Documents

Contos Do Mar A lenda de Rannamaari - capítulo degustativo

Description
Livro de ficção, história que mistura aventura e mistério. Por Carla Dias
Categories
Published
of 6
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
  Capítulo IO frio da noite havia se estendido madrugada afora. A névoaque começara rara, agora era densa e encobria a baía, ainda assim,eu desfrutava de uma bela vista ao parapeito da janela de meuquarto. inha m!e mandara me para a cama fa#ia $ horas, o sono,entretanto, custava a chegar.Ouvi a quando se levantara e dirigira se até a biblioteca, creioeu. %la sempre &cava junto de meu pai até tarde da noite' a bibliotecaera um dos lugares que eu mais gostava da casa, livros de todos osassuntos possíveis e imagin(veis.inha m!e era uma mulher belíssima, austera em suaapar)ncia sempre calma, por ve#es, tornava se tempestuosa, masainda assim linda* +inda na alegria da brisa de um dia primaveril eainda mais linda na melancolia que um nebuloso dia de chuvisco.eus cabelos eram longos mareando em negras ondas e seus olhoseram profundos e cin#entos.as n!o eram meus pais que me importavam naquelemomento. O meu quarto &cava no segundo andar da casa, eraespaçoso, com uma cama em madeira simples no meio e cortinasbrancas cobrindo as paredes. -!o havia muitos brinquedos, mas eracheio de relíquias e artefatos n(uticos, eu fa#ia coleç!o de tudo o queeu conseguia e que meu pai me tra#ia dos mares.  inha an#/is, lascas de madeira de navios, pedras, estrelas domar e muitas conchas0 grandes, médias, pequenas, coloridas, semcores' uma das minhas favoritas estava em minha m!o. %ra umaconcha grande cor de salm!o, de dentro dela o som do oceano e deve# em quando ouvia uma melodia triste tocada por uma gaitadistante, naquele dia eu a ouvia, o som da melodia apro1imava se,parecia querer di#er alguma coisa.A minha vista era uma das mais privilegiadas0 nossa casa &cavano topo de uma espécie de morro, abai1o, via se uma estrada de  pedras descendo em direç!o ao porto, ao leste, a areia prateada soblu# de lua quase sumida de t!o minguante, do outro lado, encobertopelo morro, o mar estendia seus braços em direç!o ao oceano.or(vamos na -ova Inglaterra.eus pais eram de +ondres' apesar de papai ser 2nico &lho,/rf!o de abastados comerciantes, herdando toda a fortuna,resolveram, ele e minha m!e, refugiarem se na América. Isso foidepois do meu nascimento, talve# por quest3es religiosas, mas nuncasoube ao certo.Ao longe, eu esperava a chegada de outra pessoa muitoimportante em minha vida' o senhor Capit!o Chapman. Além de serum homem e1tremamente habilidoso em alto mar e situaç3es derisco, possuía um coraç!o de ouro. %ra outro que me ajudava nacoleç!o de relíquias.-o amanhecer seguinte 4 madrugada que fui assolado poransiedade e ins5nia, eu tentaria velejar a bordo do 6 riumph, eraum gale!o novo em folha. alve# n!o fosse dos melhores navios da7o8al -av8, mas eu o adorava. 9ara mim era o melhor navio domundo* enhor Chapman, ou tio :en, como ele me pedia para cham( lo,sempre me dei1ava passear pelo navio, e disse que talve# eunavegasse da pr/1ima ve# em que ele viesse 4 baía. Isso me empolgava, a idéia de navegar, e apesar de a idéia n!oagradar aos meus pais, eu pretendia tornar me marinheiro, sepossível, junto ao senhor Chapman' seria uma honra.O trabalho dele era basicamente garantir a segurança damarinha mercantil e, com o potente e impetuoso riumph, eleenfrentava os piratas e tudo o mais que ameaçasse a soberaniainglesa. oda ve# que ele chegava, contava as hist/rias de suascaçadas e batalhas. empre cheio de magia, sempre cheio de piratas'nunca imaginei quantos tipos havia0 chineses, ingleses, americanos,uma in&nidade. enhor Chapman di#ia que o verdadeiro dono do mar  era um pirata, o que era estranho, pois ele caçava piratas, masrespeitava os. %u gostava de uma hist/ria em particular0 o mistério do naviosombrio, era assim o titulo de minha hist/ria. enhor Chapmancontava que ainda com $; anos, ou seja, h( pelo menos uns <; anosantes de eu nascer ele viu um navio, de velas muito negras quepareciam feitas de sedas re=etindo a lu# da lua, escondendo se nomanto da noite sem estrelas' ele desli#ava manso sobre as (guas,cortando lentamente o mar' no castelo da proa, viu uma &gurapequena, parecida ao de uma moça' uma pirata mulher* Até parece,todos sabem que mulher a bordo tra# a#ar. >e qualquer maneira, l(estava o navio, em meio 4 nevoa' a silhueta olhava &1amente para omar, pelo menos parecia fa#er isso. ?ma segunda silhueta apro1imou se, um homem gordo e agigantado carregava a espada em riste, masa moça n!o parecia perceber. %le ia decep( la ali mesmo, a garotan!o se movia, continuava a contemplar o mar. %nquanto o golpedescia em sua direç!o, o mar tremeu e as (guas calmas espiaram. Omovimento foi e1tremamente r(pido. %la continuava parada, no altodo castelo da proa, mas j( n!o observava o mar, via apenas a cabeçado homem rolar convés afora. O mar agitara se em duas grandesondas e a névoa dissipou se junto com o navio. %ra uma boa hist/ria de piratas, pensava eu. eu pai tambémme tra#ia historias quando vinha das Antilhas. @a#ia dois dias quehavia chegado de sua 2ltima viagem, dessa ve#, porém, meupresente foi uma corrente com um pingente, ou metade dele, era ummetal que n!o sei di#er' n!o era prata, n!o era ouro, mas era duro,parecia um pingente quebrado, talve# uma cabeça de caveira, penseiem ver uma serpente marinha, mas n!o dava para di#er. Como j( dito, dormir era impossível, l( fora o mar, os mistériosdas negras (guas, a vida no riumph. >oce sonho*%m meio aos meus devaneios e lembranças, percebi a baía e apraia encobertas de uma névoa muito densa e negra. ?m vulto negrodesli#ando, passando manso vinha em nossa direç!o. %u n!o me  lembrava de v) lo apro1imarse, j( estava ali como se sempreestivesse. >e repente, um clar!o* -!o sei como, mas eu acordava nos braços de Biara, os olhosvermelhos, chorando, aos tropeços a escrava carregava me escadariaabai1o. ais um barulho, mais um clar!o, eram tiros de canh!o.O caos j( estava estabelecido na rua, apesar da pouca idade,recordo me como se fosse ontem, os gritos desesperados das m!es asalvar os pequenos. Os tiros e gemidos tornavam o negrume da noiteem rubro amanhecer.Biara falava algo incompreensível na sua língua materna. Anegra esbaforida, comigo j( pela m!o olhava para os lados perdida.Ao descer, deparamo nos com um homem pequeno no primeiroandar. 6avia uma arma pesada e prateada na m!o direita do homem'parecia uma foice dupla, ele estava em pé ao lado de dois corpos noch!o, eram também criados da casa. +embrei me que ali no primeiro piso &cava a biblioteca depapai, a foice soltando se da m!o do homem voou velo#mente sobreminha cabeça, atingindo Biara' senti sua m!o soltar num despencarbrusco, j( n!o havia lu#es e o ar pesava com o sangue.O homem tinha cabelos bem ralos e olhos que mais pareciampoços profundos, ao degolar a escrava com a foice deu uma longagargalhada, deliciando se com a cena.%u corri assustado e entrei numa portinhola, era minhapassagem secretaD que dava direto na biblioteca, uma sala cheia deestantes. %m meio ao medo e a agonia me escondi num v!o de umadas v(rias estantes ocultas pelas sombras da noite. E( achando que tudo aquilo n!o passava de um terrívelpesadelo, vi...abe, acho que sempre tive uma veia pirata, sempre fuifascinado pela bandidagem daqueles que cru#am a vida aos saboresdas (guas. inha em mim o sonho e a magia do mar, dos que vivemno mar, dos que s!o FdGo mar.
Search
Tags
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks