Documents

Analise Do Discurso:um estudo de caso

Description
Análise do discurso jornalístico
Categories
Published
of 25
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Share
Transcript
  Análise do discurso jornalístico: um estudo de caso Antonio Francisco de FreitasUniversidade Federal de Alagoasl. MaceióMaio de 1999 Índice 1 Contextuaização histórica 32 Fundamentação teórica 72.1 Dizer e não dizer . . . . . . . . 92.2 Notícias e aparências . . . . . . 102.3 Desejo e poder no discurso . . . 133 A reportagem 153.1 O dito . . . . . . . . . . . . . . 153.2 Fatos que remetem ao não dito . 174 O não dito 185 Conclusão 236 Referências bibliográficas 25 Prólogo É instigante trazer à discussão um trabalhoque ultrapassa os limites da retórica tradi-cional, e objetiva analisar as figuras de lin-guagem presentes em diferentes tipos de dis-curso. Esta obra de Antonio Francisco deFreitas, efetua uma análise de um impor-tante momento histórico deste país. É frutode um tempo de maturação, de uma vida di-versificada no jornalismo, e de riqueza vi-venciada no Curso de Pós-Graduação.Estamos em uma sociedade em que os meiosde comunicação nos bombardeiam com ima-gens, símbolos e sons, como elementos inte-ragentes de um grande sistema. A percepçãodas mensagens veiculadas pode patentear-se, tanto em nível consciente, quanto em ní-vel inconsciente. Freitas, em uma lingua-gem descontraída, analisa essas mensagens,de forma clara e precisa, em capítulos bemconcatenados, desvelando os elementos sig-nificativos explícitos e implícitos; e as inten-ções das fontes e dos codificadores. A obra -  Análise do discurso jornalístico - caso Tribuna de Alagoas: os pressupostose subentendidos na reportagem Dossiê Ex- plosivo  - está repleta de teias de relações einteresses, que motivam os textos jornalísti-cos, e os princípios éticos (aéticos), nortea-dores do dia-a-dia das redações.Este trabalho merece destaque pela cora-gem de enfrentar, nestas paragens, temáticatão delicada, pelo fato de não analisar odiscurso do ponto de vista da estética nemcomo recorte do mundo, mas sobretudo por abordar os mecanismos utilizados para ma-nipular as mentes. Sua investigação eviden-cia realidades que transcendem a materiali-dade dos conteúdos das mensagens simbóli-cas. Essefatolheasseguraterrealizadoumatarefa formidável, como contribuição para o progresso de todos aqueles que resolveremestudar as mensagens subliminares. Pode-mos afirmar que o pré-requisito de uma de-  2 Antonio de Freitas mocracia passa por um público bem infor-mado. Antonio Francisco de Freitas consegue ofe-recer ao leitor uma obra densa, cheia de no-vidades e muito útil para a compreensão darealidade jornalística nacional, justamente, por analisar o discurso de jornalistas e de políticos. Este Dossiê Explosivo é dirigidonão apenas aos comunicadores, mas a todosaqueles que detêm ou almejam deter poder. Resta atentar, pois, para o fato de que o dis-curso é uma verdadeira arma de poder. Maceió, Maio de 1999,Carlos Eduardo de Moraes Dias, Doutor emCiências da Comunicação - ECA/USP, Pro- fessor do DECOS/UFAL Apresentação Toda pesquisa de análise discursivaremete à história e às condições de produçãodos enunciados e das enunciações dos sujei-tos sociais, razão pela qual, este trabalho deanálise do discurso da mídia tem um carátersócio-histórico, uma vez que, traz em si, asmarcas lingüísticas do dito e do não dito; ouseja, dos elementos implícitos e explícitos,que, lingüística e extra-lingüisticamente,constituíram o turbulento período históricoda política brasileira contemporânea duranteo governo Collor.Nele, se objetivam as relações de podere de desejo de poder, segundo Foucault,- relações essas que se instauraram e setransformaram em grave corrupção no entãogoverno Collor, no período 90-92, e queforam agravadas ainda mais pelas denúnciasde Pedro Collor de Mello contra o empre-sário Paulo César Farias - provocando oimpedimento do presidente Fernando Collor.Ao realizar este ensaio de análise do dis-curso da mídia impressa, optou-se pelamatéria veiculada pela revista  Veja , em suaedição de número 1.222, de 11.02.92.Espera-se que, ao se preservar a narra-tiva no passado, este trabalho estará fielà época em que foi produzido (fevereirode 1992), na forma de monografia, comoexigência parcial para a conclusão do cursode Especialização em Língua Portuguesa,no Departamento de Letras Clássicas eVernáculas da UFAL, tendo como orientadoro prof. Dr. Ingo Voese.Deseja-se manter a fidelidade ao tempo his-tórico dos acontecimentos para demonstrar-se como o signo e a linguagem,  refletem erefratam , no dizer bakhtiniano, as condiçõesde produção social, trazendo em sua mate-rialização, nos enunciados, as marcas dasformações sociais, ideológicas e discursivasde uma época e as relações de desejo,poder, classe e ideologia que são instauradasatravés da linguagem, perceptíveis ao serealizar a leitura do dito e do não dito. Introdução Este ensaio tem por objetivo fazer aanálise do discurso jornalístico contido nareportagem Dossiê explosivo , sobre ocaso  Tribuna de Alagoas  -, e paralelamente,levantar as reais intenções dos enunciantes,para se compreender o dito e não dito nareferida matéria jornalística.Para se compre-ender o significado do que foi dito e o que foipressuposto ou implicitado, bem como quaisforam as reais intenções dos enunciantes,faz-se necessário conhecer o que não foidito, ou seja, se ler nas entrelinhas o não ditono discurso jornalístico.Neste trabalho seráfeita a análise do caso ocorrido em Alagoas www.bocc.ubi.pt    Análise do discurso jornalístico  3- a disputa do mercado de comunicaçãoimpressa envolvendo os empresários PedroCollor de Mello (PC Mello), irmão do pre-sidente da República e Paulo César Farias(PC Farias), ex-tesoureiro das campanhasdo presidente Fernando Collor de Mello.Pedro Collor de Mello, superintendente da Organização Arnon de Mello  - que edita o jornal  Gazeta de Alagoas , afirma que nãopermitirá que o empresário Paulo César Fa-rias implante o jornal  Tribuna de Alagoas  -eventual concorrente da  Gazeta de Alagoas .Fundamento a presente análise lingüísticanos estudos de Ducrot (1977), Foucault(1971), bem como da Lógica Dialética emMarx e áreas afins - o que permitirá ao leitorcompreender os significados literais e ossignificados implícitos contidos no discurso jornalístico analisado.Na parte inicial deste ensaio, apresento oResumo Histórico dos fatos analisados. Emseguida, traço a Fundamentação Teórica queconduzirá a análise discursiva em pauta.Posteriormente, abordo o Dito e o Não Dito:os elementos lingüísticos, extralingüísticos(filosóficos, ideológicos, institucionais esubjetivos) que apontam para o Não Dito.Ao trazer à tona o não dito, busco ospressupostos implícitos do discurso, que sãoclassificados por Ducrot (op. Cit.) como sig-nificados implícitos. Tais fatos discursivosficam camuflados ou subentendidos numarealização discursiva. 1 Contextuaização histórica Esta análise de caso tem por objetivolevantar os pressupostos e os subentendidosque caracterizam o não dito no discurso; etem como objeto de estudo o texto da revista Veja , de 11. 02. 92, edição número 1.222,ano 25, número 8, páginas 24 e 25, que traza matéria com o título Dossiê explosivo ,relatando a existência de três fitas cassetecomprometedoras contra o empresário PauloCésar Farias. Tal denúncia contra PC Fariasé feita por Pedro Collor de Mello - tentandoassim fazer com que PC Farias desistada idéia de implantar o jornal  Tribuna de Alagoas .Na matéria, PC Mello, em seus enunci-ados, ameaça PC Farias, com o objetivode intimidá-lo em relação ao seu projetode instalação em Alagoas não só do jornal Tribuna  como também de quaisquer outrosmeios de comunicação (emissoras de rádioe tevê). Com isso, PC Mello visa manter omonopólio da família Collor sem nenhumconcorrente no estado.O desejo da manutenção do poder e de suaampliação na comunidade alagoana porparte da família Collor é o fio condutor queeste trabalho procura mostrar - tendo emvista que comunicação é poder, a famíliado presidente Collor deixa claro que nãopretende dividir com ninguém o poder ea hegemonia no mercado de comunicaçãoalagoano.Através do canal 7,  TV Gazeta  (afiliada da  Rede Globo , da  Gráfica e Editora Gazeta de Alagoas , do jornal  Gazeta de Alagoas , e das  Rádios Gazeta AM, Gazeta FM   (Maceió) e Gazeta FM   (Arapiraca, a segunda maior ci-dade de Alagoas) e jornal  Gazeta Arapiraca ;os Collor de Mello detêm o domínio domercado da comunicação social no estado,e por extensão, significativa parte do podersócio-político-econômico e ideológico.Graças a esse complexo de comunicaçãoque foi possível se articular o lançamento deum membro da família - Fernando Collor,o  playboy  de Copacabana dos anos 70, a www.bocc.ubi.pt   4 Antonio de Freitasprefeito biônico de Maceió em 1978 peloPDS, num acordo feito com a elite domi-nante alagoana. Em troca da indicação deFernando Collor a prefeito, o grupo políticoque detinha o poder na época teria garantidoo acesso por vários anos ao complexo decomunicação dos Collor.Antes de terminar o mandato de prefeitobiônico da capital, ele lançou-se candidato adeputado federal pelo PDS em 1980, sendoo deputado federal mais votado de Alagoas,graças ao poder de comunicação da família.Também através de acordo para continuarpermitindo o acesso da elite política regionalaos veículos de comunicação social dafamília Collor, foi proposta a candidaturado então deputado federal Fernando Collorpara governador do Estado. No decorrer dasnegociações, Fernando Collor percebe queuma parte da elite política alagoana que osustentava, basicamente filiada ao PDS ePFL, não concordava com a sua indicaçãopelo grupo, para governador.Então, Fernando Collor rompe com seupartido, o PFL, e com parte do grupo polí-tico que o sustentava, ingressa no PMDBalagoano como um simples soldado”, mas,visando com isso, garantir a legenda parasair candidato a governador - numa articula-ção política elaborada pelo então deputadofederal pelo PMDB, Renan Calheiros, quegarantiu o ingresso de Collor no partido.Novamente, em razão do poder de comuni-cação detido pelos Collor, foram possíveisoutras negociações políticas, e, em poucosmeses no PMDB, Fernando Collor, vindoda ex-ARENA, e passando pelo PDS, saicomo o candidato oficial do PMDB paradisputar o governo do estado de Alagoas.Assim que consolida o apoio do PMDBpara sua candidatura, a  TV Gazeta  passa aprogramar ostensivamente entrevistas comFernando Collor (pois ele é um dos donos daempresa), visando passar sempre a imagemde um político jovem, sem vícios, decidido,moderno e dinâmico.Ao mesmo tempo, Collor também passa afazer pequenos comentários na programação jornalística da emissora da família, no ho-rário de maior audiência, sempre as 19h45,num processo de construção de imagem e de marketing  político permanente.Sua ida súbita para o PMDB rompeu osseus laços com parte da oligarquia políticaalagoana concentrada no PDS, PFL e PTB;mas, trabalhando rapidamente sua imageme usando um discurso político falsamenteidentificado com os interesses da comuni-dade, e, veiculado diariamente através darede de comunicação de sua família, feznovos acordos e atraiu outros apoios.Ao romper antigos acordos com a oligarquialocal, buscou passar para a opinião públicaregional uma imagem de oposicionista aospolíticos tradicionais da terra. De olhonos votos do Alto Sertão Alagoano, quepoderiam eleger o candidato do outro grupo,segundo as pesquisas indicavam, ele, queera divorciado, se casa relativamente rápido.A escolhida foi uma jovem da família Malta,que há décadas se constitui na oligarquiapolítica e econômica daquela região. Es-trategicamente, garante com isso os votosque necessitava na região de Canapi, MataGrande e Inhapi, área conhecida como”curral eleitoral fechado” da família Malta.Ganha a eleição, numa campanha milionáriae cria laços com os Malta.Foi ainda a influência e o domínio na área decomunicação da família Collor que garantiuas conexões políticas do então governadorFernando Collor com os principais empre- www.bocc.ubi.pt 
Search
Similar documents
View more...
Tags
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks
SAVE OUR EARTH

We need your sign to support Project to invent "SMART AND CONTROLLABLE REFLECTIVE BALLOONS" to cover the Sun and Save Our Earth.

More details...

Sign Now!

We are very appreciated for your Prompt Action!

x