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EFEITOS DA ESTRUTURA FORMAL DO TEXTO SOBRE PROCEDlMENTOS SELETIVOS E INFERENCIAIS NA LEITURA* PUC/RJ. No processo de compreensao textual,o ponto de

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EFEITOS DA ESTRUTURA FORMAL DO TEXTO SOBRE PROCEDlMENTOS SELETIVOS E INFERENCIAIS NA LEITURA* Margarethe Steinberger Elias PUC/RJ. No processo de compreensao textual,o ponto de partida ou input e 0 texto
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EFEITOS DA ESTRUTURA FORMAL DO TEXTO SOBRE PROCEDlMENTOS SELETIVOS E INFERENCIAIS NA LEITURA* Margarethe Steinberger Elias PUC/RJ. No processo de compreensao textual,o ponto de partida ou input e 0 texto original, que veicula uma car ta mensagem, e 0 ponto de chegada ou output e 0 esquema de compreensao elaborado pelo leitor para tentar reconstruir tal mensagem. Nesse sentido, 0 lei tor so se consti tui como tal quando incorpora, ao ate mecanico da leitura, uma fun ao ativa de recria ao da mensagem dentro de seu proprio quadro, referencial, mediante a qual ele con~ troi urn novo texto. Como esse novo texto se relacionacom o criginal? Que tipos de regras orientam 0 mapeamento do esquema de compreensao? A respo~ta a ess~s questoes deve levar em con ta 0 fato de que a leitura de urn mesmo texto por difere~ tes leitores nao gera sempre 0 mesmo output compreensivo; mesmo em se tratando de urn lei tor unico, a leitura de urn texto em momentos diferentes e com motiva oes distintas pode produzir esquemas de compreensao diversos. Assim,uma primeira caracteristica dos esquemas de compreensao eque sua constru ao e sujeita a varia~ao. A variabilidade dos esquemas de compreensao garante ao leitor 0 direito de exercer urnacerta criati vidade no ate da leitura, mas isso nao significa que a elabora9ao de esquemas de compreensao seja totalmente li 'Iree idiossincratica. Ao contrario, essa varia9ao e condicionada, obedecendo a criterios que orientam a pe~ tinenaia do output compreensivo em rela~ao ao input, de tal modo que se possa reconhecer esse output como conf~ gura~ao compreensiva derivavel a partir do texto original, sem confundl-lo com configura~oes compreensivas in dependentes. Ao conjunto de criterios que determinam qu~ do urndado esquema de compreensao e ou nao pertinentep~ ra urntexto, chamaremos esquema aooperativo. Nesse conceito, incorporamos todas as restri~oes impostas tanto pelo texto quanto pelo proprio leitor na elabora~ao do esquema de compreensao partinente. Do lade do leitor, a multiplicidade de restri~oes pode ser sistematizada em tres grandes grupos ligados a: capacidade dedecodifica- ~ao do texto pelo leitor; proje~ao de conhecimentos previes (inclusive 0 quadro socio-cultural-ideologico ern que se inscreve 0 leitor); e motiva~oes psicologicas corn que 0 leitor se dispoe a ler. Do lado do texto, as restri~oes manifestam-se atraves da forma. Escrever urntexto e fazer urnconjunto de escolhas que deverao nao so possibilitar,mas tarnbem~ rientar sua posterior leitura por outrem. Portanto,a va riabilidade dos outputs compreensivos no ate da leitura e uma fun9ao nao apenas de fatores ligados ao leitor,c mo tambem de fatores ligados a estrutura formal do texto.essa estrutura formal resulta, por um lado, das deci soes que 0 autor assume no ato da escrita'ao tentar pr~ ver e cancelar possibilidades de interpreta9ao de seu texto que estejam em desacordo com aquela que ele pre~ de veicular. E, por outro lado, das decisoes que 0 autor deixa de assumir no ate da escrita porque nao e ca paz de preyer integralmente toda e qualquer possibilid~ de interpretativa de seu texto. Se 0 autor se projeta mais como leitor deseu proprio texto, ou menos, (e portanto colocando-se mais ou menos na situa9ao de seus virtuais leitores), a estr~ tura formal do texto reflete essa sua postura,constitui~ do-se como mais compacta ou mais difusa. Os paragrafos dos exemplos 1 e 2 a seguir denotam essa diferen9a. Ambos foram extraidos de urneditorial do Jornal do Brasil submetido a resume por alunos de Comunica9ao e Expressao da PUC-RJ. Uma analise desses resumos em confronto com 0 original foi desenvolvida em Elias (1982b)1 bus cando re lacionar os dois tipos de estrutura formal do texto com o processamento da leitura dos alunos no que se refere a seletividade e proje9ao inferencial. Naquele estudo assu mimos como pressuposto que os resumos dos alunos pod~ riam constituir uma representa9ao expllcitaacessivel bastante proxima do seu output compreensivo, e que interferencias ligadas a capacidade de escrever desses alunos 19 Uma gerac;:aosem livros nem leituras l./assim 0 professor Gerald~ Rodrigues ~a,1 com sua experien cia de a~6igo educador,i definiu a juventude b~asilei= ra atual./50 isolamento da mocidade estudiosa a,1 que raramente Ie,I desde 0 livro ao jornal,6/, ternsido des tacado por outros educadores, em tom de advertencia 4b.T Todos veem, necessidade de criar-se na escola 0 ha.bito de leitura, I como forma de acentuar 0 iijteresse comuni ta.ri081 e.desenvolver 0 espirito critico.1-49 Vario!; serao os motivos que concorrem para ist0 30,1 mas e certo que a raiz dos males es ta na incapacidade da escola em ensinar 0 estudante a pensar 31. Ve-se que as ap ,?stilasameac;:amsubsti tuir 0 I! vro 32.1 Em lugar do compendio 34,1 surge a cultura condensada, digestiva e quase sempre deformada estudante habitua-se a ler apenas 0 que Ihe parece essen cial. 3S 1 Nao recorre ao livro como fonte de pesquisa,de investigac;:ao36./na~7complementanolivro a exposic;:aofe! ta na sala de aula./deixa, em consequencia, de informar-se extensivamente18.1 Limitado nos seus elementos de aferic;:aocritica 40,1 seu universe ha.de ser pequeno39,1 e por ~l medir-se-a. fatalmente sua participac;:aona cornu ni.dade.1 tivo mais fechado, a estrutura formal e compacta, denotando uma maior consciencia do autor em relac;:aoao leipretativa do leitor. e claro que 0 leitor pode ignorar as regras do jogo e construir uma interpretac;:aolivre, mas,nesse caso, a inconsistencia de tal interpreta ao em rela ao ao texto original pode ser detectada. No esquema cooperative mais aberto, por sua vez, em que a estrutura formal e difusa, 0 leitor se ve com mais chances de construir associa oes livres sem incorrer tanto nos riscos da interpreta ao erronea. a esquema cooperativo, portanto, seria 0 dispositivo que governa a rela ao entre texto e leitor, concedendo a este ultimo maior ou menor autonomia para construir seu propriotexto durante 0 ato da leitura. Quanto ao autor, no ate da escrita, ele nao fica menos sujeito a restri oes e condi oes do que 0 leitor; muito pelo contrario,seu dis curso e moldado por urnesquema de produ ao assentado so bre hipoteses acerca dos tra os restritivos de seus vir tuais leitores, tais como capacidade de leitura, dominio do assunto, etc. Assim, tanto 0 autor-ieitor quanta 0 leitorautor participam de esquemas cooperativos na medida em que reconhecem 0 poder e a for a de sua cara-metade no sistema da comunica ao escrjta. A produ ao e a compreensac textual, por conseguinte, nao devem ser pesquisadas isoladamente uma da outra, mas como diferentes processos de urndeterminado sistema, cuja avalia ao e inter-dependente. Nessa perspecti a, podemos dizer que 0 autor que se propoe estritamente como tal sem se assumir como leitor - nao escreve; e 0 leitor que, do mesmo modo, nao in corpora as fun oes de autor em seu desempenho, nao Ie compreensivamente. Nesse estudo, examinaremos algumas implica9&5 dessas hipoteses gerais, especificamente no que se refere a possibilidade de correla9ao entre decisoes de composi9ao da forma redacional e procedimentos para cons tituir esquemas de compreensao textual. Atraves da analise de algumas evidencias, tentaremos mostrar como a estrutura formal do texto pode interferir na constru9ao de esquemas de compreensao particularmente atraves de condicionamentos sobre 0 modus operandi dos.procedimentos de seletividade e proje9ao inferencial. Entendemos que esses dois tipos de procedimento desempenham impo tante papel na composi9ao do output compreensivo do'lei tor. Os procedimentos de seletividade sac relevan tes na medida em que consideramos que 0 ate de leitura nao implica urna9ambarcamento do texto in totum; ao co~ trario, a leitura opera sempre com uma sele9ao parcial de conteudos proposicionais aos quais aplicar-se-ao pr~ cedimentos de proje9ao inferencial. Tais procedimentos podem ser previstos, mas devem-se submeter aos filtros de pertinencia em rela9ao ao texto original e coerencia em rela9ao ao esquema de compreensao do qual deverao p~ ticipar. Os procedimentos de seletividade limitam 0 con teudo proposicional do esquema de compreensao, ao passo que os procedimentos de proje9ao inferencial expandem esse conteudo. Como os dois tipos de procedimento sac sujeitos a interferencia de fatores variaveis ( restri- oes), explica-se assim a ocorrencia de esquemas de com preensao variaveis para urn mesmo texto. Ve-se que as apostilas amea am substituir o Iivro. Em lug ar do compendio, sur:ge a cui tura condensada, digestiva e quase sempredeformada . (original) . so the apresentando apostilas ja prepa radas, e assim mesmo mal preparadas, no sentido de que 0 escrito e mal feito, com varios erros de datilografia . (resurno) lizada, nao passando em r,vista alternativas mais ade quadas. Mas a questao e: qual procedimento tera levado ficar aompendio.estabeleceu uma correspondencia absoluta entre compendio e livro,item lexical situado no segmento imediatamente anterior; analogamente, entao,teria submetido a expressao cultura condenaada ao mesmo proce~ so, reconhecendo-a como passivel de substitui ao,sem ~ opera ao de correspondencia e a redu ao semantica da in forma ao para facilitar seu processamento na memoria,ncs moldes propostos por VanDijk (1977)3. 0 problema e que, como consequencia imediata dessa manobra, gerou-se uma nova constru~ao - apostilas digestivas e quase sempre deformadas . 0 que seria uma apostiza deformada? A expressao justificadamente provocou estranhamento no aluno leitor que, considerando acima de suspeitas e cooperatividade do texto original, viu-se levado a definir que seria urnaapostiza deformada: mal preparada,no sen tido de que 0 escrito e mal feito, com varios erros de datilografia . A interpreta~ao problematica do termo defo~ mada originou-se, assim, do fato de 0 aluno resumidor ter tentado simplificar, para urnmesmo tipo, duas rela ~oes de ordem diferente: a que se pode estabelecer entre Zivro e aompendio ( em que aompendio constitui urn tipo especial de ZivroJ e a que se estabelece entre ap~ tiza e auztura aondensada (em que apostiza se enquadra como uma forma de manifesta~ao de auztura aondensadaj. Embora, efetivamente, se trate de dois casos de entaizment, a direcionalidade da implica~ao e diferente,ou s~ ja,aompendio implica semanticamente Zivro (a reciproca nao sendo verdadeira) e apostiza implica cultura aonden sada,mas na ordem linear do texto 0 item Zivro(o implicado) e 0 item apostiza (0 implicador) aparecem associ~ dos num primeiro constituinte, seguido de urnoutro em que se associam aompendio (0 implicador) e auztura aondensada (0 implicado).essa inversao semantica teria con (la') Ve-se que as apostilas (implicador) ameaqam substituir os compendios (implicador). Em lugar do Ii vro (implicado), surge a cultura condensada (implicado). (la )ve-se que a cultura condensada (implicado) ameaqa substituir 0 livro (implicado). Em lugar do compendio (implicador), surgem as apostilas (implica dor)... - (i) que ele pressupoe urnesquema cooperativo proposto no texto (dai nao colocar em questao essa cooperatividade); (ii) que ele se dispoe a cooperar com esse esquema(dai ter tentado definir apostila deformada); (iii) que ele nao esta apto ao processamento de estruturas com inversao semantica do tipo descrito acima; (iiii) que nesse segmento do texto, pelo menos, ele ado tou uma forma de leitura linear progressiva ina= dequada a sua interpretaqao,revelando limitaqoes de mobilidade junto a diferentes alternativas de esquemas cooperativos. (j) que 0 texto nao previu e, portanto,nao bloqueou o procedimento de leitura adotado pelo nosso re sumidor; (jj) ou que 0 texto nao se dirige a leitores com limita~oes de mobilidade em esquemas cooperativos -pelo menos nao com as do tipo revelado pelo nos so aluno resumidor. Essa defasagem entre 0 leitor virtual proj~ tado no texto atraves de sua estrutura formal e 0 leitor real faz gerar varia~oes no interior do esquema de ~ompreensao que sac incontrolaveis pelas regras de pertinencia, reguladoras da vincula~ao entre 0 input e 0 output compreensivo. Configura-se, assim, a necessidade de articula~ao dessas regras de pertinencia com urn outro tipo de regras - de coerenci.a - que atuarao interna mente junto ao texto original e junto ao texto compree!! dido (outputj.nesse sentido, sera 0 proprio co-textoque vai condicionar certas interpreta~oes e orientar 0 esquema de compreensao. A possibilidade de uma terceira alternativa, entao, pede ser aventada: que 0 texto nao previu 0 bloqueio local e imediato desse tipo de interpreta~ao adotado pelo leitor porque contou com a sensibilidade desse leitor para 0 reconhecimento de marc as co-tex-: tuais nao imediatas que cancelam essa interpre ta~ao. - (*) Nesse trabalho, apresentamos nossa pesquisa no estagio em que se encontrava em Janeiro de 83; algumas das hipoteses aqui propostas foram retomadas e desen volvidas, devendo constar de urnproximo artigo, em - prepara~ao.agradecemos os comentarios de M.Dascal, A.Kleiman e C. Franchi sobre essa primeira versao, fecundando, sem duvida, suas evolu~oes posteriores. 1. Elias, M. S (1982b) Esquemas de compreensao variaveis e suas implica~oes para urnmodele de compreen sac textual In Anais do VII ENL,PUC-RJ Jornal do Brasil,Editorial, APUD Sergio W. de Carvalho e Luiz de Souza,Roteiros de Comuniaa ~ao e Expressao, Eldorado, RJ
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