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ALGUMAS ABORDAGENS SOBRE PENSAMENTO SOCIAL E CONSTRUÇÃO DA NAÇÃO NO IMPÉRIO DO BRASIL (1822-1889)

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O presente artigo visa apresentar algumas questões sobre o pensamento social e a construção da nação durante o Império do Brasil, compreendido entre os anos 1822, quando o Brasil tornou-se independente de Portugal, e 1889, quando o país substituiu seu regime político ao proclamar a República.
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  ALGUMAS ABORDAGENS SOBRE PENSAMENTO SOCIAL ECONSTRUÇÃO DA NAÇÃO NO IMPÉRIO DO BRASIL (1822-1889) Carol! B#$ Co%a& Co&'a&  INTRODUÇÃO O presente artigo visa apresentar algumas questões sobre o pensamento social e a construçãoda nação durante o Império do Brasil, compreendido entre os anos 1822, quando o Brasil tornou-seindependente de ortugal, e 188!, quando o pa s substituiu seu regime pol tico ao proclamar a#ep$blica% &avia uma 'orte presença da ideia de uma restauração mon(rquica nos pontos de vista pol tico e intelectual, pois a obra republicana tin)a alcance limitado, o que permitia a presença deelementos da *onarquia a partir da roclamação da #ep$blica% +té meados de 1!, o regimerepublicano não teve capacidade de tra.er progresso material, social e pol tico, como apresentadoem seus compromissos%or e/emplo, a cidade do #io de 0aneiro do século I tin)a uma população altamentediversi'icada etnicamente, inter'erindo diretamente no mercado de trabal)o, tornando-se um 'ocoimportante de estudo das relações étnicas estabelecidas pela população a'ricana na cidade e dasrelações estabelecidas entre outros grupos que gan)avam importncia no per odo, como, por e/emplo, grupos de estrangeiros% CULTURA LITERATURA E INTELECTUALIDADE + e/pansão do movimento republicano nas $ltimas décadas do século I 'oi marcada por uma con3untura intelectual e cultural, com caracter sticas particulares, criticando o regimemon(rquico, mantendo simpatia pelo Imperador, generali.ando um sentimento de 'racasso do4erceiro #einado e o surgimento, a partir da década de 185, do movimento 6Ilustração Brasileira7  esse movimento envolvia o movimento republicano, mas não se restringia s9 a ele, tornando-seum dado para a Ilustração Brasileira%&ouve um recon)ecimento imediato do instinto de nacionalidade na literatura brasileira nosanos de 18: e 185, devido ; busca das cores do pa s 'eita por todas as 'ormas liter(rias, vistacomo um sintoma de vitalidade e adiantamento de 'uturo% <=specialista em &ist9ria do Brasil pelo Instituto >niversit(rio de esquisas do #io de 0aneiro  >niversidade?ndido *endes @I>=#0->?+*A%  =sse recon)ecimento é visto através da inspiração na vida brasileira e na nature.aamericana, sendo o te/to de poetas e prosadores adequado ao pensamento nacional% =ssa adaptaçãoseria uma independncia dos te/tos estrangeiros, trabal)ada gradualmente para que se3a duradoura%+s mani'estações de opinião ainda eram mal 'ormadas, e/tremamente restritas, poucosol citas e menos apai/onadas ;s questões da poesia e da literatura, porém 3( apresentavam oinstinto de nacionalidade, trans'ormado pela 3uventude liter(ria em questão de leg timo amor- pr9prio%+ intelectualidade do per odo desenvolveu, com esse conte/to, a noção de atraso em relaçãoaos pa ses capitalistas centrais, lançando-se ; tare'a de moderni.ar o Brasil, baseando-se nas ideiasde evolução, progresso e atraso e na crença no papel positivo e impulsionador da cincia%+ literatura brasileira começou a gan)ar seus pr9prios traços com Bas lio da Cama i  e Danta#ita Eurão ii , que buscavam elementos de uma poesia nova a partir de seus cotidianos, porém issonão trou/e independncia ; literatura brasileira, ainda ligada ;s in'luncias e/ternas, principalmenteeuropeias% 4ais in'luncias podem ser vistas, de acordo com o autor, em capitais e cidades grandes,enquanto as cidades do interior conservariam mel)or a tradição nacional através de seus costumes  as capitais e cidades grandes apresentavam 'eições mistas e gestos di'erentes como consequnciadessa inter'erncia%*ac)ado de +ssis, em seu te/to iii , 'a. uma cr tica a essa dependncia liter(ria em umconte/to de independncia pol tica no Brasil% + literatura brasileira não acompan)ou astrans'ormações pol ticas ocorridas no pa s, apesar de buscar o que ele c)ama de instinto denacionalidade% 6#econ)ecido o instinto de nacionalidade que se mani'esta nas obras destes$ltimos tempos, conviria e/aminar se possu mos todas as condições emotivos )ist9ricos de uma nacionalidade liter(ria @FA% *eu principal ob3etoé atestar o 'ato atualG @FA o geral dese3o de criar uma literatura maisindependente%7 iv % Conçalves Eias v  'oi o primeiro escritor a c)amar atenção para a )ist9ria e os costumesind genas através de suas poesias, baseando-se nas mem9rias de cronistas, estimulando uma reaçãocontr(ria, de que nem tudo na poesia estava ligado a esses costumes% ara *ac)ado, )avia a presença do conceito de raça e/tinta e raça triun'ante na poesia a partir de trabal)os desenvolvidos por Eias e por Conçalves de *agal)ães vi , contrapondo-se aosestudos reali.ados por Harn)agen vii  e outros, que 6negam tudo aos primeiros povos deste pa s7@+DDID, p% 2A% 6@%%%A arece-me entretanto, que, depois, das mem9rias que a este respeito  escreveram os Drs% *agal)ães e Conçalves Eias, não é l cito arredar oelemento indiano da nossa aplicação intelectual% =rro seria constitu -lo ume/clusivo patrimnio da literatura brasileiraG erro igual 'ora certamente a suaabsoluta e/clusão% +s tribos ind genas @%%%A desapareceram, é certo, da regiãoque por tanto tempo 'ora suaG mas a raça dominadora que as 'requentoucol)eu in'ormações preciosas e n-las transmitiu como verdadeiroselementos poéticos% @FA%7 viii %6?ompreendendo que não est( na vida indiana todo o patrimnio daliteratura brasileira, mas apenas um legado, tão brasileiro como universal,não se limitam os nossos escritores a essa s9 'onte de inspiração% Oscostumes civili.ados, ou 3( do tempo colonial, ou 3( do tempo de )o3e,igualmente o'erecem ; imaginação boa e larga matéria de estudo% @%%%A7 i/ % *ac)ado também critica a opinião de que 6s9 recon)ece esp rito nacional nas obras quetratam de assunto local7 @+DDID, p% A, considerando-a errada e limitadora do saber  /  da literatura% Oautor de'ende que uma literatura nascente deve alimentar-se dos assuntos que l)e o'erece a suaregião, partindo de um sentimento ntimo do autor, que o torne )omem de seu tempo e de seu pa s,a'astando assim doutrinas que empobreçam a literatura%Outra questão apresentada por +ssis 'oi a ausncia de uma cr tica liter(ria, uma an(lise mais pro'unda dos te/tos produ.idos, incentivando a invenção através de estudo, investigação, correçãodos erros e apuração dos gostos% 6@%%%A uma cr tica minuciosa e severa, e se a )ouvéssemos em condiçõesregulares creio que os de'eitos se corrigiriam, e as boas qualidadesadquiririam maior realce% &( geralmente viva imaginação, instinto do belo,ingnua admiração da nature.a, amor ;s coisas p(trias, e além de tudo istoagude.a e observação% @%%%A7 /i % + 'ase inicial do desenvolvimento da literatura brasileira 'oi marcada, segundo *ac)ado de+ssis, pelo #omance, ainda sem muitos estudos sobre esse estilo no Brasil, mas que, por aqui, busca a cor local, geralmente reprodu.indo a vida brasileira em seus di'erentes aspectos e situações% 6@%%%A Eo romance puramente de an(lise, rar ssimo e/emplar temos, ou porque nossa ndole não nos c)ame para a , ou porque se3a esta casta deobras ainda incompat vel com a nossa adolescncia liter(ria%O romance brasileiro recomenda-se especialmente pelos toques dosentimento, quadros da nature.a e de costumes, e certa vive.a de estilo muiadequada ao esp rito do nosso povo% @%%%A7 /ii % O romance brasileiro conservava-se no dom nio da imaginação, a'astando-se das tendncias pol ticas e das questões sociais, centrando-se principalmente na pintura dos costumes, na luta das pai/ões, nos quadros da nature.a e, de ve. em quando, nos estudos dos sentimentos e doscaracteres%Juanto ; poesia brasileira, *ac)ado de +ssis aborda a inspiração e o entusiasmo poético e  art stico, a rique.a de imaginação, o bril)o das 'ormas e o sentimento da )armonia e/terior dosescritos da geração de 18: e 185 dos poetas% or outro lado, 'alta a essa geração um pouco maisde correção e gosto, além de pecar na )esitação da e/pressão e na impropriedade das imagens na'alta de clare.a do pensamentoG 'altaria também ; geração de 18: e 185 da poesia, oportunidade esimplicidade para reprodu.ir uma grande imagem ou e/primir uma grande ideia%>ma parte dos poetas também est( preocupada com a cor local, assim como ocorre noromance, levando esse grupo ; ilusão% ara que isso não ocorresse, era importante que os poetasusassem toques da imaginação, reprodu.indo as imagens de 'orma mais natural poss vel%O teatro brasileiro, até o momento da escrita desse te/to de *ac)ado de +ssis, baseava-se,ma3oritariamente, em traduções de cantigas burlescas ou obscenas, cancãs, peças de enredo'ant(stico e outros te/tos que abordam sentidos e instintos in'eriores, admitindo também peçasescritas por brasileiros, quando surgia% eças que buscavam representar a arte eram mais di' ceis deserem aceitas devido ao gosto considerado decadente e perverso por *ac)ado, inter'erindodiretamente na produção de te/tos para teatro%Juanto ; linguagem, a maior parte dos livros da época misturava a linguagem pura com alinguagem comum @com deturpaçõesA% ?omo di. *ac)ado de +ssis, 6as l nguas se aumentam ealteram com o tempo e as necessidades dos usos e costumes7 @p% 8A, mas ele não aceita a opiniãoque admite todas as alterações da linguagem, apontando para um limite para a in'luncia popular,abordando, assim, a importncia do escritor nessa situação, depurando a linguagem do povo eaper'eiçoando-l)e a ra.ão%Outras cr ticas presentes no te/to re'erem-se ; 'alta de leitura dos cl(ssicos no Brasil e deum estudo das 'ormas mais apuradas da linguagem%Juanto ; questão do resgate do passado imperial, uma 'igura importante é 0oaquim Kabucoatravés dos livros Um estadista do Império /iii   e  Minha formação /iv % 6@%%%A ?om sua carreira pol tica interrompida em seu (pice pela erupção da#ep$blica e 'ortemente identi'icado com o regime mon(rquico, Kabucolançou-se ; tare'a de resgatar o passado imperial num sentido ais pro'undoque as polmicas que então opun)am monarquistas e republicanos% @%%%A7 /v % +lém dele, outros intelectuais e )istoriadores da época, e até 1!L, desenvolveram trabal)osvalori.ando a continuidade entre o passado colonial e o Império independente, como, por e/emplo,?apistrano de +breu, #io Branco, edro ?almon, 0oão ?amilo de Oliveira 4orres, &élio Hianna,Cilberto MreNre, Oliveira Hiana e ?aio rado 0unior, dando mais 'orça ao signi'icado da obraimperial%+ produção )istoriogr('ica de Mrancisco +dol'o Harn)agen tin)a como intuito acentuar aligação entre a coloni.ação e a civili.ação européias através do elemento portugus e da nova
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