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26 a 29 de novembro de 2013 Campus de Palmas

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AVALIAÇÃO NUTRICIONAL PELA TÉCNICA DE DIGESTIBILIDADE IN VITRO DE PRODUÇÃO DE GASES DE RESÍDUO FIBROSO (BAGAÇO) DE HIBRIDOS DE SORGO SACARINO PROVENIENTE DA PRODUÇÃO DE BIOENERGIA Elisângela dos Santos
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AVALIAÇÃO NUTRICIONAL PELA TÉCNICA DE DIGESTIBILIDADE IN VITRO DE PRODUÇÃO DE GASES DE RESÍDUO FIBROSO (BAGAÇO) DE HIBRIDOS DE SORGO SACARINO PROVENIENTE DA PRODUÇÃO DE BIOENERGIA Elisângela dos Santos Oliveira 1, Susana Queiroz Santos Mello 2 1 Aluna do Curso de Zootecnia; Campus de Araguaína TO; 2 Orientadora do Curso de Zootecnia; Campus de Araguaína TO; Resumo: Objetivou-se avaliar a cinética de fermentação ruminal do bagaço de quatro híbridos de sorgo sacarino. O estudo constituiu de um período experimental de 5 (cinco) dias de duração, sendo este o ensaio de digestibilidade in vitro de produção de gases utilizando 24 amostras, ou seja os quatro híbridos de sorgo sacarino, sendo eles o BR 505, BR 506, CMSXS 646 e CMSXS 647 com três repetições de cada. os dados foram analisados obtendo-se a regressão e com as equações geradas foram comparadas por meio de teste de paralelismo e identidade de curvas. Teores de PB ficaram abaixo do limite de 7% em todos os híbridos. Maiores valores de FDN foram obtidos pelo híbrido experimental CMSXS 646. Quanto à cinética de fermentação o potencial máximo de produção de gases (A) foi destacado pelos híbridos BR 505 e BR 506. De acordo com os resultados os híbridos analisados nas condições da região Norte do Estado do Tocantins apresentaram diferenças nos atributos nutricionais, com destaque para o BR 505 e 506. Palavras chave: atributos; cinética; fermentação ruminal INTRODUÇÃO Atualmente, a demanda por fonte de energia é cada vez mais intensa e para saciar a necessidade global, deve-se pensar em soluções que garantam fonte renovável que eliminem a escassez energética, diminua a poluição atmosférica e que auxiliem na questão alimentar. No Brasil, o sorgo sacarino (Sorghum bicolor (L.) Moench) vem sendo estudado não só como substituto da cana nos meses da entressafra, mas, também, na alimentação animal a partir do resíduo (bagaço) após sua utilização no processo de industrialização do etanol. Dentre as diversas técnicas para avaliar teores nutricionais, a técnica in vitro de produção de gases destaca-se pelo fato de medir tanto a digestibilidade de uma forragem como os parâmetros cinéticos da digestão, baseada na liberação dos produtos de fermentação. Trata-se de uma técnica simples, confiável e de baixo custo. De acordo com TOMICH (2003), a taxa e o potencial máximo de produção de gases são, provavelmente, os principais parâmetros para avaliar a qualidade de forrageiras. Diante do contexto, tem-se como objetivo avaliar atributos nutricionais do subproduto na produção do etanol (biocombustível) pela técnica de digestibilidade in vitro de produção de gases que será importante para o desenvolvimento e sustentabilidade da pecuária no Estado do Tocantins. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido no Laboratório de Nutrição Animal da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal do Tocantins (EMVZ/UFT) utilizando-se amostras do bagaço de quatro híbridos de sorgo contendo dois comerciais (BR 505 e BR506) e dois experimentais (CMSXS 646 e CMSXS 647), O corte do material forrageiro foi realizado aos 115 dias após a semeadura com media de 57 dias após o florescimento através do corte do colmo a 10 cm da superfície do solo de maneira manual com um podão. O material coletado foi passado em moenda de um terno por duas vezes para a extração do caldo destinado a produção de etanol (outro experimento) e o resíduo (bagaço) encaminhado para avaliação da composição bromatológica e da digestibilidade in vitro. Utilizando inóculos de diferentes bovinos mantidos a pasto para o ensaio de produção de gases e degradabilidade através da técnica Hohenheim Gas Test desenvolvida por Menke et al. (1979). Houve medições da produção de gases em tempos pré-estabelecidos, sendo estes 0, 3, 6, 9, 12, 24, 48, 72 e 96 horas, conduzidas com régua graduada através do deslocamento do êmbolo. Posteriormente procedeu-se a regressão dos dados com a utilização do modelo proposto por France et al. (1993) e as equações geradas foram comparadas por meio de teste de paralelismo e identidade. As avaliações da composição bromatológica foram realizadas no Laboratório de Nutrição Animal da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia do campus de Araguaína - TO seguindo a metodologia descrita por DETMANN et al. (2012). RESULTADOS E DISCUSSÃO Na tabela 1, observa-se a composição bromatológica do bagaço de quatro híbridos de sorgo sacarino, onde os teores de proteína bruta (PB) ficaram abaixo do limite de 7% podendo assim, interferir no volume de nitrogênio amoniacal prejudicando o crescimento de bactérias celulolíticas do rúmen, e consequentemente afetar a atividade digestiva e o desempenho animal. Em relação aos teores de FDN, observa-se valor significativamente maior para o híbrido experimental CMSXS 646 e a média desse atributo foi de 65,34%. Infere-se que, porcentagens elevadas de FDN, principalmente com valores maiores que 70% resultam em menor consumo de forragem, limitando assim a digestão do alimento. Conforme PACIULLO et al. (2001), a digestibilidade do material forrageiro também é limitada por teores de FDA acima de 45%. Na presente pesquisa, os híbridos avaliados apresentaram valores abaixo da média citada, com destaque para o BR 505 que apresentou teor inferior aos demais (P 0,05) na avaliação deste componente. Tabela 1. Composição Bromatologica (%MS) do resíduo de híbridos de sorgo sacarino. Híbridos de sorgo PB FDN FDA LIG CHOT CNF NIDN NIDA BR 505 2,81 C 60,13 D 33,39 C 4,57 B 91,38 A 31,25 A 0,34 C 0,23 C BR 506 3,92 A 65,97 B 37,46 B 4,38 B 90,97 B 25,01 C 0,42 B 0,31 A CMSXS 646 3,88 A 70,06 A 41,71 A 5,34 A 90,21 C 20,14 D 0,49 A 0,31 A CMSXS 647 3,64 B 65,18 C 37,49 B 5,32 A 91,71 A 26,52 B 0,40 B 0,29 B Médias seguidas de diferentes letras maiúsculas nas colunas diferem entre si (P 0,05) pelo teste Tukey Proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), lignina (LIG), carboidrato total (CHOT), carboidrato não fibroso (CNF), nitrogênio insolúvel em detergente neutro (NIDN) e nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA). Valores significativamente menores de LIG foram encontrados nos híbridos comerciais BR 506 e BR 505 com média de 4,47%. Vale ressaltar que porcentagens elevadas deste componente estão relacionadas com o espessamento da parede celular, consequentemente reduz o espaço, diminuindo a capacidade física do rúmen afetando assim, a digestibilidade da forragem pelos ruminantes. Dentre os híbridos pesquisados, o experimental CMSXS 646 foi o que apresentou a menor diferença (P 0,05) em relação aos demais quanto ao teor de CHOT. No entanto, mesmo com valor inferior, representa boa fonte de energia. Para o CNF foi verificado maior valor (P 0,05) no híbrido comercial BR 505 em relação aos demais. Esse fato implica em maior degradabilidade, ou seja, indica melhor qualidade nutritiva da forrageira e pode estar relacionado com um dos menores teores de LIG apresentado no estudo, ou seja, contém mais carboidratos prontamente fermentáveis e que não estão ligados aos constituintes da parede celular. Teores para o resíduo em detergente neutro (NIDN) proveniente da porção indigestível do nitrogênio ligada à parede celular apresentaram diferenças significativas em todos os híbridos com destaque para o BR 505 com menor teor. Tal comportamento também foi verificada no resíduo em detergente ácido (NIDA), que também destacou-se em relação aos demais híbridos apresentando média de 0,28%. Valores elevados de NIDA significam menos nitrogênio disponível par ao animal, prejudicando assim o desenvolvimento de microrganismo ruminal. Na tabela 2, quanto à cinética de fermentação ruminal in vitro, observa-se que o potencial máximo de produção de gases (A) foi obtido pelo híbrido comercial BR 505 no período de 96 horas e uma das maiores DEMS, já o BR 506 apresentou o menor tempo de colonização e a maior taxa de produção de gás (µ). Segundo TOMICH (2003), as forragens mais digestíveis seriam as que apresentam dados de A e µ elevados, pois, alcançariam potencial máximo de fermentação em menos tempo. Ressalta-se que o A e µ são as principais características para avaliar a qualidade das forrageiras, mas, não se deve utilizá-las individualmente como critério de avaliação. Tabela 2. Parâmetros da cinética de fermentação ruminal in vitro de resíduos de híbridos de sorgo sacarino utilizando o modelo de France, degradabilidade efetiva e equações da produção acumulativa de gases (PCG). Híbridos de DEMS** A*(mL) L*(horas:min.) μ* sorgo 2% 3% 4% 5% BR , :48 0, , , , ,0023 BR , :22 0, , , , ,1800 CMSXS , :14 0, , , , ,3572 CMSXS , :53 0, , , , ,2478 Híbridos de sorgo Equações (modelo de France) R 2 BR 505 Y = 232,9794x{1 exp [ (0,0372)x (t 0,8036) (-0,0419) x ( t - 0,8036) ] } a B 99,30 BR 506 Y = 228,7679x{1 exp [ (0,0425)x (t 0,3723) (-0,0271) x ( t - 0,3723) ] } b A 95,30 CMSXS 646 Y = 208,8634x{1 exp [ (0,0400)x (t 1,2350) (-0,0474) x ( t - 1,2350) ] } b D 98,70 CMSXS 647 Y = 211,8547x{1 exp [ (0,0429)x (t 0,8978) (-0,0404) x ( t - o,8978) ] } b C 99,80 * Parâmetros estimados pelo modelo de France et al. (1993). **Degradabilidade Efetiva da Matéria Seca. Equações acompanhadas por letras minúsculas e maiúsculas iguais nas colunas são paralelas pelo teste de paralelismo e idênticas pelo teste de identidade de curvas a 5% de probabilidade, respectivamente. Em relação às equações de France, houve diferença significativa quanto ao teste de paralelismo e de identidade de curvas com destaque para os híbridos BR 505 e 506 em relação aos outros híbridos. CONCLUSÕES Os resíduos fibrosos dos híbridos de sorgo sacarino proveniente da produção do etanol mais indicados para atender as exigências energéticas na alimentação dos ruminantes foram o BR 505 e 506. LITERATURA CITADA DETMANN, E.; SOUZA, M.A.; VALADARES FILHO, S. C.; BERCHIELLI, T.T.; SALIBA, E.O.S.; CABRAL, L.S.; PINA, D.S.; LADEIRA, M.M.; AZEVEDO, J.A.G.; Métodos para análise de alimentos. 1. Ed. Visconde do Rio Branco, MG: Suprema, p. FRANCE, J.; DHANOA, M. S.; THEODOROU, M. K.; et al. A model to interpret gas accumulation profiles with in vitro degradation of ruminant feeds. Journal Theor. Biologic, v.163, p , MENKE, K.H.; RAAB, L.; SALEWSKI, A.; STEINGASS, H.; FRITZ, D.; SCHNEIDER, W. The estimation of the digestibility and metabolizable energy content of ruminant feedingstuffs from the gas production when they are incubated with rumen liquor in vitro. Journal of Agricultural Science, v.93, n.1, p , PACIULLO, D.S.C.; GOMIDE, J.A.; QUEIROZ, D.S.; SILVA, E.A.M. Correlação entre componentes anatômicos, químicos e digestibilidade in vitro da matéria seca de gramíneas forrageiras. Revista Brasileira de Zootecnia, v.30, n.3, p , TOMICH, TR. Potencial forrageiro de híbridos de sorgo com capim Sudão avaliados em regime de corte p. Tese (Doutorado em Ciência Animal) - Escola de Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. AGRADECIMENTOS O presente trabalho foi realizado com o apoio do CNPq e da UFT.
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