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Carta de Avaliação do Coletivo de Estudantes de Educação Física sobre as Eleições para o DCE UFSM

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Carta do Coletivo de Estudantes de Educação Física sobre o processo de eleições para o DCE - UFSM O Coletivo de Estudantes de Educação Física vem por meio desta nota colocar a avaliação sobre o processo de eleições para o DCE da UFSM. Nela buscaremos trazer uma breve retomada dos acontecimentos ocorridos no processo de construção tanto da chapa de oposição ao governismo, quanto também apontar elementos de crítica para pensarmos o processo de reorganização do movimento. Entendemos que a crítica é necessária, mas se dá antes de tudo na busca de construção do movimento com respeito aos coletivos que se colocam no mesmo lado da trincheira e tem construído no cotidiano as lutas de enfrentamento as políticas do governo PT quanto também dos seus representantes no movimento estudantil da UFSM, estes Articulação de Esquerda/PT e Levante Popular da Juventude. Assim, as críticas colocadas objetivam a tentativa de fazermos um balanço do que foi este processo visando nos próximos espaços de construção do movimento nos rearticularmos e construirmos a unidade dos que lutam e que tem por objetivo último a reorganização do movimento estudantil. O inimigo é o governismo e o sistema do capital e não aqueles que se colocam no mesmo lado. O Papel das Eleições para o DCE-UFSM pós Jornadas de Junho Entendemos que as eleições cumprem um papel politico com a comunidade acadêmica, sendo um espaço que abre espaço para a ampliação de debates políticos no meio estudantil e assim contribui para a busca de elevação da consciência dos estudantes. Portanto, as eleições não devem ser entendidas como o fim único da militância, mas parte de um processo mais amplo, o qual temos caracterizado como de reorganização do movimento estudantil e da classe trabalhadora. O ano de 2013, quando milhares de jovens e trabalhadores saíram às ruas contestando a insuficiência da institucionalidade – tanto burguesa, quanto a de partidos e sindicatos – demonstrou a necessidade de repensarmos a forma de construção do movimento estudantil tendo em vista a forte burocratização, aparelhamento e esvaziamento das lutas advindo do ciclo de lutas do PT. A ida de milhares as ruas, foi um puxão de orelha a todas as organizações de esquerda, que embebidas no calendário eleitoral e de disputa de aparatos não conseguiu dar as respostas necessárias para o enfrentamento frente à pauta dos transportes, do Fora Copa e da defesa da saúde e educação pública levantadas. Diante da compreensão de que estas pautas carregam em si um programa político de esquerda, entendemos que toda a esquerda foi a reboque do movimento de massas. Além disso, demonstrou os limites colocados pela institucionalização das lutas e reivindicou a necessidade da ida permanente às ruas, construindo processos de luta unitários, através de espaços amplos, horizontais e democráticos - como exemplo construção de Blocos de Luta em Porto Alegre e Santa Maria – nos quais o debate nas divergências enriquece e constrói as ações do movimento. Diante desta conjuntura de (re)pensar o movimento a partir da unidade dos que lutam e da construção de espaços democráticos, entendemos que o processo de eleições do DCE-UFSM deveria representar o acúmulo político-organizativo conquistado pelos lutadores de Santa Maria que durante Junho e Julho saíram as ruas buscando combater o governismo e a burocratização do DCE e Conselho de DAs através da construção do Bloco de Lutas. Processo de Construção da Chapa 2: a busca pela unidade! Nesse sentido, já de antemão é preciso tecer críticas à forma como se deu o processo de construção da chapa 2 – Muda DCE, a qual se reivindicava a oposição de esquerda as gestões encabeçadas pela Articulação de Esquerda/PT. Longe de representar a necessidade levantada pelas ruas de busca de unidade e a construção do movimento, o que vimos foi à negação dos processos de junho e julho. Encabeçada pelos coletivos União da Juventude Comunista (PCB) e JUNTOS (MES/PSOL) a busca de unidade dos que lutam construída nos espaços do movimento e no amplo debate programático não aconteceu. Desde o primeiro momento a construção se restringiu a conversas bilaterais entre coletivos – estes escolhidos pelos PCB – e não como o movimento exige, buscando unificar os lutadores que constroem no cotidiano o enfrentamento as políticas educacionais e de governo. Na segunda plenária, da qual decidimos participar, os coletivos já citados juntamente com o Rompendo Amarras que construía o processo antes da plenária reivindicaram uma reunião entre coletivos. Negamos tal forma de construção, pois a unidade deveria se dar junto à base do movimento e em plenária aberta, conforme foi chamada pelos coletivos. Nesse momento a UJC/PCB deixou bem claro que não gostaria que nosso coletivo se fizesse presente na plenária e que se isso ocorresse, deveria ser segundo o aval deles. Apesar disso, compomos a plenária e propusemos o debate em torno da situação política do país pós os processos de junho, o qual foi encaminhado para uma próxima plenária, esta no sábado. Segundo a militância da UJC/PCB a unidade deveria se dar através de conversas bilaterais entre grupos, o que sob a nossa compreensão esvazia as plenárias de construção do movimento do debate político programático e da exposição das divergências, rebaixando a consciência dos estudantes como se estes não tivessem a capacidade de discernir entre as linhas políticas apresentadas e além de tudo ter e apresentar a sua própria análise da realidade. A forma de construção por bilaterais em nada representa a dinâmica de construção do movimento estudantil e além disso vai na contramão do que as jornadas de junho representou. Na realidade, representa a verticalização de partidos e organizações frente ao movimento estudantil, fato que tem contribuído tanto para acentuar os vícios da reorganização – como o aparelhamento e a burocratização - quanto também afastar a juventude das lutas. Apesar disso, colocando a unidade a frente de nossa formação de construção e não negando processos de articulação entre os coletivos nos dispusemos a sentar com a UJC/PCB na tentativa de através do debate programático buscar a construção da unidade. Neste espaço, apresentamos quatro pontos programáticos para o debate, quais sejam: necessidade de superação do ciclo/PT e do Projeto Democrático e Popular; luta em defesa da universidade e educação públicas – contra a reforma universitária de Lula/Dilma/PT; luta contra os megaeventos - Copa e Olimpíadas no Brasil; e discussão sobre o processo de reorganização do movimento estudantil. Apesar disso, o que vimos foi a total negação de tentativa de unidade e a demonstração de vícios que correspondem aos processos de perseguição política e expurgo de militantes da época stalinista. Quando questionados sobre o debate programático as resposta que recebemos foram a de que nossa participação seria ruim para a disputa eleitoral pelos processos que ocorreram frente ao DACEFD e que não era nem para participarmos das plenárias de chapa, nem para oferecer apoio público a chapa que estava sendo construída, desconsiderando todo o processo de criminalização do movimento estudantil no CEFD vivenciado nos últimos meses. Após tal imposição, a reunião bilateral implodiu e a tentativa de unidade deveria se dar no espaço no qual ele sempre ocorreu, nos espaços amplos e democráticos do movimento. O que nos ficou caracterizado é que a União da Juventude Comunista se colocava como sendo dona do movimento estudantil, inclusive ditando como os demais grupos de esquerda deveriam atuar frente ao processo de eleições do DCE, fato que pelo conjunto do movimento estudantil deve ser criticado e jamais reproduzido. Para nós, esta forma de construção foi um desrespeito para com o movimento e expressou a tentativa deste setor se autoconstruir como a única alternativa política e organizativa, mesmo que para isso fosse necessário à expulsão e o combate a coletivos que construíram e vem construindo lutas de enfrentamento ao governismo no cenário local e nacional. Mesmo com o veto declarado pelo PCB, nos colocamos a construir a plenária de sábado, buscando no movimento expressar nossas opiniões e buscar no debate amplo e democrático a unidade necessária para as lutas que virão. Apesar de toda a disposição a construir a unidade entre todos os coletivos de movimento estudantil que fazem enfrentamento as políticas neoliberais, o que se evidenciou neste espaço foi a mesma truculência e verticalização dos partidos e coletivos frente ao movimento. Pela primeira vez na história do movimento estudantil da UFSM desde nossa recente militância que se iniciou nos anos de 2006, vimos um setor – UJC/PCB e JUNTOS/MES defender uma plenária fechada em apartamento da casa do estudante, negando a divergência e a democracia nos espaços de militância. Para além disso, visualizamos veto de construção sem debate programático e sem justificativa. Cabe colocar, que o veto ao nosso coletivo vinha por parte da UJC/PCB e que o JUNTOS/MES também declarou veto a ANEL/PSTU devido a fatos ocorridos em gestão do DCE - UFSM no ano de 2001 em relação à prestação de contas. Mesmo frente a tudo isso, referenciamos a construção da chapa 2 através da unidade dos coletivos e dos demais lutadores da UFSM – estes organizados ou não – buscando avançar a construção da luta anti-governista e com perspectiva classista. Tendo isso em vista, abdicamos inclusive da composição da chapa para possibilitar que a unidade fosse construída com os demais cinco coletivos que compõem este campo no Movimento Estudantil em Santa Maria. Com o veto a ANEL/PSTU esta unidade se impossibilitou ainda mais e saímos nas eleições do DCE-UFSM com uma chapa que não representa o conjunto de lutadores que constroem no dia a dia os processos de resistência e enfrentamento. Mesmo tendo sete coletivos que se colocam no campo anti-governista visualizamos quase que sem atuação a imposição de uma forma de construção que em nada representa os processos de unidade já construídos como fora na Ocupação de Reitoria e na Frente de Esquerda no ano de 2011, nas Eleições para o DCE-UFSM no ano de 2012, na luta contra a burocracia nos Conselhos de DAs e contra a privatização do HUSM via EBSERH. As eleições em si: um pouco mais do mesmo Diante de todo o exposto, compreendemos que o processo eleitoral não trouxe um cenário diferenciado capaz de continuar a luta que a juventude e os trabalhadores potencializaram nas jornadas de junho. Devido a ausência de debate político programático e através das divergências construído na base do movimento estudantil o processo eleitoral foi caracterizado por um alto índice de despolitização dos debates, ficando restrito apenas a críticas as antigas gestões, mas nem de longe debatendo concepções de movimento, educação, saúde, transporte público e propostas para a sua construção. Evidenciou-se uma clara distinção entre aqueles que debatem a política para as eleições e os demais estudantes que são representados por estes. Tal forma de construção não contribui para a renovação do movimento estudantil e para o processo de reorganização. Além disso, pela centralização dos debates nos coletivos que compunham a chapa não evidenciou-se uma proposição clara de alternativa ao governismo no DCEUFSM. Não houve diferenciação político programática restringindo todas as lutas anteriores meramente ao calendário eleitoral. O tão criticado amoldamento a lógica eleitoral que rege os partidos políticos no Brasil acabamos reproduzindo no movimento estudantil um ano antes das eleições presidenciais de 2014. Apesar da vitória nas urnas na cidade, entendemos que este processo não se restringe ao trabalho dos coletivos que compuseram a chapa 2 – Muda DCE. Este processo de desgaste da política democrático e popular se dá devido tanto a determinantes mais amplos que colocam em cheque a permanência de tal política par a juventude e os trabalhadores, quanto também do trabalho cotidiano de todos os coletivos que no dia a dia levam o debate aos estudantes e tem construído lutas em seus espaços de atuação. Sendo assim, entendemos como equivocada a negação por parte da chapa 2 do apoio político oferecido por nós durante o pleito eleitoral, mesma esta decisão não ter sido tomada em unanimidade na chapa e em uma plenária extremamente esvaziada. Tal negação expressa além da já afirmada autoconstrução da UJC/PCB a sua tentativa de aparelhamento e burocratização do processo eleitoral, demonstrando novamente a imposição dos interesses de um setor do movimento a todo o movimento. Além disso, cabe pontuar que a derrota em Frederico Westphalen mesmo tendo elementos de contestação a realização de boca de urna e burlagem do processo eleitoral representa os limites que a esquerda ainda tem no movimento estudantil em Santa Maria de ampliar seu trabalho para outros campis. Historicamente temos perdido nesses locais devido a utilização do aparato do DCE tendo fins eleitorais, mas compreendemos que a busca de anulação de mais de 500 votos é fator bastante contraditório e que inclusive tende a dificultar ainda mais a construção de um processo a esquerda nesse lugares. A superação deste processo se dará não com a simples tomada do DCE através de processos institucionais ou burocratizados como os Conselhos de DAs ou Eleições, mas sim deve ser fruto do intenso trabalho de base que cabe a todos nós realizarmos. A derrota nestes lugares é fruto do processo de reorganização que vivemos e deve ser entendida assim. É tempo de avançar, com quem vai do mesmo lado Apesar das críticas, o ano de 2014 será de muito enfrentamento a vinda da Copa do Mundo e a repressão que esta acarretará em todos os ambitos da vida social. Se a esquerda não se dedicar a tomar para si os questionamentos dados pelo movimento de massas no ano de 2013 a forma de construção de nossos espaços, novamente seremos tragados pela repressão e pelas propostas de enfraquecimento do movimento. Como já colocado anteriormente, é tempo de buscarmos a unidade dos que lutam, atuando na base dos estudantes e buscando fortalecer a construção do movimento. Os vícios de autoconstrução, aparelhamento, burocratização, institucionalização e governabilidade só serão superados em meio a este processo, com a esquerda se olhando no olho e buscando a unidade, apontando seus limites e buscando em avaliações constantes a superação do ciclo de lutas atuais. O processo construído como alternativa as eleições e continuidade do que foi Junho no Brasil – o Construindo Debates – pode ser um ótimo espaço no qual poderemos buscar a unidade dos que lutam. Além disso, a própria dinâmica na qual a universidade se coloca como o enfrentamento a EBSERH pode aproximar os lutadores na tentativa de uma nova síntese ao processo de reorganização. Nestes, nos colocamos abertos ao debate e a tentativa de construção do movimento sob outras bases que não estas vivenciadas e apontadas no processo eleitoral.
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