ANAIS DO 58º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO -CBC2016 – 58CBC2016
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AVALIAÇÃO DO USO DE CONCHA DE MARISCO COMO AGREGADO MIÚDO NA PRODUÇÃO DE ARGAMASSA PARA REVESTIMENTO DE PISO.
USING THE EVALUATION SEAFOOD SHELL AS LITTLE AGGREGATE IN PRODUCTION MORTAR FOR FLOOR COATING.
Rêgo, Maria Juliana de Almeida Melo (1); Mota, João Manoel de Freitas (2); Silva, Ronaldo Faustino (3); Silva, Minervino Inaldo (4); Moraes, Yuri Barros Lima (5)
(1) Engenheira Civil, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco. (2) Professor Doutor, Departamento de Infraestrutura e Construção Civil, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco. (3) Professor Doutor, Departamento de Infraestrutura e Construção Civil, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco. (4) Professor Doutor, Departamento de Infraestrutura e Construção Civil, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco. (5) Professor Mestre, Departamento de Infraestrutura e Construção Civil, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco.  Av. Prof. Luís Freire, 500 - Cidade Universitária, Recife - PE, 50740-540. 
Resumo
 A maricultura é uma atividade que vem apresentando um crescimento considerável nos últimos anos tanto na Grande Florianópolis sendo o maior polo produtivo do país, bem como no litoral nordestino. Com o aumento da produção há um aumento dos resíduos gerados e a concha de marisco que por muitas vezes tem seu destino final incorreto causando sérios impactos ambientais. A partir dessa informação, o descarte incorreto das conchas de marisco, levou a busca por um destino para este resíduo. Portanto o objetivo desta pesquisa é analisar a incorporação do pó da concha do marisco em argamassa utilizada na construção civil. Foram formulados corpos de prova com incorporações de diferentes porcentagens do resíduo do pó da concha do molusco e como padrão de comparação, utilizou-se uma composição de referência.Os resultados demonstraram que a argamassa para revestimento de piso com adição de concha de marisco apresentou resultados aceitáveis, o que torna viável a utilização desse resíduo como agregado miúdo na composição desse insumo tão importante para a construção civil.
 Palavras chave: concha de marisco, maricultura, argamassa, piso.
Abstract
The mariculture is an activity that has shown considerable growth in recent years both in Florianópolis is the largest production hub of the country and the northeastern coast.With the increase in production for an increase of waste generated and clamshell which often has its final destination incorrect causing serious environmental impact. From this information, the incorrect disposal of seafood shells, took the search for a destination for this waste. Therefore the aim of this research is to analyze the incorporation of seafood shell powder mortar used in construction.Samples were formulated with incorporation of different percentages of mollusk shell powder residue and as a standard of comparison, we used a reference composition. The results showed that the mortar for floor coating with clamshell addition showed acceptable results, which makes it feasible to use this waste as fine aggregate in the composition of this input so important to the construction industry.
 Keywords: clamshell, mariculture, mortar, floor
 
 
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1 Introdução
No Brasil a maricultura vem se desenvolvendo muito rápido e com destaque no Estado de Santa Catarina, pois se concentra grande parte do cultivo de moluscos, colocando o país na segunda posição na América Latina como produtor. Nesse contexto, o litoral norte do estado de Pernambuco também possui importância para a maricultura, especialmente no Canal de Santa Cruz, uma vasta área de manguezais que cobre cerca de 1220 ha que separa a Ilha de Itamaracá do continente. As águas marinhas dessa região possuem condições favoráveis ao cultivo de moluscos, devido à elevada carga de matéria orgânica em suspensão, por ser próximo a manguezais, e facilidades geológicas da região. De toda a quantidade de marisco produzida, apenas 20% é consumida na forma alimentar, sendo 80% constituída de casca, e esta é composta por 95% de carbonato de cálcio, o restante é matéria orgânica e outros compostos (EPAGRI, 2007). Depois da pesca, a carne do marisco vai para consumo ou comércio, o capote (ou concha) torna-se resíduo. Os resíduos da maricultura, quando não retornam aos mares, são depositados, muitas vezes em terrenos baldios ou até mesmo na faixa de areia das praias onde são pescados, formando montanhas de conchas, o que atrai roedores e insetos, podendo causar doenças infecciosas e até acidentes, conforme ilustra a Figura 1.  A preocupação com o destino de resíduos de ostras e mexilhões não é observada somente no Brasil. Na Coréia, por exemplo, dados apresentam que é gerado anualmente cerca de 300.000 toneladas de cascas de ostras e o governo coreano, preocupado com a saúde pública, financiou um projeto para aumentar a reciclagem desses resíduos, pois, com o tempo, ocorre a decomposição microbiana dos sais em gases tóxicos como NH
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 e H
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S (YOON et al,2009). Outro país que desenvolve ações no sentido de melhorar a destinação das cascas descartadas de moluscos é a Espanha onde, em 2004, foi inaugurada uma fábrica para reciclar até 80.000 toneladas de conchas de mexilhões. O beneficiamento resulta na obtenção de carbonato de cálcio com 90% de pureza podendo ser utilizado como matéria-prima na indústria cimentícia, como corretor de solos, na fabricação de tintas, papel e plástico, ou ainda na indústria farmacológica (GREMI DE RECUPERACIÓ DE CATALUNYA, 2007).
 
 
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Figura 1
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Depósito de conchas de marisco na Praia do Capitão – Igarassu –PE.
 
 A casca de marisco é rica em carbonato de cálcio (CaCO
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), todo esse carbonato poderia ser empregado em diversas atividades, como por exemplo, na indústria da construção civil no processo de fabricação de tintas, vidros, argamassas, blocos, e até mesmo concreto, se não fosse descartado de maneira inadequada. Portanto também se pode utilizar como parte ou toda parcela do agregado miúdo, triturando as conchas. O contrapiso consiste em camada de argamassa ou enchimento aplicada sobre laje, terreno ou sobre uma camada intermediária de isolamento ou de impermeabilização. Para sua definição faz-se necessário determinar os parâmetros desenvolvidos diretamente no seu comportamento, destacando-se entre eles as suas funções e finalidades, as características e propriedades; a base em que será aplicado; tipo de revestimento de piso que irá receber; as solicitações previstas; as técnicas de execução; e os materiais disponíveis para a produção de argamassa (BS 8204-1:2003). Os pisos internos podem apresentar inúmeras funções, tais como: possibilitar desníveis entre ambientes; proporcionar declividades para escoamento da água; regularizar a base para o revestimento de piso; ser suporte e fixação de revestimento de piso e seus componentes de instalações, promover barreira estanque ou impermeável e isolante térmico e acústico, dentre outros (ELDER; VANDERBERG, 1977). Para essa pesquisa, foram realizados ensaios inerentes à produção de argamassa. MOTA et al., (2006) avaliaram a influência da argamassa de revestimento na resistência à compressão axial em prismas de alvenaria resistente de blocos cerâmicos e verificou um aumento na resistência à compressão, de acordo com o aumento da espessura da camada de revestimento e com o enriquecimento de seu traço. Com base nisso é possível perceber a importância desse material para a engenharia civil. SILVA et al., (2015) mostraram que é possível substituir o agregado graúdo (brita) pela concha de marisco na produção de concreto não estrutural, podendo ser utilizado em camadas de regularização, nivelamento de bases e contrapisos. Os resultados dos ensaios foram aceitáveis dentro da funcionalidade do concreto não estrutural.
 
 
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 Desse modo, a reutilização dos resíduos de cascas de mariscos demonstra grande importância não só do ponto de vista ambiental, mas também contribui para a redução de custos de materiais utilizados na construção civil. No setor da construção civil, os insumos possuem um papel de extrema relevância, pois diante da crise econômica vivida pelo país nos últimos meses, os custos dos materiais atingiram valores muito altos, que podem inviabilizar a execução de serviços. Diante disso, optou-se pela incorporação do resíduo da maricultura como agregado miúdo na produção de argamassa de revestimento de piso.
2 Metodologia
Na pesquisa foram produzidas amostras de argamassas para contrapiso, fabricadas com cimento CP II Z-32, com a incorporação do pó da concha de marisco em teores diversos como agregado miúdo. As conchas de mariscos utilizadas foram coletadas na Praia de Mangue Seco localizada no município de Igarassu - PE, conforme retrata a Figura 2.
Figura 2 
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Depósito de conchas de marisco na Praia de Mangue Seco – Igarassu –PE.
2.1 Lavagem das conchas
 Após a coleta, as conchas passaram por um processo de lavagem simples com água corrente e posteriormente foram expostas ao ar livre por um período de 15 dias. Em seguida foi feita ainda uma segunda lavagem em betoneira, onde cada porção depositada dentro do equipamento passou por um ciclo de 4 lavagens com duração de 2 minutos cada e na sequência as conchas foram dispostas em lona plástica para secagem no laboratório de materiais de construção do IFPE Campus Recife por um período de mais 7 dias. Toda essa metodologia de lavagem e secagem foi realizada tomando como base outros trabalhos com a mesma linha de pesquisa.  A Figura 3 retrata esse último procedimento.
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