Revisão de LiteraturaRevisão de LiteraturaRevisão de LiteraturaRevisão de Literatura Ajuste oclusal em ortodontia: uma revisão de literatur Ajuste oclusal em ortodontia: uma revisão de literatur Ajuste oclusal em ortodontia: uma revisão de literatur Ajuste oclusal em ortodontia: uma revisão de literaturaaaa
REVISTA FAIPE, v. 1, n. 2, jul./dez. 2011
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AJUSTE OCLUSAL EM ORTODONTIA: UMAREVISÃO DA LITERATURAOcclusal adjustment in Orthodontics:literature review
Marcus Vinicius CREPALDI
1
 , Adriana Aparecida CREPALDI
2
 ,Karina Maria Salvatore de FREITAS
3
 , Guilherme JANSON
4
 , Renato PICHININ
5
 
RESUMO
Introdução: O procedimento de ajuste oclusal pode ser empregado pelos ortodontistas como umcomplemento do tratamento ortodôntico, a fim de obter uma melhor distribuição das forçasmastigatórias entre os dentes posteriores e a eliminação das interferências oclusais aos movimentosfuncionais mandibulares, propiciando assim um equilíbrio entre a oclusão dentária, a articulaçãotemporomandibular e a musculatura mastigatória. Objetivo e metodologia: Desta forma, este artigopropõe uma revisão e análise da literatura, enfatizando os aspectos funcionais da oclusão e suarelação com o tratamento ortodôntico, bem como a importância do ajuste oclusal em Ortodontia,suas principais indicações, e quais os benefícios que este procedimento pode proporcionar aos casostratados ortodonticamente. Resultados e conclusão: o ajuste oclusal tem indicações precisas eeficazes, desde que realizado de forma criteriosa e sistemática. Os principais objetivos do ajusteoclusal são o aprimoramento da função oclusal, proporcionando uma máxima eficiência do sistemaestomatognático, ausência de contatos prematuros e interferências oclusais, relações oclusais maisestáveis e forças melhor direcionadas e distribuídas.
Palavras-chave
: Odontologia. Ortodontia. Ajuste oclusal.
ABSTRACT
Introduction: The occlusal adjustment procedure can be used by orthodontists as an adjunct toorthodontic treatment that aims to obtain a better distribution of masticatory forces amongposterior teeth and to remove occlusal interferences in mandibular functional excursions, providingbalance among dental occlusion, temporomandibular joint and masticatory muscles. Objective andmethodology: Then, this article proposes a review and analysis of literature, emphasizing thefunctional aspect of occlusion and its relation with orthodontic treatment, as well as theimportance of the occlusal adjustment in Orthodontics, the main indications, and what benefits thisprocedure can provide to orthodontically treated cases. Results and conclusion: occlusal adjustmenthas precise and efficacy indications, since performed in a criterious and systematic way. The mainobjectives of occlusal adjustment are the improvement of occlusal function, providing a maximumefficiency of masticatory system, absence of premature contact and occlusal interference, morestable occlusal relationships and forces better directed and distributed.
Keywords
: Dentistry. Orthodontics. Occlusal Adjustment.1 Mestre e Doutorando em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru – USP. Professor docurso de especialização em Ortodontia da Uningá, Palmas-TO.2 Mestre em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru – USP. Professora do curso deespecialização em Ortodontia da Uningá, Palmas-TO.3 Mestre e Doutora em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru – USP.4 Professor do Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva da Faculdade deOdontologia de Bauru – USP.5 Aluno do curso de especialização em Ortodontia da Uningá, Palmas-TO.
 
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REVISTA FAIPE, v. 1, n. 2, jul./dez. 2011
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INTRODUÇÃO
A oclusão é uma das áreas doconhecimento que mais está presentedentro das diversas especialidadesodontológicas. Devido à sua importânciano equilíbrio e saúde do sistemaestomatognático, o estabelecimento e apreservação de uma oclusão normaltornaram-se uns dos mais importantesobjetivos do tratamento odontológico.Neste contexto, o ajuste oclusal insere-secomo uma terapia oclusal que auxilia naobtenção de uma oclusão equilibrada efuncionalmente eficiente.O tratamento ortodôntico temcomo objetivo a obtenção de uma oclusãofuncional que esteja em harmonia com osistema neuromuscular e a articulaçãotemporomandibular (SADOWSKY; BEGOLE,1980). Porém, essa oclusão funcional nemsempre é possível de ser obtida pelamovimentação ortodôntica, devido àpresença de interferências oclusais,restaurações deficientes, dentesanômalos, etc. Desta forma, oprocedimento de ajuste oclusal pode serempregado pelos ortodontistas como umcomplemento do tratamento ortodôntico,a fim de obter uma melhor distribuiçãodas forças mastigatórias entre os dentes ea eliminação das interferências oclusaisaos movimentos funcionais mandibulares,propiciando assim um equilíbrio entre aoclusão dentária, a articulaçãotemporomandibular e a musculaturamastigatória (JANSON; MARTINS, 1990).Sendo assim, a maioria dos autorespreconiza a utilização do ajuste oclusalapós o tratamento ortodôntico, comoauxiliar na obtenção de uma oclusãofuncional (AHLGREN; POSSELT, 1963;ZACHRISSON; MJOR, 1975; INGERVALL,1976; TIMM; HERREMANS, 1976;SADOWSKY; BEGOLE, 1980; ROTH, 1981;JANSON; MARTINS, 1990; LE BELL, 1993;MCNEILL, 1997; POLING, 1999; CREPALDI,2005). Alguns pesquisadores chegam atéa especular que os casos tratados comajuste oclusal apresentam uma maiorestabilidade (BLUME, 1958; AHLGREN;POSSELT, 1963) e período de contençãoreduzido.Desta forma, este artigo propõeuma revisão e análise da literatura,enfatizando os aspectos funcionais daoclusão e sua relação com o tratamentoortodôntico, bem como a importância doajuste oclusal em Ortodontia, suasprincipais indicações, e quais osbenefícios que este procedimento podeproporcionar aos casos tratadosortodonticamente.
REVISÃO DA LITERATURA
O sexto Glossário de TermosProtéticos define o ajuste como sendo “amodificação das formas oclusais dosdentes com intuito de equalizar oestresse oclusal, produzindo contatosoclusais simultâneos ou harmonizando asrelações entre as cúspides” (BOUCHER,1994). O objetivo geral é desenvolver oestado de homeostasia entre os tecidosque interagem dentro do sistemamastigatório e os fatores locaisambientais. Este processo demodificação pode ajudar a estabelecerum equilíbrio funcional entre os dentes,as estruturas de suporte, sistemaneuromuscular e articulaçãotemporomandibular. Resumindo, o ajusteoclusal é a terapia oclusal que promovealterações seletivas e irreversíveis dassuperfícies oclusais dos dentes, visandomelhorar suas relações funcionais.A preocupação com o aspectofuncional da oclusão e a introdução doajuste oclusal na Odontologia surgiram danecessidade de distribuição dos esforçosmastigatórios a fim de evitar traumas aoperiodonto.O conceito de alteração oumodificação da porção coronal dos dentesnão é novo. A história tem sido marcadapor períodos de pouca utilização doajuste oclusal até o seu abuso, resultandomuitas vezes na mutilação dos dentes.Um dos primeiros ortodontistas averificar a presença de oclusãotraumática, em casos tratadosortodonticamente, foi Arnold (1927).Esta condição foi atribuída à existênciade interferências oclusais em relaçãocêntrica e durante os movimentosfuncionais, conseqüentemente causandoproblemas periodontais. Sendo assim, ele
 
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recomendou a realização doprocedimento de ajuste oclusal como umcomplemento ao tratamento ortodôntico,em todos os casos.Porém, nessa época, oprocedimento de ajuste oclusal ainda nãose apresentava fundamentado por regrascientificamente comprovadas. A primeiracontribuição realmente válida para oajuste oclusal foi dada por Schuyler(1935), que sistematizou o procedimento,para se alcançar os seguintes objetivos:uma máxima distribuição dos esforçosmastigatórios em relação cêntrica; umaperfeita harmonia entre as inclinaçõesguias dos dentes, distribuindo as forçasexcêntricas oclusais; a manutenção daspontas das cúspides de suporte; o corretoescoamento dos alimentos entre osdentes; e a diminuição das superfícies decontato dos dentes.De Coster (1935), avaliandocefalometricamente pacientes commordida aberta, comentou algunsmétodos até então propostos para otratamento desta má oclusão. Dentreeles, citou o ajuste oclusal e mostrou-sefavorável aos desgastes oclusais dosmolares a um nível suficiente parapermitir que os dentes anteriores entremem oclusão.A partir dessa época, de possedessas informações, é que osortodontistas passaram a preconizar oajuste oclusal, pós-tratamentoortodôntico, como um auxiliar naobtenção do equilíbrio funcional, com afinalidade de evitar a instalação deoclusão traumática ao periodonto, àarticulação temporomandibular e aosmúsculos da mastigação (JANSON;MARTINS, 1990).Com o objetivo de observar apresença ou não de contatos prematurosapós o tratamento ortodôntico, Blume(1958),
 
realizou um estudo que se compôsde dez casos avaliados em relaçãocêntrica. Verificou que a maioriaapresentava contatos prematuros emrelação cêntrica, e citou a possibilidadedesses contatos serem responsáveis poruma movimentação dentária indesejável,alterando assim a oclusão tratada,causando recidiva. Salientou osbenefícios do ajuste oclusal parapropiciar um refinamento da oclusãofuncional e conseqüentemente diminuir atendência de recidiva.Como o ajuste oclusal era umprocedimento amplamente utilizado notratamento das disfunções mandibularese da musculatura mastigatória, Ahlgren ePosselt (1963),
 
realizaram um estudoeletromiográfico em 6 pacientes tratadosortodonticamente, que apresentavaminterferências oclusais, para verificar se aeliminação das mesmas proporcionariauma melhora na coordenação muscular.Avaliaram os pacientes antes e após oajuste oclusal. Os resultadosdemonstraram que o ajuste oclusalpropiciou uma melhoria da coordenaçãomuscular pela eliminação dasinterferências oclusais. Ressaltaram entãoa necessidade de se avaliar os resultadosortodônticos quanto às interferências, e acorreção das mesmas por meio de ajusteoclusal.Roth (1968)
 
afirmou que haviacertas divergências entre os ortodontistase os gnatologistas. Os objetivos eramdiferentes, ou seja, havia diferentesconceitos de “oclusão ideal”. Além disso,havia o desconhecimento, pelosgnatologistas, dos objetivos, limitações eproblemas mecânicos dos tratamentosortodônticos. Por outro lado, osortodontistas também desconheciam osconceitos gnatológicos funcionais. Sendoassim, o autor apresentou uma série deconceitos gnatológicos básicos para umaboa oclusão aos ortodontistas, que, aospoucos, foram introduzindo os conceitosde prótese e periodontia para a obtençãoda oclusão funcionalmente ótima. Comisso, diversos trabalhos foram publicadosna literatura ortodôntica incluindo osobjetivos funcionais como parte dotratamento ortodôntico. Estes conceitosgnatológicos são: coincidência entre amáxima intercuspidação dentária e arelação cêntrica; nas excursões delateralidade, a desoclusão deve serefetuada pelo canino; na protrusiva,deve haver contato dos seis dentesântero-superiores com os seis dentesântero-inferiores e primeiros ou segundospré-molares (em caso de extração dos
 
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primeiros pré-molares); não devemocorrer contatos em balanceio; todos osdentes posteriores devem apresentarcontato em relação cêntrica e os dentesanteriores devem apresentar uma folgade 12,7µm entre si (ROTH, 1981).Observando atentamente estes objetivosfuncionais, nota-se que os contatos dosdentes posteriores, em balanceio e naexcursão protrusiva são consideradoscomo interferências oclusais.Cobin (1969) observou que oajuste oclusal e outras técnicas detratamento oclusal que reposicionam amandíbula para a relação cêntrica,geralmente proporcionavam um alívio dossintomas dolorosos na região daarticulação temporomandibular.Roth (1973), com a finalidade dedeterminar os tipos mais comuns deinterferências oclusais relacionadas com asíndrome da dor-disfunçãotemporomandibular, e de mostrar osmétodos utilizados para se evitar oueliminar os sintomas, não apenas após otratamento ortodôntico, mas tambémdurante a mecânica ortodôntica, realizouum estudo em 9 pacientes tratadosortodonticamente. Sete delesapresentavam sintomas da síndrome, edois, ausência. Os resultados obtidosforam: somente pacientes com sintomasapresentaram interferências; pacientescom sintomas mais severos apresentarammaiores desvios da relação cêntrica emais interferências oclusais; houvecorrelação entre a severidade e alocalização dos sintomas, com a situaçãodas interferências em balanceio; e, apósrealização do ajuste oclusal, houve odesaparecimento dos sintomas, o quecomprova a validade do ajuste pós-tratamento ortodôntico.Dawson (1973, 1974) salientou queexiste uma relação de causa e efeitobastante definida entre as interferênciasdeflectivas e espasmo muscular, quepode ser empregada comointerdependência para um diagnósticodiferencial. Constatou que, sempre queexistir uma interferência oclusal, diversosmúsculos do sistema mastigatório podemestar envolvidos, sendo que o músculopterigoideo lateral impreterivelmente seapresentará sensível à palpação. Afirmouque o diagnóstico diferencial deve incluira manipulação mandibular em relaçãocêntrica, a palpação do músculopterigoideo lateral e a confecção de umdispositivo que impeça a intercuspidaçãodos dentes (front-plateau), que deve serusado por 24 horas. Caso haja remissãoda sintomatologia após o uso do “front-plateau”, é sinal de que realmente asinterferências oclusais eram ascausadoras da sintomatologiaapresentada. Neste caso, o ajuste oclusalem relação cêntrica deve ser realizado.Timm, Herremans e Ash (1976),citaram que a oclusão em relaçãocêntrica deve incluir o contato de todosos dentes posteriores para produzir umaoclusão estável. Ao final do tratamentoortodôntico, a diferença entre a relaçãocêntrica e a máxima intercuspidaçãohabitual deve ser de cerca de 1 mm oumenos. Uma redução dessa diferença azero, ou seja, a alteração da máximaintercuspidação habitual para umaoclusão em relação cêntrica não é umaprática comum, mas esta redução deveser consistente com a relação cêntrica, epode ser obtida com a realização deajuste oclusal após o término dotratamento ortodôntico.Costa (1976) demonstrou umamelhora acentuada das relações oclusaisapós a realização do ajuste oclusal, em15 pacientes tratados ortodonticamente,montados em articulador totalmenteajustável. O autor confeccionou doispares de modelos de cada paciente,sendo um utilizado para controle e ooutro, para a realização do ajusteoclusal. Os resultados demonstraram queo ajuste oclusal promoveu umaestabilidade da oclusão em relaçãocêntrica e levou a um aumentou nonúmero de contatos oclusais, além deeliminar as interferências oclusaisdurante os movimentos mandibulares.Janson e Martins (1990),examinaram 20 pacientes e concluiu que85% dos casos examinados não foramterminados com coincidência da máximaintercuspidação dentária com a relaçãocêntrica; a guia anterior imediata para aexcursão protusiva foi estabelecida em
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