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C. s. lewis as crônicas de nárnia - iv - príncipe caspian

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1. C. S. LEWISAS CRÔNICAS DE NÁRNIA VOL. IV Príncipe Caspian Tradução Paulo Mendes Campos 2. ÍNDICE1. A ILHA2. A CASA DO TESOURO3. O ANÃO4. O ANÃO CONTA A…
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  • 1. C. S. LEWISAS CRÔNICAS DE NÁRNIA VOL. IV Príncipe Caspian Tradução Paulo Mendes Campos
  • 2. ÍNDICE1. A ILHA2. A CASA DO TESOURO3. O ANÃO4. O ANÃO CONTA A HISTÓRIA DO PRÍNCIPE CASPIAN5. AS AVENTURAS DE CASPIAN NAS MONTANHAS6. O ESCONDERIJO DOS ANTIGOS NARNIANOS7. A ANTIGA NÁRNIA EM PERIGO8. A PARTIDA DA ILHA9. O QUE LÚCIA VIU10. O RETORNO DO LEÃO11. O LEÃO RUGE12. MAGIA NEGRA E REPENTINA VINGANÇA13. O GRANDE REI ASSUME O COMANDO14. CONFUSÃO GERAL15. ASLAM ABRE UMA PORTA NO AR___________________________________ 2C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 3. 1 A ILHAEra uma vez quatro crianças – Pedro, Susana,Edmundo e Lúcia – que se meteram numaaventura extraordinária, já contada num livro quese chama O leão, a feiticeira e o guarda-roupa.Ao abrirem a porta de um guarda-roupaencantado, viram-se num mundo totalmentediferente do nosso, e nesse mundo, um paíschamado Nárnia, tornaram-se reis e rainhas.Durante a permanência deles em Nárnia acharamque tinham reinado anos e anos; mas, aoregressarem pela porta do guarda-roupa àInglaterra, parecia que a aventura não tinhalevado quase tempo algum. Pelo menos ninguémnotara a sua ausência, e eles nunca contaram nadaa ninguém, a não ser a um adulto muito sábio. Tudo isso tinha acontecido havia um ano.___________________________________ 3C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 4. Os quatro encontravam-se, no momento em quevamos iniciar esta história, sentados numa estaçãode trem, rodeados por pilhas de malas. Estavamde volta ao colégio. Tinham viajado juntos atéaquela estação, que era um entroncamento; dentrode alguns minutos devia chegar o trem dasmeninas e, daí a meia hora, o trem dos meninos. A primeira parte da viagem fora como seainda fizesse parte das férias; mas, agora que seaproximavam as despedidas, todos sentiam que asférias tinham acabado e que começavam outra vezas preocupações do ano letivo. Reinava grandemelancolia, e ninguém sabia o que dizer. Lúcia iapara um internato, pela primeira vez. Era uma estação rural e vazia: além deles,não havia mais ninguém na plataforma. Derepente, Lúcia deu um grito agudo e rápido, comose tivesse sido mordida por um marimbondo. – O que foi, Lúcia? – perguntou Edmundo,mas logo parou soltando um ruído parecido comhã!___________________________________ 4C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 5. – Mas que coisa... – começou Pedro, quelogo também interrompeu a frase, dizendo, emvez disso: – Pare, Susana! Para onde você está mepuxando? – Nem toquei em você! – respondeuSusana. – Tem alguém me puxando. Oh, oh, oh,pare com isso! Todos notaram que os rostos dos outrostinham ficado muito pálidos. – Senti a mesma coisa – declarouEdmundo, quase sem fôlego. – Parecia quealguém estava me arrastando. Um puxão horrível!Epa! Lá vem de novo! – Também estou sentindo – gritou Lúcia. –Que coisa desagradável! – Cuidado! – exclamou Edmundo. – Vamosficar de mãos dadas. Tenho certeza que isso émagia.___________________________________ 5C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 6. – Isso mesmo, de mãos dadas – disseSusana. – Será que isso não vai parar? Mais um instante, e a bagagem, a estação,tudo havia desaparecido, sem deixar um sinal. Asquatro crianças, agarradas umas às outras,ofegantes, viram então que se encontravam numlugar cheio de árvores, tão cheio de árvores quemal havia espaço para se mexerem. Esfregaram osolhos e respiraram fundo. Lúcia indagou: – Pedro, você acha possível que tenhamosvoltado para Nárnia? – Pode ser um lugar qualquer. Com estasárvores tão cerradas, não se vê um palmo adiantedo nariz. Vamos ver se encontramos um lugaraberto, se é que existe isso por aqui. Com certa dificuldade, e levando arranhõesdos espinhos, conseguiram desembaraçar-se dosarbustos. E foi outra surpresa. Tudo se tornoumais brilhante. Após andarem alguns passos,encontraram-se à beira da mata, olhando de cimapara uma praia arenosa. A distância de alguns___________________________________ 6C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 7. metros, um mar incrivelmente sereno avançavasobre a areia em vagas tão minúsculas que quasenão se ouvia nenhum som. Terra à vista nãohavia, nem nuvens no céu. O sol estava ondedevia estar às dez horas da manhã, e o mar era deum azul deslumbrante. Pararam, cheirando a maresia. – Como é bom! — disse Pedro. Daí a cinco minutos, estavam todosdescalços, patinhando na água fria e transparente. – Muito melhor do que estar dentro de umtrem abafado, de volta ao latim, ao francês e àálgebra! – disse Edmundo. E durante algumtempo só se ouviu o barulho da água. – De qualquer modo – disse então Susana –, suponho que tenhamos de fazer alguns planos. Afome não deve demorar.___________________________________ 7C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 8. – Temos os sanduíches que a mãe nos deupara a viagem – lembrou Edmundo. – Eu, pelomenos, estou com os meus. – Eu, não – disse Lúcia. – Deixei os meusna maleta. – Eu também – disse Susana. – Os meus estão no bolso do casaco, ali napraia – declarou Pedro. – São assim dois almoçospara quatro. Não é lá grande coisa. – Neste momento – disse Lúcia – , queromais beber água do que comer. Todos estavam com sede, como é naturalacontecer quando se brinca na água salgada, sob osol ardente. – É como se a gente tivesse sofrido umnaufrágio – observou Edmundo. – Nos livros,sempre se encontra na ilha uma fonte de águafresca e cristalina. É melhor a gente procurá-la.___________________________________ 8C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 9. – Vai ser preciso voltar para aquela matafechada? – perguntou Susana. – De jeito nenhum – disse Pedro. – Se háfontes aqui, elas têm de vir para o mar; assim, seformos andando pela praia, deveremos achá-las. Foram caminhando, primeiro sobre a areiaúmida e mole, depois sobre a areia grossa que seagarra aos dedos dos pés. Edmundo e Lúciaqueriam seguir descalços e deixar os sapatos ali,mas Susana advertiu-os de que isso não seriabom: – Podemos não os encontrar depois, etalvez precisemos deles se ainda estivermos aquiao anoitecer, quando começar a esfriar. Então pararam e começaram a calçar asmeias e os sapatos. Depois de novamente calçados, iniciaram acaminhada ao longo da praia, com o mar àesquerda e a mata à direita. Fora uma ou outragaivota, era um lugar de todo tranqüilo. A mata___________________________________ 9C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 10. era tão densa e emaranhada que quase não sepodia olhar para dentro dela, e nada lá dentrodava sinal de vida, nem um pássaro, nem sequerum inseto. Conchas, algas e anêmonas, ou pequenoscaranguejos nas poças das rochas, tudo isso émuito bonito; mas, quando se está com sede, fica-se logo cansado de tudo. Os quatro sentiam os péspesados e quentes. Susana e Lúcia tinham ascapas de chuva para carregar. Edmundo, ummomento antes de ser apanhado pela magia,deixara o casaco num banco da estação; assim,revezava-se com Pedro a levar o pesadosobretudo do irmão. Daí a pouco a terra começou a encurvar-separa a direita. Cerca de um quarto de hora maistarde, depois de atravessarem uma crista pontuda,o terreno descrevia uma curva bastante fechada.Estavam de costas para a parte do mar quehaviam encontrado ao saírem da mata. Olhandopara a frente, avistaram além da água outra regiãodensamente arborizada.___________________________________ 10C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 11. – Será que é uma ilha? – perguntou Lúcia. – Sei lá – disse Pedro. E continuaram emsilêncio. O terreno em que pisavam seaproximava cada vez mais do terreno oposto, eeles esperavam encontrar a qualquer momento umlugar em que os dois se juntassem. Mas erasempre uma decepção. Chegaram a algunsrochedos que tiveram de escalar e do topopuderam ver bastante longe. – Ora bolas! Não adianta – disse Edmundo.– Não vamos chegar nunca à outra mata. Estamosnuma ilha! Era verdade. Nesse ponto, o canal que osseparava da outra costa não tinha mais de trintaou quarenta metros. Mas era o seu ponto maisestreito. – Olhem! – disse Lúcia de repente. – Que éaquilo? – e apontou para uma coisa sinuosa,comprida e prateada que se via na praia. – Um riacho! Um riacho! – gritaram todos___________________________________ 11C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 12. e, mesmo cansados, não perderam um segundopara descer os rochedos e correr para a águafresca. Como sabiam que bem mais acima, longeda praia, a água seria melhor para beber,dirigiram-se logo para o lugar em que o riachosaía da mata. O arvoredo ainda era denso, mas oriacho transformara-se num fundo curso d’água,deslizando entre altas margens musgosas, demodo que uma pessoa inclinada podia segui-lopor uma espécie de túnel vegetal. Ajoelhando-sejunto da primeira poça borbulhante, beberam atéficar saciados, mergulhando o rosto na água, edepois os braços até os cotovelos. – Bem... – disse Edmundo. – E aquelessanduíches? – Não seria melhor economizá-los? –atalhou Susana. – Pode ser que mais tardeprecisemos ainda mais deles. – Seria ótimo – observou Lúcia – sepudéssemos prosseguir sem ligar para a fome,como quando a gente estava com sede.___________________________________ 12C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 13. – É... mas e os sanduíches? – repetiuEdmundo. – Não vale a pena economizá-los, poispodem estragar. Aqui faz muito mais calor do quena Inglaterra, e eles estão em nossos bolsos já háalgumas horas. Assim, dividiram os dois sanduíches porquatro. Ninguém matou a fome, mas era melhordo que nada. Depois, começaram a imaginar oque seria a refeição seguinte. Lúcia queria voltarao mar e apanhar camarões, mas desistiu quandoalguém observou que ninguém tinha uma rede.Edmundo sugeriu que apanhassem nos rochedosovos de gaivota, mas, pensando melhor, ninguémse lembrava de já ter visto um ovo de gaivota.Mesmo que encontrassem algum, não saberiamcozinhá-lo. Pedro não teve coragem de dizer queos ovos, mesmo crus, valeriam a pena. Susanaainda achava que não deviam ter comido ossanduíches tão cedo. Finalmente Edmundo disse: – Só há uma coisa a fazer: temos deexplorar a mata. Ermitões e cavaleiros andantes, eoutra gente parecida, sempre conseguiram viver,___________________________________ 13C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 14. de uma ou de outra forma, dentro de uma floresta.Encontravam raízes, sementes, sei lá o que mais... – Que tipo de raízes? – indagou Susana. – Acho que raízes de árvores – disse Lúcia. – Vamos embora – disse Pedro. Edmundotem razão. Temos de tentar qualquer coisa. Começaram a andar ao longo do riacho.Não foi nada fácil. Quando não eram obrigados ase abaixar sob os ramos, tinham de passar porcima deles. Andaram aos trambolhões entremoitas de flores, rasgando as roupas, molhandoos pés no riacho. E, em torno, apenas um grandesilêncio. – Olhem! Olhem! – exclamou Lúcia. –Parece uma macieira.___________________________________ 14C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 15. E era. Subiram arquejantes pela encosta,abrindo caminho pelo mato, e acabaramencontrando uma grande árvore carregada demaçãs douradas, rijas, sumarentas. Não podia sermelhor. – E esta árvore não é a única – disseEdmundo, de boca cheia. – Olhe ali uma outra,outra lá... – Há dezenas, não há dúvida – disseSusana, deitando fora a semente da primeira maçãe tirando outra da árvore. – Isto aqui deve ter sidoum pomar, muito tempo atrás, antes que o matocrescesse. – Houve então um tempo em que esta ilhafoi habitada – disse Pedro. – E o que é aquilo? – perguntou Lúcia,apontando para a frente. – É um muro, um velho muro de pedra –disse Pedro.___________________________________ 15C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 16. Abrindo caminho entre os ramoscarregados, alcançaram o muro. Era muito antigo,arruinado aqui e ali, cheio de musgos etrepadeiras, mais alto do que quase todas asárvores. Ao chegarem mais perto, encontraramum grande arco, que deveria ter tido antes umportão, mas agora estava quase totalmenteocupado pela mais frondosa de todas asmacieiras. Tiveram de quebrar alguns ramos parapoder passar. Quando atravessaram, começaram apiscar, pois a luz do dia se tornara de repentemuito mais intensa. Achavam-se num amploespaço aberto, cercado de muros. Sem árvores: sómato rasteiro, malmequeres, hera e paredescinzentas. Mas o lugar era claro e sereno,pairando ali uma certa melancolia. Os quatrodirigiram-se para o centro dele, satisfeitos porqueagora podiam esticar braços e pernas.___________________________________ 16C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 17. 2 A CASA DO TESOURO – Isto aqui não era um jardim! – disseSusana momentos depois. – Aqui havia umcastelo, e este deve ter sido o pátio. – É isso mesmo – concordou Pedro. –Aquilo ali, não há dúvida, é a ruína de uma torre.Aquilo lá deve ter sido um lanço de escada quelevava para o alto da muralha. Olhem aquelesdegraus naquela porta: deve ter sido a entrada dosalão nobre. – Pela aparência, isso foi há séculos – disseEdmundo. – É, há séculos – falou Pedro. – Gostaria de___________________________________ 17C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 18. saber quem viveu neste palácio e há quantotempo! – Tudo isso me causa uma sensaçãoestranha – observou Lúcia. – Verdade, Lu? – perguntou Pedro, olhandofixamente para a irmã. – Porque comigo estáacontecendo a mesma coisa... A coisa maisestranha que nos aconteceu neste dia tão estranho.Pergunto a mim mesmo onde estaremos... o quepode significar tudo isso... Enquanto falavam, atravessaram o pátio etranspuseram a porta do antigo salão, agora muitosemelhante ao pátio, pois o telhado desaparecera,e havia muito o salão não passava de um enormerelvado salpicado de malmequeres, embora maisestreito e curto do que o pátio e com as paredesmais altas. Do outro lado, cerca de metro e meiomais alto que tudo, destacava-se uma espécie deterraço. – Vocês acham que isto seria realmente umsalão? – perguntou Susana. – Sendo assim, que___________________________________ 18C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 19. vem a ser aquele terraço? – Boboca! – replicou Pedro (que, derepente, ficara bastante excitado). – Não estávendo? Aquilo era o estrado da mesa real, aoredor da qual se sentavam o rei e os grandessenhores. Parece até que você se esqueceu de quenós mesmos fomos reis e rainhas e tivemos umestrado igual no nosso salão nobre. – No castelo de Cair Paravel – continuouSusana, numa voz cantante e sonhadora – , na fozdo grande rio de Nárnia. Como poderia meesquecer? – Parece que estou vendo o nosso castelo! –disse Lúcia. – Este salão deve ter sido muitoparecido com o grande salão onde demos tantosbanquetes. Podíamos fazer de conta que estamosde novo em Cair Paravel. – Infelizmente sem banquete... – comentouEdmundo. – Está anoitecendo. Vejam como assombras estão compridas. E já repararam comoestá frio?___________________________________ 19C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 20. – Se temos de passar a noite aqui, o melhoré fazer uma fogueira – propôs Pedro. – Eu tenhofósforos. Vamos procurar lenha seca. A proposta era sensata. Durante meia horatrabalharam a valer. O pomar que tinhamatravessado não era grande coisa para umafogueira. Experimentaram o outro lado do castelo.Passando por uma porta lateral, encontraram-senum labirinto de corredores e velhas salas, quenão passavam agora de um emaranhado deespinheiros e rosas-bravas. Descobriram umabrecha na muralha e, penetrando num maciço deárvores mais antigas e frondosas, acharam muitosramos caídos, madeira meio apodrecida, lenhafina e folhas secas. Juntaram uma boa pilha delenha sobre o estrado. Junto à parede do lado defora, acabaram descobrindo o poço, todo cobertode ervas. Quando as afastaram, viram que a águacorria lá embaixo, fresca e cristalina. A volta dopoço, de um dos lados, havia vestígios de umpavimento de pedra. As meninas foram colhermais maçãs, e os meninos acenderam o fogo sobreo estrado, bem no cantinho entre as duas paredes,___________________________________ 20C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 21. que lhes parecia o lugar mais quente e abrigado.Foi difícil fazer pegar o fogo, mas por fimconseguiram. Sentaram-se os quatro de costaspara a parede, voltados para a fogueira. Tentaramassar maçãs espetadas em pedaços de pau, masmaçãs assadas só são boas com açúcar. – Alémdisso, ficam tão quentes que não podem sertocadas com a mão, e quando esfriam já não valea pena comê-las. Tiveram, portanto, de sesatisfazer com maçãs cruas, o que levou Edmundoa afirmar que, afinal, a comida do colégio não eratão ruim assim. – Não ia achar ruim se tivesse aqui agoraum bom pedaço de pão com manteiga –acrescentou ele. Mas o espírito de aventura já acordaraneles, e nenhum dos quatro, na realidade, preferiaestar no colégio. Depois de comer a última maçã, Susanalevantou-se e foi ao poço beber água. Voltou comalguma coisa na mão.___________________________________ 21C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 22. – Olhem! Vejam o que encontrei. –Entregou a Pedro o que trazia e sentou-se. Pelo jeito e pela voz, parecia que Susana iachorar. Edmundo e Lúcia, ansiosos por ver o quePedro tinha na mão, inclinaram-se para a frente...para um objeto pequeno e brilhante, que refletia aluz da fogueira. – Confesso que não estou entendendo –disse Pedro, com a voz embargada, passando aosoutros o objeto. Era uma pequena peça de xadrez, detamanho comum, mas extraordinariamentepesada, por ser de ouro maciço. Tratava-se de umcavalo cujos olhos eram dois rubis minúsculos, oumelhor... um deles, porque o outro se perdera. – Nossa! – disse Lúcia. – É exatamenteigual a um daqueles cavalos de ouro com quecostumávamos jogar em Cair Paravel... quandoéramos reis e rainhas. – Nada de tristeza! – disse Pedro a Susana.___________________________________ 22C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 23. – Não posso evitar – falou Susana. – Estou-me lembrando daqueles bons tempos. Costumavajogar xadrez com faunos e gigantes simpáticos.Fiquei me lembrando das sereias que cantavam...do meu lindo cavalo... e... e... – Bem – interrompeu Pedro, num tom devoz bastante diferente. – Vamos deixar defantasias e pensar a sério. – Em quê? – perguntou Edmundo. – Será que ninguém adivinhou ondeestamos? – Fale logo – disse Lúcia. – Estou sentindoque há um mistério neste lugar. – Vamos, Pedro, estamos ouvindo – disseEdmundo. – Muito bem: estamos nas ruínas de CairParavel. – Ora! – exclamou Edmundo. – Como é___________________________________ 23C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 24. que você sabe? Estas ruínas têm séculos. Reparenaquelas árvores. Olhe para aquelas pedras. Hácentenas de anos que não vive ninguém aqui. – Certo – concordou Pedro. – Aí é que estáo problema. Mas vamos deixar isso para depois.Consideremos as coisas uma por uma. Primeiro:este salão é exatamente igual ao de Cair Paravel,na forma e no tamanho. Imaginando um telhado eum chão colorido, em vez da relva, e tapeçariasnas paredes, temos o salão nobre dos banquetes. Todos ficaram calados. – Em segundo lugar – continuou Pedro – , opoço é exatamente no local do nosso. E também éigualzinho em forma e tamanho. Ninguém o interrompeu. – Em terceiro lugar: Susana acaba deencontrar uma das nossas peças de xadrez... ouuma peça igualzinha às nossas. Em quarto lugar:não se lembram de que, na véspera da chegadados embaixadores do rei dos calormanos,___________________________________ 24C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. IV
  • 25. plantamos um pomar logo depois do portãonorte? O mais poderoso espírito das árvores, aprópria Pomona, veio abençoá-lo. E foramaqueles animaizinhos simpáticos, as toupeiras,que cavaram tudo. Será possível que tenham seesquecido da engraçada dona Alvipata, atoupeira-chefe, encostada na enxada, dizendo:"Acredite, Real Senhor, um dia ainda há de ficarcontente por ter plantado estas árvores frutíferas."E ela estava com a razão!... – Eu me lembro e muito bem – disse Lúciabatendo palmas. – Mas repare, Pedro – disse Edmundo – ,tudo isso qu
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