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CURSO DE MESTRADO EM ENFERMAGEM DE SAÚDE MATERNA E OBSTETRÍCIA. Díade Pai-Bebé: Envolvimento inicial e a influência da vulnerabilidade ao stresse

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CURSO DE MESTRADO EM ENFERMAGEM DE SAÚDE MATERNA E OBSTETRÍCIA Díade Pai-Bebé: Envolvimento inicial e a influência da vulnerabilidade ao stresse Joana Catarina Cardoso Gonçalves Coimbra, dezembro de 2016
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CURSO DE MESTRADO EM ENFERMAGEM DE SAÚDE MATERNA E OBSTETRÍCIA Díade Pai-Bebé: Envolvimento inicial e a influência da vulnerabilidade ao stresse Joana Catarina Cardoso Gonçalves Coimbra, dezembro de 2016 CURSO DE MESTRADO EM ENFERMAGEM DE SAÚDE MATERNA E OBSTETRÍCIA Díade Pai-Bebé: Envolvimento inicial e a influência da vulnerabilidade ao stresse Joana Catarina Cardoso Gonçalves Orientadora: Professora Júlia Maria Carvalho das Neves, Professora Adjunta na ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE COIMBRA Co-orientadora: Professora Doutora Isabel Margarida Marques Monteiro Dias Mendes, Professora Coordenadora, na ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE COIMBRA Dissertação apresentada à Escola Superior de Enfermagem de Coimbra para obtenção do grau de Mestre em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica Coimbra, dezembro de 2016 Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota. Madre Teresa de Calcutá AGRADECIMENTOS Às Professoras Júlia Carvalho e Isabel Margarida Mendes, pelo olhar rigoroso e atento, por fomentarem a busca de novos conhecimentos, por toda a disponibilidade e orientação prestada, pelo apoio incondicional e compreensão que sempre manifestaram; A todo o corpo docente da escola, o meu obrigada, por todos os ensinamentos transmitidos ao longo do meu percurso e pela disponibilidade que sempre mostraram; Aos pais e instituições de saúde que acederam participar no estudo, pela prontidão e interesse manifestados; Aos meus pais, José Carlos e Maria de Fátima, pelo incentivo constante, por ouvirem as frustrações e se alegrarem com as conquistas, por serem o colo onde sempre apetece voltar; À minha irmã, Carolina, que foi uma agradável surpresa, por me ajudar a crescer todos os dias e porque sem ela nenhuma vitória terá sentido; À minha avó, Generosa, agradeço todo o carinho e apoio que sempre me transmitiu; Ao Pedro, por ser o meu cais e porto de abrigo, por estar a meu lado, mesmo nos piores momento, por nunca permitir que o desânimo se instalasse e me acomodasse, por ser o meu companheiro para a vida À Anabela e à Susana, pela amizade verdadeira, pelas críticas e comentários sempre estimulantes; Aos amigos e colegas de trabalho, sempre presentes e atenciosos, pelos jantares, conversas e momentos de descanso tão agradáveis; Às colegas de especialidade e mestrado, pelo exemplo de perseverança, e por tornarem o percurso uma verdadeira aventura. RESUMO Problemática: Conhecer de que forma a participação do pai em todo o processo gravídico, trabalho de parto e parto resulta em importantes contribuições para o estabelecimento do envolvimento emocional precoce com o bebé. Objetivos: O presente trabalho tem como objetivo analisar de que modo o envolvimento emocional na díade pai/bebé é influenciado pelas variáveis sociodemográficas; analisar se as variáveis obstétricas interferem no envolvimento emocional na díade pai/bebé; descrever se o envolvimento do pai na gravidez influencia o envolvimento emocional na díade pai/bebé; analisar se a presença do pai no parto interfere no envolvimento emocional na díade pai/bebé; descrever de que forma a vulnerabilidade ao stresse interfere no envolvimento emocional na díade pai/bebé; analisar a relação existente entre a vulnerabilidade ao stresse e o tipo de envolvimento emocional na díade pai/bebé. Tipo de estudo: recorreu-se a um estudo quantitativo, descritivo, correlacional de corte transversal. Como instrumento de recolha de dados, optou-se pelo questionário, onde consta informação sociodemográfico, caracterização obstétrica e caracterização do envolvimento do pai durante a gravidez, trabalho de parto e parto. Faz parte deste instrumento a Escala de Bonding (Figueiredo, Marques, Costa, Pacheco & Pais, 2005) e a Escala de Vulnerabilidade ao Stress 23 QVS (Vaz Serra, 2000). A amostra ficou constituída por 349 pais que acompanharam a mãe e o bebé nas consultas de vigilância de saúde infantil nos primeiros seis meses de vida do bebé, em três Centros de Saúde do ACES, num total de 349 participantes, com uma idade média de 31,84 anos ±6,067. Resultados: A idade, o estado civil, a gravidez desejada o tipo de parto e o facto de o pai falar com o feto foram variáveis que influenciaram o envolvimento emocional na díade pai/bebé. Existe uma correlação negativa entre o bonding negativo e a carência de apoio social, condições de vida adversas, dramatização da existência, subjugação, deprivação de afeto e rejeição e total da vulnerabilidade ao stresse, sendo as diferenças entre as variáveis estatisticamente significativas, à exceção à subjugação. As dimensões da vulnerabilidade ao stresse estabelecem uma correlação negativa com o bonding positivo, excetuando o perfeccionismo e intolerância à frustração, sugerindo que quando aumentam os índices da vulnerabilidade ao stresse, o bonding positivo diminui e ou vice-versa. Existem correlações significativas na inibição e dependência funcional com o bonding not clear, indicando que quando aumentam os índices dessas variáveis, o bonding not clear também aumenta. Conclusão: Os resultados obtidos reforçam a ideia de que é relevante que os enfermeiros de saúde materna e obstétrica valorizem o papel do pai em todo o processo que vai desde a gravidez até ao nascimento do filho, de modo a que se possa potenciar um precoce e maior envolvimento emocional entre a díade pai/bebé. Palavras-chave: Pai-Bebé; Envolvimento emocional; Bonding; Vulnerabilidade ao Stresse ABSTRACT Problems: Knowing how the father's participation in the whole pregnancy process, labor and delivery results in important contributions to the establishment of early emotional involvement with the baby. Objectives: This study aims to analyze how the emotional involvement in the father/baby dyad is influenced by sociodemographic variables; Analyze whether obstetric variables interfere with the emotional involvement in the father/baby dyad; To describe whether the father's involvement in pregnancy influences the emotional involvement in the father/baby dyad; To analyze whether the presence of the father at childbirth interferes with the emotional involvement in the father/baby dyad; Describe how vulnerability to stress interferes with emotional involvement in the father/baby dyad; To analyze the relationship between vulnerability to stress and the type of emotional involvement in the father/baby dyad. Type of study: We used a quantitative, descriptive, correlational cross-sectional study. As a data collection instrument, we chose the questionnaire, which includes sociodemographic information, obstetric characterization and characterization of the father's involvement during pregnancy, labor and delivery. This instrument includes the Bonding Scale (Figueiredo, Marques, Costa, Pacheco & Pais, 2005) and the Stress Vulnerability Scale - 23 QVS (Vaz Serra, 2000). The sample consisted of 349 parents who accompanied the mother and baby in the child health surveillance consultations in the first six months of the baby's life from three ACES Health Centers, with a total of 349 participants, with a mean age of Years ±6,067. Results: Age, marital status, desired pregnancy, type of delivery, and the fact that the father talk to the fetus were variables that influence the emotional involvement in the father/baby dyad. There is a negative correlation between negative bonding and lack of social support, adverse living conditions, dramatization of existence, subjugation, deprivation of affection and rejection, and total vulnerability to stress, with differences between the variables being statistically significant, with the exception of subjugation. The dimensions of stress vulnerability establish a negative correlation with positive bonding, except for perfectionism and frustration intolerance, suggesting that when the stress vulnerability indexes increase, positive bonding decreases and vice versa. There are significant correlations in inhibition and functional dependence with bonding not clear, indicating that when the indices of these variables increase, bonding not clear also increases. Conclusion: The results obtained reinforce the idea that it is important for nurses of maternal and obstetrical health to value the role of the father in the whole process from pregnancy to the birth of the child, so that an early and Greater emotional involvement between the father/baby dyad. Keywords: Father-Baby; Emotional involvement; Bonding; Stress Vulnerability ÍNDICE INTRODUÇÃO PARTE I ENQUADRAMENTO TEÓRICO TRANSIÇÃO PARA A PARENTALIDADE BONDING: ENVOLVIMENTO EMOCIONAL DO PAI COM O BEBÉ NO PARTO VULNERABILIDADE AO STRESSE VULNERABILIDADE AO STRESSE E BONDING NA DÍADE PAI/BEBÉ PARTE II ESTUDO EMPÍRICO METODOLOGIA PROBLEMA E QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO OBJETIVOS PROCEDIMENTOS FORMAIS E ÉTICOS POPULAÇÃO/AMOSTRA INSTRUMENTO DE RECOLHA DE DADOS PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOS APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS CARACTERIZAÇÃO OBSTÉTRICA CARACTERIZAÇÃO DO ENVOLVIMENTO DO PAI DURANTE A GRAVIDEZ, TRABALHO DE PARTO E PARTO DISCUSSÃO DOS RESULTADOS CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA APÊNDICES E ANEXOS Apêndice I Questionário de caracterização sócio-demográfica Apêndice II - Fotocópia da autorização para aplicação do Instrumento de recolha de dados em três centros de saúde pertencentes ao ACES Pinhal Interior Norte Apêndice III - Consentimento Informado Apêndice IV - Autorizações dos autores das escalas Anexo I - Escala 23 QVS Anexo II - Escala Bonding LISTA DE TABELAS Tabela 1 Estatísticas descritivas (frequência e percentagem) relativas à idade Tabela 2 Caracterização sociodemográfica da amostra (frequência e percentagem) Tabela 3 Estatísticas descritivas (frequência e percentagem) relativas à caracterização obstétrica Tabela 4 Estatísticas relativas à caracterização do envolvimento do pai durante a gravidez, trabalho de parto e parto Tabela 5 - Teste de Kruskal-Wallis para diferença de médias entre a idade e o envolvimento emocional da díade pai/bebé Tabela 6 - Teste de Kruskal-Wallis para diferença de médias entre as habilitações literária e o envolvimento emocional da díade pai/bebé Tabela 7 Teste de Kruskal-Wallis para diferença de médias entre o estado civil e o envolvimento emocional da díade pai/bebé Tabela 8 - Teste de Kruskal-Wallis para diferença de médias entre a duração da relação atual e o envolvimento emocional da díade pai/bebé Tabela 9 - Teste de U-Mann-Whitney para diferença de médias entre este ser o primeiro filho e o envolvimento emocional da díade pai/bebé Tabela 10 - Teste de U-Mann-Whitney para diferença de médias entre esta ser uma gravidez desejada e o envolvimento emocional da díade pai/bebé Tabela 11 - Teste de U-Mann-Whitney para diferença de médias entre esta ser uma gravidez planeada e o envolvimento emocional da díade pai/bebé Tabela 12 - Teste T de Student para diferença de médias entre o tipo de parto e o envolvimento emocional da díade pai/bebé Tabela 13 - Teste de U-Mann-Whitney para diferença de médias entre a presença nas consultas e o envolvimento emocional da díade pai/bebé Tabela 14 - Teste de U-Mann-Whitney para diferença de médias entre a sensação dos movimentos fetais e o envolvimento emocional da díade pai/bebé Tabela 15 - Teste de U-Mann-Whitney para diferença de médias entre falar com o feto e o envolvimento emocional da díade pai/bebé Tabela 16 - Teste T de Student para diferença de médias entre a presença do pai no parto e o envolvimento emocional da díade pai/bebé Tabela 17 - Correlações relativas ao modelo de regressão da vulnerabilidade ao stresse e bonding negativo Tabela 18 - Correlações relativas ao modelo de regressão da vulnerabilidade ao stresse e bonding positivo... 57 Tabela 19 - Correlações relativas ao modelo de regressão da vulnerabilidade ao stresse e bonding not clear... 57 INTRODUÇÃO O estudo que se apresenta tem como foco o estabelecimento do envolvimento emocional - bonding - entre o pai e o bebé, tendo em consideração o pai como elemento da díadeparental cuidadora do recém-nascido, o que passa pela negociação, uma vez que se considera que este pode ser um importante contributo para clarificar e evidenciar a participação dos pais no parto e, simultaneamente, o contributo dos enfermeiros especialistas em enfermagem de saúde materna e obstétrica. A participação do pai no nascimento do bebé resulta em importantes contribuições para o estabelecimento do envolvimento emocional - bonding - entre o pai e o bebé. O envolvimento do pai nos cuidados com o bebé facilita as transformações conjugais que acompanham o nascimento, com consequências benéficas para o próprio pai e para o desenvolvimento da criança (Magalhães, 2011). Estar presente no parto é igualmente uma forma de os homens se sentirem incluídos no processo de geração da vida que decorre no corpo da mulher. Constitui uma rara oportunidade da sua inserção na assistência. Os homens não costumam ser o foco de atenção nos serviços de saúde, mantendo a representação da sexualidade masculina dissociada dos cuidados com a reprodução (Carvalho, 2003). A entrada dos pais na sala de parto ocorreu no seio de famílias nucleares urbanas em países desenvolvidos na década de 70 do século XX, com o intuito da recuperação da afetividade, da valorização da mulher e da recuperação da referência familiar, fatores que se perdiam na passagem do parto domiciliar para o contexto hospitalar. Nas diferentes abordagens, o papel do pai no contexto de sala de partos sobressai como referência emocional ou ainda como apoio à mulher no parto (Carvalho, 2003). De acordo com a mesma autora, Odent (2003), defensor acérrimo da presença do pai no parto, abordou a questão da dificuldade que um pai ansioso pode trazer ao parto. Embora esta possa ser uma realidade, Carvalho (2003) defende que a postura de Odent (2003) deixa transparecer uma visão preconceituosa dos homens como sendo incapazes de ter uma sensibilidade profunda para acompanhar a mulher no parto, revelando igualmente a falta de atenção à qual o pai está exposto no decorre deste processo (Carvalho, 2003). 15 Deste modo, o envolvimento paterno no parto deve ser visto de forma singular, uma vez que o vínculo entre pai-bebé é de extrema importância, sendo este um contributo para o estabelecimento de laços emocionais importantes para o desenvolvimento da própria criança, no futuro (Tomeleri, Pieri, Violin, Serafim & Marcom, 2007). Desta forma, a sua participação no parto é fundamental, inclusive, para a própria humanização do parto e para o envolvimento dos homens nos cuidados aos bebés (Carvalho, 2003). De acordo com Nystrom e Ohrling (2004), para o pai, o parto assume-se como um momento de grandes emoções, permitindo-lhe o primeiro contacto real com o bebé, podendo constituir-se como um dos momentos mais marcantes da vida de um homem, cheio de sentimentos contraditórios, como a excitação, medo e gratificação. É neste contexto que se desenvolve o presente trabalho, que pretende dar resposta às seguintes questões de investigação: i) Será que as variáveis sociodemográficas (idade, estado civil, habilitações literárias e duração do relacionamento) influenciam o envolvimento emocional na díade pai/bebé? ii) Será que as variáveis obstétricas (primeiro filho, gravidez desejada, gravidez planeada e tipo de parto) influenciam o envolvimento emocional da díade pai/bebé? iii) O envolvimento do pai na gravidez (presença nas consultas, sensação dos movimentos fetais, falar com o feto) interfere no envolvimento emocional na díade pai/bebé? iv) Existirá uma correlação (positiva ou negativa) entre a vulnerabilidade ao stresse e o envolvimento emocional na díade pai/bebé? A elaboração deste trabalho surge como um contributo de caráter pessoal e profissional, dado que a investigadora principal sempre desejou ser enfermeira especialista perspetivando que os resultados do estudo venham a revelar-se uma importante ferramenta para otimizar a sua intervenção entanto enfermeira especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica. O presente trabalho está estruturado em duas partes, sendo a primeira reservada à fundamentação teórica e a segunda, ao estudo empírico. Na fundamentação teórica são abordados os conceitos relativos ao fenómeno em estudo, nomeadamente transição para a parentalidade, bonding: envolvimento emocional do pai com o bebé no parto, vulnerabilidade ao stresse e vulnerabilidade ao stresse e bonding na díade pai/bebé. Quanto à segunda parte, o estudo empírico, procede-se inicialmente, no primeiro capítulo, à descrição dos procedimentos metodológicos utilizados, para no segundo se fazer a apresentação e análise dos dados. Por fim, são abordadas, em capítulos separados, a discussão dos resultados e as conclusões, contendo estas as limitações ao estudo e algumas recomendações que se consideram pertinentes. 16 PARTE I ENQUADRAMENTO TEÓRICO 17 18 1. TRANSIÇÃO PARA A PARENTALIDADE O período da gravidez e do nascimento de um filho podem constituir-se como momentos de grande contributo desenvolvimental que abrange vários reajustamentos a nível individual, conjugal e familiar (Gomez & Leal, 2009). Em conformidade com as autoras citadas, ao longo da gravidez, este processo adaptativo é, por norma, acompanhado de ansiedade, que num número significativo de casos é transitória e de intensidade moderada, diminuindo com o nascimento de um bebé saudável. Todavia, a adaptação à parentalidade é influenciada por diversos fatores, nomeadamente relacionais, individuais e contextuais, os quais variam no tempo, de casal para casal e de pessoa para pessoa. É frequente que a experiência fatual, após o nascimento, seja diferente do que os pais possam esperar e muito do stresse vivenciado no parto e pós-parto não tenha sido antecipado. Ainda na perspetiva das mesmas autoras, principalmente para as mulheres, a adaptação pode ser difícil uma vez que são elas que caracteristicamente assumem a responsabilidade primária pelos cuidados ao bebé e as suas expectativas sobre a participação paterna acabam por ser frequentemente insatisfeitas (Gomez & Leal, 2009). A adaptação à parentalidade impõe profundas mudanças aos mais diversos níveis, tendo que ambos os membros do casal de se adaptar às transformações ocorridas quer no que respeita ao corpo materno, quer em relação à mudança de papéis e da adaptação a situações ocorridas durante a gravidez, parto e pós-parto (Brandão, 2009). A mesma autora refere que para os futuros pais o nascimento do bebé constituiu-se como um dos momentos mais importantes da sua vida, caracterizado pela transição, cujo objetivo primordial é preparar os pais para as tarefas complexas e desafiantes que irão surgir. Tendo em conta que ser pai e ser mãe é uma condição que se desenvolve gradualmente, é importante que todos os aspetos sejam revistos, quer a nível comportamental, quer ao da própria identidade e maneira de ser da mulher e do homem. A paternidade outorga ao homem o reconhecimento da sua masculinidade. Todavia, o mesmo tem de assumir que a paternidade equivale igualmente a responsabilidades, tendo o mesmo que assumir as consequências das suas atitudes (Brandão, 2009). Neste sentido, Felizardo (2010), corroborando o preconizado por Brandão (2009), refere que a transição para a parentalidade envolve a obtenção de novos papéis e de responsabilidades que não existiam anteriormente, o que tem levado a dar-se mais importância ao papel do pai, tanto em relação à vivência da gravidez, participação no processo de parto, como em relação à maneira como o mesmo encara a parentalidade. 19 Deste modo, Brandão (2009) salienta que o nascimento de um filho, sobretudo quando é o primeiro, constituiu-se num acontecimento que modifica e reestrutura decididamente a vida dos pais, sendo a vivência do parto, por parte do pai, um momento importante na transição para a parentalidade. Tendo em conta esta problemática, o pai deve ser considerado um dos recetores dos cuidados de enfermagem, o que implica fazer-se uma abordagem à teoria da Transição de Meleis (2007), do seu conceito de
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