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CONFERÊNCIA SOBRE SANTA GERTRUDES

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CONFERÊNCIA SOBRE SANTA GERTRUDES D. Marco Eugênio Mística e Ascética Entre os Padres gregos encontramos referencias a Ulisses, na Odisseia, como um exemplo de experiência mística e ascética. Ulisses sai
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CONFERÊNCIA SOBRE SANTA GERTRUDES D. Marco Eugênio Mística e Ascética Entre os Padres gregos encontramos referencias a Ulisses, na Odisseia, como um exemplo de experiência mística e ascética. Ulisses sai em aventura, atraído pelo canto das sereias, e, por elas, fascinado. Contudo, mesmo longe de casa, mesmo encantado com aquilo que o cerca, mesmo envolvido com a aventura, não esquece a pátria; e é esta que será sempre o motivo inspirador de toda sua ação, de sua vida no exilio. Eis a figura da experiência mística: o homem, inserido na obra da criação, atraído por sua beleza, participando dela, não a tem como fim ultimo, não a busca por si mesma, mas esta constantemente em referencia ao Criador, sua origem e fim, sua pátria. São João Paulo II, com linguagem cristã, assim define esta experiência: Mergulhar na criação, desfrutá-la como um dom, sem esquecer o Criador, em total referencia ao Doador. Em outra situação, vendo nossa atividade na obra da criação que a nós foi entregue pelo Criador, nos diz: Entrar no trabalho do Senhor, sem esquecer o Senhor do trabalho. A mística é um dom de Deus, que, como expressão das Virtudes Teologais (Fé, Esperança e Caridade), tem sempre Deus como origem, objeto e meta. Expressa a Fé, enquanto reconhece o Criador, contemplando a criatura. E tal expressão terá seu ápice ao ver o Criador encarnado, feito criatura, não apenas para se revelar à criatura, mas para revelar a dignidade da própria criatura. Contemplar Deus humanado e chegar ao Pai é o maior dom místico que Deus nos concede. Portanto, não existe união mística, pela fé, com a Divindade, sem passar pela humanidade de Cristo. Expressa a Esperança, por que não coloca nas criaturas no seu apoio existencial, mas se usa delas em referencia ao Criador e em gratidão a Ele. Santo Agostinho, em oração, dizia: Fomos criados para Vós, e nosso coração é inquieto enquanto não repousar em vós. Portanto, nunca nas criaturas. Elas devem nos inquietar... devem ser vistas como indicadores e caminho para o Criador, e nunca fim nelas mesmas. Expressa a Caridade, enquanto vive o amor ao Criador no relacionamento com as criaturas. Assim o mesmo Santo Agostinho nos afirmava em oração: Senhor, ama-te menos quem não ama as coisas por causa de Ti, e se frustra quem ama em lugar de Ti. O místico reconhece a relatividade das coisas, e não as ama ou busca em lugar de Deus, mas as ama por causa de Deus. Deus ama as criaturas por que elas existem, mas as criaturas existem porque Deus as ama. O primado de tudo é sempre o amor de Deus. Ele é anterior á própria criação que, assim, fala dele e leva a Ele. O místico reconhece isto, e expressa em sua vida. A ascética seria o esforço pessoal para corresponder ao dom de Deus e ir a Ele. É o esforço de passar pelas criaturas ao Criador. Assim, enquanto esforço humano de busca de Deus, algumas peculiaridades a caracterizam: a) Contemplar, para a ascética, é o esforço de estar diante de Deus, de conservar sua presença. Deus convidara Abraão: anda na minha presença e sê santo (Gn 17, 1). O convite feito deve ser assumido. E é assumir corresponder a este convite que consiste a ascética. Este sempre foi o ideal da oração frequente, constante, incansável, vigilante, evitando tudo aquilo que nos distrai e nos tira da atenção fiel a ele. O asceta, tendo em vista o objetivo final e definitivo do homem que é Deus, é capaz de evitar tudo que não leva a Deus. Santa Teresa Benedita da Cruz assim rezava: Senhor, tira de mim tudo que me impede de ir a Ti, ou que me afaste de Ti, e dá-me tudo que me leva a Ti. Livrame de mim mesma, toma-me e redime-me e devolve-me a Ti. Assim, o asceta, em seu esforço pessoal de busca de Deus, conta com a ajuda do próprio Deus, pois reconhecendo a própria fragilidade, busca em Deus a força necessária para buscá-lo. b) Para a Ascética, a busca de Deus, se faz numa natureza debilitada pelo pecado, fragilizada. Santo Tomas já nos advertia que a Graça pressupõe a natureza. É sobre a natureza a Graça que se coloca e esta é debilitada, fraca, por causa do pecado. Ora, se a natureza, não destru dia, mas enfraquecida pelo pecado, não consegue mais, por si mesma encontrar Deus, como ocorria no Paraiso, necessita da ajuda divina, e conta com ela, para o exercício da busca de Deus. A meditação da Palavra, pela qual Deus é buscado pelo conhecimento de Sua vontade, promove o encontro com Ele. São Francisco nos afirma: Meditar a Escritura é buscar o conselho do próprio Deus. E Santo Ambrósio nos diz: Acolher a Escritura no seio da Igreja é voltar a caminhar com Deus no Paraiso. E São Gregório Magno apresenta a Escritura como carta de amor de Deus. Deus se deixa reconhecer pela sua Palavra, pois esta é o próprio Deus no sacramento de sua Palavra. O confronto da vontade humana, marcada pelo pecado, com a santa vontade de Deus, conhecida pela Escritura, revela a necessidade de conversão e promove a luta contra ela mesma, para que vença a vontade de Deus. Este é o esforço do Santo, isto é ascese. Lc 2, Hb 12, 4 A humanidade assumida por Deus em Jesus, viveu a ascese total e venceu. Ele veio por ele e por nós. No texto que vimos acima, no Getsemani, lutando contra a própria vontade humana para submetê-la a Deus, Jesus chega a suar sangue. Só Ele é capaz de vencer, e só nele nós venceremos. Daí o convite da Carta aos Hebreus. O asceta une seu esforço à luta vitoriosa de Cristo e, nele, por Ele e com Ele se faz vencedor. Enquanto imagem de Deus, o homem é um ser dotado de inteligência e vontade. Pela inteligência ele conhece e, pela vontade, com base no conhecimento, ele decide, quer. Ora, conhecendo a santa vontade de Deus e a querendo, não se pode pensar em ter prazer, em sentir gozo, em viver uma experiência meramente emocional. São João da Cruz nos apresenta a Ascética como Noite Escura. A presença de Deus, como prazeiroso consolo, não pode ser sentido emocionalmente. Assim, não buscamos Deus por seu consolo, mas por Ele mesmo. Deus por Ele mesmo, e não suas obras, porque estas não são Deus, e Ele é o valor absoluto a ser buscado. Jesus Crucificado, mesmo em noite escura, experimentando a pior consequência do pecado que é a ausência de Deus ( Por que me abandonaste? ) busca a Deus por Ele mesmo, e se abandona a Ele ( Pai, em vossas mãos entrego o Espirito ). Cristo é Deus vencendo, na humanidade a fraqueza da própria humanidade. Assim, decorre daí, que a Ascética vê, na noite escura, a experiência da fé pura, não sentimentalista, mas vontade livre, não limitada pelo prazer ou pelo consolo, mas iluminada e atraída pelo conhecimento de Deus. São Paulo (1Tm) nos apresenta como sendo a vontade de Deus, a salvação de todos e o conhecimento da verdade. Ora, tudo aquilo que se opõe à salvação ou que impede o conhecimento (intimidade) com Deus, que é a Verdade, deve ser evitado pelo asceta. São Francisco de Sales nos adverte que o navegante, em pleno mar, se guia mais pelo céu que pelo próprio mar. Assim o cristão, em sua vida espiritual tem que mirar mais a Deus que ao mundo. São Gregório Nazianzeno, apresentando a um grupo de virgens a Vida Espiritual, (Espiritualidade), adverte que esta é como navegar, e isto leva em consideração três aspectos: 1) Mar onde vamos navegar, a vida real, os recursos concretos que temos para viver a espiritualidade. (Vida no Espírito) 2) O Vento = sopro do Espirito Santo. 2.a) Vento sopra e acompanha o barco 2.b) Vento sopra onde quer(jo 3) 2.c) Precisa abrir a vela 3) O barco 3.1) Bussola nos orienta no rumo certo (Bíblia e a Igreja) 3.2) Leme o que segurar e como guiar a vida Tudo isto é a experiência mística e ascética de Santa Gertrudes. Como mística, Deus vem ao seu encontro e, como asceta, soube aproveitar do apelo divino, unindo seu esforço pessoal à Graça. Sua realidade concreta será o fundamento de sua ascese: conhecimento da Patrística liturgia, Regra de São Bento, os costumes monásticos, a vida comunitária. É assim que Santa Gertrudes busca a Deus e se usa do próprio contexto para encontra-lo. O que marca a Mística de Santa Gertrudes 1. Reconhecimento da própria indigência Indigencia= fragilidade criatural que leva à condição de dependência. Não à autossuficiência. Reconhecer apenas a fragilidade seria uma atividade pessimista e deprimente, mas, quando este reconhecimento se faz numa expressão de dependência para com o Ser Superior, Necessário, que é Amor, é uma experiência libertadora. Santa Gertrudes, reconhecendo seu próprio pecado e sua indignidade diante de Deus, se confia e se entrega à Misericórdia. Cristo, o Mestre Divino, lhe ensinou a doutrina da vida espiritual. Santa Gertrudes custou a se confiar à Misericórdia, à Divina Piedade, mas, quando se abandonou a Ela, se tornou sua embaixadora e pregoeira. Que não ensinou o paciente Mestre à sua discípula predileta? Ensinou-lhe principalmente o que talvez Gertrudes mais custou a aprender: crer e confiar absolutamente na divina pietas, essa ternura infinita e inenarrável de Deus, da qual Gertrudes iria ser embaixadora e pregoeira. De outra vez, no Oficio de Matinas, Gertrudes estava inteiramente atenta a Deus e a si mesma, quando durante o responso Vi a cidade santa, o Senhor lhe recordou uma palavra que frequentemente ela repetia ao próximo para reavivar a confiança em Deus. E lhe falou: Para que saibas com mais certeza o quanto me agrada a confiança, quero mostrar-te a bondade com a qual recebo a alma que após ter caído, volta a mim, se arrepende de sua falta e se propõe, com o socorro da minha graça a evitar o pecado. Dizendo estas palavras, o Filho do Rei supremo, revestido das insígnias de sua soberania, dirigiu-se para diante do trono de Deus Pai e cantou com uma voz suave e sonora este responso: Vi a cidade santa, Jerusalem. A essas palavras Gertrudes compreendeu a inefável consolação que o Coração do Senhor experimenta quando alguém se propõe a evitar as faltas e imperfeições seja porque se lembra dos benefícios com os quais Deus o envolve, seja porque reconheceu ter se afastado dele por falta de vigilância sobre suas afeiçoes, palavras ou o emprego de deu tempo. Cada vez que a alma experimenta esse arrependimento, o Filho de Deus, com um novo entusiasmo de felicidade e alegria, canta a Deus Pai as palavras deste responso ou outras semelhantes. (Arauto IV, 58) Tal reconhecimento da própria indigência (fraqueza e força da Graça) faz com que a Santa vença o medo do demônio, que marcava os homens de sua época. As calamidades eram vistas como castigos de Deus pelo pecado dos homens. Mas Deus não nos abandona à tentação afirma a Santa. Se Ele permite a tentação é para nos fazer progredir no caminho da virtude. Se unimos nossa vontade à de Deus, Ele combate por nós e a vitória é certa. Vencer as paixões e dominar os sentidos é nosso combate espiritual, levado a termo pela Graça. Nossa união a Cristo nos capacita à vitória. O amor que nos dedica faz com que Ele não olhe nossos defeitos, mas Ele mesmo supra nossa negligencia (fruto de nossa indigência e limitação) com sua infinita perfeição. Ex.1: Demônio critica negligencia da Santa na tecelagem. A consciência de sua consagração a Deus dava um valor salvifico a toda sua vida. Já que se entregara a Cristo, tudo nela era ação dele. Um dia em que ela se esforçava em pronunciar com toda atenção cada palavra e cada nota do Oficio Divino, o que a debilidade humana muitas vezes impedia, disse a si mesma com tristeza: Que proveito pode tirar de um esforço tão grande quem se encontra em tamanha inconstância? Então, o Senhor, não suportando ver sua ttristeza,,mostrou-lhe com suas próprias mãos, seu Coração divino, semelhante a uma lâmpada ardente, e lhe disse: Eis aqui o meu Coração, dulcíssimo instrumento da Trindade eternamente adorável, que exponho aos olhos da tua alma, para que lhe rogues com confiança, que ele supra por ti o que não podes completar sozinha. Deste modo, tudo aparecera sumamente perfeito aos meus olhos. Por que assim como um servo fiel está sempre disposto a executar a vontade do seu senhor (Lc 12, 37), assim também meu Coração, de hoje em diante, estará sempre junto de ti, para todo momento suprir por ti as tuas negligencias.(...) Se tivesses uma voz sonora e bem modulada, e um grande prazer em cantar, e te encontrasses junto de uma pessoa que cantasse mal, com voz rouca e desafinada, e que, após muitos esforços, conseguisse emitir apenas alguns sons, certamente ficarias indignada por ela não confiar à tua competência e facilidade, o canto que ela encontra tanta dificuldade em executar. Assim também, com mais forte razão, o meu divino Coração, conhecedor da fragilidade e instabilidade humanas, espera com um insaciável desejo que tu se não com palavras, pelo menos com algum sinal O encarregues de suprir por ti e aperfeiçoar o que sozinha não podes levar a termo. Santa Gertrudes se entrega e se abandona toda ao Senhor, que se faz possuidora do que é Dele. E Ele lhe supre tudo o que lhe falta. É a deificação da humanidade, efeito principal da união com Cristo. Santo Atanásio já afirmava: Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus. Ora, não se pode atingir a Divindade e a união com ela, sem que busque a humanidade de Cristo. 2. Mística centrada em Jesus Cristo, enquanto humanidade assumida por Deus. É na humanidade de Cristo que todo homem, é divinizado. Em Cristo, a humanidade, assumida por Deus, se faz portadora do Espírito, para comunicá-lo a cada homem. É o Espirito de Filiação, que torna, cada homem, filho de Deus, no Filho. Humanidade é que é assumida - Cristo não tem pessoa humana que o diferencie, na humanidade, das outras pessoas humanas. (É só pessoa divina) - Assim, toda humanidade é assumida nele, que pode dizer:...era eu....porque me persegues? Em Cristo, Pessoa Divina = Filho, na humanidade, Deus e homem tem um ponto comum de encontro, e Deus, enquanto sujeito de ação (pessoa), age humanamente, age na humanidade. Assim, eleva à dignidade divina todos os atos naturalmente humanos (menos o pecado, como diz Hb). Toda a natureza humana, criada, é boa e santa em si mesma. O pecado, que lhe é contrario, a perturbou. É isto que Deus, humanizando-se, vem destruir. Deus assume a humanidade para destruir, na humanidade, o pecado e a morte, aquilo que lhe era contrario. Assim como um antidoto é inserido no corpo para destruir a doença, o inimigo que nela está, Deus = Vida e Santidade, se fez antidoto, penetrou a humanidade para nela, com ela e por ela, destruir o que lhe era impróprio (Morte e Pecado). É este mistério, assumido e vivido pessoalmente, que forma o místico, e que foi descoberto e vivido por Santa Gertrudes. É através de Jesus que a divina ternura se manifesta, inteiramente gratuita, do abissal e superabundante, ilimitado. Deus não limita a ternura que brota de seu ser, como um rio que flui sem cessar. Santa Gertrudes: que mérito Vos darei quando Vos dignares vir a mim com tanta generosidade? Jesus:...venha a mim inteiramente vazia e disposta a receber, pois tudo que em ti puder agradar-me, será puro dom de minha infinita bondade. Ora, o amor infinito de Deus pelo homem O leva a querer para ele o Bem supremo. E, como Deus é, em Si mesmo, este Bem, Ele se doa todo ao homem. E é Jesus esse dom total. A humanidade de Cristo é a minha humanidade. Ele assume a humanidade, marcada e condenada à morte pelo pecado, e ele lhe dá a salvação. Aquilo que é humanamente impossível, Deus torna possível em Jesus Cristo. É mais fácil o imortal tornar-se ressuscitado, vivo, que o Imortal morrer São João Crisóstomo nos diz: A cruz foi pública, e a Ressurreição não. Porque é a Cruz que é a manifestação da glória. Na Cruz, o Amor se mostra total. Ali, o impossível acontece: O Imortal morre! Na Ressurreição, vemos um milagre enorme, mas consequente: o mortal revive pela presença do Imortal, mas é a Cruz quem manifesta o impossível de Deus realizado na humanidade. Para Santa Gertrudes, viver este mistério da vitória de Deus em nossa humanidade, é sua experiência mística, que se expressa na Consagração religiosa. Ex.1 de novo, negligencia na tecelagem Deus é amor (1 Jo 4) e assume a humanidade para revelar, nela, a si próprio, que é Amor, e a humanidade por Ele querida e amada, é capacitada a amar. Em Cristo, Deus transforma a humanidade de objeto de seu amor, em sujeito de seu próprio amor. Jesus é um amante com coração humano. Não existe espaço mais propício para esta vivencia que a comunidade e isto vive Santa Gertrudes inteiramente. Os momentos comunitários, a fraternidade, a preocupação com os problemas dos outros (que inspiravam sua oração), a solicitude pelas necessidades das irmãs, da superiora, das autoridades civis, tudo isto lhe dava a certeza de estar vivendo o amor de Cristo, a Ele servindo e a Ele se unindo no serviço aos irmãos. Séculos mais tarde, vivendo a mesma experiência na comunidade religiosa, assim rezara a Beata Elisabete da Trindade: Senhor, seja minha humanidade uma extensão da sua para amar os homens. Nada há de divino em Jesus que não passe pelo humano e se expresse nele. Viver a humanidade em seu grau maior (=santidade) e a ela servir nos irmãos, é viver Cristo e servir a Ele, vivendo dele. Eis o caminho da conversão, da santificação. Assim afirma a Santa: Fora de Jesus, não tenho consolo algum. Só Ele pode saciar a sede de minha alma. Ó Jesus, único amado de meu coração, doce amante, amado, amado sobre quanto alguma vez foi amado, por Ti, ó dia primaveril, cheio de vida e de flores, suspira, e desfalece o amoroso desejo de meu coração. Para Santa Gertrudes, a vida espiritual era interiorizar o encontro com Cristo na humanidade assumida, na própria humanidade. Não buscar fora, mas mergulhar em si mesma. Ora, tal descoberta e processo de interiorização requer ruptura. Santa Gertrudes compreendeu que vivia longe de Deus, em estudos liberais, descuidando do espírito, na busca de prazer intelectual. Renunciou ao estudo da literatura para buscar Deus nele mesmo. É assim que encontra Jesus presente em sua humanidade, o Mestre que lhe ensina, que a instrue na santidade, na vida espiritual. Ela passa de visões e revelações a inspirações interiores, sugestões, estímulos, ensinamentos da graça. O maior de todos estes ensinamentos e que ela custou a aprender foi crer e confiar na divina pietas, ternura de Deus, da qual ela se tornaria embaixadora e pregoeira. Ex.2 sobre Judas É em nossa humanidade, por causa de sua Encarnação, que Jesus quer revelar sua misericórdia:...quero te mostrar a bondade com a qual recebo a alma que, após ter caído, volta a mim, se arrepende de seu pecado, e se propõe, com o socorro de minha graça, a evitar o pecado (Arautos IV, 58) Para a Santa, é por Jesus Cristo que a divina ternura se manifesta inteiramente gratuita, um dom abissal, superabundante, sem limites. Deus não pode dominar a ternura que transborda de seu ser; como um liquido, ela flui sem cessar. Como Deus não contém sua ternura, espera encontrar no homem acolhida. Comparando Marta e Maria, Jesus afirma que por acolher dele mais que querer dar-lhe, Maria escolheu a melhor parte. Agrada mais a Deus o que dele recebemos do que o que por Ele e para Ele fazemos. É nosso reconhecimento de indigência, de dependência para com Ele, de necessitados que somos, cortando nossa autossuficiência de querer dar. É mudar a fonte da ação, de mim para Deus. Ele é a fonte de todo amor, e nós dele dependemos em tudo. Portanto, à pergunta da Santa: Que mérito vos darei quando vos dignardes vir a mim, com tanta generosidade? Jesus responde: Só te peço que venhas a mim inteiramente vazia, disposta a receber, pois tudo que em ti puder me agradar, será puro dom de minha infinita bondade. (Arautos IV, 26) Nosso coração foi criado por Deus como um vaso a ser preenchido por Ele mesmo, por seu amor. Esta é a experiência mística de vários santos a) Teresa Benedita da Cruz: Senhor, esvazia-me de mim e enche-me de ti.! b) São Vicente de Paulo: Deus não tolera o vazio. Quando nos esvaziamos de nós, Ele nos enche de Si. c) Santa Terezinha: Quando me esqueci de mim, fui feliz. d) Santo Antônio:
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