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Saúde Coletiva e o Método Paideia_ Campos%2c 2001

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Artigo de saúde publica
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  O MÉTODO PAIDÉIA APLICADO À SAÚDE COLETIVA Gastão Wagner de Sousa Campos  –  maio/2001 O  o bjetivo, o objeto e os meios de intervenção da Saúde Coletiva.   A saúde não é objeto da Saúde Coletiva ou da Clínica; na verdade é uma finalidade, algo que se procura defender ou construir condições para que ela aconteça. Assim, saúde é um objetivo que se persegue. O “objeto” de estudo e de intervenção destas práticas é o adoecer, a Saúde Coletiva e Clínica age sobre a doença ou sobre a possibilidade de ela acontecer. A doença, o risco de adoecer e a vulnerabilidade induzida por situações inerentes às pessoas ou ao contexto em que vivem. Para isto atuam sobre a organização do Território, sobre Instituições e sobre a Coletividade. Agem sobre o contexto e, especifi camente, sobre algum grupo vulnerável. O “objeto” sobre o qual trabalha tem, portanto, três dimensões: o ambiente, a organização social e as pessoas. No entanto, a Saúde Pública tradicional  –  como a medicina  –  esquece-se de que atua sobre pessoas, valorizando mais as doenças e o ambiente. Estuda as epidemias como se não houvesse sujeitos envolvidos. Intervém sobre situações de risco como se não mexesse com a vida de um monte de gente. Para alcançar o seu objetivo a Saúde Coletiva usa técnicas de promoção ou de prevenção. A Promoção a Saúde vale-se de vários modos de intervenção: o mais organizado e sistemático é o que se convencionou denominar de Vigilância Sanitária (de alimentos, fármacos, ambientes de trabalho, etc); outro modo é a Educação em Saúde; outro ainda, Projetos Intersetoriais. A Prevenção é mais  dirigida, são ações que procuram enfrentar um problema específico (risco ou doença): aqui se enquadram a Vigilância Epidemiológica, a Vacinação, etc. Em geral, faz-se Promoção e Prevenção sobre os usuários e não com a participação ativa deles. Ação sobre as pessoas e não com o envolvimento delas. Em conseqüência, os programas perdem eficácia ao tentar manipular e controlar o desejo, o interesse e os valores das pessoas, em função de necessidades definidas pela epidemiologia ou pela lógica política ou administrativa. O Método Paidéia sugere outra maneira para se lidar com este impasse. Fazer-se Saúde Coletiva com as pessoas e não sobre elas. Para isto é fundamental produzir-se um AUMENTO DA CAPACIDADE DE ANÁLISE E DE INTERVENÇÃO dos agrupamentos humanos. Melhorar a sua capacidade para analisar uma situação sanitária, para identificar os determinantes envolvidos e, apesar das dificuldades do contexto ou das pessoas, para ampliar as possibilidades de intervenção sobre o quadro considerado nocivo. Enfim, aumentar a potência de intervenção dos agrupamentos envolvidos com um problema sanitário relevante: a equipe técnica, o grupo vulnerável, a comunidade, instituições, etc.  Aumentar a capacidade de análise e de intervenção: saber sobre os problemas e agir sobre eles. Saber e fazer. Teoria e Prática. SUGESTÕES METODOLÓGICAS   A construção de Vínculo e de um Contrato de Trabalho entre Equipe e Grupo de usuários Por onde começar?   Pelo começo, de preferência. O problema, na vida real, é descobrir este tal de começo. Sim, porque em todo serviço de saúde sempre já há alguma ação de saúde pública sendo ofertada à população. Nos Centros de Saúde há Vigilância Epidemiológica, Educação em Saúde, trabalho Comunitário ou em Instituições (creches, escolas, asilos, etc). Então, há que se começar com esta OFERTA. Um oferecimento à sociedade: - aqui se trabalha em prol da saúde. Uma promessa: - resolvemos problemas de saúde. Um convite: - venham, se associem a nós que, juntos, construiremos uma vida mais saudável. Deixar claro as diretrizes com que a equipe opera. Valores e compromissos. Por que é importante explicitar esta Oferta? Não seria um tanto presunçoso ou arrogante? É fundamental explicitar este compromisso porque senão não haverá possibilidade de estabelecer-se vínculo entre equipe e usuários. O vínculo, no começo, se constrói sobre um castelo de areia, fantasias, exageros, que, com o tempo, irão se esclarecendo, mas que sem eles não haveria aproximação inicial. Quem vai juntar-se para enfrentar temas coletivos a equipes acomodadas e burocratizadas, incapazes de acolher a qualquer demanda? Os grupos de usuários trazem demandas, problemas ou reivindicações que eles supõem vitais para sua saúde. A possibilidade de construção de vínculo depende disto: uns tem coisas a ofertar  –  o trabalho em saúde -; outros, necessidades a serem atendidas. O vínculo resulta da disposição de acolher de uns e da decisão de buscar apoio em outros.   Vínculo é, portanto, a circulação de afeto entre pessoas. O afeto é obscuro, nem sempre obedece a conveniência ou é consciente. Em geral, não temos consciência do padrão de vínculo que estabelecemos com outros. Ele pode, considerando um dado objetivo, ser negativo ou positivo. Atrapalhar ou ajudar. Os vínculos se constroem quando se estabelece algum tipo de dependência mútua: uns precisam de ajuda para resolver questões sanitárias; outros precisam disto para poder ganhar a vida, exercer a própria profissão. Ou seja, para que haja vínculo positivo os grupos devem acreditar que a equipe de saúde tem alguma potência, alguma capacidade de resolver problemas de saúde. E a equipe deve acolher a demanda dos usuários. A equipe deve apostar, que apoiados, os usuários conseguirão participar da superação das condições adversas. Senão tender-se-á a estabelecer-se um padrão paternalista de vínculo. O vínculo é confiança e é desconfiança ao mesmo tempo.  Acreditar, sim; mas também reconhecer que sem algum apoio externo as pessoas não mudarão o contexto e a si mesmas. O Método Paidéia sugere valer-se do vínculo para estimular os grupos a participarem da resolução de seus próprios problemas. Os agrupamentos tendem a um comportamento repetitivo, temem a mudança e vivem segundo padrões mais ou menos fixos: as estereotipias, papéis fixos. Daí resulta a impotência das pessoas, a dificuldade em mudar o contexto e a si mesmo. Um manejo adequado do vínculo pode apoiar o grupo a enxergar sua própria impotência e a descobrir novas maneiras de enfrentar velhos problemas. Um exemplo: enfrentar o problema do lixo, ajudando o grupo a criar uma cooperativa para gerar renda. Outro: tratar da obesidade mediante a
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