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  Capítulo I 17 No campo dos distúrbios da fala, a gagueira é uma das áreas de estudo maisfascinantes. Aqueles que nela se aprofundam, se deparam com intrigantes questões,que instigam a curiosidade científica  (2-4,8,12,27) . Ainda não se estabeleceu qual a sua etiologia, nem se explicou porque, em certos casos, o quadro, que surgerepentinamente na infância, às vezes pode desaparecer espontaneamente – semnenhum tratamento – ou, em alguns casos, se cronificar de forma persistente, para oresto da vida (4,10,18) . O seu diagnóstico não é uma tarefa simples, embora existamdiversos critérios para se avaliar tal distúrbio, um consenso sobre quais os maisrelevantes ainda não foi estabelecido (5-7,15) .Por falta de informação especializada sobre o que é a gagueira, como prevení-la, avaliá-la e tratá-la eficientemente (2) , muitos estudantes de fonoaudiologia, oumesmo alguns fonoaudiólogos, não se sentem confortáveis para atender pacientesque gaguejam. Tal fato não se restringe ao Brasil, mas também é observado em outrospaíses (28) . A área da gagueira ainda não se constitui em uma especialidade. No entanto,faz-se necessária uma formação específica (que ainda não é oferecida), para que sepossa compreender melhor tal distúrbio e, desta forma, oferecer serviços de melhorqualidade para a população que apresenta gagueira. Mas isto não vem impedindo oaprimoramento de diversos profissionais que, movidos pelas dificuldades e desafiosque encontram em sua prática clínica com pacientes que gaguejam, vêm buscando,por conta própria, a atualização de seus conhecimentos sobre a gagueira. De fato, já se conta com fonoaudiólogos sérios, capacitados para oferecer serviços de qualidadenesta área. No entanto, as fontes de informações disponíveis são muito reduzidas,em face das demandas que existem neste campo. Muito ainda existe a ser estudadosobre os aspectos essenciais referentes à gagueira. Neste capítulo, pretende-se fornecernoções básicas relativas às suas características e sua etiologia, assim como às diversasteorias que foram propostas ao longo dos anos. Antes, porém, convém esclarecer ao leitor que ao longo deste capítulo otermo “sintoma” – que, devido a diferentes enfoques, pode ser entendido como sinalde doença ou de conflitos inconscientes – está sendo empregado de acordo com umsentido específico. Na literatura sobre gagueira, vem sendo utilizado para denotarum comportamento que expressa um aspecto do próprio distúrbio (12) , ou uma  Noções Básicas Sobre a Gagueira:suas características, sua etiologia  e as teorias sobre sua natureza  Lucia Maria Gonzales Barbosa  resumo site gagueira.p65 16/4/2005, 11:31 1  manifestação indicativa de um distúrbio (13) .    Assim, neste texto, deve-se considerar quea palavra “sintoma” está sendo usada com base em tal perspectiva.  AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA GAGUEIRA   A gagueira é um distúrbio universal, referido em todas as partes do mundoe encontrado entre todas as raças e classes sócio-econômicas (5,10,20) . Geralmentesurge na infância, no período entre os dois e os cinco anos de idade. O seuaparecimento costuma ser gradual. Por isso, nem sempre os seus primeiros sintomassão facilmente identificados. Porém, um terço das crianças pode começar a gaguejarabruptamente (1,5,10,11,18) .Entre 50 a 80% das crianças que apresentam sintomas de gagueira na infância conseguem se recuperar, com ou sem tratamento fonoaudiológico, antes da puberdade. Até os 16 anos, 84% das crianças que já gaguejaram terão se recuperado (1,5,18) . Talremissão da gagueira costuma ocorrer, no máximo, em até dois anos ou ao redor dos18 meses, após o surgimento de seus primeiros sintomas (10) . Depois desta época, a gagueira pode manter-se estável, progredir ou piorar, mas jamais desaparecercompletamente. Após o estabelecimento do quadro, a tendência é a de se cronificar.Por isso, a recuperação do adolescente ou do adulto é sempre parcial, sendo que emmuitos casos a cura não é alcançada (4,8,13) .Sua incidência, ou seja, a porcentagem da população que gaguejou em algummomento de sua vida, é de 4%. No entanto, após a puberdade tal número sobe para 5% (1,5,13,18) . Quanto à sua prevalência, ou seja, a porcentagem da população quegagueja em um determinado período é de 1% para crianças. Esta porcentagem semantém constante até por volta dos 12 anos de idade. A partir daí, tende a declinar,em função do curso da gagueira (1,5,13,18) . Após a puberdade encontra-se ao redor de0,8%, podendo chegar a 0,5%. Sua prevalência é menor do que sua incidência porquea remissão espontânea do quadro costuma ocorrer antes da adolescência. A gagueira afeta mais o sexo masculino do que o feminino, numa proporçãode 2.3:1 a 3.0:1. Há, praticamente, três vezes mais homens do que mulheres, entre a população que gagueja (1,4,5,12,18,20) .Tal distúrbio tende a ocorrer dentro de famílias que já possuem outrosmembros que também gaguejam, ou gaguejaram (1,4,5,20) . Em comparação com a população em geral, o risco para a gagueira é três vezes maior, entre parentes deprimeiro grau de indivíduos que gaguejam (1,4,5) . Um terço ou metade de tais indivíduosreferem que possuem um membro de sua família que gagueja ou que já gaguejou (12) .Há evidências de transmissão genética, principalmente a partir dosestudos com gêmeos. Gêmeos univitelinos (monozigóticos) têm maioresprobabilidades de ambos se tornarem gagos do que gêmeos fraternos (dizigóticos) (1,5,12,20) . De fato, acredita-se que a predisposição para gaguejar deva ser determinada por fatores genéticos (12,13,17) . resumo site gagueira.p65 16/4/2005, 11:31 2  Trabalhar clinicamente com os distúrbios da fluência requer do fonoaudiólogoa apropriação de conhecimentos específicos desta área. Nesse sentido ,  este capítulobusca fornecer informações e referências para que se possa identificar e diferenciar asdisfluências, auxiliando assim no processo diagnóstico e possibilitar encaminhamentose abordagens terapêuticas adequados. Muitos são os distúrbios da fluência. A seguirserão descritos, além da gagueira, a disfluência psicogênica, disfluência neurológica,taquifemia e a disfluência como conseqüência de um atraso na aquisição de fala elinguagem.Se considerarmos qualquer distúrbio de fluência como gagueira o resultadopode ser um tratamento ineficaz. Algumas abordagens ,  além de não apresentarem oresultado esperado sobre a disfluência do indivíduo, podem ainda, constituir fatoragravante do distúrbio da fluência. Devemos considerar também que algunsprocedimentos utilizados na terapia de gagueira mostram-se prejudiciais às disfluênciaspsicogênicas, por exemplo.O fonoaudiólogo é, freqüentemente, o primeiro profissional a ser procuradopela pessoa - ou família da pessoa - com alteração da fluência da fala. É fundamental,portanto, que este profissional conheça profundamente os diversos distúrbios da fluência, suas características, suas diferenças e suas peculiaridades, para realizar uma avaliação fonoaudiológica minuciosa e melhor conduzir o caso. Ao reconhecermos asdiferentes disfluências, observamos que, por vezes, torna-se necessário recorrer a uma equipe multidisciplinar a fim de obter-se um diagnóstico mais preciso. Observa-setambém que em determinados distúrbios da fluência, o tratamento fonoaudiológicoé insuficiente e o encaminhamento a outros profissionais torna-se fundamental para que se obtenha resultados terapêuticos satisfatórios. GAGUEIRA   Apesar da gagueira ser um distúrbio de fala bastante freqüente (cerca de1% da população (1) ) e conhecido desde tempos remotos, ainda não existe um consensoem relação à sua definição e provável causa. A Stuttering Foundation of América (10) , DIAGNÓSTICO DIFERENCIALDAS DISFLUÊNCIAS Capítulo II Verena Maiorino Degiovani  33 resumo site gagueira.p65 16/4/2005, 11:31 3  registra 12 definições de gagueira que variam de acordo com os estudos e experiênciasde cada autor. Uma das definições mais aceita divide o tema em vários tópicos.  A gagueira tem seu início predominantemente na infância: como já relatado,a gagueira tem seu início predominantemente na infância e, em menor proporção,na adolescência. Dessa forma, quando nos deparamos com uma pessoa com queixa de que seu distúrbio de fluência teve início na fase adulta, este caso deve serexaustivamente investigado, pois podemos estar frente a um caso de disfluência psicogênica ou disfluência neurológica. Durante a anamnese, pode-se constatar quea alteração da fluência já existia anteriormente mas de uma forma mais amena ouque nunca foi valorizada até o momento que a disfluência passa a ser um obstáculona vida pessoal e/ou profissional desta pessoa. Fatores etiológicos ainda não totalmente identificados : a causa da gagueira ainda não foi completamente esclarecida. Ao se investigar o início da gagueira emcrianças observou-se que, na maioria delas, não era possível afirmar com precisãoquais os fatores que eram responsáveis pelo seu desencadeamento (20) . Na grandemaioria dos casos não havia conflitos aparentes, doenças, oportunidades de imitação,choques ou experiências de medo. A gagueira parecia se iniciar em condições normaisde vida e comunicação. Sendo assim, nos casos onde há um marco claro do início da gagueira, devemos ficar atentos para não confundi-la com outro distúrbio da fluência. Apesar de existirem algumas linhas de pesquisas que tentam explicar a(s) possível (is)causa(s) da gagueira, nenhuma delas dá conta de toda a sua complexidade. As pesquisasatualmente tendem a defender a multicausalidade, ou seja, tendem a considerar quea gagueira é causada pela inter-relação de fatores lingüísticos, orgânicos, psicológicose sociais. Repetições diferentes das “normais”:  ao observarmos a fala de pessoas semqueixa de gagueira, eventualmente encontramos repetição de sílabas, de palavras ebreves prolongamentos, porém a freqüência é pequena e dificilmente vem associada à tensão. Não se encontram bloqueios ou pausas inadequadas.  A gagueira é modificada com a intervenção terapêutica: existem algumasestratégias que promovem a fluência na fala de pessoas apresentando gagueira comoé o caso de cantar, ler em uníssono, usar da fala sussurrada, falar no ruído (utilizando-se de fone de ouvido), fenômeno de adaptação na leitura (quanto mais vezes ummesmo texto é lido pelo paciente, mais fluente ele vai se tornando neste texto) eautomatismo. Dificilmente o paciente gagueja ao contar de 0 a 10, por exemplo, ouao fazer uma oração a que está habituado. Caso esses “fenômenos” não ocorram na fala da pessoa que está sendo avaliada, mais uma vez devemos ficar atentos aodiagnóstico diferencial com outros distúrbios da fluência. Movimentação secundária não evidente durante os períodos de fluência  :há evidências de que a movimentação secundária, ou seja, os movimentos que a pessoa que gagueja faz durante os períodos de disfluência — como, por exemplo, jogar o pescoço para trás, piscar os olhos com tensão, bater as mãos no joelho, arregalar resumo site gagueira.p65 16/4/2005, 11:31 4
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