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Análise dos clubes brasileiros 2017 - Itaú BBA

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O relatório financeiro sobre 27 clubes de futebol do Brasil, produzido pela equipe Banco Itaú BBA a partir dos balanços divulgados pelos clubes, com dados referentes a 2016.
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  • 1. 1 Análise Econômico- Financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros | 2017 Dados Financeiros de 2016
  • 2. 2 Introdução
  • 3. 3 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 2016 | A Insustentável Leveza do Ser Vamos relembrar de 2015: encerramos o ano acreditando que a gestão financeira dos Clubes Brasileiros nos trazia Uma Nova Esperança, uma vez que havia sinais de que estavam trabalhando para organizar as casas, reduzir dívidas, controlar Custos e se tornarem sustentáveis. Corta para 2016. E vamos filosofar sobre o Futebol, e trazer Milan Kundera: “Aquilo que não é conseqüência de uma escolha não pode ser considerado mérito ou fracasso.” Como parte da vida, o Futebol também depende de decisões, e não falamos apenas das que ocorrem dentro de campo. Toma-se risco ao contratar, ao dispensar, ao aumentar salários, ao atrasar pagamentos. São escolhas, e a partir delas se mede mérito ou fracasso. Não há nada por acaso na gestão do Futebol. Um dos grandes problemas do Futebol é, no dilema entre Leveza e Peso trazido por Kundera em sua obra clássica, o descompromisso dos Dirigentes com o longo prazo. É um problema existencial que contrapõe a Leveza (o descompromisso com o longo prazo) e o Peso (cuidar da sustentabilidade do Clube), onde ao final, e naturalmente, opta-se pela Leveza. Afinal, a Liberdade é sempre melhor. Nos deparamos com a dificuldade dos Dirigentes em superar o desafio de se importar com o longo prazo, com o futuro. Organizar as Finanças, controlar os gastos hoje, não trará resultados esportivos e glórias agora, mas sim no futuro. E outro Dirigente será o beneficiário das conquistas. E desta forma, assume-se então o comportamento do "convite à vida", de viver cada momento - ou cada campeonato - como se fosse o último. Afinal, o que importa é o hoje. E assim, o Futebol Brasileiro segue sua sina. Mesmo depois de receber um montante de dinheiro extraordinário de Luvas pelo novo acordo de direitos de jogos para TV Fechada para o período 2019-2022, e contar com aumento significativo das Cotas de TV, além de continuar vendendo atletas, tudo se volta para a conquista hoje. E assim como em outros anos onde ocorreram situações similares, o ajuste é uma mera teoria. E temos novamente Milan Kundera: “Não existe meio de verificar qual é a decisão acertada, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado.” É assim que os Dirigentes agem. Como se presos a um Feitiço do Tempo*, em que se repete infinitamente o Dia da Marmota.
  • 4. 4 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 2016 | A Insustentável Leveza do Ser A realidade, entretanto, é menos filosófica e mais grave do que imaginamos. O cenário da Indústria do Futebol poderia ser completamente diferente se, ao se deparar com o aumento de Receitas e a entrada das Luvas pela renovação do contrato de TV Fechada, os Clubes tivessem optado por reduzir Dívidas, cortar Custos, segurar Investimentos, focando mais em Estrutura e Base que em Profissional. O que nós veremos nas próximas páginas é uma sucessão de decisões que objetivam resultado de curto prazo, e não pensando que em breve as Dívidas do Profut começam a vencer, que há Dívidas Bancárias, que as Receitas num País como o nosso são erráticas, que nem sempre será possível vender Atletas para fechar as contas. Mas que os Custos permanecerão ali, consumindo caixa, por algum tempo. Esta é uma distorção do nosso modelo de controle dos Clubes. Ao serem entidades políticas, que dependem de eleição e mudam sua gestão de tempos em tempos, não há incentivo a pensar em longo prazo, se as conquistas estão a um passo de distância. O problema, é que todos os anos todos os clubes começam do zero, e estão a um passo de distância da glória. Só um será Campeão. E poucos se sustentam nessa condição por muito tempo, justamente porque só pensam na próxima conquista. Acreditamos que gestões que coloquem ordem na casa e tornem os Clubes sustentáveis, terão a chance de se perpetuarem na ponta dos campeonatos. Mas isto ainda é um desejo, apenas, pois são raros os clubes que buscaram este caminho, sacrificando o Hoje e mirando no Sempre. Bola para frente, que o jogo está só começando. * "Feitiço do Tempo" ("Groundhog Day") é um filme de 1993 da Columbia Pictures, estrelado por Bill Murray e Andie McDowell, que mostra um jornalista que tem sua vida presa a um único dia, que se repetia incessantemente.
  • 5. 5 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Sempre importante lembrar Disclaimer Este é um trabalho feito pelos profissionais da Área de Crédito do Itaú BBA, baseado exclusivamente em informações públicas e sem que tivéssemos qualquer contato com os clubes para explorar eventuais dúvidas e aprofundar algumas questões. O objetivo é meramente informativo e tentamos apresentar aos Torcedores a visão de uma equipe técnica e multiclubística sobre a condição financeira do Futebol Brasileiro e seus Clubes. Vale ressaltar que apesar de alguns clubes apresentarem balanços bastante detalhados e esclarecedores, há uma enorme dificuldade em ter a mesma qualidade em todos os balanços, o que torna limitada nossa ação. E mesmo para clubes que disponibilizam informações estruturadas, ainda restam dúvidas relevantes. Por conta disso, podemos afirmar que o material reflete a realidade “pública” de cada clube, e nossas avaliações são feitas com base em hipóteses técnicas, apenas. Por isso, quando falamos em “atrasos”, isto reflete uma avaliação técnica das movimentações contábeis, baseado nos dados disponíveis. Trata-se de hipótese técnica e são suposições, apenas, e justificam o fechamento do fluxo de caixa do período. Não temos também qualquer contato com Patrocinadores, Federações, Parceiros, de forma que nossas avaliações consideram informações publicadas pela Imprensa como única fonte externa aos Balanços, inclusive entrevistas e matérias feitas com Dirigentes. Não conseguimos fazer a análise do Atlético Goianiense, por conta da pouca qualidade das informações.
  • 6. 6 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 6 2. Clubes | Análise Individual 36 2.1 | Alguns Conceitos Básicos 2.2 | América MG 2.3 | Atlético MG 2.4 | Atlético PR 2.5 | Avaí 2.6 | Bahia 2.7 | Botafogo 2.8 | Chapecoense 2.9 | Corinthians 2.10 | Coritiba 2.11 | Criciúma 2.12 | Cruzeiro 2.13 | Figueirense 2.15 | Flamengo 2.16 | Fluminense 2.17 | Goiás 2.18 | Grêmio 2.19 | Internacional 2.20 | Joinville 2.21 | Náutico 2.22 | Palmeiras 2.23| Ponte Preta 2.24 | Santa Cruz 2.25 | Santos 2.26 | São Paulo 2.27 | Sport 2.28 | Vasco da Gama 2.29 | Vitória 37 38 43 48 53 58 63 68 73 78 83 88 93 98 103 108 113 118 123 128 133 138 143 148 153 158 163 168 Sumário 1. Introdução 2 1.1 | 2016 | A Insustentável Leveza do Ser 1.2 | Disclaimer 1.3 | Recapitulando 1.4 | Receitas 1.5 | Receitas | Tratamento a Valor Presente 1.6 | Receitas | TV, sempre ela 1.7 | Receitas | Crescimento 1.8 | Receitas| Direitos de TV 1.9 | Receitas | Direitos Federativos 1.10 | Receitas | Direitos Federativos 1.11 | Receitas | Publicidade 1.12 | Publicidade | Detalhe por Clube 1.12 | Receitas | Bilheteria e Sócio Torcedor 1.13 | Receita da Bilheteria | Por Clube 1.14 | Sócio Torcedor | Relevância 1.15 | Receitas | Concentração 1.16 | Custos, Despesas e EBITDA 1.17 | EBITDA | Efeito Palmeiras e Flamengo 1.18 | Comportamento do EBITDA Recorrente 1.19 | Investimentos 1.20 | Investimentos | Categorias de Base 1.21 | Investimentos | Origem do Dinheiro 1.22 | Dívidas 1.23 | Dívidas | So far. so good 1.24 | Dívidas | Alavancagem 1,25 | Profut | É possível pagá-lo? 1.26 | Dívidas Operacionais 1.27 | Fluxo de Caixa Livre 1.28 | Gastos Totais 1.29 | Geração de Caixa Livre 1.30 | Geração de Caixa Livre por Clube 3 5 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 3. Hora da Verdade | Nossas Projeções 173 4. Avaliação de Desempenho | Gráfico 179 5. Futebol no Brasil x Europa 190 6. Conclusões 195 7. Escalação 197 8. Referência 199
  • 7. 7 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Recapitulando Importante citar alguns critérios que utilizamos para ajustar os balanços e torná-los comparáveis. lembrando sempre que os critérios de Contabilização e os Critérios de Análise Econômico-Financeira não são e nem precisam ser os mesmos. Análise é justamente a maneira de interpretar os conceitos contábeis. RECEITAS | As Receitas Totais consideram tudo que é Operacional, ou seja, tudo que foi gerado no dia-a-dia do Clube e que tem recorrência direta. Entretanto, fazemos uma segunda derivada, que é utilizar o conceito de Receita Recorrente, onde excluímos a Venda de Atletas, pois apesar de ser Operacional, é muito errática, e para fins de Gestão deveria ser desconsiderada nos Orçamentos. LUVAS DE TV | São comuns, de certa forma Operacional, pois estão atreladas ao principal contrato dos clubes, mas não é recorrente. Portanto, para fins de análise, consideramos como Não Operacional, o que as exclui do EBITDA. DÍVIDAS | Conceitualmente, restringimos a análise das Dívidas aos 3 grupos que mais afetam o fluxo de caixa de um clube. Na prática,. são as Dívidas que podem levar o Clube a dificuldades. São elas: BANCÁRIAS: Dívidas com Bancos e Pessoas Físicas que cobram taxas similares; OPERACIONAIS: São os Fornecedores, cujo maior parte vem de valores a pagar a Clubes pela aquisição de Atletas e Despesas Provisionadas, que são as parcelas de salários e Encargos a serem pagas no mês; IMPOSTOS: são os valores devidos de Impostos de longo prazo, equacionados ou não no Profut, e as Provisões para Contingência, visto que são potenciais problemas no futuro. Na conta de DÍVIDA TOTAL, excluímos apenas a parcela de Disponibilidades (Caixa), pois os demais Ativos, por mais líquidos que possam ser, conceitualmente ainda podem deixar de ser pagos, enquanto a Dívida necessariamente deve ser paga. INVESTIMENTOS | No balanço está junto do valor dos Atletas o Direito de Imagem. Quando está informado, excluímos do Permanente e lançamos no Realizável a Longo Prazo.
  • 8. 8 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Evolução das Receitas Brutas Totais* | R$ milhões Evolução das Receitas Brutas Recorrentes** | R$ milhões Receitas * Refere-se aos 27 clubes da análise ** Exclui as Receitas oriundas da venda de Direitos Econômicos de Atletas O Ano de 2016 apresentou crescimento de Receitas relevante, tanto na avaliação Total quanto sob a ótica de Receitas Recorrentes. Foram 20% em termos Totais – e esta avaliação exclui as Luvas pagas pelas emissoras de TV pelos Direitos de Transmissão de TV Fechada de 2019 a 2022 – e 28% quando tratamos os dados e excluímos a Venda de Atletas, considerando apenas o que é Recorrente. Os números são expressivos, especialmente se analisados no contexto macroeconômico Brasileiro, que vem de dois anos de recessão, com queda de PIB consecutiva em 2015 e 2016. Ou seja, está claro que a Indústria do Futebol tem um nível de resiliência que é visto em poucas indústrias, dado sua dinâmica associado a dois drivers estáveis: contrato de longo prazo com as TVs e a Paixão dos Torcedores, que garantem boas receitas de Bilheteria, contratos de Publicidade e mesmo o impacto nos contratos de TV Fechada.
  • 9. 9 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Evolução das Receitas Brutas Totais* | R$ milhões Evolução das Receitas Brutas Recorrentes** | R$ milhões Receitas | Tratamento a Valor Presente * Refere-se aos 27 clubes da análise ** Exclui as Receitas oriundas da venda de Direitos Econômicos de Atletas Mas, num País onde a inflação acumulada entre 2010 e 2016 foi de 49%, qualquer análise de longo prazo precisa considerar este efeito, pois a mudança de valor do dinheiro no tempo é bastante significativa. Na análise das Receitas comparamos a nominal com a real, trazendo a Valor Presente pelo IPCA as Receitas desde 2010. O que é positivo na análise é verificar que exceto por dois anos – 2014 nas Receitas Totais e 2013 nas Receitas Recorrentes – todos os demais anos as Receitas Consolidadas do Futebol Brasileiro* apresentaram crescimento acima da inflação. Isto confirma duas teses: i) as Receitas do Futebol estão descoladas do desempenho da Economia; ii) há uma volatilidade razoável nas Receitas. Ampliando um pouco esta análise, o crescimento médio anual (CAGR) entre 2010 e 2016 foi de 17% nas Receitas Totais a Valor Presente, e 10% nas Receitas Recorrentes a Valor Presente. Mas precisamos lembrar que em 2012 houve um reajuste significativo no valor das Cotas de Transmissão de TV do Campeonato Brasileiro, de maneira que esta análise precisa de uma segunda avaliação. Desta forma, se tomarmos o crescimento médio anual (CAGR) a partir de 2012, ano em que as Cotas aumentaram, temos que na Receita Total a Valor Presente o crescimento foi de 7%, enquanto que nas Recorrentes foi de apenas 2%. Ou seja, naquelas receitas em que os clubes são capazes de atuar mais diretamente (Recorrentes), a capacidade de crescimento no período, mesmo após um segundo reajuste nas Cotas em 2016, foi pequena, ainda que positiva, acima da inflação e considerando o cenário de recessão do País. Numa visão “copo meio cheio”, foi positiva; numa visão “copo meio vazio”, fizeram pouco. Na prática, nem tanto, nem tão pouco, pois a TV em 2016 teve impacto muito forte e puxou a média para cima. Dá para fazer mais que esperar a TV.
  • 10. 10 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Breakdown das Receitas Totais por Origem Comportamento das Receitas por Origem Receitas | TV, sempre ela.R$milhões R$milhões O crescimento de 20% de 2016 nas Receitas Totais foi impulsionado pelas Receitas com TV. Estas cresceram 38% em relação a 2015. Nesta conta tentamos excluir todas as Luvas pela renovação dos contratos com TV Fechada entre 2019 e 2022, mas infelizmente não conseguimos fazer este ajuste para todos os clubes, uma vez que esta não foi uma informação claramente disponível nos demonstrativos financeiros. Por isso, é claro supor que o crescimento efetivo de 2016 foi menor que 20% Importante dizer que além das cotas propriamente ditas, tanto a Globo como a Turner (Esporte Interativo), ainda despejaram R$ 545 milhões em Luvas, apenas nos valores informados, ressaltando que Atlético Mineiro, Cruzeiro e Vasco da Gama não informaram o valor de Luvas, que pode levar este número certamente a perto de R$ 700 milhões, considerando os valores dos demais. Além deles, o Palmeiras não recebeu Luvas em 2016., fez apenas um registro contábil, sem efeito caixa] Se a TV foi fundamental para o crescimento das Receitas, também teve relevância, como de costume, a Venda de Direitos de Atletas, que cresceu 20% em 2016. Mas esta não é Recorrente, então tende a ter uma dinâmica mais errática, ao mesmo tempo que os Clubes não deveriam considerá-la em seus Orçamentos, o que infelizmente não ocorre, As Receitas chamadas de “Outras” que incluem as partes Sociais dos Clubes, premiações por conquistas, entre uma diversidade grande de fontes, também cresceu de forma importante: 23%. Negativamente, a Bilheteria/Sócio Torcedor caiu 4% e Publicidade cresceu nominalmente apenas 1%, o que mostra o reflexo da situação econômica do País, mas também certa incapacidade dos Clubes de incrementar estas importantes fontes de Receita.
  • 11. 11 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Breakdown das Receitas Totais por Origem Comportamento das Receitas por Origem Receitas | Crescimento em diversas frentesR$milhões R$milhões Considerando isto, a TV aumentou sua presença no breakdown de Receitas, atingindo 49% do total, percentual acima do observado em 2012, quando do primeiro grande contrato de TV. Um item que merece destaque é a Venda de Direitos de Atletas, que de forma consolidada gira em torno de 12% das Receitas todos os anos, exceto em 2013, que teve uma presença mais relevante, ao mesmo tempo em que a Receita de TV sofreu queda. Acreditamos que nos números de TV de 2012 havia Luvas que não foram expurgadas por falta de informação, distorcendo de certa forma esta análise. Em geral, é uma composição com certa estabilidade, mas que ainda precisa desenvolver de forma mais consistente o segmento de Publicidade, ainda pouco representativo no bolo. Nunca é demais lembrar que tanto a receita com Publicidade como a de Bilheteria/Sócio Torcedor acabaram impactadas em 2015 e 2016 pela recessão econômica do período.
  • 12. 12 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Receita Total com TV Share e Concentração | 12 Clubes = 72,5% (73,7% em 2015) Receitas | Direitos de TV As Receitas com TV tiveram reajuste em suas cotas em 2016, já acordado quando da contratação. Ou seja, os clubes já sabiam desde 2012 que em 2016 haveria um reajuste da magnitude que houve. Logo, não se trata de gestão ativa dos Dirigentes de Clubes, mas alguns foram positivamente impactados por isto. O crescimento nominal foi de 38%, e mesmo o crescimento desconsiderando o efeito inflacionário, a variação entre 2015 e 2016 foi de 30%. Importante dizer que estas Receitas apresentaram crescimento médio anual real – acima da inflação – de 1,2%, ou seja, trata-se de uma Receita não só importante quanto ao montante, mas também quanto ao comportamento, que é estável e de baixíssimo risco. Diferente do que se costuma dizer, as Receitas de TV não geram concentração de renda, fenômeno que é usualmente chamado de “Espanholização”, referência ao fato de que Real Madrid e Barcelona concentram quase 60% das Receitas de TV no Futebol Espanhol, gerando uma enorme distorção de forças entre os clubes. No Brasil, os 12 clubes de maior receita de TV concentraram 72,5% destas receitas, sendo que o maior deles, o Flamengo, tem 10% do total, e a distância dele para o bloco seguinte é de 4 pontos percentuais. Vale destacar que há distorções impossíveis de serem corrigidas, como os dados de Cruzeiro, Vasco e Atlético Mineiro, que contabilizaram Luvas em 2015 e 2016 dentro das Receitas, sem destacá-las. R$milhões
  • 13. 13 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Evolução da Receita Anual | Reais x Dólares Comparativo | 2016 x Mediana do Clube Receitas | Venda de Direitos Federativos A Venda de Direitos Econômicos continua sendo relevante para os Clubes, mas mantém certa estabilidade ao longo dos últimos 3 anos, quando pensamos em valores em Dólares. É importante fazer esta consideração, porque o maior mercado consumidor é o Exterior, então é com base nessa referência que as negociações são feitas. Mesmo assim, em Dólares as Receitas cresceram 10% em 2016, e convertendo para Reais o aumento foi de 20%. São Paulo, Corinthians, Santos e Atlético Mineiro foram os maiores vendedores de atletas em 2016, com valores bem acima das medianas de venda no período 2010-2016. Ou seja, tiveram comportamento bem fora da curva, o que é um risco. Por que? Porque uma empresa vende “ativos” para solucionar problemas estruturais, enquanto os Clubes de Futebol vendem ativos para fechar seus fluxos de caixa. Quando não ocorre, o clube desmorona. Veja o exemplo do Internacional, que em 2016 vendeu valor 63% abaixo de sua mediana, e o resultado foi um ano fraco financeiramente, com reflexos esportivos desastrosos. É claro que não seremos "engenheiros de obra feita", questionando após o resultado. Difícil saber se haveria sucesso esportivo vendendo mais atletas antes, ou mesmo se existia atletas para serem vendidos. Aqui é uma questão de "política de gestão", que trabalha sempre com a venda, e quando não ocorre, as Finanças sofrem demais. R$milhões Comparativo | 2015 x Mediana do Clube
  • 14. 14 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Re
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