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A Formação do Professor de História e o Cotidiano da Sala de Aula.pdf

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A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE HISTÓRIA E O COTIDIANO DA SALA DE AULA: entre o embate, o dilaceramento, e o fazer histórico Seja como for, a aula [de História] pode tomar-se um pensamento em formação que continua a se criar diante dos alunos, ou antes, com os alunos. Atividade, ade- quação - é então o frescor, e não o mofo, o amarelecido
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   A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE HISTÓRIA E OCOTIDIANO DA SALA DE AULA: entre o embate, odilaceramento, e o fazer histórico Seja como for ,  a  aula [de Histór ia] pode tomar-se um pensamento  em  formação que continua  a  se criar diante dos alunos, ou antes, com os alunos. Atividade, ade- quação -  é  então  o  frescor,  e  não  o  mofo,  o  amarelecido - o  cheiro bom do frescor  1 . Há uma década, o tema da r elação entr e a formação do professor de Histór ia e o cotidiano da sala de aula já estava na pauta dos encontros, congressos e semi- nários. Nestas discussões estava presente a necessidade de serem realizadas mu- danças,com o objetivo de se super ar o ensino tr adicional de Histór ia. Os debates levaram ao enfrentamento das questões, principalmente em duas direçõe~ modernização dos currículos de 1 0,  2°e 3° gr aus e a qualif icação e atuali- zação de professores de História. Muitos esforços, r ecursos humanos e financeir os foram e estão sendo dispendidos neste sentido, em vários Estados do Brasil, por  par tede Secretarias de Educação, Instituições de Ensino Super ior  e de 1°e 2° graus. Houve mudanças significativas e deve-se congr atular com todos que, indivi- dual ou coletivamente, contribuíram e têm contribuído par a a melhoria no ensino de Históriaem todos os niveis. No entanto, no que se refere á prática cotidiana do pr ofessor de 1°e 2° graus, isto é, àquela instância denominada sala de aula, as mudanças, de modo geral, . d Profes.sora Assistente II da Universidade Federal do Paraná, Setor de Educação, Departamento de Méto- 10S  e Tecmcas da Educação. da disciplina Metodologia e Prática de Ensino de História. SNYDERS, Georges. Feliz na Universidade. RJ: Paz e Terra, 1995. PÁG. 121.  Um grande con junto de var iáveis pode ser r esponsabilizado pelo relativo in- sucesso da renovação do ensino de Histór ia, destacando-se, pr incipalmente, o des- caso a que vem sendo submetida a educação br asileir a por par te das autoridades governamentais. Na ver dade, pode-se afirmar  que o quadro negro ainda persiste na educação brasileira, inclusive, e muitas vezes, como único r ecurso, na for mação do professor e no cotidiano da sala de aula. E é neste contexto que se pode falar  do significado da formação do pr ofessor e o cotidiano da sala de aula, dos seus dilace- r amentos, embates e do fazer  histórico. Há muito se f ala da rudeza do of icio de pr of essor  e isto se aplica com per ti- nência ao professor de História. A sua formação não é, necessar iamente, num cur so de História, mas também em outro curso da ár ea de Ciências Humanas como Filo- sofia, Ciências Sociais etc... Esta formação, via de r egr a, começa e termina no cur so de graduação. Formado, o professor de História, como tantos outros, envolve-se com encargos familiares, com a luta pela sobrevivência. Quase sempre, não dispõe de tempo e nem de dinheiro para investir  em sua qualificação profissional. Seu coti- diano é preenchido com múltiplas tarefas; seu tempo de viver é fragmentado, dilace- rado entre preocupações muitas vezes contraditór ias, com a sua prof issão, família e progresso cultural.A imagem do pr ofessor de Histór ia é, geralmente, marcada pela ambigüida- de. Or a é visto como sacerdote; ora espera-se que seja um prof issional da ciência, parteiro da nação, da revolução, militante, porta-voz do verdadeiro passado ou ap.a- nhador  de difer enças, de indeterminados 2. A sua identidade oscila entre a do pr of essor  dif usor  e transmissor  de conhe- cimentos e o de produtor  de saberes e de fazer es, sabedor  de que Ensinar   é,  antes de mais, fabr icar ar tesanalmente os sa- beres, tomando-os ensináveis, exercitáveis  e  possíveis de avaliação no quadro de uma turma, de um ano, de um 2 A propósito destas r eflexões, ver  PINSKY, Jaime. Nação e ensino de História; NADAI, Elza. O ensino de História e a pedagogia do cidadão; MICELI, Paulo. Por outras histór ias do Brasil. In: O ensino de História e a criaçao do f ato. SP: Contexto, 1988.  horário, de um sistema de comunicação e trabalho 3  . Espera-se que ele seja o promotor da união entre a competência acadêmica(dominio dos saberes) e a competência pedagógica (domínio da transmissão do saber )4, aliando competência, convicções e experiências de vída. A sua autoridade residir ia, também, na capacidade de estabelecer uma espécie de comunicação indi- vidual com o seu aluno, levando-o  à  uma intimidade com um certo passado ou,quem sabe, até com um determinado presente. Os dilaceramentos atingem também os alunos em sua condição de receptá-culos de informações, conteúdos, currículos, livros e materiais didáticos na maioria das vezes desinteressantes, que eles lutam por decifrar , entender . .. Por isto, ainda escuta-se o ressoar de suas queixas, revoltas, apatias e embates. Agente de recusa e de contestação, o aluno é, também manifestação de in- segur ança, de temor ante os instrumentos de poder aos quaís é submetído: exames,  julgamento dos colegas e professores. Na relação pedagógica, o aluno busca a autonomia, busca convencer-se por si mesmo da validade do que lhe é proposto, pensar  por  sí mesmo, ser reconhecido, ser libertado em sua originalidade na com- preensão e no resgate de sua história. O professor de História preocupa-se em exteriorizar  o que sabe, tornar explí- cito o seu pensamento e a sua emoção. Ao mesmo tempo, ele vive a insegurança em relação  à  juventude dos seus próprios alunos e  à  defasagem entre a sua própr iaformação e o aceleramento contínuo dos novos estudos e pesquisas do conheci- mento histórico. É no espaço da sala de aula que professores e alunos de História enfrentam os seus embates. Trava-se um embate em que o professor , novidadeiro do passado e da memór ia, sente-se com a possibilidade de guiar e dominar em nome do conhe- cimento. Mas, ao mesmo tempo, ele se sente como igual e completamente aber to par a os problemas e projetos dos seus alunos. Na sala de aula, realiza-se um espetáculo cheio de vida e de sobressaltos. Cada aula é uma aula. Neste espetáculo, a r elação pedagógica 3 .PE~RENOUD citado por SOARES, Mar ia Teresa Carneiro. Matemática escolar : a tensão entre o discurso Cienlificoe o pedagógico na ação do professor . SP: USP, Faculdade de Educação, 1995, tese de doutora- :ento, mimeo, pâg. 4. A relação entre o discurso acadêmico, o discurso pedagógico e a prática de sala de aula, foi discutida nestaperspectiva por SOARES, M. T. C. ob.  d I.  é  basicamente diferente das relações puramente af eti- vas, das outras relações afetivas: ela compor ta uma dose igual de apego ou mesmo de admiração, certo modo de enraizar na pessoa do mestre, de acender   ao seu contato -  e desprendimento, com algo de estrito quepode ir até  a  frieza,  já  que se trata,  em  todos os sentidosdo tenno, de progredir numa 'disciplina'  e,  portanto, de endossar exigências rodes; por outro lado,  a  r elaçãonão  é  ,  não deve resvalar para  o  dueto: ela  é,  por  essên- cia, plural. Nesta relação,  o  professor fornece  a  matériapara raciocínios, ensina  a  ráciocinar , mas acíma de tudo, ensína que  é possível raciocina,s . O professor de História pode ensinar o aluno a adquirir as ferramentas detrabalho necessárias; o saber-fazer , o saber-fazer-bem, lançar os germes do históri- co. Ele é o responsável em ensinar o aluno a captar e valorizar a diversidade dos pontos de vista, de provar que cada um tem a sua razão de ser, e não apenas de  justificá-Ios todos no mesmo nível e teimar em aniquilá-Ios em beneficio de uma só idéia tirânica. A ele cabe ensinar  o aluno a levantar problemas e reintegrar o proble- ma levantado num conjunto mais vasto de outros problemas, procurando, em cada aula de História transformar temas em problemáticas.Ensinar História passa a ser , então, dar condições para que o aluno possa participar do processo do fazer, do construir a História. É fazer o aluno entender  que o conhecimento histórico não se adquire como um dom - como comumente ouve-se os alunos afirmarem: eu não dou para aprender História - nem mesmo como uma mercadoria que se compra bem ou mal.A aula de História é o momento em que, ciente do conhecimento que possui,o professor pode propiciar a seu aluno a apropriação do conhecimento histór ico existente, através de um esforço e de uma atividade na qual ele retome a atividadeque edificou esse conhecimento.É, também, o espaço em que um embate é travado diante do próprio saber - de um lado, a necessidade do professor ser o produtor do saber , de ser participe da produção do conhecimento histórico, de contribuir pessoalmente. De outro lado, a opção de tornar -se apenas um eco do que os outros já disseram.

Filsafat

Apr 16, 2018
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