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As representações dos cangaceiros Antônio Silvino e Lampião em versos da Literatura de Cordel - Sabrinne Cordeiro Barbosa da Silva/Luciana Borges Patroclo

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Este artigo tem o objetivo de analisar as representações de Antônio Silvino e Lampião em folhetos da Literatura de Cordel. Ao longo do texto são abordadas as características e as contradições presentes nos versos que narram aatuação destes líderes do cangaço. O texto está inserido na perspectiva de que os cordéis se caracterizam como um importante objeto de análise historiográfica, pois seus exemplares se constituem em uma das principais fontes para se compreender as representações destes cangaceiros que circulavam, e ainda se mantêm, junto à sociedade.
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     As representações dos cangaceiros Antônio Silvino e Lampião em versos da Literatura de Cordel Temporalidades – Revista Discente do Programa de Pós!raduação em istória da #$%!  &ol' () n' *) +an,A-r  ./*0 1SS23 *4567*(/ 888'9a9ic:'u9mg'-r,temporalidades P;gina < *.5    As representações dos cangaceiros Antônio Silvino e Lampião em versos da Literatura de Cordel Sa-rinne Cordeiro =ar-osa da Silva Mestranda do Programa de Pós-Graduação em História da UFRJ sabrinnectx@hotmailcom    Luciana =orges Patroclo !outoranda do Programa de Pós-Graduação em História da PU -R#$ lu%atroclo@&ahoocombr  R>S#%?3 'ste artigo tem o ob(eti)o de analisar as re%resentaç*es de +nt,nio il)ino e .am%ião em /olhetos da .iteratura de ordel +o longo do texto são abordadas as caracter0sticas e as contradiç*es %resentes nos )ersos 1ue narram a atuação destes l0deres do cangaço $ texto est2 inserido na %ers%ecti)a de 1ue os cord3is se caracteri4am como um im%ortante ob(eto de an2lise historiogr2/ica5 %ois seus exem%lares se constituem em uma das %rinci%ais /ontes %ara se com%reender as re%resentaç*es destes cangaceiros 1ue circula)am5 e ainda se mant6m5 (unto 7 sociedade PALA&RAS  C A&>3  .iteratura de ordel5 Re%resentação5 angaço  A=STRACT3  8his article aims to anal&4e the re%resentations o/ +nt,nio il)ino and .am%ião through the brochures o/ the ordel .iterature 8hroughout the text are %resented the characteristics and contradictions in the )erses that describe the acti)ities o/ these t9o leaders o/ cangaço 8he text is %laced on the )ie9 that the cordel is as an im%ortant ob(ect o/ historiogra%hical anal&sis5 because their co%ies constitute a ma(or source /or understanding the re%resentations o/ these cangaceiros 9ho circulated5 and still remains5 among the societ& @>B?RDS3   ordel .iterature5 Re%resentation5 angaço 1ntrodução  +o longo da História do :rasil os indi)0duos 1ue marcaram esta tra(etória ti)eram suas  )idas e aç*es narradas e %es1uisadas %or di)ersos cam%os da historiogra/ia ;o cotidiano do ;ordeste se destacaram as narrati)as sobre os /eitos de cangaceiros como +nt,nio il)ino <=>?-=ABBC e Dirgulino Ferreira da il)a <=>A>-=AE>C5 o .am%ião +s mudanças no cam%o historiogr2/ico %ro%iciaram 1ue os textos e biogra/ias re/erentes a estas /iguras %assassem a não se concentrar exclusi)amente nos documentos o/iciais5 estabelecendo-se na atualidade uma articulação com di/erentes ti%os de /ontes liter2rias5 %or exem%lo5 os /olhetos de cordel  + .iteratura de ordel se /irma como um im%ortante ob(eto de an2lise histórica5 %ois dialoga com a )isão histórica %rodu4ida %or %arte dos cidadãos brasileiros e 1ue nem sem%re est2     As representações dos cangaceiros Antônio Silvino e Lampião em versos da Literatura de Cordel Temporalidades – Revista Discente do Programa de Pós!raduação em istória da #$%!  &ol' () n' *) +an,A-r  ./*0 1SS23 *4567*(/ 888'9a9ic:'u9mg'-r,temporalidades P;gina < *.4   %resente nos relatos o/iciais e a historiogra/ia se dis%*e a tal em%reendimento5 não se %ode des%re4ar o cote(o da )ersão o/icial com a %o%ular5 %or1uanto esse con/ronto a(udar2 a reescre)er a )erdadeira história do %o)o brasileiro =  omo salienta John .e9is Gaddis5 não só de grandes momentos e re)oluç*es se )i)e uma sociedade5 mas tamb3m dos )est0gios de seu imagin2rio e de suas re%resentaç*es5 o 1ue %ara muitos historiadores se constitui nos agentes %rinci%ais de uma %es1uisa    +ssim5 o uso dos /olhetos de cordel como /onte de %es1uisa tem o ob(eti)o de com%reender a /orma como a imagem de +nt,nio il)ino e .am%ião circulou no ;ordeste brasileiro 'ste %rocesso de elaboração simbólica acaba %or traçar /ortes laços culturais 1ue %ermeiam a região at3 os dias atuais $s cord3is5 atra)3s de abordagens di)ersas5 mostram desarran(os e antagonismos nas re%resentaç*es sobre os dois cangaceiros egundo andra Pesa)ento5 este ti%o de literatura 3 a memória de uma realidade re%resentada em )ersos 1ue %ode ser usada como /onte de %es1uisa histórica 'ntretanto5 a /icção criada %or ele I o cordel - não 3 um retrato /idedigno da realidade5 mas uma re%resentação do 1ue /icou a %artir desta realidade E  ;esse contexto entende-se 1ue a tem2tica do cangaço 3 dos assuntos mais abordados nos /olhetos de cordel $s cordelistas não %odiam deixar de registrar um mo)imento 1ue te)e in/lu6ncia direta na %ol0tica do ;ordeste e no cotidiano da %o%ulação Um as%ecto a ser ressaltado 3 o /ato deste ti%o de literatura se dedicar a relatar os /eitos dos %rinci%ais l0deres deste /en,meno como +nt,nio il)ino e5 %rinci%almente5 .am%ião5 estabelecendo-se uma relação na 1ual o cordelista reali4a a /unção de biógra/o e os /olhetos de cordel se constituem como um instrumento de memória Para e/eito de an2lise5 /oram selecionados cord3is de autores como .eandro Gomes de :arros e Francisco das hagas :atista5 1ue descre)eram a tra(etória de  +nt,nio il)ino 1uando ele atua)a no cangaço5 Jos3 Pacheco e Rodol/o a)alcanti considerados cordelistas de re/er6ncia sobre o %er0odo de liderança do cangaceiro .am%ião e5 %or /im5 Gonçalo Ferreira da il)a e Jos3 osta .eite5 considerados como cordelistas contem%orKneos sobre o uni)erso do cangaço  Antônio Silvino3 um usticeiro ou um -andido =  +;8$5 $lga de Jesus $ %o)o conta a história FU;!+L$ ++ !' RU# :+R:$+ O Cordel:     8estemunha da História do :rasil Rio de Janeiro Nbano 'ditora5 =A>?%E     G+!!#5 John .e9is Paisagens da História. Rio de Janeiro 'ditora am%us5 OOE%   E  P'+D';8$5 andra Jatah& Relação entre História e .iteratura e Re%resentação das #dentidades Urbanas no :rasil <s3culo Q#Q e QQC Revista Anos 90 5 Porto +legre5 n B5 % ==-=?5 de4 =AA%==     As representações dos cangaceiros Antônio Silvino e Lampião em versos da Literatura de Cordel Temporalidades – Revista Discente do Programa de Pós!raduação em istória da #$%!  &ol' () n' *) +an,A-r  ./*0 1SS23 *4567*(/ 888'9a9ic:'u9mg'-r,temporalidades P;gina < *0/    +nt,nio il)ino 3 um dos %rinci%ais %ersonagens do cangaço a ter sua tra(etória de )ida descrita nos exem%lares da .iteratura de ordel $s %rimeiros /olhetos5 escritos %or .eandro Gomes de :arros e Francisco das hagas da il)a sobre as aç*es do cangaceiro tinham como caracter0stica o /ato de serem narrados na %rimeira %essoa $ trecho do cordel  Antônio Silvino, vida, crimes, julgamento  a%resenta tal caracter0stica ;asci em setenta e cinco ;um ano de in)erno /orte5 ;o dia dois de no)embro5  +ni)ers2rio da morte Por isso o cruel destino !eu-me bandido a sorte B  omo obser)a Rute 8erra5 os cord3is sobre +nt,nio il)ino de)eriam ser lidos como uma es%3cie de autobiogra/ia5 na 1ual o %ró%rio cangaceiro narraria seus /eitos e seus medos ao leitor om esta estrat3gia5 estabelece-se a %ers%ecti)a da não exist6ncia de uma re%resentação negati)a sobre este l0der do cangaço   ;ascido Manuel :atista de Moraes5 +nt,nio il)ino te)e sua iniciação no cangaço descrita a %artir de duas %ers%ecti)as a %rimeira de )i3s sobrenatural e a segunda 1ue /a4 re/er6ncia ao assassinato de seu %ai Francisco :atista de Moraes5 em =>A $ cordel O nascimento de Antonio Silvino  narra a %redestinação de il)ino %ara se tornar um cangaceiro e a sua con)i)6ncia com a morte !i4 minha mãe 1ue eu nasci ;um dia de 1uarta-/eira5 Suando /oram dar-me banho Foi )isto %ela %arteira Sue tinha em minha cintura  + marca da cartucheira !ias de%ois minha mãe !e)ulgou outro signal 'm meu lado es1uerdo um ri/le e di)ulgou a/inal ;a %alma da mão direita  Disi)elmente um %unhal   $ /ato de ter nascido em dois de no)embro5 !ia de Finados5 e %ossuir um ri/le e um %unhal como marcas de nascença simboli4a)am 1ue a sua entrada %ara o cangaço e os crimes cometidos %or ele (2 esta)am traçados em seu destino 'mbora alguns /olhetos %rocurem B  :+8#8+5 Francisco das hagas  Antônio Silvino, vida, crimes e julgamento  sTd%     8'RR+5 Rute :rito .emos  emórias de lutas:    literatura de /olhetos do ;ordeste <=>AE-=AEOC ão Paulo Global5 =A>E%=O?     :+RR$5 .eandro Gomes de :arros O nascimento de Antonio Silvino  sTd%-E       As representações dos cangaceiros Antônio Silvino e Lampião em versos da Literatura de Cordel Temporalidades – Revista Discente do Programa de Pós!raduação em istória da #$%!  &ol' () n' *) +an,A-r  ./*0 1SS23 *4567*(/ 888'9a9ic:'u9mg'-r,temporalidades P;gina < *0*   estabelecer uma %ers%ecti)a simbólica5 o assassinato de seu %ai 3 descrito como o %rinci%al acontecimento %ara 1ue il)ino se tornasse um cangaceiro5 al3m do /ato de o crime não ter sido in)estigado %elas autoridades %oliciais ;o ano no)enta seis Meu %ai /oi assassinado Pela /am0lia dos Ramos5  J2 sendo nosso intrigado5 Um deles5 o Jos3 Ramos5 Sue era subdelegado Para %unir esse crime ;ingu3m se a%resentou  + Justiça do lugar  8amb3m não se interessou  +os bandidos a %ol0cia Pareceu 1ue auxiliou ?   ;o mesmo cordel 3 abordada a %ers%ecti)a de 1ue +nt,nio il)ino conside)a 1ue o nico meio %ara se /a4er (ustiça5 no caso de seu %ai5 seria entrar %ara o cangaço e se )ingar dos mandantes do assassinato ;o ano de no)enta e sete5 Um %arente e amigo5 $ )elho il)ino +ires5 !issera-me - Dem comigo  +o 8eixeira5 1ue eu %reciso  Dingar-me de um inimigo VW Por1ue meu tio il)ino !ese(a)a castigar 'sse delegado a/oito Sue um dia mandou cercar ua /a4enda5 e os mó)eis !e casa mandou 1uebrar VW Pouco de%ois desse crime5 Meu tio che/e )oltou Para o Pa(e de Flores5 $nde a %ol0cia o %egou ;osso gru%o reuniu-se ' seu che/e me aclamou  +o )er-me che/e do gru%o5 Meu %ró%rio nome mudei 'ntão %or Manoel :atista ;unca mais eu me assinei5 ' /oi de +ntonio il)ino $ nome 1ue eu adotei >  ?  :+8#8+5 Francisco das hagas  Antônio Silvino, vida, crimes e julgamento  sTd%E   >  :+8#8+5 Francisco das hagas  Antônio Silvino, vida, crimes e julgamento  sTd%-?  
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