HERMINIA PRADO GODOY SÍNDROME DE ASPERGER: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
TRABALHO DE APROVEITAMENTO DE CURSO Disciplina: Os Distúrbios do Desenvolvimento nas Neurociências
Professor: DR. JOSÉ SALOMÃO SCHWARTZMAN
UNIVERSIDADE MACKENZIE PÓS - GRADUAÇÃO - MESTRADO S. PAULO Jun/1998
 
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INTRODUÇÃO
A Síndrome de Asperger (SA) foi primeiramente descrita sob o título de Psicopatia Autista pelo médico Austríaco Hans Asperger em 1944, como: não reconhecida antes do 3
o
. ano de idade; a fala desenvolve-se na idade normal; existe a inversão pronominal; a linguagem é pedante, repetitiva e estereotipada; existe a falha em entender regras que controlam a conduta social; fazem uso de temas repetitivos; as preocupações são intensas e podem ser srcinais e criativos. Asperger acreditava que os pacientes possuíam inteligência normal e que não existia atraso no desenvolvimento cognitivo e na fala (Ryan, 1992). Devido ao fato de Asperger ter publicado o seu trabalho durante a segunda guerra mundial, e em alemão, este quadro clínico recebeu pouca atenção durante quase quarenta anos. Lorna Wing descreveu a doença em 1981, denominando-a de Síndrome de Asperger (Bonus
et al
, 1997). A partir de então vários autores passaram a colaborar para a complementação das características diagnósticas da Síndrome de Asperger. Essa colaboração pode ser observada no quadro comparativo das características diagnósticas da Síndrome de Asperger, no qual, apontam para as divergências existentes entre os autores, realizada por Ghaziuddin
et al
 em 1992:
 Asperger Wing Gillberg Szatmari Tantam CID-10 (1944) (1981) (1989) (1989) (1988) (1988) =========================================================  Atraso
não
 
Pode
 estar
Pode estar não declarou Pode estar Não
Linguagem
presente presente presente
 
------------------------------------------------------------------------------------------------------
 Atraso
 
não Pode estar Pode estar não declarou Pode estar Não
 
Cognitivo
 
presente presente presente -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
 
Deterioração
 
sim sim sim sim sim sim
Social Autística
-------------------------------------------------------------------------------------------------------
Desajeitado
sim sim sim gestos sim usual- desajeitados mente ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Linguagem
 
sim sim sim sim sim não
Pedante
 
menciona ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
 Absoão de
 
sim sim sim sim sim usual-
Interesses
mente
 ===========================================================
 
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Pode se perceber que Wing, Gillberg e Tantam descreveram pacientes com a Síndrome de Asperger com Retardo Mental, enquanto o CID-10 (Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento) e Asperger referem que os pacientes com a Síndrome apresentam inteligência normal. Asperger afirma que os pacientes portadores da Síndrome teriam um atraso na linguagem e um atraso cognitivo. Autores como Wing, Gillberg e Tantam verificaram que pode ou não haver um atraso na linguagem e na cognição desses pacientes. Até 1992 conforme Ghaziuddin
et al
 (1992), existia uma grande variedade de critérios para o diagnóstico de Síndrome de Asperger, fato este que dificultava a interpretação dos achados de pesquisas. Ryan (1992) colaborou para a especificação mais detalhada das características diagnóstica da Síndrome de Asperger. Relata que a aquisição da linguagem em pacientes com Síndrome de Asperger é retardada. Pessoas com a Síndrome podem ter dificuldades com neologismos, gramática e substituição pronominal a vida inteira. O conteúdo da linguagem pode ser pedante e repetitivo. Piadas complexas não são compreendidas, mas o humor corriqueiro pode ser apreciado. A linguagem sempre aparece de forma recitada, algumas vezes inapropriada, como se fosse uma leitura. Palavras longas e obscuras (difíceis) podem ser entendidas; enquanto pode existir uma não compreensão para palavras curtas. Quanto a Comunicação Não Verbal afirma que pacientes com a Síndrome podem exibir pouca expressão facial, exceto sob fortes emoções; e inflexões podem estar ausentes ou serem inapropriadamente exageradas. A gesticulação pode ser severamente limitada ou muito grande e desajeitada. A compreensão da expressão facial dos outros é imprecisa ou insinuações podem não ser observadas. Integrarem-se socialmente parece ser a maior dificuldade para as pessoas com a Síndrome de Asperger. Eles podem não necessariamente desejar distanciar-se dos outros, mas o isolamento resulta da falta da compreensão intuitiva de regras do comportamento social, incluindo regras que governam a linguagem, gesticulação, postura, contato de olhar; escolha de roupas e proximidade de outros. A aparência higiênica pode ser assinalada por simultaneidade de extremos. Por exemplo, um paciente pode banhar-se dez vezes durante o dia mas nunca escovar seus dentes. Em alguns casos, atos bizarros e antisociais resultam da profunda falta de empatia. Alguns pacientes com a Síndrome jamais se sentem seguros porque eles nunca podem estar certos quando eles estarão seguros. Alguns sentem-se mais confortáveis ao relacionarem-se com objetos que tem poucas ou nenhuma característica humana, tais como computadores. Também observada é a qualidade da ausência ou limitação da fantasia, com um ou dois temas repassados repetidas vezes. Uma profunda falta de senso comum foi descrita como característica da Síndrome. Pessoas com esta Síndrome podem ser muito ligadas a objetos pessoais e podem vir a tornarem-se extremamente infelizes quando fora do ambiente familiar. Quanto à coordenação motora grossa, esses pacientes são desajeitados e descoordenados. Postura e porte parecem estranhos, pode ser observado tremor, que pode interferir com a escrita e desenho. Podem
 
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desenvolver um interesse intenso em um ou dois assuntos, absorvendo todos os detalhes sobre eles. Este interesse intenso pode ser uma variação das habilidades científicas que aparecem em algumas pessoas com o autismo clássico. As crianças, pacientes com a Síndrome de Asperger são muitas vezes excêntricas e podem sofrer ameaças na escola. Tendem a uma performance pobre porque seguem seus próprios interesses e deixam de cumprir as tarefas propostas. Podem dar a impressão de vulnerabilidade e fragilidade, e infantilidade patética, o que alguns consideram carinhoso e outros acham irritante. (Ryan, 1992). Assumpção (1995, p.130) resume a seguinte sintomatologia necessária para se realizar o diagnóstico da Síndrome de Asperger: inteligência normal ou próxima do normal; desenvolvimento de habilidades especiais, com interesses circunscritos que podem permanecer durante anos excluindo a participação em outras atividades e manifestando-se de forma repetitiva e estereotipada; os primeiros sintomas são observados ao redor do terceiro ano de idade; há o desenvolvimento de padrões gramaticais elaborados precocemente, porém com superficialidade e forte tendência ao pedantismo, e alterações de prosódia, bem como problemas de compreensão e de comunicação não verbal, ligada a gestos e expressão facial, e, apresenta um
deficit
 importante no contato social, com inabilidade no estabelecimento de jogos sociais ou de relações interpessoais, bem como comportamentos inadequados e rotinas estereotipadas e de difícil alteração. Atualmente a Síndrome de Asperger é classificada pelo DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais- 1995) como um Transtorno Abrangente do Desenvolvimento e pelo CID 10 (1993) como Transtorno Invasivo do Desenvolvimento. O Transtorno Abrangente ou Invasivo do Desenvolvimento conforme descrito pelo DSM-IV (1995, p. 65), caracteriza-se por um:
“prejuízo severo e invasivo em diversas áreas do desenvolvimento: habilidades de interação social recíproca, habilidades de comunicação, ou presença de comportamento, interesses e atividades estereotipadas. Os prejuízos qualitativos que definem essas condições representam um desvio acentuado em relação ao nível de desenvolvimento ou idade mental do indivíduo. Em geral se manifestam nos primeiros anos de vida e freqüentemente estão associados com algum grau de Retardo Mental, que, se presente, deve ser codificado no Eixo II (Distúrbios de Desenvolvimento e Distúrbios de Personalidade). Os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento são observados, por vezes, com um grupo de várias outras condições médicas gerais (por ex. anormalidades cromossômicas, infeções congênitas e anormalidades estruturais do sistema nervoso central). Caso essas condições estejam presentes, elas devem ser registradas no Eixo III (Distúrbios de Condições Físicas). Embora termos como “psicose” e “esquizofrenia da infância”  já tenham sido usados com referência a indivíduos com essas condições, evidências consideráveis sugerem que os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento são distintos da Esquizofrenia”
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