhos e  velo idade de leitura do otidiano A *i%ura eni%mti a do %arotinho > upido usa a artola omo indi ativo do 'ue a onte e 7sa&a ou devolve&a, de a ordo om as ir unstMn ias Ora ao lado, ora interpondo&se entre os dois A ena em 'ue est0o apai+onados de*ine&se pelas urvas, pelo #r ulo, olo ando&se um de *rente para o outro F o rompimento instaura&se pelo 'uadrado, pelas posturas retas, pelos pés no h0o, pela distMn ia O *undo em #r ulo   a urva envolvente do amor  torna&se retan%ular no asamento 8 uma invers0o de J  AP;BA, <lias :homé A dimens0o Nmi a da vida privada na -ep.bli a ;nG <IC<QO,  (Or%) istria da ida Pri/ada no Brasil. -ep.bli aG da Belle Dpo'ue  <ra do -dio 0o 6auloG Companhia das Petras, 199L p 3!H K  C8AP8O7B, idneR Fra!al%o #ar e Bote)i(.  cotidiano dos tra!al%adores no :io de Ganeiro da Belle H$o)e  0o 6auloG Brasiliense, 19LJ p 11E 18  lu%ares,  antes ele  es'uerda, depois  direita, indi ando o per urso da rapide/ dos a onte imentos, da super*i ialidade, da *rivolidade Suem d a palavra ini ial, o %esto de isivo, é a mulher O homem, sempre om as m0os no bolso, apenas on orda e onsente =i% 1   A Bo(!a , n 1!  3H set 1913 2=itas modernas;a véspera do asamento& Amamo&nos tanto < se nos asssemosT& <ra nisso 'ue estava pensando;;& <stamos t0o aborre idos e se nos divor issemosT& <stava pensando justamente nisso  A rapide/, a velo idade om 'ue os ostumes mudam e as moças se 2moderni/am é retomada na har%e sobre 2pre o idade moderna (=i%!) Onde antes se supunha um sonho de toda menina&moça, a%ora h espaço para a d.vida, o re eio, a in erte/a do *uturo O 'ue hama a atenç0o é a maneira omo a ena é en'uadradaG um re orte, 'uase uma *e hadura, no limiar do espaço p.bli o e do privado 4esenha&se um jo%o de superposições  *undo das rvores,  abertura entral 'ue repete a silhueta do rapa/  desta ando&se omo um elemento de orativo, ornamental 19
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