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A transexual Agrado é uma das personagens criadas pelo. diretor espanhol Pedro Almodóvar para o filme Tudo Sobre Minha

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Introdução A transexual Agrado é uma das personagens criadas pelo diretor espanhol Pedro Almodóvar para o filme Tudo Sobre Minha Mãe, que se passa na cidade de Madrid, na Espanha do final dos anos 1990.
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Introdução A transexual Agrado é uma das personagens criadas pelo diretor espanhol Pedro Almodóvar para o filme Tudo Sobre Minha Mãe, que se passa na cidade de Madrid, na Espanha do final dos anos Numa das cenas mais simbólicas, Agrado sobe ao palco e começa a narrar a trajetória de sua vida através das transformações corporais pelas quais submetera seu corpo. Neste monólogo, transcorre um discurso político carregado de humor e ironia que sai de suas entranhas e solta-lhe a boca: o sujeito é livre para escolher seu corpo e sua identidade, apesar de quão caro isso possa vir a ser. Explora-se ai toda a ambiguidade que a palavra caro tem na língua portuguesa. Seu corpo, afirma Agrado, fora feito sob medida. Não fora customizado com o propósito de melhor caracterizá-la como sujeito, mas ao contrário, de projetar seu eu interior:... Chamam-me de Agrado porque, a vida inteira, só pretendi tornar a vida dos outros agradável. Além de ser agradável, sou muito autêntica. Olhem só que corpo. (plateia começa a rir). Tudo feito sob medida. Olhos arredondados: 80 mil. Nariz: 200 mil jogados fora porque no ano seguinte ficou assim depois de uma outra surra. Sei que me dá personalidade, mas se soubesse antes, não teria mexido nele. Continuando. Tetas, duas porque não sou nenhum monstro: 70 mil cada uma. Mas elas já estão super amortizadas. Silicone em... onde? (plateia pergunta rindo). Lábios, tetas, maçãs do rosto, quadris e bunda. O litro custa 100 mil. Calculem vocês porque eu já perdi as contas. Redução da mandíbula: 75 mil. Depilação definitiva a laser. As mulheres também vêm dos macacos até mais que os homens. 60 mil por sessão. Depende de quão cabeluda se é. O normal é entre 2 a 4 sessões. Mas se é uma diva do flamenco, precisará de mais, claro. Bem, como eu estava 17 contando, custa muito caro ser autêntica. E, nestas coisas, não se deve ser avarenta. Porque mais autêntica se é quanto mais se parecer com o que sonhou de si mesma (Tudo sobre minha mãe, 1999, Pedro Almodóvar). Este é o corpo de Agrado: um novo corpo que nasce de seu velho corpo. Um corpo que usa o humor e não tem medo de se ridicularizar. É impregnado de uma poderosa consciência política, que o ajuda a melhor compreender a realidade na qual se encontra. O empoderamento presente na imagem do corpo de Agrado dialoga com a representação grotesca do corpo da cultura cômica popular da Idade Média, cuja imagem caracteriza um corpo em estado de transformação, de metamorfose ainda incompleto, no estágio da morte e do nascimento, do crescimento e da evolução 1 (BAKHTINE, 1984:35). Deve-se notar, contudo, uma diferença crucial. Imperfeito e jamais pronto, o corpo grotesco celebra, de acordo com o autor, o eterno inacabamento da existência em oposição aos cânones estéticos 2 que regem a imagem/aparência do corpo moderno: individual, preestabelecido e perfeito. 1 Un phénomène en état de transformation, de métamorphose encore incomplète, au stade de la mort et de la naissance, de la croissance et de l évolution. Embora, originalmente o texto utiliza a palavra fenômeno, foi empregado o vocábulo corpo por julgar mais apropriado dentro do contexto geral do texto. 2 Neste trabalho, a categoria estética é trabalhada a partir da definição que os body mods paulistas atribuem ao termo estética, e cujo enunciado aparece em conformidade com o discurso sobre o corpo, tal qual propõe Eagleton (1993) ao se reportar à formulação originalmente proposta pelo filósofo alemão Alexander Gottlieb Baumgartern. Nesta acepção, a arte não é o primeiro referencial, mas, sim o termo grego aisthesis que abrange toda a região da percepção e sensação humana. O que quer dizer que para além de uma filosofia ou teoria geral acerca do belo no domínio das artes ou da natureza, aqui se refere aos processos sociais, políticos e ideológicos de (con)formação do gosto. Neste contexto em particular, a categoria estética é usada como mediação para uma abordagem do corpo em termos político para se acessar temas centrais que tipificam as culturas ocidentais contemporâneas, como liberdade, legalidade, espontaneidade e necessidade, autodeterminação, autonomia, particularidade e universalidade. Portanto, a proposta de adoção da categoria estética, em termos lato sensu, evidencia que o corpo está no centro de estratégias e lutas de poder (estrato 18 No contexto moderno, as modificações corporais realizadas pela transexual Agrado representam, assim, um trabalho de afirmação da sua singularidade; uma projeção pessoal de sua identidade como sujeito moderno. Nesse sentido, o corpo é ao mesmo tempo sujeito e objeto, uma vez que o ser humano somente existe em sua materialidade corpórea: ao mesmo tempo, se é e se tem um corpo, que é moral, estético, atuante e sensível 3 (CROSSLEY, 2005: 2). O que leva o antropólogo francês David Le Breton afirmar que o corpo é, fundamentalmente, uma construção pessoal (LE BRETON, 2004: 8). Logo, o corpo, no mundo moderno, se torna o baluarte para caracterização de uma aparência mais próxima possível daquilo que o sujeito projetou como ideal para si mesmo. De tal modo que a prática de projetar, modificar e turbinar o próprio físico tende a transformar o corpo num acessório indispensável para que o sujeito represente o papel que atribui para si mesmo (LE BRTETON, 2004: 8). É exatamente neste sentido que a personagem Agrado declara que mais autêntica se é quanto mais se parecer com o que sonhou de si mesma (Tudo sobre minha mãe, 1999, Pedro Almodóvar). De outra maneira, sem as práticas deliberadas para produzir a transformação física desejada, o corpo seria insuficiente e incompleto. É preciso, portanto, que o sujeito incruste em seu corpo o próprio carimbo. Tome posse dele através de um trabalho de reconfiguração de si (LE BRTETON, 2004:9). Passível de transformações frequentes, perenes e transitórias, o corpo se converte, assim, num suporte físico, em certa medida, social, sexo, idade, etnia), ao mesmo tempo em que aparece inseparável de todo um novo formato de subjetividade característico das sociedades ocidentais modernas. 3 It is a moral, aesthetic, acting and sensuous being. 19 bastante flexível, dada à conformação de um cenário que se configura por uma enorme gama de possibilidades existentes. Por um lado, se tem os avanços da biomedicina e biotecnologia, passando pelo desenvolvimento da robótica biomecânica com suas fascinantes inovações tecnológicas no domínio das próteses e dos protótipos, por exemplo. Por outro, a propagação e fácil acesso do saber, das técnicas e das tecnologias médico/cirúrgico entre leigos com diferentes níveis de escolaridade e domínio do instrumental técnico-pedagógico. Como grande reforço, todo um imaginário cultural, alimentado também pelas revistas de quadrinho e pelos filmes de ficção científica, de que o sujeito pode, ao bel prazer, transformar seu corpo indefinidamente. Designers do próprio corpo, os sujeitos, não raro, criam projetos de modificação considerados, por eles mesmos, extremos. Fazem parte deste universo as práticas de body building, de dietas radicais, de consumo de esteroides anabolizantes e proteínas, de atividades físicas e esportivas, de cirurgias plásticas, de mudanças de sexo, de body art, de tatuagens (que cobrem grandes extensões do corpo ou realizadas em áreas tabu como genitália, mãos, rosto e pescoço) de escarificação (branding, chemical, cold branding, dremel, injection, tattoo gun, skin removal, ash rubbing, burning, cutting), de body piercings (surface piercing, microdermal, stretching) de implantes subcutâneos (transdermal, subdermal), de tongue splitting, de eyeball tattoing, de ear pointing 4, de nulificações, e de tantas outras que surgem, a cada dia, como uma intervenção ainda mais impactante. 4 Cada uma destas práticas encontra-se descrita no glossário inserido ao final do documento. 20 Em relação às práticas consideradas extremas, a tese intitulada Navalha na carne: estéticas de resistência 5 busca discutir os processos de normatização em contraste com os de desnormatização do corpo em termos plásticos, biomédicos e sexuais, tendo particularmente em vista os padrões estéticos que tipificam o discurso preponderante na cultura ocidental no qual o corpo é seu grande sustentáculo e depositário. Utiliza-se para isso as modificações não usuais conquistadas por intermédio da subcultura (HEBDIGE, 2002) 6 da body modification ou BM como se referem seus entusiastas e simpatizantes entendidas aqui como formas de expressão e rituais de grupos minoritários, ou melhor, de grupos marginais, que utilizam a criatividade, astúcia e improvisação em uma oposição direta à cultura percebida como preponderante, e que, muitas vezes, vivem na clandestinidade dada à sua estreita relação com o ilícito. Em outras palavras, tratam-se de modificações fora do comum para os padrões estéticos vigentes, e, em alguns casos, consideradas assaz invasivas ao corpo. Mais ainda, dizem respeito às práticas que produzem modificações frequentemente 5 Para além da questão estética, a alusão direta à obra do dramaturgo Plínio Marcos, que foi censurada em 1967, está atrelada ao fato de a peça descrever as disputas de poder no triângulo formado entre a prostituta Neusa Sueli, o cafetão Vado e o homossexual Veludo. Sem perder de vista também que retrata grupos identitários e estratos marginalizados. 6 Embora seja utilizado o conceito de subcultura proposto por Hebdige (2002) no que concerne ao entendimento de que são produtoras de estilos, há distanciamento em relação às noções marxistas sob as quais Hebdige se baseia. Termos como aparelho ideológico abordado por Louis Althusser, bem como conjuntura e hegemonia definidos por Gramsci, são deixados de lado por não serem considerados os mais adequados para retratar o universo pesquisado, no período atual. Justapondo de forma livre e bastante flexível Althusser E Gramsci, Hebdige apoia-se na semiótica proposta por Barthes e pela Escola de Praga. O intuito é dar suporte teórico aos jovens universitários britânicos e aos primeiros estudantes imersos naquilo que ficou conhecido, na Inglaterra, como estudos culturais, cujo inicio remontam aos anos de 1970. 21 incompreensíveis para o senso comum e para o discurso médico racionalista 7. No caso em particular, retrata o corpo enxertado, perfurado, rasgado, esburacado, dilacerado e amputado que habita o universo da body modification. Com isso, intenta-se articular a afirmação da beleza freak proposta por entusiastas da body modification com a teoria queer 8, a partir de declarações a este respeito feitas pelos próprios sujeitos Em última instância, refere-se a uma análise cujo foco incide sobre determinadas configurações de corpos abjetos ou caracterizações possíveis de sua abjeção enquanto formas de reivindicação sociopolítica. Dizem respeito a táticas deliberadas de confrontar as estratégias minuciosas de controle do corpo físico e social, exercidas na esfera dos chamados micro-poderes (FOUCAULT, 2011:104). Isso porque os flexíveis projetos de auto 7 Existe uma enorme gama de discurso médico-psiquiátrico patalogizante julgando as modificações como sendo um grande risco para integridade física dos sujeitos. Infecções, choques anafiláticos, lesões neurológicas, cegueira e morte são alguns dos principais enunciados. Contudo, é preciso considerar que estes mesmos riscos os sujeitos correm quando se submetem a determinados procedimentos cirúrgicos, quimioterapias ou exames diagnósticos considerados extremamente invasivos, como por exemplo amniocentese e biópsia vilocorial. Segundo estimativas, a amniocentese, além de deformações no feto, acarreta 1 aborto entre cada 300 ou 500 testes realizados. Pode gerar também outras complicações para a gestante, como sangramentos, perda de líquido amniótico e contaminação. Já a taxa de aborto com a realização da biópsia vilocorial é de até 2%. Ou seja, 1 em cada 50 mulheres pode sofrer o fim precoce da gestação de forma dolorosa e traumática. Sobre como o discurso de risco e os exames diagnósticos estão estreitamente vinculados aos processos de normatização dos corpos, enquanto estratégias desenvolvidas por agencias de saúde pública e de promoção da saúde, ver, por exemplo, Lupton (1995). 8 Criticando o discurso da heteronomatividade através do que define imperativo heterossexual, a teoria queer busca suscitar novos questionamentos sobre minorias sexuais (gays, lésbicas, transgêneros). Para tanto, parte de uma ideia de performatividade na qual o gênero é visto como uma construção cultural que se sobrepôs à superfície da matéria, ou seja, ao corpo em sua materialidade física. Segundo seus teóricos, não existe uma essência masculina nem tampouco feminina, antes formas socialmente variáveis de desempenhar um ou vários papéis sexuais, como sugere a famosa frase pronunciada por Simone de Beauvoir não se nasce mulher, torna-se mulher. Para uma visão global desta teoria ver, por exemplo, Butler (1990), Preciado (2002) e, no Brasil, Louro (2004). 22 invenção do corpo são dificultados pelas inúmeras maneiras em que as identidades e as significações dos corpos são constituídas por e dentro de forças sociais 9 (PITTS, 2002:35). Abarcam, portanto, diferentes narrativas, cujo teor amplia o imaginário acerca do corpo, instituindo e fomentando novas formas para a sua (re)configuração com o objetivo de expandir e realçar um campo de possibilidade da vida corpórea 10 (BUTTLER, 1998:277). Entretanto, o abjeto ao qual esta pesquisa se reporta incide sobre uma política de uma abjeção minoritária (GRUNVALD, 2009: 54). Sua questão fundamental não repousa em denunciar a ausência de representatividade ou exclusão de certos tipos de corpos, de modo a tornar a abjeção legítima culturalmente, em conformidade as ideias Butler (1993). Ao contrário, diz respeito a uma reivindicação explicita de sua abjeção que aparece no seguinte questionamento: como produzir para si um corpo abjeto? (GRUNVALD, 2009: 54). Nesse contexto, deve-se entender que: as modificações corporais extremas ou anômalas não aparecem como algo inteiramente antinatural ou patológico, tampouco sugerem que os indivíduos possam, livre e indefinidamente, moldar seus próprios corpos e identidades. Em vez disso, os projetos de modificações ilustram como os indivíduos e grupos negociam a relação entre identidade, cultura e seus próprios corpos 11 (PITTS, 2003:35). 9 The flexible self-invention of contemporary body projects is complicated by the many ways in which the identities and meaning of bodies are constituted by and within social forces. 10 With the aim to expand and enhance a field of possibilities for bodily life. 11 Anomalous body modifications do not appear as inherently unnatural or pathological, but they also don t illustrate that individuals can freely or limitlessly shape their own bodies and identities. Rather, body projects suggest how individuals and groups negotiate the relationships between identity, culture, and their own bodies. 23 Outro aspecto a se considerar é que a noção de abjeção aqui trabalhada remete também à proposta de Kristeva (1982). Neste ensejo, corpos abjetos são aqueles que a arte abjeta toma como matéria de produção: o repugnante, o intragável ou inassimilável; o pus, o sangue, as fezes, o cuspe, as feridas e sobretudo o cadáver. Enfim, tudo aquilo que remete às irrupções do real ao mesmo tempo constitutivo e disruptor da corporeidade (COUTINHO; PORTINARI, 2015:sp.) Assim, se reconhece que, em certa medida, todo corpo é abjeto. É constitutivamente submetido e atravessado pela abjeção, que o torna sempre irredutível às totalizações da imaginarização e da norma. Atravessado e recortado pela abjeção, o corpo está no centro das estratégias e lutas de poder que se configuram como uma violência fundamental e constitutiva das nossas sociedades modernas que limitam outras possibilidades de vida corpórea. A perspectiva de Kristeva (1982) também se articula, de algum modo, ao corpo grotesco da cultura cômica popular da Idade Média e do Renascimento, trabalhado pelo formalista russo Mikhail Bakhtine. O corpo grotesco, entretanto, não está separado ou isolado do resto do mundo, como acontece na imagem corporal projetada pelos cânones estéticos modernos. Sua ênfase recai: sobre as partes do corpo em que ele se abre ao mundo exterior, isto é, onde o mundo penetra nele, ou dele sai, ou ele mesmo sai para o mundo através não só de orifícios, protuberâncias, ramificações e excrecências: a boca aberta, os órgãos genitais, os seios, o falo, a barriga, as tripas, o cu e o nariz, mas também em atos, tais como o coito, a prenha, o parto, a agonia, o comer, o beber, o cagar, o mijar 12 (BAKHTINE, 1984:35). 12 Sur les parties du corps où celui-ci est soit ouvert au monde extérieur, c'est à dire où le monde pénètre en lui ou en sort, soit sort lui-même dans le monde, c'est à dire aux orifices, aux protubérances, à toutes les ramifications et excroissances: bouche bée, organes génitaux, seins, phallus, gros ventre, cul, nez. 24 Trata-se assim de um corpo, conforme afirma Bakhtine (1984), deformado, anômalo, horrendo e assombroso do ponto de vista da estética da vida cotidiana na qual a imagem do corpo é sempre perfeita, acabada e em pleno vigor físico. Contudo, de acordo com o autor, a imagem do corpo do realismo grotesco que na sua acepção sobrevive ainda hoje - satiriza tudo que é e/ou integra a ideologia oficial. Isso porque o princípio do corpo grotesco destrói a seriedade unilateral e todas as pretensões de significação incondicional e atemporal, ao mesmo tempo em que libera a consciência humana, o pensamento e a imaginação humana, que ficam assim disponíveis para novas possibilidades 13 (BAKHTINE, 1984: 58). A perspectiva sob a qual esta pesquisa se desenvolve utiliza como metodologia um estudo qualitativo ancorado num trabalho cuja abordagem flerta com a etnografia, a despeito das críticas existentes sobre a apropriação desta metodologia por áreas de estudos estranhas à antropologia e, sobretudo, à chamada antropologia social urbana, que hoje tem grande visibilidade dentro campo 14. Le corps ne révèle son essence, comme principe grandissant et franchissant ses limites, que dans des actes tels que l'accouplement, la grossesse, l'accouchement, l'agonie, le manger, le boire, la chier, la pisse. 13 La sérieux unilatéral et toutes le prétentions à une signification et à une inconditionnalité située hors du temps et affranchissent la conscience, la pensée, et l imagination humaines qui deviennent disponibles pour de nouvelles possibilités. 14 José Guilherme Cantor Magnani, por exemplo, faz severas críticas à vulgarização do método etnográfico fora do interior da antropologia. Com o objetivo de estabelecer suas fronteiras, descreve os critérios que diferenciam a etnografia nas demais disciplinas sociais e, inclusive, no interior da própria antropologia. Condena, sobretudo, a utilização desta disciplina, para fins pragmáticos, geralmente no contexto de pesquisas de mercado e de produção de relatórios por ONGs, agentes e agências de Estado, como também por associações. Atribui a este uso indiscriminado uma série de mal-entendidos, entre 25 Partindo deste entendimento, o universo da BM é descrito do ponto de vista de alguns dos sujeitos que, notoriamente, tem um papel importante dentro da cena paulista da body modification, tanto como entusiastas quanto como profissionais. No caso em questão, privilegia-se uma estrutura esquemática a partir de uma perspectiva cronológica com o intuito de fornecer informações históricas sobre o fenômeno da body modification em São Paulo, já que há escassez de dados a este respeito. Como recurso, utilizamse a coleta de depoimentos, a revista de matérias noticiadas em jornais, periódicos e magazines, além de consulta às poucas publicações existentes. Em paralelo, a pesquisa se detém no discurso dos maiores difusores da subcultura da BM do momento atual. São sujeitos que não somente apresentam um projeto consolidado de modificação, como o discutem em termos político e ideológ
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