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A teoria das inteligências múltiplas aplicada a crianças com necessidades educativas especiais em contexto educativo

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  • 1. A Teoria das Inteligências Múltiplas aplicada a Crianças com NecessidadesEducativas Especiais em Contexto EducativoEstudo do caso de AndréMónica Rebocho, Marta Peniche, Paula Baldeira, Sandra Lagartixo, AdelindaCandeias"in Crianças diferentes - Múltiplos olhares sobre como avaliar e intervir"Coordenadora: Adelinda Araújo Candeias.Edição: Universidade de Évora/PRODEPData: Janeiro, 2006A procura incessante de caminhos que maximizem a aquisição de conhecimento emcontextos educativos tem sido um processo que acompanhou o Homem ao longo da suaexistência. As Dificuldades de Aprendizagem de muitos alunos têm incentivado ainvestigação no sentido de dotar crianças com Necessidades Educativas Especiais deinstrumentos capazes de percorrer o mesmo caminho que as outras, ainda que a umavelocidade diminuta. É neste sentido que falamos da Teoria das Inteligências Múltiplas.Esta teoria tem subjacente várias Inteligências, as quais podem ser o caminho adesbravar por investigadores, no sentido de não valorizar somente o Q.I., mas abriroutras perspectivas e ir mais longe através das múltiplas inteligências do Ser Humano.Nesta perspectiva, parece-nos importante elaborar um capítulo de revisão teórica acercadestas temáticas, que tenha implicações práticas ao nível das Inteligências Múltiplasaplicadas a crianças com N.E.E. No presente capítulo a metodologia aplicada é o estudode caso, através de um relato narrativo baseado na observação e análise narrativa. Afinalizar apontamos algumas implicações para a aplicação da Teoria das InteligênciasMúltiplas em contextos educativos especialmente com alunos com NecessidadesEducativas Especiais.Estudo do caso de AndréO estudo de caso do André parte da análise documental e narrativa de um caso deintervenção individual * que foi desencadeado, por uma situação problemática, comumnas escolas que são os problemas comportamentais dos alunos e as dificuldades deaprendizagem dos mesmos, acompanhadas de falta de motivação. O André era umdesses alunos que vivia em permanente situação de conflito com os professores, com oscolegas, com a escola e até consigo próprio. Este aluno de 15 anos, frequentava pelasegunda vez o 5º ano de escolaridade na Escola EB 2,3/S de Cunha Rivara, emArraiolos. Lia e escrevia com grande dificuldade e acompanhava-o um desinteresse euma desmotivação face à escola. Procurava incessantemente, de forma inadequada,chamar a atenção sobre si próprio e sobre o seu mal estar.O André estava abrangido pelo Regime Educativo Especial, nomeadamente, art. 2ºalíneas f) Condições Especiais de Avaliação; g) Adequação na Organização de Classesou Turmas e i) Ensino Especial, art.11 alínea a) Currículo Alternativo, cujo principalobjectivo era mantê-lo na escola para que adquirisse conhecimentos básicos para a suavida prática: como ler, escrever, resolver algumas operações e problemas do seuquotidiano. O aluno tinha vergonha das suas dificuldades e falava frequentemente dissonas aulas de apoio. Lia silabicamente em contexto de sala de apoio, com um ensinoindividualizado. Todavia, recusava-se a ler e a escrever na sala, em contexto de turmaafirmando, eu sou o maior de todos, não sei ler e eles gozam comigo.
  • 2. Após sucessivas aulas de apoio, o André demonstrou um grande interesse e umconhecimento vasto na área das Ciências nomeadamente no estudo das aves. Conheciatodo o tipo de pássaros, as suas características e habitats. Quando fazia pesquisas sobreaves, lia com menor dificuldade e com um interesse desmesurável. Então a professorade apoio (Profª. M. Rebocho) abandonou métodos analíticos sintéticos e métodosglobais. A professora começa a escrever textos sobre aves, ditados pelo aluno que,posteriormente, ele lia e ilustrava (também desenhava muito bem todo o tipo de avescom os mais diversos pormenores). Através desta estratégia o André lia e não seaborrecia, mas os problemas de comportamento e a dificuldade de integração na turmamantinham-se.Foi nessa altura que se decidiu incluir este aluno num projecto de computadores comum professor de Biologia, onde faziam pesquisas e exploravam enciclopédias sobreanimais, sobretudo as aves. Os professores de Educação Visual e Tecnológicacontinuavam preocupados com o comportamento deste aluno.Numa conversa com a professora de apoio o aluno refere que criava algumas espéciesde pássaros. Depois desta informação, os interesses do André começam a estar clarospara os professores que o acompanhavam. Entretanto já se tinham passado......meses. Aequipa docente começa a esboçar aqui a ideia de um projecto, que desde essa alturamobilizou com muita intensidade a motivação do aluno. A construção de um viveiro depássaros estava no horizonte. Fizeram-se pesquisas sobre viveiros, espaços necessárias,materiais necessários, métodos de construção e conservação. Depois de algumas visitasa viveiros de pássaros na localidade e ao viveiro do próprio André, partiu-se para aacção um projecto intitulado "Um Viveiro na Escola". Um dos locais possíveis para aconstrução do viveiro era um recinto abandonado da escola.Decorridos dois meses, em Novembro de 1999, foi delineado o projecto que tinha comofinalidades:- Motivar o aluno para a escola, partindo dos seus interesses e dos seus pontos fortes.- Criar condições para que o aluno desenvolvesse competências necessárias para a suavida prática (ler, escrever...).-Promover a auto estima do aluno.-Promover a autoconfiança do aluno para a aprendizagem.-Melhorar o rendimento escolar do aluno.-Envolver os restantes alunos da turma na elaboração de um trabalho conjunto.-Aproximar o André dos seus colegas promovendo a sua integração na turma.-Promover o respeito dos alunos da turma pelo André e pelos seus problemas.-Promover o trabalho conjunto de professores, no sentido de responder às solicitaçõespróprias de um aluno com Necessidades Educativas Especiais.-Sensibilizar a Comunidade Educativa para diferentes formas de aprender.-Integrar adequadamente os diversos recursos disponíveis numa acção de parceriaflexível.- Privilegiar a resposta especializada e diferenciada aos alunos.-Incentivar a permanência do aluno na escola.Após a formulação de objectivos registámos:- os recursos existentes:-Humanos (professores de apoio educativo, professores de E.V.T., Professor deBiologia, o André e a própria turma).- os recursos necessários:- Espaço para a construção do viveiro.
  • 3. - Material de construção.- Mão-de-obra.- Recursos financeiros.Após a construção do projecto, este foi apresentado ao Órgão de Gestão, que o julgoudemasiado ambicioso. Todavia, não se desistiu desta ideia, foram elaborados jornais,onde o André recolhia imagens e textos sobre aves e os colegas da sua turma osorganizavam e vendiam. Os professores de E.V.T. construíram com o André e osrestantes alunos da turma os ninhos para o suposto viveiro. Fizeram-se rifas, que foramvendidas por todos os alunos da turma. Depois de angariado algum dinheiro voltou-se ainsistir com o Órgão de Gestão que aprovou o projecto. O André vendeu os pássarospara o viveiro, teve que fazer determinadas operações e a motivação crescia de dia paradia.O aluno queria um viveiro de grandes dimensões, que ocupasse a totalidade do canteiro,contudo, por questões estéticas, considerou-se que seria melhor a construção de doisviveiros mais pequenos (um em cada canteiro). A planta, as várias modelaçõestridimensionais do viveiro, bem como as fotografias do mesmo na actualidade seguemem anexo. O aluno envolveu-se em todas as actividades, inclusivamente fez oacompanhamento da obra junto dos pedreiros e a expressão da sua motivação e auto-estima positiva puderam ser testemunhados por todos. Começou a ganhar protagonismona turma, sentindo-se à vontade para ler e escrever. Continuou na escola e começou atrocar correspondência com uma aluna de uma escola diferente.Em suma, conseguiu-se mudar o percurso escolar sinuoso deste aluno, marcado pelasdificuldades e rejeições, partindo dos seus interesses e pontos fortes, mudando oenfoque das dificuldades para as potencialidades e os interesses. Promovendo odesenvolvimento e a concretização das potencialidades o André conseguiu mobilizarmotivação para se comprometer na aprendizagem de conteúdos difíceis e para aospoucos perceber a sua utilidade, ou seja a leitura e a escrita.Recentemente, há cerca de um ano, o André foi à escola visitar os viveiros, entrou,observou e exclamou: às vezes estas ideias resultam!Actualmente, o André tem 20 anose cumpre o Serviço Militar.* Agradecemos a disponibilização de dados por parte da Escola EB 2,3 / S CunhaRivara Arraiolos Portugal, para este estudo, e em particular à professora MónicaRebocho (professora de apoio que acompanhou o caso). O nome André é um nomefictício.
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