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BÁQUICA
ORGIA
 
ORGIA
 Edição nº72 do
JORNAL DA ASSOCIAÇÃO DEESTUDANDES DA FACULDADE DE LETRAS DAUNIVERSIDADE DE LISBOA
 
FICHA
TÉCNICA
DIRECÇÃO:
Joana MatiasMaria Palma TeixeiraMarta GilNelson P. Ferreira
ESCREVEM E COLABORAM:
Alfredo Magalhães Júnior Ana Isabel Milhanas MachadoAndreia TrindadeAndreína MeloBalva ResDiana GregórioFabrizio MasHeduardo KiesseJoana MatiasJoana OliveiraMargarida TeixeiraMariana JacintoMariana NarcisoMarta GilMarta OchôaMiguel BarcelosNelson P. FerreiraPonces D´Arremada-ResRui Carvalho
 AGENDA CULTURAL (CULDEX):
Ana Isabel Milhanas MachadoMaria Palma Teixeira
BD:
Catarina Silva
DESIGN, CAPA E IMAGEM:
Francisco Ferreira
REVISÃO:
Catarina Poderoso
BLOG/FACEBOOK:
Bibliotecário de biblioteca pobreDirecção OFL
TIRAGEM:
3500Impressão e apoio à distribuição:Litografia Amorim – Artes gráficas &Design, Lda.
 APOIOS:CONTACTOS:
Os Fazedores de LetrasAssociação de Estudantes de Universidade deLisboaAlameda da Universidade, 1600-214 LisboaTlf: 217 990 530Email: osfazedores@gmail.comBlog: osfazedoresul.blogspot.comFacebook: facebook.com/osfazedoresdeletrasRegisto na Entidade Reguladora para aComunicação Social: 121256Depósito Legal: 128598/98Os artigos assinalados são da responsabilidadeexclusiva dos autores.
NOSTRA UNIVERSITAS
- 4Entrevista: Dr. António Feijó, Director da FLULEntrevista: Prof. Dr. José Pinto de Lima, Professor da FLUL
MEGAFONE
- 8Bate leve, levemente...Feira da Ladra: olhares dispersos e caminhos abertosO Fado e Alfama. Alfama e os escritores
 SÍSINFONIA
- 14Primeiro rascunho de quadro vivoé janeiro e já dispo a roupaO gigante e a cozinheiraEscasso infinitoutopias/distopias viiiLa peste. La muerte. La auroraAlmas assimPara o Pedrinho
CULDEX
- 24
BANDA-DESENHADA
- 26
“Houve aquela vez em que li A Lua de Joana e quis ser escritora”. Ela diz que passa os fins-de-semana emAlenquer, com os pais. Que gosta de ir à cinemateca ver os clássicos quando não está na biblioteca aestudar. E eu revejo o meu parco saber cinéfilo, questionando-me se A Lua de Joana foi adaptado aocinema, e, se fosse, se seria um desses. “Clássicos”, isto é. Ela oferece-me o café porque acha que eu “nãotenho cara de quem tem notas destrocadas”. É este tipo de sentido que ela faz. Diz que passa maior partedo dia na cidade universitária e que submete poemas para jornais académicos. Que conhece gente quelá foi publicada. Eu penso que ninguém deve ler tal coisa. Eu digo, “Em Alenquer não recebem nas tabac-arias”. Ela diz que, “É à borla, é capaz de encontrar exemplares na biblioteca municipal”. E eu não digo aesta moça que lá trabalhei. Metade da vida. E que nunca reparei nas coisas que deixam em resmas, por cima dos balções ou abandonadas pelos assentos vazios da sala de leitura. Ou por cima do autoclismo noslavabos. Eu reparava nos livros e se eram requisitáveis ou de consulta na sala, nos códigos de barras e naclassificação decimal universal e nos afazeres do depósito e perdoar quem não entregasse o livro a tempoe mandar calar e guiar uma moça como esta a um estudo maçudo sobre arte maneirista. É como sedissesse, “Mas isso é desenhar fruta, não tem ponta por ondese pegue”. Ela diz que eu deviasubmeter um texto para o jornal que traz consigo. Diz quetenho cara de escritor. Esperoque não seja parecido àpessoa que escreveu A Lua deJoana. Acho que é mulher.Aceito o café mas nãorespondo por aí além de “sim”ou “não”. Não consigoescrever uma linha que sejadepois de ter lido tanto. Perditanto tempo a ler que agora jánem sei escrever. Façocitações, casos isolados doamontoado de livros quetenho espalhado pelo quartoque arrendo à velhota dafrutaria. É em tudo semelhanteaos momentos de pausa paracigarro e bica que tinha nabiblioteca. Ainda lá vou todosos dias, embora agora não sejabibliotecário. Mas não existemmuitos outros sítios onde prefiraestar.
 A Direcção O Bibliotecário
EDITORIAL
 
NOSTRA
 
NOSTRA
UNIVERSITAS 
Lutas de outros tempos são revisitadas nesteencontro, rememorando o sistema educativodo Estado Novo em contraposição com opresente. Academias elitistas onde apenascinco por cento da população tinha acesso àentrada no ensino superior foram substituídas, noregime democrático, por uma muito maior variedade de oferta e igualdade de acesso.Este seria um esboço da Faculdade de Letras,como António Feijó a viveu antes e depois de1974. Licenciou-se em Estudos Anglo-Americanos já em 1977, partindo de seguidapara os EUA onde fez o mestrado e doutora-mento. De volta a Portugal, candidatou-se àposição de assistente estagiário na mesmainstituição, até receber a equivalência paraprofessor, e ensina nesta casa desde então.A passagem para director deu-se numa “con- juntura muito particular”. Nunca antes tinha con-siderado ocupar tal cargo por considerá-lo“uma posição administrativa relativamentecinzenta”. Em 2007-2008, o Regime Jurídico dasInstituições do Ensino Superior (RJIES) obrigou àcriação de novos estatutos para cada Universi-dade e, em seguida, para cada Faculdade.António Feijó esteve incluído num grupo dedocentes que se organizou para defender aintegridade da FLUL, ameaçada de desmem-bramento neste processo, e, na sequênciadessa posição, ocupa a posição de director háquatro anos. Embora não deseje, nem, aliás,possa, cumprir um terceiro mandato, consideraque um mandato de dois anos, o mais curto detodas as direcções de Faculdades da Universi-dade de Lisboa, estatutariamente consagradopara evitar possíveis derivas autoritárias, é,parece-lhe agora, insuficiente em termos doaproveitamento da muito rápida curva deaprendizagem feita pelo docente que se tornadirector.Retomando o retrato soturno de uma época,anterior a 1974, na qual não era permitido dizer o que se pensa nem estar em conjunto comquem o queira ouvir, no caso dos rapazes,vivia-se dependente da chegada de umaintimação do exército que os obrigava a ir para longe e deixar-se para trás. Mas haviatambém estudantes altamente politizados esolidários, cinco (e depois quatro) anos delicenciatura para ler muito, pensar, trabalhar eter o lazer necessário e, nas condições de
 
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 NOSTRA UNIVERSITAS 
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