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ANÁLISE DOS PROBLEMAS DO CULTIVO E PRODUTIVIDADE DA MAMONA (Ricinus comunnis) NO MUNICÍPIO DE BELO JARDIM-PE.

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ANÁLISE DOS PROBLEMAS DO CULTIVO E PRODUTIVIDADE DA MAMONA (Ricinus comunnis) NO MUNICÍPIO DE BELO JARDIM-PE. Rosemary Silva Sales Machado 1, Jane Maria Gonçalves Laranjeira 2, Ivanildo Mangueira da Silva
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ANÁLISE DOS PROBLEMAS DO CULTIVO E PRODUTIVIDADE DA MAMONA (Ricinus comunnis) NO MUNICÍPIO DE BELO JARDIM-PE. Rosemary Silva Sales Machado 1, Jane Maria Gonçalves Laranjeira 2, Ivanildo Mangueira da Silva 3, Artur Siqueira de Paula 4 e Justino Bezerra de Vasconcelos Filho 5 Faculdade de Formação de Professores de Belo Jardim Sítio Inhumas PE RESUMO - Esse trabalho objetivou identificar os principais fatores que interferiram na produtividade da mamona na região, sendo realizada uma pesquisa de campo, utilizando questionário objetivo, com pequenos agricultores cadastrados e selecionados aleatoriamente. Foram levantados dados referentes à: época de plantio, área plantada, análise de solo, tipo e número de semente por cova, sistema de cultivo, espaçamento, adubação, irrigação, ocorrência de pragas, método de secagem, armazenamento e comercialização. Dos resultados obtidos 100% dos produtores não fizeram análise do solo, irrigação e adubação. Destes, 94% plantaram entre 0,5 a 3ha e apenas 60% tiveram orientação técnica. Todos plantaram a cultivar BRS Paraguaçu, utilizando o sistema consorciado com feijão (53%), milho (12%) ou milho e feijão (35%). Foram semeadas 2 sementes por cova por 80% dos produtores e 3 por 20%, sendo que 50% dos entrevistados utilizaram espaçamento 3X1, 25% 3X1,5 e 25% 2X1, havendo ocorrência de pragas em 29,4% dos casos. Os sistemas de secagem e armazenamento foram precários e as sementes foram comercializadas de 0,35-0,65 centavos. Os dados obtidos indicam que os produtores de mamona da região necessitam de orientações técnicas para melhorar a produtividade. INTRODUÇÃO Entre as fontes de biomassa prontamente disponíveis, os óleos vegetais têm sido largamente investigados como fonte alternativa de energia descentralizada e de apoio à agricultura familiar. O desenvolvimento desta biotecnologia tem contribuído para a melhoria da qualidade de vida em regiões carentes, para a valorização das potencialidades regionais e tem oferecido alternativas para os problemas sócio-econômicos e ambientais de difícil solução. A utilização de óleos vegetais in natura como combustível alternativo tem sido alvo de diversos estudos (BHATTACHARYA, 1995; PIYAPORN, 2006). No Brasil as pesquisas têm sido direcionadas para os óleos vegetais extraídos de plantas regionais com destaque para a cultura da mamona (Ricinus comunnis) na região do semi-árido. A cultura da mamona é uma nova tentativa de sustentabilidade e de inclusão social através da agricultura familiar, criando melhores condições de vida em regiões carentes, integrando o homem do campo e oferecendo alternativas econômicas, sociais e ambientais (BELTRÃO; 2005). Neste contexto o governo brasileiro tornou-se um dos maiores divulgadores e promotores dessa cultura ao sinalizar que a mamona deve ser a principal oleaginosa, no ainda tímido, processo de substituição do diesel brasileiro, tendo como premissa básica a realização de um programa de grande benefício social que assegure uma fonte de renda contínua para as famílias de regiões que estejam à margem do processo de desenvolvimento econômico do país. Neste sentido, o Governo Federal vem desenvolvendo políticas geradoras de oportunidades e tem estimulando a produção da mamona na região do semi-árido do Nordeste através de facilidades de financiamento e comercialização do produto, garantindo ao pequeno agricultor a compra da semente de boa qualidade, essencial para obtenção de óleo com alta pureza e biodiesel de qualidade competitiva. No entanto, os resultados esperados dependem de práticas adequadas de cultura que exigem a capacitação técnica destes agricultores familiares. Segundo o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), alguns dos problemas relacionados com o cultivo da mamona que os agricultores ainda enfrentam, e que dificultam a sustentabilidade na região, são: a falta de preparo dos agricultores que proporciona baixa produtividade, bem como a compra e a revenda da mamona por atravessadores (ASA, 2004), que contribui para a redução significativa do preço. Portanto é importante conhecer a metodologia adotada no trato desta cultivar e as dificuldades enfrentadas pelos agricultores familiares, no município de Belo Jardim, relacionadas com aspectos sociais, técnicos e econômicos. A partir do diagnóstico e da discussão dos problemas pode-se apontar possíveis soluções. O objetivo deste trabalho é Identificar os principais problemas enfrentados pelos pequenos produtores com o cultivo da mamona (Ricinus comunnis) no município de Belo Jardim PE. MATERIAL E MÉTODOS Foi realizada uma pesquisa exploratória, de campo, no Município de Belo Jardim PE, utilizando questionário com questões objetivas, realizada no período de fevereiro a março de Para isso foi escolhida aleatoriamente uma amostragem de 24% dos produtores cadastrados que plantaram a mamona. A aplicação de questionário foi feita por estudantes do curso de Biologia da FABEJA, técnicos do município e professores desta instituição, através visitas periódicas a área de cultivo para levantamento dos problemas associados com a cultura e o manejo da mamona. Foram levantados os seguintes dados: a época de plantio, área plantada, análise de solo, orientação técnica, número de semente por cova, sistema de cultivo, espaçamento, adubação, irrigação, variedades, ocorrência de pragas, método de secagem, armazenamento, escoamento de produção e comercialização. RESULTADOS E DISCUSSÃO Dos resultados obtidos 100% dos produtores entrevistados já haviam plantado mamona, em sistema consorciado, e sem terem feito análise do solo e sem utilização de qualquer tipo de adubação. Destes, 64,7% plantaram na faixa de 0,5-1 hectare e 29,4% na faixa de 2-3 hectares. A maioria considera que a atividade é de risco e plantaram por experiência. Todos plantaram a cultivar BRS Paraguaçu em sistema consorciado com feijão (53%), milho (12%) ou milho e feijão (35%). Segundo Parente (2004 apud MELO, 2006) são necessários dois hectares para promover a inclusão social em sistema de consorcio com feijão de ciclo curto. Apesar de não ser apropriado, o consorcio com milho foi utilizado por 47% dos agricultores por ser uma cultura de subsistência. Foi constatado que apenas 60 % dos entrevistados tiveram orientação técnica da Prefeitura Municipal de Belo Jardim e os agricultores têm consciência da necessidade de orientações técnicas específicas com relação à: comercialização (7,4%), controle de pragas (18,5%), produção (3,7%) e adubação (26%) e acompanhamento técnico (26%). 80 % dos produtores plantaram duas sementes por cova e 20 % três, com espaçamentos variados (Fig. 1), tais como: 3X1m (33,3%), 3X1,2m (20%), 2X1m (20%) e cada um dos espaçamentos 2X1,2m, 2X2m, 2,5X2,5m foram utilizados por 6,7 % dos agricultores. Foi verificada a ocorrência de pragas em 29,4% dos casos e deste total 80% se relacionaram com a lagarta desfolhadora e 20% com nematóide. Os sistemas de secagem e armazenamento foram precários sendo que 58% dos agricultores secaram os frutos em terreno de chão batido e 18% em terreiro com lona, além de outras maneiras, tais como: galpão, dentro de casa e no local de produção. Dos agricultores entrevistados, 57% armazenaram a produção em sacos dentro de casa, sem controle de aeração e umidade, e 18 % no local da produção, sem ensacamento (Figs. 2 e 3). As sementes foram comercializadas a preços variados, na faixa de 0,35-0,65 centavos. A produção por hectare foi bastante diversificada, na faixa de kg/ha para 27,2% dos agricultores, de kg/ha para 36,4% dos agricultores e superior a 500 kg/ha para 9% dos agricultores (Fig. 4). CONCLUSÃO Diante destes dados é possível afirmar que os produtores de mamona do Município necessitam de orientação técnica sistematizada com relação ao sistema de plantio consorciado e armazenamento das sementes, além da garantia da venda do produto através de contratos com preços de mercado previamente acertados, diretamente com a indústria. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASA - Articulação no Semi-Árido Brasileiro. Asa informa Encarte especial Biodiesel - maio de Disponível em Acesso em: 16 set BELTRÃO, N. E. de M.; CARTAXO, W. V.; PEREIRA, S. R. de P. ; SOARES, J. J.; Silva, O. R. R. F. O Cultivo Sustentável da Mamona no Semi-árido Brasileiro. Campina Grande-PB: EMBRAPA, Circular Técnica 84, Disponível em http://www.cnpa.embrapa.br . Acesso em 21 maio MELO, F. de B.; CARDOSO, M. J. e NEVES, A. C. das. Avaliação agroeconômica do sistema de produção do consórcio. In: CONGRESSO NACIONAL DE FEIJÃO-CAUPI, Terezina, Anais. Terezina: EMBRAPA, CONAC 2006, SE02. NAG, A.; BHATTACHARYA, S.; DE, K. B. New utilization of vegetable oils. J. Am. Oil Chem. Soc. v. 72, n. 12. p , Espaçamento (mxm) kg / ha PARENTE, E. J. de S. Mamonas assassinas...porém sagradas. 4 Jornal da Ciência, SBPC. Disponível 5 em: http://www.jornaldaciencia.org.br . Acesso: 12 jul ,5 4PIYAPORN, K.;JEYASHOKE, N.; KANIT, K. Survey of seed 3oils for use as diesel fuels. J. Am. Oil Chem. Soc., v. 73, n. 4, p , , , ,5 0 3x1 3x1,2 3x2,5 2x1 2x1,5 2x2 2,5x2, Fig. 1 - Espaçamentos utilizados nos cultivos de mamona Fig. 4 Produção por hectare plantado Fig. 2 Armazenamento em galpão aberto sem ensacamento Fig. 3 Armazenamento em casa sem ensacamento
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