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Determinismo e liberdade, filosofia

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1. 1.2 – Determinismo e liberdade na ação humana ARR13 2. As nossas ações resultam dos nossos desejos e crenças O desejo de alcançar um determinado fim e a…
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  • 1. 1.2 – Determinismo e liberdade na ação humana ARR13
  • 2. As nossas ações resultam dos nossos desejos e crenças O desejo de alcançar um determinado fim e a crença de que a nossa ação é a melhor forma de o alcançar Mas, por vezes temos desejos incompatíveis O que fazer? Desejar perder peso Desejar comer doces por exemplo: ARR13 2
  • 3. Terá de deliberar sobre as suas prioridades, tendo em conta outros desejos e crenças seus, para chegar a uma decisão racional Deliberar envolve, no mínimo, duas escolhas 2º escolher o meio mais adequado para satisfazer os nossos desejos ARR13 3 1º escolher quais dos nossos desejos terão prioridade quando não são todos compatíveis
  • 4. A deliberação é racional quando a ação escolhida é um meio adequado para o fim desejado e quando escolhemos satisfazer os desejos que consideramos mais importantes As ações são acontecimentos intencionais ou voluntários que resultam por vezes de deliberação, seja ela racional ou não ARR13 4
  • 5. Searle diz que agir não envolve sempre deliberação, contudo importa compreender a ligação entre deliberação e ação O problema do livre-arbítrio só é relevante no que respeita às ações que resultam das nossas deliberações, e não das que fazemos um pouco por acaso. ARR13 5
  • 6. Fazemos parte do mundo social e histórico em que nascemos; também fazemos parte do universo físico… Se tudo o que acontece no universo for o resultado das leis da natureza e do estado anterior do universo, como podem as nossas ações ser realmente livres? ARR13 6
  • 7. Somos livres porque deliberamos? Somos livres porque escolhemos fazer uma coisa ou outra? A este tipo de liberdade que nos permite fazer uma coisa em vez de outra chama-se livre-arbítrio. ARR13 7
  • 8. A capacidade de fazer escolhas genuínas, para agir de modo diferente ARR13 8
  • 9. E se tudo no universo estiver determinado? Desta forma também as nossas deliberações estão determinadas. E, neste caso, parece que não temos livre-arbítrio. ARR13 9
  • 10. Se cada acontecimento no mundo decorre necessariamente da série de acontecimentos que o antecederam, então tendo ocorrido o fenómeno X, causa de Y, este último tem de ocorrer O determinismo é um conceito importado da física clássica: ARR13 10
  • 11. É a tese de que todos os acontecimentos do universo estão causalmente determinados pelos acontecimentos anteriores. ARR13 11
  • 12. Determinismo Fatalismo As nossas decisões estão causalmente determinadas As nossas decisões são causalmente determinadas por acontecimentos anteriores É a tese de que alguns acontecimentos são inevitáveis, independentemente do que possamos decidir ou fazer As nossas decisões não têm eficácia causal ARR13 12
  • 13. Será o determinismo compatível com a ideia de que temos livre-arbítrio? ARR13 13
  • 14. TEORIAS O determinismo é compatível com o livre- arbítrio? Temos livre-arbítrio? Determinismo Radical Não Não Libertismo Não Sim Determinismo Moderado (Compatibilismo) Sim Sim ARR13 14
  • 15. “Na mente não há vontade absoluta ou livre. A mente é determinada a ter uma ou outra volição por uma causa, que é também determinada por outra causa, e esta por outra, e assim por diante ad infinitum.” Bento de Espinosa ARR13 15
  • 16. Esta teoria combina duas teses: O determinismo é incompatível com o livre-arbítrio. Não temos livre-arbítrio. ARR13 16
  • 17. Não há livre-arbítrio porque as próprias deliberações humanas foram determinadas por causas exteriores, como os acontecimentos da natureza. ARR13 17
  • 18. O determinista radical defende que o livre-arbítrio é uma ilusão. Porquê? Como não temos consciência das causas que nos fazem deliberar ou agir de uma maneira em vez de outra, temos a ilusão que temos livre- arbítrio. ARR13 18
  • 19. Não temos livre-arbítrio Porque estar determinado não é como ser obrigado a fazer uma coisa que não se quer nem se decidiu… ARR13 19
  • 20. Daí, o livre-arbítrio ser uma ilusão, reforçada pelo nosso desconhecimento das causas que determinaram as nossas escolhas ARR13 20
  • 21. Se tudo está determinado, não há livre- arbítrio. Ora, tudo está determinado. Logo, não há livre-arbítrio. ARR13 21
  • 22. ARR13 22
  • 23.  O sentimento de arrependimento ou remorso parece perder o sentido. Como se justifica que nós possamos arrepender-nos das nossas ações, se não formos livres para escolhê-las? ARR13 23
  • 24.  A responsabilidade moral perde validade. Se nas nossas ações somos tão determinados como uma pedra que cai ao ser solta no ar, faz tão pouco sentido responsabilizar uma pessoa pelos seus actos quanto faz sentido responsabilizar a pedra por ter caído. ARR13 24
  • 25. “O homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não se criou a si mesmo; contudo, em todos os outros aspetos, é livre porque uma vez lançado no mundo é responsável por tudo o que faz.” Jean-Paul Sartre ARR13 25
  • 26. O libertista defende duas teses: O determinismo é incompatível com o livre-arbítrio; Temos livre-arbítrio. ARR13 26
  • 27. O mundo ao nosso redor é causalmente determinado, mas as nossas decisões e ações escapam à determinação causal. ARR13 27
  • 28. Alguns eventos da natureza são causados e algumas das nossas ações também. E há uma grande diferença entre um comportamento reflexo e um comportamento resultante da decisão e da vontade. ARR13 28
  • 29. Cada umas das nossas escolhas poderia ter sido diferente, mesmo que tudo o resto fosse igual. Mas, como sabemos que poderia ter sido diferente? Porque temos uma experiência direta do acto de escolher ARR13 29
  • 30. Nós sentimos que somos livres quando tomamos decisões e quando temos vontade de agir, pois podemos decidir sempre de outro modo ou agir de outra forma. ARR13 30
  • 31. A experiência é de tal modo direta que até para nos livrarmos da responsabilidade de escolher temos de escolher fazê-lo. Temos a experiência direta do ato de escolher. ARR13 31
  • 32. Escolher é inevitável. Escolher é a manifestação do nosso livre- arbítrio. O libertista considera que a nossa experiência direta da escolha é muito mais forte do que quaisquer teorias que nos digam que tudo está determinado. ARR13 32
  • 33. O que é escolher? É dar início a uma cadeia causal, que não foi determinada por coisa alguma, excepto a nossa própria escolha. É como se nos apresentassem uma teoria segundo a qual não existimos: dado que temos a experiência direta de que existimos, tal teoria não seria aceite. ARR13 33
  • 34. ARR13 34
  • 35. A dificuldade do libertismo é que não tem um argumento cogente* a favor da ideia de que as nossas escolhas são tão livres quanto nos parecem. * Um argumento para ser bom ou cogente tem de reunir três condições: ser válido, ter premissas verdadeiras e ter premissas mais plausíveis do que a conclusão. 35 ARR13
  • 36. 1º Para o libertista, a experiência da escolha livre, porque é direta, não pode ser uma ilusão. No entanto, ao contrário do que defende o libertista, podemos estar enganados. 36 ARR13
  • 37. Imaginemos a hipótese de que não temos livre- arbítrio: Tal significa que sempre que escolhemos o caminho 2 não poderíamos ter escolhido o caminho 1 ou 3. Há alguma contradição nesta hipótese? Não. Se não temos livre-arbítrio, estamos determinados a escolher o caminho 2, mas temos a ilusão de que poderíamos ter escolhido 1 ou 3. 37 ARR13
  • 38. Também continuaríamos a ter a ilusão de fazer escolhas livres. Se estivermos determinados a escolher o caminho 2, continuamos a ter a ilusão de que poderíamos ter escolhido o caminho 1 ou o 3. E porquê? 38 ARR13
  • 39. Porque estar determinado a escolher o caminho 2 é muito diferente de alguém nos obrigar a escolher esse mesmo caminho. Assim, a dificuldade do libertista é não conseguir excluir a hipótese da nossa impressão de livre-arbítrio ser ilusória. 39 ARR13
  • 40. Assim, a primeira crítica ao libertista é que este não tem bons argumentos a favor da sua ideia de que o livre-arbítrio não é uma ilusão. 40 ARR13
  • 41. Nietzsche é um grande crítico do libertismo, pois defende que as nossas escolhas não são possíveis se não forem determinadas por crenças e desejos, e acrescenta que, crenças indeterminadas não são escolhas. O que diz Nietzsche, é que escolher é ser determinado pelas nossas crenças e desejos – as nossas escolhas resultam de razões. 41 ARR13
  • 42. Desta forma, a segunda crítica ao libertismo é que na sua teoria não há sequer uma concepção plausível de escolha. 42 ARR13
  • 43. 43 “O livre-arbítrio é o poder para agir ou não agir segundo as determinações da vontade.” David Hume ARR13
  • 44. 44 A teoria do determinismo moderado combina duas teses: O determinismo é compatível com o livre- arbítrio; Temos livre-arbítrio. ARR13
  • 45. Temos livre-arbítrio mesmo que tudo esteja determinado. O determinista moderado não diz que tudo está determinado, o que diz é que, mesmo que tudo esteja determinado, isso é compatível com o livre-arbítrio. 45 ARR13
  • 46. Agimos livremente quando as nossas ações resultam da nossa vontade, das nossas crenças e desejos. Se escolhemos fazer algo e se nada nos impede de o fazer, então ao fazê-lo estamos a exercer o nosso livre-arbítrio. 46 ARR13
  • 47. A escolha é o resultado causal de ter certas crenças ou desejos que surgem por um processo natural, isto é, no caso de alguém agir sob efeito de uma droga, doença ou por exemplo, de hipnose, as suas decisões não são livres. Dá exemplos de ações coagidas e ações não coagidas 47 ARR13
  • 48. Desde que não sejamos obrigados ou forçados a escolher algo, e desde que a nossa personalidade seja formada de maneira natural, a nossa escolha é livre. 48 ARR13
  • 49. Os deterministas moderados defendem que temos livre-arbítrio quando agimos sem constrangimentos ou obstáculos, internos ou externos, que nos impeçam de fazer o que desejamos. Ora, se aquilo que desejamos fazer está sempre determinado por acontecimentos anteriores, então, as nossas ações estão sempre constrangidas por acontecimentos anteriores. 49 ARR13
  • 50. A única diferença é que não temos consciência de que estamos constrangidos. Logo, ao contrário do que defende o determinista moderado, não temos livre- arbítrio. 50 ARR13
  • 51.  Aires Almeida, Célia Teixeira, Desidério Murcho, 50 Lições de Filosofia, Didáctica Editora, 2013.  http://criticanarede.com/ 51
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