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Visão Integral_ a Postura Evangélica Frente à Ditadura Militar_ o Que Precisamos Saber Sobre Este Assunto

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  6/10/2014Visão Integral: A postura evangélica frente à ditadura militar: o que precisamos saber sobre este assunto?http://visaointegral.blogspot.com.br/2007/04/postura-evanglica-frente-ditadura.html1/2 A postura evangélica frente à ditadura militar: o que precisamos saber sobre esteassunto? Recomende isto no Google Já faz algum tempo que um amigo e irmão na fé presenteou-me com alguns livros. Eleos havia ganhado de um ex-pastor, contudo, não se interessando pelo tipo de literatura(livros teológicos) decidiu abrir mão deles. Logo que os recebi, dediquei-me, ainda quesuperficialmente, a vasculhar um por um. Logicamente, alguns títulos chamaram maisa minha atenção do que outros. Entretanto, todos me pareciam muito úteis e deprazerosa leitura.Recordo-me bem que dentre os livros que pouco chamaram minha atenção estava umde capa muito esdrúxula (um desenho bizarro de um homem na fogueira) e de ediçãográfica simples, pois fora datilografado. Com uma folheada breve, percebi que se tratavade relatos acerca de acontecimentos ocorridos no seio da Igreja Presbiteriana do Brasil, no período de ditadura que assolounossa nação. Eu já havia ouvido pequenos comentários, em pregações, sobre a forma com que determinadas denominaçõesevangélicas se portaram durante este período: talvez o mais tenebroso da nossa história. Porém ainda não havia me dedicado aestudar sobre.Foi, então, assistindo o filme brasileiro Olga  que me interessei em voltar a folhear as páginas de tal livro. Não sei ao certo omotivo deste interesse, mas, ao assistir sobre a luta daquela mulher, me veio à mente a lembrança deste livro e de seus relatos.Pode ser pela proximidade de data entre os acontecimentos tratados no filme e os relatados no livro (arrisco-me a dizer queuma das causas, também, pode ser o fato de que hoje sou membro de uma Igreja Presbiteriana em minha cidade).O livro é de autoria do pastor presbiteriano Rev. João Dias de Araújo, e se chama  Inquisição sem fogueiras ¹. Como jámencionado, ele trata, especificamente, dos fatos ocorridos dentro da Igreja Presbiteriana do Brasil.Reverendo João Dias relata corajosamente o que chamou  inquisitorialismo . Durante um longo período a cúpula da liderança daIPB apoiou o regime ditatorial dos militares, perseguindo severamente membros, seminaristas, presbíteros e pastores que seenvolvessem com questões referentes a “justiça social e denúncia dos males estruturais da realidade brasileira.” Outras razõesdignas de reprovação eram o ecumenismo e qualquer tipo de pensamento que se alinhasse com a ideologia marxista. A título deexemplificação, vale mencionar que foi expressamente vedada a participação de padres nos púlpitos presbiterianos (ainda queem silêncio); e a participação dos membros da IPB como testemunhas em casamentos realizados pela igreja católica, dentreoutras coisas mais. João Dias ainda menciona o fato de que juristas presbiterianos colaboram na confecção de alguns dos atosinstitucionais, a favor da ditadura.Segundo os relatos, não poucos ministros foram despojados (expulsos do ministério), e outros acusados pela Igreja de seremsubversivos; como, por exemplo, Rubem Alves, que durante alguns anos foi pastor presbiteriano na cidade de Lavras/MG, etambém é considerado um dos maiores teólogos brasileiros. Depois de ser acusado pela IPB como subversivo, decidiu retirar-sedo ministério escrevendo uma carta na qual faz menção à insatisfação em relação ao modus operandi da denominação. O inícioe fim de sua carta são marcados pelas palavras: “Sempre entendi que o evangelho é um chamado a liberdade. ... Não encontroa liberdade na I  PB. É hora, portanto, de buscar a comunidade do Espírito, fora dela”. É enganosa, entretanto, a idéia de que tais fatos restringiram-se à IPB. Na verdade, o apoio dos conservadores protestantes aoRegime Militar foi um fenômeno que abrangeu grande parte das denominações protestantes brasileiras. Gedeon Alencar emseu livro  Protestantismo Tupiniquim  (pág. 95), ao citar escrito do sociólogo Paul Freston, faz menção a que um famoso líderBatista, Fanini, prestou apoio à Ditadura Militar por conveniência da concessão de um programa de TV². Intriga-me, noentanto, o fato de que tão raros líderes façam menção a este tempo obscuro do protestantismo brasileiro. Pode-se contar nosdedos os que, de uma forma ou de outra, têm mencionado em suas palestras ou em livros tais fatos. Isso talvez se deva a falta decoragem, ou , quem sabe, falta de interesse de colocar o dedo nas nossas feridas ou pouca compreensão da importância dosfatos. Apesar disso, é compreensível que não haja muitos trabalhos com ênfase especial neste assunto, afinal ele écontemporâneo demais; e quanto mais próximos estamos de um acontecimento histórico mais difícil a sua compreensão.Não obstante, entendo ser de extrema importância olhar para este passado, ainda que nos doa saber que em nosso meioocorreram males como estes, dignos de repúdio. A importância de olhar para trás é devido a algo simples: não repetir oupermitir que se repitam atrocidades como as ocorridas. O passado é como um mapa que pode tanto nos mostrar os caminhosque devemos continuar a percorrer como, também, aqueles dos quais devemos nos desviar.  6/10/2014Visão Integral: A postura evangélica frente à ditadura militar: o que precisamos saber sobre este assunto?http://visaointegral.blogspot.com.br/2007/04/postura-evanglica-frente-ditadura.html2/2 Infelizmente a memória do brasileiro é bem curta, e a dos evangélicos parece ser mais curta ainda, talvez nem exista. Por issomesmo trago esta reflexão, a fim de que nos voltemos para nosso passado, e isso  responsavelmente . Pois é fácil olhar para trás edizer que nada tivemos com isso. Caso alguém o diga, vale perguntar: qual seria a nossa atitude se fôssemos participantesdesse período histórico? Posso responder apenas por mim. E, com sinceridade, não sei dizer como teria agido, apenascomo quero agir nestes dias de minha vida: quero ter coragem para sustentar aquilo que creio, haja o que houver, e ser fiel aoevangelho e à minha consciência, sempre! ____________________________________________________________1 - A edição do livro que tenho em mãos foi lançada pelo Instituto Superior de Estudos da Religião, em 1985. Creio que somentedeva ser encontrado em sebos.2 - Alencar, Gedeon Freire.  Protestantismo tupiniquim: hipóteses da (não) contribuição evangélica à cultura brasileira . SãoPaulo: Arte Editorial, 2005.
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