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Ecos De Poe - traduções de The Raven para a língua portuguesa

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2. Mariana Klafke 3. Edgar Allan Poe (1809 – 1849) 4. O poema “O Corvo” foi publicado pela primeira vez em 29 de Janeiro de 1845, no New York Evening Mirror , e,…
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  • 2. Mariana Klafke
  • 3. Edgar Allan Poe (1809 – 1849)
  • 4. O poema “O Corvo” foi publicado pela primeira vez em 29 de Janeiro de 1845, no New York Evening Mirror , e, desde então, tornou-se alvo de diversas traduções, adaptações, estudos e ensaios . O presente ensaio pretende comparar as traduções do poema de Poe de Machado de Assis, Emílio Menezes, Fernando Pessoa e José Lira Ortigão para a língua portuguesa.
  • 5. Figuras poéticas <ul><li>CORVO -> crow ≠ raven </li></ul><ul><li>mitologias </li></ul><ul><li>pode aprender a falar </li></ul><ul><li>LENORE -> nome importante na obra de Poe </li></ul><ul><li>BUSTO DE PALLAS -> não é Atena </li></ul>
  • 6. Aspectos formais <ul><li>Repetição hipnótica da forma –ore nos finais do 2°, 4° e 5° versos, ecoando na chave final: a palavra é quase uma personagem do poema </li></ul><ul><li>short history: o poema tem caráter narrativo, o que se caracteriza em determinadas construções, como Once upon a midnight [...], Ah, distinctly I remember [...] , So that now [...] e Open here I [...] </li></ul>
  • 7. Tradução de Machado de Assis <ul><li>1ª tradução para o português </li></ul><ul><li>Influência da tradução de Baudelaire </li></ul><ul><li>Altera o desenho rítmico e melódico do poema de Poe, quebrando os versos em dois e reduzindo os blocos rítmicos (em Poe eram 11, e em Machado são 10) </li></ul>
  • 8. Comparação da 3ª estrofe do poema, no original de Poe e na tradução de Machado de Assis
  • 9. <ul><li>E o rumor triste, vago, brando </li></ul><ul><li>Das cortinas ia acordando </li></ul><ul><li>Dentro em meu coração um rumor não sabido, </li></ul><ul><li>Nunca por ele padecido. </li></ul><ul><li>Enfim, por aplacá-lo aqui no peito, </li></ul><ul><li>Levantei-me de pronto, e: “Com efeito, </li></ul><ul><li>(Disse) é visita amiga e retardada </li></ul><ul><li>Que bate a estas horas tais. </li></ul><ul><li>É visita que pede à minha porta entrada: </li></ul><ul><li>Há de ser isso e nada mais”. </li></ul><ul><li>And the silken, sad, uncertain rustling of each purple curtain </li></ul><ul><li>Thrilled me – filled me with fantastic terrors never felt before; </li></ul><ul><li>So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating, </li></ul><ul><li>“‘ T is some visitor entreating entrance at my chamber door – </li></ul><ul><li>Some late visitor entreating entrance at my chamber door; – </li></ul><ul><li>This it is, and nothing more.” </li></ul>
  • 10. Além das visíveis mudanças no desenho rítmico e melódico do poema, podemos perceber algumas alterações imagéticas e semânticas. A cor das cortinas e do encosto da poltrona não são citadas na tradução de Machado, o que leva a uma perda significativa da caracterização vívida do ambiente percebida no poema de Poe. O fantastic terrors de Poe, que é bastante explícito, é substituído por um vago rumor não sabido na tradução de Machado. A seguir, há um erro de compreensão no trecho never felt before : Machado de Assis traduz o trecho por nunca por ele [o coração] padecido , enquanto o trecho tem sentido absoluto, e não particularizado no narrador.
  • 11. Um ponto positivo da tradução de Machado foi manter o nome da amada Lenore, adaptado para Lenora: Supus então que o ar, mais denso, Todo se enchia de um incenso, Obra de serafins que, pelo chão roçando Do quarto, estavam meneando Um ligeiro turíbulo invisível; E eu exclamei então: “Um Deus sensível Manda repouso à dor que te devora Destas saudades imortais. Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora”. E o corvo disse: “Nunca mais”.
  • 12. Tradução de Emílio Menezes <ul><li>1917 </li></ul><ul><li>Poeta parnasiano </li></ul><ul><li>Formato de sonetos </li></ul><ul><li>Influenciado por Machado de Assis </li></ul>
  • 13. <ul><li>I </li></ul><ul><li>Desta amarga existência em certo, [ ] amargo dia, </li></ul><ul><li>À hora da meia-noite, augural e profana, </li></ul><ul><li>Eu, de velha doutrina, as páginas relia, </li></ul><ul><li>Curvo ao peso do sono e da fadiga insana. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Mal do meu pensamento a direção seguia </li></ul><ul><li>Por essa hora de horror em que da treva emana, </li></ul><ul><li>Toda em funda hediondez, desoladora e fria, </li></ul><ul><li>A [Da] atra recordação, a atra saudade humana. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Foi assim que senti, do meu triste aposento, </li></ul><ul><li>Como um leve sussurro a passar, lento e lento, </li></ul><ul><li>E uma leve pancada a bater nos umbrais. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Disse comigo: [é] alguém [que] vem, pela noite fora, </li></ul><ul><li>Em [Vem,] retarda visita [,] e retarda-se agora... </li></ul><ul><li>A bater mansamente à porta, nada mais!... </li></ul><ul><li>II </li></ul><ul><li>Ó se o recordo, e bem! numa invernia brava, </li></ul><ul><li>O ríspido e glacial Dezembro decorria, </li></ul><ul><li>E da lareira ao chão, cada brasa lançava </li></ul><ul><li>O supremo fulgor da sua lenta agonia. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>E eu, a esperar, em vão, a aurora que tardava, </li></ul><ul><li>Queria, em vão, achar nessa velha teoria </li></ul><ul><li>Contida no volume antigo que estudava, </li></ul><ul><li>Um consolo sequer à dor que me pungia. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Em vão! consolo, em vão! à minha dor profunda </li></ul><ul><li>Em vão! repouso, em vão! à alma que se me inunda </li></ul><ul><li>Desta imortal saudade aos prantos imortais. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Porque jamais se esquece alma consoladora </li></ul><ul><li>Como essa que nos céus é chamada Eleonora, </li></ul><ul><li>Nome que nunca mais ouvirei, nunca mais! </li></ul>
  • 14. A estrutura do soneto conduz, por si só, a um fecho, que leva a um efeito de sobressalto absolutamente inexistente no poema de Poe, que se desenrola de forma natural por sua estrutura narrativa. Porém, a tradução de Menezes também carrega a vantagem de Machado de Assis: manter o nome da amada perdida, desta vez adaptado para Eleonora.
  • 16. Tradução de Fernando Pessoa <ul><li>1924 </li></ul><ul><li>“ ritmicamente, conforme o original” </li></ul><ul><li>Desvirtua freqüentemente as figuras poéticas em prol do ritmo </li></ul>
  • 17. Comparação da 2ª estrofe do poema, no original de Poe e na tradução de Fernando Pessoa
  • 18. Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro, E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais. Como eu qu’ria a madrugada, toda a noite aos livros dada P’ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais – Essa cujo nome sabem as hostes celestiais, Mas sem nome aqui jamais! Ah, distinctly I remember it was in the bleak December, And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor. Eagerly I wished the morrow; – vainly I had sought to borrow From my books surcease of sorrow – sorrow for the lost Lenore – For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore – Nameless here for evermore.
  • 19. Primeira e mais evidente constatação, Pessoa elimina o nome Lenore, transformando-a simplesmente em amada, eliminando um dilema surgido ao privilegiar as rimas em –ais . Além disso, o trecho Mas sem nome aqui jamais , claramente criado para manter essa mesma rima em –ais , dá uma idéia exatamente contrária a que está presente no poema de Poe, Nameless here for evermore.
  • 20. Comparação da 7ª estrofe do poema, no original de Poe e na tradução de Fernando Pessoa
  • 21. Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento, Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais, Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais, Foi, pousou, e nada mais. Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter, In there stepped a stately Raven of the saintly days of yore; Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he; But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door – Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door – Perched, and sat, and nothing more.
  • 22. Na tradução da 7ª estrofe, Fernando Pessoa comete um equívoco ao traduzir Pallas por Atena. Apesar dos problemas citados, é importante lembrar que Pessoa tinha explicitamente o objetivo de realizar uma tradução que valorizasse sobretudo o aspecto rítmico do poema de Poe; nesse sentido, ele se sai muito bem.
  • 23. Tradução de José Lira Ortigão <ul><li>Forma de cordel </li></ul><ul><li>Tentativa de popularização do poema </li></ul><ul><li>Perda de algumas figuras poéticas </li></ul>
  • 24. Comparação da 7ª estrofe do poema, no original de Poe e na tradução de José Lira Ortigão
  • 25. 7 De um pulo à janela vou, De um golpe eu abro a janela, E eis que de pronto por ela Um corvo no quarto entrou, Sem notar minha presença, E depressa, e sem licença, E sem maneiras formais, No meu portal, à vontade, Pousou, e então, à vontade, Lá ficou – e nada mais. Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter, In there stepped a stately Raven of the saintly days of yore; Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he; But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door – Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door – Perched, and sat, and nothing more.
  • 26. A referência ao busto de Pallas simplesmente some, ao dizer apenas que o corvo entrou e pousou. A falta desta figura poética tira muito da força imagética do verso. Talvez esta falta deva-se à tentativa de popularização do poema, mas certamente não era algo indispensável.
  • 27. Comparação da 2ª estrofe do poema, no original de Poe e na tradução de José Lira Ortigão
  • 28. 2 Ai, bem quisera esquecer, E não lembrar, como lembro: Era no mês de dezembro, Brasa em cinza a se fazer. Nos livros que eu estudava Consolo à dor não achava, Ai, que em vão eram meus ais, Chamando, em vão, por Lenora – Que aos anjos ouve Lenora, Porém a mim – nunca mais... Ah, distinctly I remember it was in the bleak December, And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor. Eagerly I wished the morrow; – vainly I had sought to borrow From my books surcease of sorrow – sorrow for the lost Lenore – For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore – Nameless here for evermore.
  • 29. Interessante notar que, ao contrário de Pessoa, por exemplo, Ortigão procura desfazer a associação de dezembro com algo frio ou sombrio, adaptando assim a tradução do poema para a realidade da comunidade a qual ela se dirige. Outra diferença em relação ao original é que o tradutor acrescenta por si mesmo a informação de que o narrador queria esquecer, informação esta não expressa no original, que diz somente Ah, distinctly I remember [...] .
  • 30. O que podemos perceber ao comparar diferentes traduções de “The Raven” é o quanto um mesmo texto carrega diferentes possibilidades de reescrita, principalmente quando para outra língua e outra época. Cada uma das traduções supracitadas têm suas vantagens e desvantagens, umas sobre as outras e até mesmo sobre o original de Poe; de qualquer forma, o mais importante é notar as possíveis motivações dessas diferenças.
  • 31. Enquanto a tradução de Machado de Assis, primeira em língua portuguesa, tenta replicar o relevo emocional de “The Raven”, Fernando Pessoa, por outro lado, tem o objetivo explícito de realizar uma tradução que valorize sobretudo o aspecto rítmico; Emílio Menezes, como bom parnasiano, traduz o poema de Poe em forma de soneto, enquanto José Lira Ortigão se aventura em uma tradução em forma de cordel, com o objetivo de tornar “The Raven” mais simples e popular.
  • 32. Com metas tão diversas, só poderiam mesmo surgir muitas traduções diferentes. Deve-se sempre lembrar o quanto um clássico como este poema de Poe carrega minúcias que levam a muito trabalho, mas permitem também muitas versões; e, sobretudo, é necessário lembrar que um clássico merece muitas possibilidades de transmissão e sobrevivência.
  • 33. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS   ABRAMO, Cláudio Weber. A espada no livro: The Raven , de Edgar Allan Poe, referências e suas traduções. Disponível em: < http ://www. scribd .com/doc/18047587/analise-corvo > Acesso em 06 nov. 2009.   POE, Edgar Allan. A Filosofia da Composição. Disponível em: http ://www.ufrgs. br / proin / versao _2/ poe /index64. html > Acesso em: 06 nov. 2009.
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