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Tecnologias, Humanização e o Cuidado de Enfermagem Na UTI - Uma Revisão Bibliográfica

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Tecnologias, humanização e o cuidado de enfermagem na UTI - uma revisão bibliográfica
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  Vol.18,n.3,pp.50-55 (Abr - Jun 2014) Revista UNINGÁ Review ISSN  online  2178-2571 Openly accessible athttp://www.mastereditora.com.br/review TECNOLOGIAS, HUMANIZAÇÃO E O CUIDADO DEENFERMAGEM NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA:UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA TECHNOLOGY, HUMANIZATION AND NURSING CARE IN THE INTENSIVE CARE UNIT: A REVIEW BIBLIOGRAPHIC MARLIZE  KOTZ 1 ,GLORIANA  FRIZON 2 ,OLVANI MARTINSDA SILVA 3 ,CLEIDE LUCIANA TONIOLLO 4 ,ROSANA AMORA ASCARI 5 1. Enfermeira Assistencial na Associação Hospitalar Lenoir Vargas Ferreira. Especialista em Saúde Coletiva (FACINTER). Especialista em Enferma-gem em Unidade de Terapia Intensiva (UNINGÁ); 2. Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Docente do Departamento de Enfermagem (UDESC); 3. Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem (UFRGS). Mestre em Unidade de Terapia Intensiva. Docente do Departamento de Enfermagem da Univer-sidade do Estado de Santa Catarina (UDESC); 4. Enfermeira. Mestre em Envelhecimento Humano (UPF). Docente do Departamento de Enfermagem(UDESC); 5. Enfermeira. Mestre em Saúde Coletiva. Doutoranda em Enfermagem pela UFRGS. Docente do Departamento de Enfermagem (UDESC).*Rua Uruguai, 1471-D, Saic, Chapecó, Santa Catarina, Brasil. CEP: 89802-501.toniollocleide@yahoo.com.br  Recebido em20/05/2014. Aceito  para publicação em21/05/2014 RESUMO O objetivo do estudo foi identificar os aspectos das tecnolo-gias que interferem na humanização da assistência de en-fermagem em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).Ametodologia utilizada é uma revisão bibliográfica, compesquisa em banco de dadosBIREME, LILACS (Literatu-ra Latino-Americana em Ciências deSaúde), MEDLINE(Literatura Internacional em Ciências da Saúde), SciELO(  Scientific Electronic Library Online ) e BDENF (Base deDados Bibliográficos Especializada na Área de Enferma-gem do Brasil).A coleta de dados ocorreu entre os meses deagosto a novembro de 2012, buscou-seartigos, produzidosno período de 2001 a 2012.Evidenciou-se que os aspectosdas tecnologias que interferem na humanização da assis-tência de enfermagem podem ser desde a recepção ao aco-lhimento do paciente e da família, perpassando pelos cui-dados simples de aferição de sinais vitais, bem como a ma-nutenção da vida do paciente com os equipamentos maiscomplexos. Os profissionais desenvolvem seu trabalho comconhecimento das doenças, medicamentos, equipamentos,técnicas e procedimentos aliado a tudo isso uma tomada dedecisão eficaz e agilidade nos momentos críticos.Conclu-iu-seque são vários os aspectos das tecnologias que inter-ferem na humanização da assistência de enfermagem. PALAVRAS-CHAVE: Tecnologia, enfermagem, humani-zação da assistência. ABSTRACT The objective aspects of the technologies that interfere with thehumanization of nursing care in a Intensive Care Unit (ICU)was identified. The methodology used is a literature reviewwith research database BIREME (Latin American Literature inHealth Sciences) LILACS, MEDLINE (International Literatureon Health Sciences), SciELO (Scientific Electronic LibraryOnline) and BDENF (Base Bibliographic data Specialized areaof Nursing Brazil). Data collection occurred between Augustand November 2012, we sought articles produced in the period2001-2012. Was evident that aspects of the technologies thatinterfere with the humanization of nursing care can be provid-ed at the reception care of the patient and family, passing bysimple care formeasuring vital signs, as well as the mainte-nance of life of patients with more complex equipment. Pro-fessionals develop their work with knowledge of diseases,medications, equipment, techniques and procedures combinedwith all this an effective decisionmaking and agility in criticalmoments. That there are several aspects of the technologiesthat interfere with the humanization of nursing care is com- pleted. KEYWORDS : Technology, nursing, humanization. 1. INTRODUÇÃO O trabalho da enfermagem na Unidade deTerapiaIntensiva (UTI) é marcadopor situações conflitantes eque envolvem seres humanos fragilizados, devido aoestado de doença, ambiente muito diferente do que osindivíduos estão habituados, bem como, uma estruturafria equipada de tecnologias utilizadas pelos profissio-nais de saúde na assistência aos pacientes. É necessário,compreender, o contexto atual que reflete a arte de cui-dar inserida num ambiente repleto de tecnologias leves eduras, procedimentos invasivos e rotinas rígidas.A utilização dastecnologias no campo da saúde podeser entendida como uma mediação na evolução dos  Kotz et al. / Uningá Review V.18,n.3,pp.50-55(Abr-Jun2014) ISSN  online  2178-2571 Openly accessible athttp://www.mastereditora.com.br/review equipamentos e novas técnicas de cuidado em saúde edessa forma fortalecendo e qualificando o cuidado deEnfermagem. Pode-se afirmar que existe uma aproxi-mação muito grandeentre cuidado e tecnologia visto queas inovações em tecnologias favorecem o aperfeiçoa-mento do cuidado 1 .É necessário compreender o contexto atual que re-flete a arte de cuidar inserida num ambiente repleto detecnologias, com diversos procedimentos invasivos ao paciente, rotinas, normas e regras rígidas que devem ser seguidas no desenvolvimento do trabalho da equipe deenfermagem, sendo que estes fatores podem interferir demaneira significativa no cuidado ao paciente.Ao se considerar esses aspectos, desenvolvemos o presente estudo que teveporobjetivo identificar os as- pectos das tecnologias que interferem na humanizaçãoda assistência de enfermagem em uma Unidade de Tera- pia Intensiva. 2. MATERIAL E MÉTODOS Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica,com pesquisa em banco de dados seguindo as etapas queforam: definição do tema e objetivos; estabelecimentodos critérios da inclusão dos artigos; definição dainformação a ser extraída dos artigos selecionados;seleção dos artigos e apresentação da revisão e dosresultados. Os artigos selecionadosforam produzidos no período de 2001 a 2012, com pesquisa em banco dedadosBIREME, LILACS (Literatura Latino-Americanaem Ciências de Saúde), MEDLINE (LiteraturaInternacional em Ciências da Saúde), SciELO ( Scientific Electronic Library Online ) e BDENF (Base de DadosBibliográficos Especializada na Área de Enfermagem doBrasil).A coleta de dados ocorreu entre os meses deagosto a novembro de 2012 comos descritoresTecnologia, Enfermagem, e humanização da assistência.Para a seleção do material foram utilizados comocritérios de inclusão: artigos publicados nos últimos 10anos, estudos que abordaram o tema unidade de terapiaintensiva, tecnologias na assistênciaàsaúde,humanização da assistência ao paciente deautoria deenfermeiros, escritos em português. Os artigosselecionados foram analisados seguindo-se um roteironorteador com os tópicos: autores e ano de publicação,objetivos, instrumento de coleta de dados e conclusões. 3. RESULTADOS  Na análise constatou-se de 21 artigos. Ao se analisar os delineamentos de pesquisa mais frequentes na amos-tra estudada identificou-se que 19 foram realizadas atra-vés da metodologia de abordagem qualitativa e dois deabordagem quantitativa. Estes estudos tiveram aindaabordagemdescritiva e descritiva exploratória.Para a coleta de dados os autores utilizaram os mé-todos de entrevistas, questionário e observação. Sendoque cinco artigos foram elaborados com base em entre-vistas, dois estudos com base em questionário e outrosdoisestudos com base na observação.A análise qualitativa dos estudos possibilitou o agru- pamento dos dados em três unidades temáticas relacio-nadas da seguinte forma: primeira unidade trabalho daenfermagem, gerenciamento, qualificação profissional etecnologiatotalizando nove artigos, segunda unidadeforam selecionados oito artigos abordando o cuidado etecnologia na UTI e a terceira unidade humanização etecnologia contemplando quatro artigos. 4. DISCUSSÃO A primeira categoria que emergiu foi o trabalho daenfermagem, gerenciamento, qualificação profissional etecnologia. Os artigos colocam as características do tra- balho, a formação e qualificação dos enfermeiros de umaunidade de cuidados intensivos, discutindo suas impli-cações na assistência de enfermagem, perpassando ogerenciamento do trabalho da enfermagem e sua unidadede atuação quanto ao uso das tecnologias.A inserção do enfermeiro no mercado de trabalhoocorre com pouca ou nenhuma experiência em setores decuidados intensivo destacandoque o enfermeiro novatosente-se despreparado para lidar com situações específi-cas, havendo uma discrepância entre o que ele sabe e faz, para aquilo que deverá saber e fazer, por outro lado, oenfermeiro especialista possui uma visão apurada dasituação, que lhe possibilitaresolver problemas de umaforma diferente do iniciante, haja vista que a experiênciatende a fazer com que este se mova para a solução do problema com maior eficiência 2 .Diante disso, destacamos que é necessário realizar treinamento com os enfermeiros iniciantes, para queestes possam atuar de forma mais segura e eficiente, principalmente quando necessita aliar o cuidado ao ma-nuseio de tecnologia. Para a prestação de uma assistên-cia integral ao cliente em estado crítico é necessário queos enfermeiros estejam capacitados e familiarizados comtodas as etapas do processo de trabalho, para que se ob-tenha o máximo de proveito da tecnologia em benefíciodo cliente 3 .Cabe à organização, no caso, os hospitais, comungar esforços no sentido de recrutar e selecionar profissionaisdo mercado de trabalho, ambientá-los, desenvolvê-los eincorporá-los ao espaço produtivo, empregando-os paraatender as necessidades da organização e do profissional.Aos gerentes, cabe criar espaços de inovação e coopera-ção, pois os sereshumanos devem ser entendidos comoseres ativos e dinâmicos, garantindo ainda, a sua empre-gabilidade num mercado altamente competitivo pelaatual filosofia de globalização da economia mundial 4 .É possível dizer que o tempo de formação profissio-nal é uma característica importante para a análise do  Kotz et al. / Uningá Review V.18,n.3,pp.50-55(Abr-Jun2014) ISSN  online  2178-2571 Openly accessible athttp://www.mastereditora.com.br/review  perfil dos profissionais que trabalham em terapia inten-siva 4 . Em um estudo sobre a formação dos profissionaisde enfermagem em UTI ficou caracterizado que metadedos sujeitos tinha mais de cinco anos de formação, nãosignifica que se trate de veteranos, visto que o enfermei-ro pode ter longa experiência em outra área, mas aindanão domina os elementos necessários ao cuidado do cli-ente sob cuidados intensivos, podendo, pela falta de ex- periência nessa área ser considerado um novato na UTI.Assim, a classificação entre novatos e veteranos deve ser feita tomando por base não o tempo de formação profis-sional, mas em termos de experiência de atuação numdado cenário 2 .A enfermagem se apoia em duas grandes bases deatuação:a tecnologia do cuidado como expressão dosaber fazer e o valor da vida como sustentação moral eética do seu trabalho, que por sua vez se sustentam coma formação profissional, a produção científica e filosófi-ca e com as estratégias políticas 5 .O preparodessa mão de obra envolve, basicamente,treinamento de pessoal entendido como um processo demudança planejada, que visa à obtenção de determinadocomportamento com o mínimo de esforço e o máximode rendimento e satisfação para o profissional e a insti-tuição 4 . Nesse sentido, as tendências gerenciais têm apontado para a ênfase no desenvolvimento de organizações queinvestem no capital humano, na incorporação perma-nente de novos conhecimentos e habilidades de ser. Neste mercado de serviços de saúde cada vez maiscompetitivo, a Enfermagem como um grupo profissionalexpressivo do setor, tanto no quantitativo de pessoasenvolvidas, quanto na importância e participação nos processos, sofre diretamente o impacto dessas transfor-mações. Necessita acompanhar essas tendências paraincorporar as mudanças e inovações através de novasmaneiras de ser, pensar, fazer e transformar-se, enquanto produtora de saber, quando realiza o seu trabalho 5 .O gerenciamento de enfermagem envolve o a admi-nistração de recursos humanos e materiais, aliado a tudoisso o conhecimento teórico e prático do profissional.Reforça essa ideia dizendo que uma das vertentes do processo de gerenciamento desempenhado pelo enfer-meiro é o de gerir unidades e serviços de saúde, quecompreende administraçãodos recursos humanos e ma-teriais, prevendo e provendo recursos necessários deassistência às necessidades dos pacientes 6 .A utilização das tecnologias leves nos processos ge-renciais dos enfermeiros pode interferir na produção docuidado. Reforçam os conceitos dessa tecnologia e co-locam que para a concretização dos processos de traba-lho em saúde são utilizadas diferentes tecnologias que podem ser classificadas em tecnologias leves (como nocaso das tecnologias de relações do tipo produção devínculo, autonomização, acolhimento, gestão como umaforma de governar processos de trabalho), leve/duras(como no caso de saberes bem estruturados que operamno processo de trabalho em saúde, como a clínica médi-ca, a clínica psicanalítica, a epidemiologia, o taylorismo ,o  fayolismo ) e duras (como no caso de equipamentostecnológicos do tipo máquinas, normas, estruturas orga-nizacionais) 7 .O enfermeiro que atua em UTI necessita, além dequalificação adequada, mobilizar competências profis-sionais específicas, durante a execução do seu trabalho,que lhes permitam desenvolver suas funções eficazmente,aliando conhecimento técnico-científico, domínio datecnologia, humanização, individualização do cuidado e,consequentemente, qualidade na assistência prestada 6 . Nesse contexto, destacamos a humanização comomeio para mediar a assistência de enfermagem e o usoda tecnologia. No processo de humanizar devem ser considerados tanto os usuários como também a equipede enfermagem. O profissional precisa ser consideradoem sua subjetividade, pois é um dos protagonistas do processo de trabalho em saúde, necessitando ser perce- bido e aceito como sujeito portador de valores, crenças,cultura,autoestima, desejos, emoções, e sentimentos,assim como os usuários dos seus serviços 8 .A segunda temática abordada refere-se ao cuidado etecnologia na unidade de terapia intensiva e destacam atecnologia como mediadora do cuidado e como necessá-ria para a realização do cuidado principalmente porquese trata de um cuidado intensivo. O trabalho da enfer-magem é fundamental para que a assistência ocorra, vis-to que são os profissionais que acolhem o cliente, reali-zam o atendimento, manuseiam os equipamentos, fa-zendo uso deles da melhor forma possível.A história demonstra que o cuidar sempre esteve presente nasdiferentes dimensões do processo de viver,adoecer e morrer, mesmo antes do surgimento das pro-fissões 9 .O cuidar, realizado pela Enfermagem, pode ser en-tendido como um processo que envolve e desenvolveações, atitudes e comportamentos que se fundamentamno conhecimento científico, técnico, pessoal, cultural,social, econômico, político e psicoespiritual, buscando a promoção, manutenção e ou recuperação da saúde, dig-nidade e totalidade humana 9 .Tendo em vista a adequação das tecnologias, sua produção e utilização abordando diferentes pontos devista sob o enfoque da ética, da bioética, das políticas públicas e empresariais, édifícil estimar o impacto de parâmetros progressivamente mais complexos para ademonstração da eficácia e segurança das tecnologiassobre a saúde populacional 10 .A apropriação do conhecimento do enfermeiro nestaárea não contempla reflexões que consideram que o cui-dado ao doente em terapia intensiva inclui inevitavel-mente, também, o cuidado com as máquinas. Esse cui-  Kotz et al. / Uningá Review V.18,n.3,pp.50-55(Abr-Jun2014) ISSN  online  2178-2571 Openly accessible athttp://www.mastereditora.com.br/review dado, além de contemplar a manutenção do estado deseu funcionamento precisa, principalmente, envolver asrelações que se estabelecem entre elas, o enfermeiro, odoente e o ambiente de cuidado. Essa função relacional,quando bem trabalhada, por meio dos conhecimentos doenfermeiro junto ao doente torna a situação mais aceitá-vel e com maior probabilidade de efeitos terapêuticossatisfatórios 11 .Por conseguinte a tecnologia dura não se opõe aocontato humano. É um agente, é um objeto desse encon-tro. Ela pode humanizar até os ambientes mais tecnolo-gizados como a terapia intensiva, desde que visualizadacomo algo que permeia o humano, em momentos singu-lares e críticos. Dessa forma, a máquina constitui-se naextensão do próprio ser humano e, mesmo sem fazer  parte de sua essência, éela que, em muitos momentos,determina sua própria existência. Assim, o cuidado e atecnologia dura se aproximam, inevitavelmente, permi-tindo que as ações de enfermagem tidas como um traba-lho vivo em ato, sistematizadas e pautadas em conheci-mento científico voltem-se para a manutenção da vidadas pessoas, proporcionando conforto e bem-estar, con-tribuindo para a recuperação da saúde ou para uma mor-te digna e tranquila 11 .As tecnologias para a saúde podem ser consideradasa aplicação prática de conhecimentos,por isto, incluemmáquinas, procedimentos clínicos e cirúrgicos, remédios, programas e sistemas para prover cuidados à saúde 12 . Nessa mesma linha de raciocínio, cabe ressaltar que otreinamento/educação dos profissionais em formaçãotem considerável impacto na familiaridade, percepção davantagem, ou não, desenvolvimento de competências econdicionamento da sua prática no futuro, influenciandoa adoção, ou não, e a difusão, ou não, da tecnologia.Considera-se como tecnologias leves em saúdeaquelas implicadas no ato de estabelecimento das inte-rações intersubjetivas na efetuação dos cuidados em sa-úde. Por espaço das tecnologias leves compreende-seaquele no qual nós, profissionais de saúde, estamos maisimediatamente colocados perante o outro da relação te-rapêutica 13 .A tecnologia em saúde é apontada como um fenô-meno complexo que gera reflexões e conversações coti-dianas sobre as diversas experiências de cuidado ao cli-ente que dela depende e ainda implicações nos modos deagir específicos no cuidado de enfermagem. A tecnologiamostra-se desconhecida e impossibilita o cuidado apro- priado caso não ocorra o processo de familiarização.Destacando que é primordial conhecer a linguagem dosequipamentos tecnológicos 3 . As habilidades necessárias para trabalhar com equi- pamentos tecnológicos incluem não só o seu uso opera-cional, mas também os seus conceitos, os seus ajustes eregulagem, o reconhecimento de mau funcionamento,emprego de técnicas adequadas para a limpeza e/ou de-sinfecção, bem como a busca de qualidade cadavez maisapurada na assistência prestada ao paciente, visando nãosó melhorar a relação custo-eficiência-benefício do tra- balho implementado, mas principalmente preocupan-do-se com o desenvolvimento, a participação e a per-cepção da sua equipe em desempenhar, com a facilidadee a interatividade necessárias, uma assistência humani-zada e com resolutividade e qualidade 14 .A terceira unidade refere-se à humanização e tecno-logia, a humanização representa um conjunto de inicia-tivas que visam à produção de cuidadosem saúde, capa-zes de conciliar a melhor tecnologia disponível com promoção de acolhimento, respeito ético e cultural do paciente, espaços de trabalho favoráveis ao bom exercí-cio técnico e a satisfação dos profissionais de saúde eusuários 15 .Com a internação, a família vivencia um período deincertezas e percebe o acolhimento como essencial e deextrema importância, proporcionando um vínculo deconfiança e tendo a confiança de que está entregando oseu familiar em boas mãos. Quando os familiares rece- bem adequadamente as informações sobre o estado desaúde do paciente, demonstram-se aliviados e segurosem relação ao cuidado recebido 16 .Neste momento, afamília, ao se sentir acolhida, expõe suas dúvidas e pre-ocupações, criando um elo de confiança entre equipeefamília. Muitas vezes o familiar concebe que, ao entrar na UTI, já não há mais esperança de vida para o seu entequerido, então sua última esperança é a fé. Mas, mesmoassim, o medo do estado do paciente e da cena que irãover ao entrarem deixa o familiar perdido por não conhe-cer os rituais desse setor e aflito para falar com alguémda equipe, a fim de obter informação sobre o paciente. Neste sentido, é preciso aceitar e incorporar a ideia dever os familiares não só como fiscais implacáveis queaborrecem a todo instante, mas sim como importantes para a recuperação do paciente e que também precisamde cuidado de acordo com suas necessidades.A dimensão desumanizante da ciência e tecnologiaocorre na medida em que se fica reduzido a objetos da própria técnica e objetos despersonalizados de uma in-vestigação que se propõe fria e objetiva. O saber técnicosupõe saber qual é o bem de seu paciente, independen-temente de sua opinião 15 .Buscando um olhar mais amplo sobre o cuidar emUTI, devemos dispensar um olhar“generosamente hu-mano” ao ser que está doente. Conforme eles, a fronteiraentre a doença e o sofrimento é muito tênue, todavia, osofrimento possui uma dimensão maior, pois as interro-gações, os receios e a dor advindos da doença são fontesdo sofrer, e a própria natureza objetiva da doença nãodetermina o nível do sofrimento vivido pela pessoa, ouaté mesmo por aqueles com os quais se relaciona 17 .A humanização dos serviços de saúde implica emtransformação do próprio modo como se concebe o usu-
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