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AEROPORTO DE CONGONHAS-LUGAR DE HISTÓRIA E MEMÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO.pdf

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Associação Nacional de História – ANPUH XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA - 2007 Aeroporto de Congonhas: lugar de história e memória da cidade de São Paulo Claudia Musa Fay 1 Resumo A presente comunicação fruto de uma pesquisa em andamento tem como objetivo demonstrar a importância das transformações da estrutura urbana nas diversas temporalidades e, o valor simbólico do Aeroporto de Congonhas como patrimônio afetivo e cultural da cidade de São Paulo. Construído num descampado na década de 193
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   Associação Nacional de História – ANPUHXXIV SIMPÓSIO NACIONAL D HIS!Ó IA # $%%& Aeroporto de Congonhas: lugar de história e memória da cidade de São Paulo Claudia Musa Fay 1 Resumo  A presente comunicação fruto de uma pesquisa em andamento tem como objetivo demonstrar a importância das transformações da estrutura urbana nas diversas temporalidades e, o valor simblico do Aeroporto de Con!on as como patrim#nio afetivo e cultural da cidade de $ão %aulo& Constru'do num descampado na d(cada de 1)*+ e considerado como um espaço de laer domin!ueiro nos anos se!uintes, ( na atualidade, visto como catico, embora s'mbolo do vaiv(m da capital paulista pela facilidade de estar distante apenas oito quil#metros do centro& %alavras C ave- Aeroporto, Cidade de $ão %aulo, Memria& Abstract  . e present communication fruit of one researc in pro!ress as as objective to demonstrate t e importance of t e transformations of t e urban structure in t e diverse temporalities and, t e symbolic value of t e Airport of Con!on as as affective and cultural patrimony of t e city of $ão %aulo& Constructed in a open field in t e decade of 1)*+ and considered as a space of sunday leisure in t e follo/in! years, it is in t e present time, visa as c aotic, even so symbol of t e s/in! of t e $ão %aulo capital for t e easiness to be distant only ei! t 0ilometers of t e center& Key Words:  Airport, City of $ão %aulo, Memory o in'cio do s(culo 232, a re!ião na qual oje se encontra o aeroporto, pertencia 4 fam'lia de 5ucas Ant#nio Monteiro de 6arros, primeiro presidente da prov'ncia de $ão %aulo, o 7isconde de Con!on as& 8stas terras faiam parte da 9rea rural de $ão %aulo, espal adas ao lar!o do camin o para $anto Amaro&A $ão %aulo, dos anos 1)*+ j9 não era mais aquela pequena cidade do s(culo anterior, sua população avia quase que triplicado, dos :;&)*; abitantes estimados em 1<)+,  passou em 1)*; para 1&+:+&1=+ abitantes&Foi neste conte>to istrico que de acordo com $antos- ?@s campos de aviação espal ados pela cidade foram desaparecendo um a um, não s porque o desenvolvimento urbano impun a a ocupação das valoriadas 9reas livres onde subiam e desciam aviões, mas tamb(m porque os aparel os iamse tornando maiores e as pistas não eram suficientemente lon!as para a se!urança das operaçõesB&$A.@$, 1)<D- p&:E&8m 1)*D, $ão %aulo possu'a um Gnico aeroporto, o prec9rio Campo de Marte, uma 9rea que sofria constantes ala!amentos em virtude das c eias do rio .iHte, o que tornava o terreno ala!adiço, portanto se faia necess9rio !rande aporte de recursos para efetuar sua 1 %ICJ$  drena!em, al(m dos s(rios problemas causados pelo denso nevoeiro&8m face das !randes transformações tecnol!icas dos aviões dos anos *+, era ur!ente a escol a de um novo s'tio que contemplasse a construção de um campo de aviação  para $ão %aulo& Jealiados os estudos preliminares, levandose em conta- a acessibilidade, a visibilidade, a drena!em e a 9rea dispon'vel para a implantação do projeto&A escol a recaiu sobre as terras pertencentes a Cia Auto8stradas $&A&, que j9 comercialiara al!uns lotes, mas ainda dispun a de 9rea suficiente para a edificação do aeroporto, assim que, improvisa duas pistas de terra para em 1= de abril de 1)*:, marcar o ?v#o inau!uralB do futuro Con!on as&A aquisição da 9rea pelo !overno paulista foi realiada sem concorrHncia pGblica, mas com o aval das principais autoridades !overnamentais e do corpo t(cnico da aviação& @ desempen o satisfatrio como aeroporto internacional de $ão %aulo vai at( 1)<D, função a  partir da' e>ercida pelo atual Aeroporto 3nternacional Kovernador Andr( Franco Montoro, em Kuarul os& @ Aeroporto de Con!on as, tal como se apresenta oje, ( fruto das diversas transformações projetadas e e>ecutadas ao lon!o dos anos 1)D+, pelo arquiteto Lernani do 7al %enteado e seu assistente, Jaymond Alberto e len& a combinação de elementos da Arquitetura Moderna e do  Art Déco , o edif'cio da estação central de passa!eiros ainda conserva a ambiHncia e o estilo do per'odo em que foi constru'do&Con!on as se torna motivo de atração da cidade, “a prainha paulista B, destinado não apenas aos interessados em viajar, mas o local de laer da fam'lia paulistana& Ali muitos  bailes se realiaram, os famosos ?6ailes do Ara0anB, dos terraços, !ente de todas as idades se deslumbravam com o vai e vem dos aviões, sendo bastante comum “os recém-casados, com a noiva, ainda de véu e grinalda, virem alegremente ao aeroporto para tomar café no fim da  festa.” 2  ova porta de entrada de $ão %aulo, Con!on as ( o primeiro aeroporto urbano  paulistano de !rande porte, capacitado a receber v#os internacionais, !uarda na memria dos que o acompan aram, nas diversas fases, interessantes e pitorescas lembranças * -5y!ia 7eras Lorta, fil a de um funcion9rio da $ecretaria de 7iação e @bras, ainda menina, acompan ou as obras de construção do aeroporto de Con!on as& Fascinavase com o movimento das m9quinas de terraplena!em cor de laranja e ficava ima!inando se al!um dia conse!uiria viajar em um avião, um artefato e>tico na $ão %aulo dos anos *+& Adolescente, = Jevista Aeroportos nN:, abril de 1)):& p&1E *  ///&pioneirosdoar&com&brOc>pretaOc>preta*EPsetoutOc>preta*E& tm  =10 1O+DO=++E = ANPUH – XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – São Leopoldo, 2007.  !ostava de passar por ali soin a para ficar pensando na vida& Q8ra meu ponto ideal para espantar as tristeasB&  “... eu conheci o principal aeroporto da cidade de São Paulo, eu era adolescente.  Auela muretinha met!lica do terra o panor#mico co$erto permitia ue chegasse %s minhas narinas o aroma do uerosene de avia ão e, aos meus ouvidos, o ruidoso trovão dos motores &'( dos )oeing *+*-2 e )oeing *2*-, além do ronco  pregui oso dos Allison dos lectras da Ponte Aérea, todos esses, avi/es ue  predominavam nauele aeroporto 0auele tempo, a revela ão das fotos levava pelo menos uma semana. Depois, ansiosos, meus pais e eu 1eu, mais ue eles v3amos, em fotos coloridas 4 5 4 ou 2 5 4, nossos “cliues” dos primeiros A+ a operarem no )rasil 16ru7eiro do Sul e 8asp, do igualmente impressionante )oeing *9* da 'rans$rasil decolando dauela pista :! não tão grande, e, mais pr;<imos do terra o, os =o>>er =-2* da ?io Sul e 'A@, pregui osamente tomando sol antes de mais um vo”. B 8ste aeroporto, ainda se preserva como poucos espaços, na memria das pessoas que ao seu lado passaram a infância, como sublin a $tern D   “ a lembrança como istria da  pessoa e seu mundo enquanto vivenciadaB, e l9 se encontram na idade madura, assim o autor considera a suposição que e>iste a memria ?puraB, mantida no inconsciente, com a suposição de que as lembranças são refeitas com os valores do presente, no que se apro>ima de Lalb/ac s e de 6artlett&6@$3,=++;- p&:<& uma outra etapa da sua vida, depois de quase uma d(cada afastado daquele lu!ar, o depoente constata que as ima!ens que sua memria avia re!istrado precisavam ser reformuladas, “Por circunst#ncias do destino, fiuei nove anos “2C” longe da avia ão  e de 6ongonhas. , uando retornei ao aconchego do aeroporto então :! uase  se<agen!rio, o terra o desco$erto tinha agora telhados no p!tio, atrapalhando a visão dos =o>>er  e )oeing *+*-+. E terra o co$erto, por sua ve7, havia sido  su$stitu3do por uma agFncia $anc!ria. 8er mais de perto os avi/es, agora, s; se  fosse do restaurante, no andar imediatamente superior. 0ão era f!cilG co$rava-se um “ped!gio” de refrigerante ou cerve:a e havia o desconforto da falta de um teto  para fa7er som$ra e proteger da chuva. Aos poucos, o teto, met!lico, foi constru3do e o “ped!gio” foi su$stitu3do pelo servi o de restaurante com mais conforto, onde o uso das mesinhas constrangia uem não consumisse pelo menos um copinho de !gua mineral. @as, tudo $em, os avi/es ainda estavam ali, ao alcance das m!uinas fotogr!ficas dos adultos e dos olhos $rilhantes das crian as. Sim, pois muitas carreiras, sem dHvida, come aram nauele aeroporto, o$servando a movimenta ão das aeronaves e de seus elegantes tripulantes. E aeroporto sempre  foi o com$ust3vel da pai<ão aeron!utica.” I”. @ cronista Raluar consi!na nas p9!inas do di9rio popular em 1)EE al!umas de suas lembranças de Con!on as-  “ m 4B auilo era uma solidão. E aer;dromo consistia num $arracão de ;  depoimento retirado do site ///1&fol a&uol&com&brOfol aOdimensteinOurbanidadeO!d1)+*+*& tm em 1)O+*O=++* consultado em +1O+DO=++E D $.8J, S& %sicolo!ia !eneral& 3n- 6@$3, 8cl(a& Memria e $ociedade- 5embranças dos 7el os& $ão %aulo- %aulo-Cia das 5etras&=++;& * ANPUH – XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – São Leopoldo, 2007.  madeira . m volta uivava o vento solto no descampado imenso. 0o $arracão um  punhado de gente . Decorrido muito tempo ouviu-se um rumor distante vo7es ue  gritavamGo avião do ?io est! chegando.  os olhares convergiram para uma espécie de mosuito met!lico ue vinha se apro<imando .ra um dos &un>ers alemães ue iniciaram a gl;ria da 8aspJ. 1SA0'ES, ?u$ens ?odrigues. 4(K.  p.9*. @ paulistano nos anos de 1):+, se apropria daquele local como equipamento inte!rante do seu laer, sobretudo nos finais de semana, em que dos terraços, tamb(m c amados de “prainha” , ficava atento aos pousos e decola!ens de aviões, para identificar as diferenças dos ru'dos dos motores das !randes aeronaves& @ Aeroporto de Con!on as contava com serviços e bares que nunca fec avam, tem o or!ul o de ser o primeiro “vinte-e-uatro horas”  da cidade& ovens boHmios eram ass'duos freqTentadores dos seus caf(s e lojas ao lon!o das madru!adas, bem como do requintado restaurante& Con!on as tin a ares da novidade e do !lamour das via!ens a(reas internacionais, numa (poca em que as pessoas se apresentavam com vestimentas ele!antes, escol idas com todo o cuidado para a aventura, transportavam do seu ima!in9rio os momentos que outrora l es reservara as lon!as via!ens de navio, quando se a!lomeravam para as saudações de c e!ada ou de partida, uma infinidade de parentes e ami!os& As transformações se faem necess9rias em função da demanda dos usu9rios e da moderniação das aeronaves, portanto aquela estação de passa!eiros esteve sujeita a alterações no decorrer do tempo& C e!ados os anos 1))+, quando nele foi autoriado o pouso de jatos, constatase a ocorrHncia de uma mudança que imprimiu maior vitalidade, faendo que Con!on as se torne o preferido em relação ao Aeroporto 3nternacional de Cumbica, em Kuarul os& Com a recente construção dos  fingers , um novo espaço destinado ao embarque e desembarque de passa!eiros, situado entre o edif'cio anti!o e a pista, ocorreu o bloqueio da visão que permitia vislumbrar, de dentro da aeronave, o Aeroporto de Con!on as na c e!ada a $ão %aulo& @ espaço panorâmico do vel o terraço do restaurante perdeu sua função e a Jprainha Q não tin a mais nen um sentido& Jm$arcar pela escadinha do avião ou auelas do aeroporto, re$ocadas para :unto do avião, muitas ve7es passando $em perto dos motores e so$ as imensas asas dos  :at/es, em $reve não mais ser! necess!rio”. A chegada do progresso tornar! realidade os velhos planos de passarelas telesc;picas 1ou pontes de em$arue para o passageiro entrar no avião ou sair dele e entrar no aeroporto uase sem perce$er. @ais seguro, mais r!pido, mais moderno. As o$ras para isso :! são realidade e avan am. Avan am pelo p!tio e vão ocultando as aeronaves estacionadas... =otograf!-las, praticamente, :! é passado.  acompanhar sua movimenta ão, o cheue e<terno do co-piloto, o em$arue das ; ANPUH – XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – São Leopoldo, 2007.
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