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1.INTRODUÇÃO GILSON FERREIRA SILVA PAULO HENRIQUE DE QUEIRÓZ NOGUEIRA

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HISTÓRIA ORAL E EDUCAÇÃO PATRIMONIAL A PARTIR DA MEMÓRIA DOS VELHOS NA FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS HOMENS PRETOS EM MILHO VERDE, REGIÃO DE DIAMANTINA, MINAS GERAIS. GILSON FERREIRA SILVA PAULO
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HISTÓRIA ORAL E EDUCAÇÃO PATRIMONIAL A PARTIR DA MEMÓRIA DOS VELHOS NA FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS HOMENS PRETOS EM MILHO VERDE, REGIÃO DE DIAMANTINA, MINAS GERAIS. GILSON FERREIRA SILVA PAULO HENRIQUE DE QUEIRÓZ NOGUEIRA Virgem do Rosário, sois rosa mimosa! Entre as outras flores, sois a mais formosa! (2x) Maria concebe o verbo encarnado Que veio ao mundo remir os pecados (2x) Fazei, doce mãe, e no céu também A Jesus louvamos para sempre amém (2x) Oração devocional a Nossa Senhora do Rosário 1.INTRODUÇÃO O artigo se propõe a apresentar algumas considerações iniciais sobre as possíveis contribuições que os depoimentos dos protagonistas mais velhos da festa de Nossa Senhora do Rosário, no distrito de Milho Verde, Minas Gerais, podem aportar no contexto dos estudos sobre Educação Patrimonial. O interesse pela pesquisa surgiu a partir de minha inserção profissional na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sobretudo, a partir dos trabalhos desenvolvidos entre os anos de 2008 e 2016, no Núcleo de Estudos sobre Trabalho Humano (NESTH), do Departamento de Sociologia da universidade, em que atuei como documentarista e para o projeto Saberes Plurais, vinculado à Pró-Reitora de Extensão, em parceria com o Polo Jequitinhonha e a Diretoria de Ação Cultural (DAC). O escopo desse projeto de extensão era o de ampliar os espaços de produção, difusão e compartilhamento de dispositivos dedicados ao imaginário, à memória e às oralidades populares. E foi nesse momento que tive a real dimensão do importante patrimônio imaterial que é a Festa de Nossa Senhora do Rosário realizada na cidade de Milho Verde e sobre a qual discorreremos ao longo desse artigo. UFMG, Mestrando em Educação e Docência UFMG, Doutor em Educação 2 Tanto os trabalhos do NESTH como os da Pró-reitoria de Extensão, mesmo que com finalidades diferentes, permitiam a ampliação da memória social brasileira, a partir das histórias de vida e da perspectiva dos cidadãos comuns. Foram justamente esses trabalhos que motivaram e nos inspiraram a desenvolver um projeto de pesquisa na qual fosse possível utilizar de recursos audiovisuais, mais especificamente do documentário, com o intuito contribuir para o fortalecimento da identidade e, necessariamente, incidir no processo de construção da memória dos protagonistas da festa. O trabalho desenvolvido junto à UFMG, aliado à minha formação em História, fizeram-me questionar, a partir desse momento, por que não fazer uma pesquisa que retratasse a festa na perspectiva dos mais velhos, uma vez que são eles, hipoteticamente, os que mais participam, ao longo do tempo, ativamente e contribuem para a realização da festa? Percebi que tal questionamento poderia se materializar em uma pesquisa acadêmica, vinculada ao PROMESTRE, que é um programa de Mestrado Profissional em Educação e Docência, da Faculdade de Educação (FAE), com o intuito de, ao registrar os depoimentos desse público, produzir um documentário sobre a festa e a memória desses sujeitos sobre sua experiência acerca dos festejos. A pesquisa, ainda em andamento, tem o intuito de apreender o que dizem os mais velhos sobre a festa. O que dizem? Como dizem? Para quem dizem? Como fazer para que esse retrato da festa de Nossa Senhora do Rosário possa compor um registro documental de um audiovisual a serviço da educação patrimonial? Como os relatos documentados por meio do audiovisual podem ser úteis à educação patrimonial? As crianças em idade escolar podem ouvir e aprender com as vozes destes velhos? Assim, a partir das orientações metodológicas da História Oral fomos a campo para realizar os primeiros registros da festa e das narrativas dos protagonistas mais velhos que nos revelaram uma importante articulação entre memória e identidade das personagens locais. Tais depoimentos trazem à tona elementos como a fé, o pertencimento, os cantos e as rezas presentes nos festejos. Tal articulação nos revelam os sentidos criados por esses protagonistas sobre a festa, o que nos leva ainda a postular serem os depoimentos facilitadores para toda a comunidade de um diálogo ampliado sobre educação e o patrimônio cultural. Como é parte de uma pesquisa em andamento, nesse artigo vamos privilegiar as narrativas sobre a festa da personagem Maria das Mercês Santos, de 81 anos, mais conhecida como Maria Coração, devido à forma carinhosa como trata todos que a procuram. 3 2.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Antes, entretanto, de falarmos propriamente da educação patrimonial, campo em que se assenta essa nossa proposta de pesquisa, vamos falar um pouco sobre o que seria o patrimônio cultural brasileiro. Segundo Lacerda (2015), é conhecida a forma pela qual se consolidou no início do século XX, mais precisamente nos anos de 1930, o patrimônio brasileiro. Esta consolidação se deu a partir da chamada história oficial da nação, dos grandes fatos, dos grandes feitos e dos heróis nacionais e, ainda, pela monumentalização de bens arquitetônicos, dentre eles: edifícios, museus, etc., chamados pelos pesquisadores de patrimonialização de pedra e cal. Podemos afirmar que no Brasil, a preservação do Patrimônio Histórico nasceu por meio da ação do Estado, ou seja, foi quase sempre o poder público quem determinou o que deveria ou não ser preservado, ou seja, definiu o que deveria ser lembrado ou esquecido. Assim, sobretudo, a partir de 1930, instituiu-se o barroco como ícone da identidade nacional. Excluíram-se outros estilos estéticos plurais expressivos em vários lugares do país como o neoclássico, o art-nouveau, o neocolonial e o ecletismo. (LACERDA, 2015, p ) Para esse autor, somente em um segundo momento, no início do século XXI, é que se pode falar em uma ênfase adotada pelas políticas de preservação e regulamentação do patrimônio cultural no Brasil. Neste período, passa-se a apontar para as questões ligadas à identidade e à referencialidade, o que se chamou de cultura imaterial e, consequentemente, em patrimonialização da cultural imaterial. É neste segundo momento que vamos perceber uma valorização e apreço pelas manifestações culturais a partir de uma dinâmica assentada sob outras bases epistemológicas e políticas. Essa renovação vai permitir que se fizesse presente a diversidade por meio de sonoridades, gestualidades, modos de fazer, segredos, mistérios e práticas culturais dinâmicas que revelam uma vida pulsante, enfim, a vida em curso em todo o país. É a partir deste período, ainda de ampliação dos paradigmas ligados à preservação, que passamos a perceber a valorização da memória, não uma memória estática testemunhal, mas uma memória viva, de modo a revelar a permanência e transformações no tempo, as práticas culturais em movimento, como formadoras da identidade de um grupo de cidadãos, de um determinado grupo social. Dessa maneira, o processo de educação patrimonial se expressa por meio da indagação, da reflexão, da partilha do conhecimento produzido. O reconhecimento de um bem cultural, portanto, dar-se-áimerso em um processo educativo que se consolida ao estabelecer relações afetivas, sensíveis e de preservação pelos sujeitos envolvidos. No caso da educação 4 patrimonial, estritamente escolar, serão os estudantes e professores que deverão ser sensibilizados a estabelecerem essas disposições, pois, como nos dizem Pereira e Oriá (2012, p.163) faz-se necessária a ampliação das dimensões sensíveis na abordagem educativa, com inclusão de percepções, sensações, e a capacidade imaginativa. Desse modo, podemos inferir que a educação patrimonial, por estar em diálogo com uma pluralidade cultural, pode ser definida como um tema transversal, uma vez que possui o objetivo de ensino, aprendizagem e transformação social, fazendo com que os sujeitos enxerguem, através de várias abordagens, a importância do patrimônio e suas práticas de valorização. Como nosso objeto de estudo é a Festa de Nossa Senhora do Rosário a partir da memória de velhos, algumas considerações serão feitas nesse ponto, sobre as festividades. 2.1.A Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Preto É neste contexto de valorização da Educação Patrimonial e de valorização dos acervos histórico-culturais imateriais que nos deparamos com a tradicional Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Milho Verde, Minas Gerais. Milho Verde situa-se na Serra do Espinhaço, localizada a 315 quilômetros de Belo Horizonte, o lugarejo tem hoje apenas habitantes, de acordo com o censo do IBGE de 2010 e, no século XVIII, fazia parte do rico e poderoso Arraial do Tijuco que, a época, era o terceiro maior povoado da Capitania Geral das Minas, atrás apenas da capital Vila Rica, hoje Ouro Preto, e de São João del-rei - atualmente, o antigo arraial do Tijuco se chama Diamantina, cidade reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Relatos tradicionais da igreja católica dão conta de que as festividades em homenagem a Nossa Senhora do Rosário datam da vitória dos cristãos na Batalha de Lepanto, durante a qual as forças do islamismo dos Turcos Otomanos foram derrotadas sob a proteção da Virgem do Rosário, acontecimento que motivou uma comemoração especial pela liturgia da Igreja por determinação do Papa Gregório XII. (POEL, 2013). Essa devoção a Nossa Senhora do Rosário é anterior ao processo de escravização e o sequestro das populações africanas para o trabalho escravo nas Américas, sendo que a existência das irmandades negras data, segundo Poel (2013), quando da chegada do catolicismo ao Congo, Angola e Guiné Bissau, na África, na segunda metade do século XV e, em Moçambique, no século XVI. Em 1526, portanto, houve a fundação da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens 5 Pretos na África, mais precisamente em São Tomé, região da qual foram aprisionados e transportados muitos dos africanos escravizados no Brasil. As irmandades dos brancos existentes a época no Brasil proibiram que negros e mulatos nelas ingressassem e foi a partir daí que os negros acabaram recriando, no Brasil, suas irmandades originais de quando viviam na África. Foi a forma de garantir um acesso as instituições coloniais, como a Igreja, e, consequentemente, inserir-se na sociabilidade imposta, mas o fazendo a partir de uma ótica resiliente, ainda que subalterna. Avaliamos que esse processo de inserção pode ser instaurado e interposto por um lugar étnico e racial próprios em que essas irmandades acabaram erguendo igrejas dedicadas à Nossa Senhora do Rosário e a outros santos negros, como Nossa Senhora das Mercês e São Benedito, como uma estratégia de afirmação da cultura e dos valores de um povo e, em torno dessas igrejas, as Festas do Rosário se organizaram. Assim, podemos postular que essas irmandades e cultos surgem no próprio processo de constituição de uma cultura afro-brasileira em que os vínculos com a África, mesmo sob a égide de memórias coloniais impostas pelo cristianismo católico, são recuperados e reativados no contexto americano como resistência a assimilação, em que ser negro e católico compõem um hibrido singular a matizar uma participação específica enquanto religiosidade e cultura popular no qual um indiciário pagão é introduzido como forma de vida e âmbito relacional. Pode-se dizer, portanto, que as culturas negras que se matizaram nos territórios brasileiros, em sua formulação, evidenciaram o cruzamento das tradições e memórias orais africanas com todos os outros códigos e sistemas simbólicos com que se confrontaram: As congadas são as festas e as cerimônias que o Reinado de Nossa Senhora do Rosário faz para os santos católicos, festejados ao modo africano. (POEL, 2013, p. 241). Os elementos tradicionais da Festa do Rosário, produzidos por negros descendentes de escravos na região, passam por mudanças e permanências enquanto houver contexto para a realização das práticas sociais em que estão envolvidos. Esse hibridismo cultural, entretanto, parece ter se acentuado com a midiatização e espetacularização da cultura e se manifestado, sobretudo, a partir das transmissões orais posto que a tradição oral, transmitida de geração em geração, constitui uma das mais importantes bases da identidade negra em Milho Verde e contar histórias da ancestralidade negra faz parte de uma estratégia dos mais antigos da comunidade para que o passado permaneça no presente que se reinventa cotidianamente. 6 Para nós, reconhecer essa potencialidade dos relatos orais centra-se na perspectiva de narrativa histórica discutida por Michel Foucault em A Arqueologia do saber, pode-se dizer que para compreender os sistemas de produção, regulação e circulação do saber, as regras de produção e circulação de um ou mais discursos em um dado período é necessário valorizar os enredos locais, restritos a espaços específicos. (FOUCAULT apud LE GOFF, 1990, 105). Neste sentido, as fontes que recorrem à memória e as narrativas orais, às quais fazem parte do corpus que integra essa pesquisa são tão legítimas quando aquelas consideradas canônicas como os documentos escritos. Desse modo, há também uma percepção da história, memória e tradição oral do grupo enquanto patrimônio. 2.2.A questão da memória Percebe-se que, nos últimos anos, a reflexão sobre o patrimônio, a memória e ações que visam a manutenção de saberes que podem ser registrados por meio de técnicas audiovisuais, dentre elas o cinema, tem sido abordada como um dos pilares para o exercício da cidadania, o que também tem despertado um enorme interesse teórico e prático. Não são poucos os trabalhos sobre a memória que têm ocupado pesquisadores em todo o mundo que vem se debruçando sobre questões relativas à emergência da memória. É um elemento essencial do que se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje. (LE GOFF, 1992, p.435). Na nossa avaliação e na esteira de pesquisadores como Le Goff (1992), assumimos que discussões sobre educação patrimonial, a partir da memória de velhos, sobre a Festa de Nossa Senhora do Rosário podem contribuir para fortalecer os laços identitários da comunidade de moradores de Milho Verde. Sabe-se ainda que a consciência de cidadania de uma comunidade também se fortalece, na medida em que a identidade do grupo esteja presente na consciência de cada um de seus membros. Neste sentido, é fundamental que uma comunidade saiba que a memória coletiva é mais que uma conquista de dignidade e consolidação de identidade, é um instrumento de poder. No Brasil, a intensidade das pesquisas sobre memória não é diferente do restante do mundo. Desde meados da década de 1980, o país presencia a criação de novos museus, centros de documentação e de pesquisa, desenvolvimento de projetos de história oral em comunidades e criação de centros de documentação em várias comunidades. 7 2.3.A História oral como metodologia Os movimentos sociais populares, protagonizados por novos atores sociais na cena política (mulheres, índios, negros, sem-terra, homossexuais, etc.) veem no resgate de sua memória um instrumento poderoso de afirmação de sua identidade e de luta por direitos de cidadania (PEREIRA; ORIÁ, 2012, p.162). Como metodologia de pesquisa, pretendemos trabalhar com a história oral e, nesse sentido, realizamos uma observação direta em campo juntamente com os velhos protagonistas que participam anualmente a Festa de Nossa Senhora do Rosário em Milho Verde. Ao longo do desenvolvimento dessa pesquisa é nossa intenção coletar, por meio de gravações, em vídeo, as narrativas desses velhos de modo que elas possam nosauxiliar na construção de análises e interpretações sobre a Festa de Nossa Senhora do Rosário, tendo em vista o desenvolvimento de um documentário que relacione educação e patrimônio. Sobre a história oral, gostaríamos inicialmente de fazer uma breve reflexão, embora a introdução no Brasil date de 1970, somente nos anos de 1990, a história oral experimentou no país uma expansão mais significativa. Alguns autores advogam que a história oral é uma técnica; alguns, uma disciplina; e outros, uma metodologia, conforme defendem, na introdução da obra Usos e abuso da história oral, as autoras Janaína Amado e Marieta de Moraes Ferreira. Aos defensores da história oral como técnica interessa as experiências com gravações, transcrições e conservação de entrevistas e o aparato utilizado para o registro das fontes orais: tipos de aparelhagem de sons, formas de transcrição de fitas, modelos de organização de acervos (FERREIRA e AMADO, 2002) Os que postulam a história oral como disciplina baseiam-se em argumentos complexos e muitas vezes contraditórios entre si. Todos, entretanto, parecem partir de uma ideia fundamental: a história oral inaugurou técnicas específicas de pesquisa, procedimentos metodológicos singulares e um conjunto próprio de conceitos. Esse conjunto, por sua vez, norteia as duas outras instâncias, conferindo-lhes significado e emprestando unidade ao novo campo do conhecimento: (...) pensar a história oral dissociada da teoria é ao mesmo tempo conceber qualquer tipo de história como o conjunto de técnicas, incapaz de refletir sobre si mesma [...] não só a história oral é teórica, como constitui um corpus teórico distinto, diretamente relacionado às suas práticas. (FERREIRA; AMADO, 2002, p. xiii). 8 E quais conceitos e ideias, características e direções integrariam a história oral, permitindo conferir-lhe status de disciplina? Segundo Ferreira e Amado (2002), nesse caso, o testemunho oral representa o núcleo da investigação, nunca sua parte acessória, o que obriga o historiador a levar em conta perspectiva nem sempre presentes em outros trabalhos históricos; o uso sistemático do testemunho oral possibilita à história oral esclarecer trajetórias individuais, eventos e processo que muitas vezes não têm como ser esclarecidos de outra forma: são depoimentos de analfabetos, rebeldes, mulheres, crianças, miseráveis, prisioneiros. Tratando-se, portanto, de histórias de movimentos sociais populares e, nesse sentido, a história oral estaria ligada à vertente da história dos excluídos. No caso da história oral pensada como disciplina, segundo as autoras, existe a geração de documentos (entrevistas) que têm características singulares, o que leva os historiadores a se afastar da rígida separação entre sujeito /objeto e buscar caminhos alternativos de interpretação.nesse sentido, podemos dizer que a pesquisa com fontes orais se apoia em pontos de vista individuais, expressos em entrevistas que são legitimadas como fontes; A narrativa, a forma de construção e organização do discurso (aí compreendidos tantos o estilo, na acepção de Peter Gay, quanto aquilo que Paul Veyne chamou de trama e Hayden White de urdidura do enredo são valorizadas pelos historiadores, pois, como lembrou Alessandro Portelli, fontes orais são fontes narrativas; isso tudo chama atenção ao caráter ficcional das a narrativas históricas, seja a dos entrevistados seja a do narrador. (FERREIRA; AMADO, 2002, p. xv). Os defensores da história oral como metodologia, entre os quais nos inscrevemos, diferem dos que pensam a história oral como uma simples técnica e se difere dos pensam a história oral como disciplina no seguinte quesito: (...) estes reconhecem na história oral uma área de estudo como objeto próprio e capacidade (como o fazem todas as disciplinas) de gerar no seu interior soluções teóricas para questões surgidas na prática- no caso específico, questões como as imbricações entre história e memória, entre sujeito e objeto de estudo, entre história de vida, biografia e autobiografia, entre diversas apropriações sociais do discurso. Mas em nosso entender a história oral (como todas as metodologias) apenas estabelece e ordena procedimentos de trabalho- tais como os diversos tipos de entrevista e as suas implicações. (FERREIRA; AMADO, 2002, p. xvi). Na avaliação de Meihy (2005), a história oral é o registro de experiências de pessoas vivas, expressão legítima do tempo presente, a história oral deve responder a um sentido de utilidade prática, pública e imediata. Isso
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