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Estrada real

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1. SAÍDA: 01/05/2011 CHEGADA: 17/05/2011 1º Dia: Diamantina –São Gonçalo R. das Pedras. 33 km 2º Dia: São G. R. das Pedras - Itapanhoacanga. 54 km 3º Dia:…
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  • 1. SAÍDA: 01/05/2011 CHEGADA: 17/05/2011 1º Dia: Diamantina –São Gonçalo R. das Pedras. 33 km 2º Dia: São G. R. das Pedras - Itapanhoacanga. 54 km 3º Dia: Itapanhoacanga – Conc. Mato Dentro. 47 km 4º Dia: Conc. Mato Dentro –Itambé M. Dentro. 64 km 5º Dia: Itambé Mato Dentro – Bom. J. Amparo. 44 km 6º Dia: Bom. J. Amparo – Catas Altas. 73 km 7º Dia: Catas Altas – Mariana. 54 km 8º Dia: Mariana - Congonhas do Campo. 90 km 9º Dia: Congonhas do Campo – São J. Del Rei. 100 km 10º Dia: São João Del Rei . Passeios. 11º Dia: São João Del Rei – São Vicente MG . 100 km 12º Dia: São Vicente de MG – Caxambu . 70 km 13º Dia: Caxambu – Passa Quatro. 50 km 14º Dia: Passa Quatro . Passeios. 15º Dia: Passa Quatro – Guaratinguetá. 70 km 16º Dia: Guaratinguetá – Cunha. 53 km 17º Dia: Cunha – Paraty. 57 km. TOTAL: 959 km. Média: 56,4 km/dia. DIAMANTINA OURO PRETO PARAT Y RIO A Estrada Real passa por 177 municípios, sendo 162 em Minas Gerais, 8 no Rio de Janeiro e 7 em São Paulo. Tem 1.600 quilômetros de extensão e mais de 80 mil km2 de área de influência.
  • 2. ESTRADA REAL Nome alusivo a qualquer via terrestre que, à época do Brasil Colônia, era percorrida no processo de povoamento e exploração econômica de seus recursos, em articulação com o mercado internacional. Dentro de uma visão historiográfica tradicional, o conceito de Estrada Real pressupõe: natureza oficial, exclusividade de utilização e vínculo com a mineração. Nessa perspectiva, a designação "Estrada Real" reflete o fato de ser esse o caminho oficial, único autorizado para a circulação de pessoas e mercadorias. A abertura ou utilização de outras vias constituía crime de lesa-majestade, encontrando-se aí a origem da expressão descaminho com o significado de contrabando. Por outro lado, uma moderna visão admite: natureza tradicional e uma referência de bons caminhos; utilização geral, universal, pública; vínculo com outras atividades, como o comércio e a pecuária; existências anteriores e/ou posteriores à mineração; desvinculados das zonas mineradoras. Esses caminhos se dividem em: Caminho Velho : Vai de Paraty até Vila Rica (atual Ouro Preto). A partir da descoberta de ouro na região de Cataguá (atual MG), em fins do século XVII, esse caminho transformou-se na rota preferida para chegar à região das Minas Gerais. Na direção oposta o ouro era transportado até Paraty e, posteriormente, por mar, de Paraty para o Rio de Janeiro, embarcando para Portugal. Essa via estendia-se por mais de 1.200 quilômetros, percorridos em até 95 dias de viagem; Caminho Novo: foi idealizado em 1698 e concluído em 1707. Saía do fundo da Baía de Guanabara, sobia por Xerém, passava por Paty do Alferes e Miguel Pereira até encontrar o Caminho Velho no arraial de Vila Rica, atual Ouro Preto. Foi aberto por Garcia Rodrigues Paes, como alternativa ao Caminho Velho, evitando, dessa forma, a rota marítima entre Paraty e o Rio de Janeiro, sujeita aos freqüentes ataques de piratas e corsários. Entre 1722 e 1725, o Caminho Novo recebeu uma variante, chamado Caminho do Proença ou Caminho de Inhomirim, que evitava a perigosa e acidentada subida por Xerém. Esse caminho segue pela Serra da Estrela ou serra de Petrópolis (denominações locais da Serra do Mar) até Paraíba do Sul, passando por Petrópolis, Itaipava, Pedro do Rio, Secretário e Queima Sangue, entre outras localidades.
  • 3. ESTRADA REAL CAMINHO DOS DIAMANTES DIAMANTINA (MG) A OURO PRETO (MG) O Caminho dos Diamantes, com 393quilômetros, liga Diamantina a Ouro Preto. Passou a ter grande importância a partir de 1729, quando as pedras preciosas de Diamantina ganharam destaque nas economias brasileira e portuguesa. Além da história de seus municípios, da cultura latente e da gastronomia típica, o Caminho dos Diamantes destaca-se pela beleza natural. A principal delas é o esplendor e a imponência da Serra do Espinhaço.
  • 4. 01/05/2011. (DOMINGO, DIA DO TRABALHO). DIAMANTINA (MG) A SÃO GONÇALO DO RIO DAS PEDRAS (MG). 33 KM PERCORRIDOS. Saí de Diamantina às 9h. Tempo bom, céu limpo e temperatura agradável. Nos primeiros quilômetros, a ER é plana e larga, igual à pista de aeroporto. As primeiras pedaladas foram lentas para sentir a aventura que se iniciava e apreciar a paisagem colossal da Serra do Espinhaço. No Estado de Minas Gerais, encontra-se o maior conjunto de terras altas do País, formado pela Serra do Espinhaço, pela Serra da Mantiqueira e pela Serra do Mar, os chamados “mares de morros”, que marcam a maior parte do relevo do Sudeste brasileiro. De Diamantina a Paraty atravessei essas três serras, com subidas insanas, descidas alucinantes e visual de se fazer reverência. A Estrada Real tem que ser percorrida em ritmo lento, de bicicleta, a cavalo ou a pé. Assim, o viajante pode bebericar toda a beleza que se descortina aos seus olhos. Não tive pressa ao percorrer a ER. Não estava competindo e nem havia um pódio de chegada em Paraty. A sensação de vencer esses caminhos eu comemorei silenciosamente, sentindo a alegria de estar cumprindo um desejo antigo: pedalar pela mesma rota feita pelos tropeiros do Brasil Colônia. No entanto, ao invés de ouro, eu carregava o desejo pela aventura e o cumprimento de uma missão. Diferentemente dos tropeiros, que viajavam em comboio, eu fui sozinho, mas sem me sentir solitário. Às vezes é salutar ficar sozinho para estabelecer um diálogo interno e descobrir nossa força pessoal. Fotos: F. Mendes
  • 5. DIAMANTINA (MG) A SÃO GONÇALO DO RIO DAS PEDRAS (MG). Durante o planejamento da viagem e a elaboração do percurso, constatei que a altimetria da ER é marcada por fortes aclives e declives. Na saída de Diamantina, ocorrida às 9h de uma ensolarada manhã do dia 1/05/2011, o GPS indicava 1.200m de altitude. Nos primeiros oito quilômetros percorridos, a cota altimétrica caiu para 1.000m e atravessei a ponte sobre o Ribeirão do Inferno. Em seguida, uma subida dos infernos, em forte ângulo de inclinação, me levou de volta aos 1.200m iniciais. Foi possível sentir que o sobe e desce é constante. Após vencer a primeira ladeira – entre muitas que encarei até Paraty – passei a pedalar num platô, com quatro quilômetros de extensão (foto) até chegar a descida que me levou ao Povoado do Vau, onde parei para almoçar. Eram 13h. Havia pedalado apenas 26 quilômetros e gasto, para tal, 4 horas. Média de medíocres 6km/h. Nesse povoado, em qualquer casa que o viajante bata à porta e peça almoço a comida é garantida. Faz parte da hospitalidade mineira, presente em todo o trajeto. Degustei arroz, feijão, ovo e asa de peru. Tomei uma Coca-Cola e quando fui pagar, quase não acreditei: apenas R$ 7,00. Deixei a pequena localidade do Vau, que pertence à jurisdição de Diamantina, e desci até a cota de 900m, a mais baixa do dia. Atravessei a ponte sobre o Rio Jequitinhonha, que tem sua nascente ali perto. Esse rio marca a divisa entre os municípios de Diamantina (MG) e Serro (MG). Eram 15h 05. VAU E SÃO GONÇALO DO RIO DAS PEDRAS Foto: F. Mendes
  • 6. DIAMANTINA (MG) A SÃO GONÇALO DO RIO DAS PEDRAS (MG). De uma margem à outra, a distância é de pouco mais de 1 metro. Quando o Jequitinhonha lança suas águas no Atlântico, na localidade de Belmonte (BA), a distância entre as margens ultrapassa três quilômetros. Após a travessia da ponte, veio a mais radical subida daquele dia. Em apenas 2,5 quilômetros, saí da cota 900m para chegar à cota 1.100m, na qual está São Gonçalo do Rio das Pedras (MG). Eram 16h 30 e dei por encerrada a jornada daquele primeiro dia, sabendo que a viagem, por conta da altimetria e das condições do piso da ER, seria mais penosa do que imaginei. Por sugestão de um amigo de Brasília, que fez a ER em 2009, dirigi-me à Pousada Fundo de Quintal e por lá me acomodei. Trata-se da casa do Sr. Ademil, sujeito boa praça, que também é dono de um empório que tem de tudo. Me senti em casa. Assisti pela TV à final do Campeonato Carioca. O Vasco desperdiçou três penalidades e o Flamengo levantou pela 32ª vez o título de campeão do Estado do Rio de Janeiro. Fotos: F. Mendes
  • 7. DIAMANTINA (MG) A SÃO GONÇALO DO RIO DAS PEDRAS (MG). São Gonçalo do Rio das Pedras teve sua origem ligada à exploração do ouro, o declínio da mineração e o isolamento geográfico do distrito. Assim foram conservados praticamente todos os elementos arquitetônicos e paisagísticos dos séculos XVIII e XIX. É um lugar pacto, daqueles em que o tempo tem preguiça de passar. Poderia ficar por ali dias e não sentir tédio. As ruas possuem calçamento de pedras e as casas conservam o estilo colonial. É passagem obrigatória dos viajantes da ER. Depois do banho saí em busca de um lugar para jantar. Indicado pelo Sr. Ademil, fui à Pizzaria Quero Mais e comi deliciosa pizza portuguesa. Voltei à pousada e fui me deitar para merecido descanso após vencer um trecho com subidas infernais e paisagens maravilhosas, nas quais o cerrado mineiro e a Serra do Espinhaço se fazem presentes. SERRA DO ESPINHAÇO Foto: F. MendesSERRA DO ESPINHAÇO Considerada a única cordilheira do Brasil. Tem aproximadamente 1.000 quilômetros de extensão, parte em Minas Gerais e parte na Bahia. Possui o maior afloramento de calcário do País, jazidas de ouro, ferro, bauxita e manganês. Estima-se que sua idade geológica seja de 2,5 bilhões de anos. Funciona como divisor de águas. A leste, todos os rios tendem ao Atlântico, enquanto que a oeste inflam o sistema hídrico do São Francisco. A largura da Serra do Espinhaço varia de 50 a 100 quilômetros. Vales e picos são interpostos, configurando um terreno bastante acidentado. É Reserva da Biosfera, contém muitas áreas de proteção e outras de preservação, além de reservas particulares. Fonte: Brasília-Paraty, somando pernas para dividir impressões. Weimar Pettengil – Brasília – Editora Thesaurus, p.90.
  • 8. 02/05/2011. (2ªf) SÃO GONÇALO DO RIO DAS PEDRAS (MG) A ITAPANHOACANGA (MG). 54 KM PERCORRIDOS. Embora eu seja adepto da filosofia de que toda viagem tem que começar depois das 8h da manhã, naquele segundo dia de jornada levantei da cama muito cedo. Havia dormido por longas 11 horas – coisa que jamais consigo em minha rotina. Ciente dos 65 quilômetros que me aguardavam, comecei a pedalar bem cedo. Às 6h cheguei à cozinha da pousada, tomei café da manhã na companhia de toda a família do Sr. Ademil, que me passou dicas valiosas acerca do trecho até a cidade do Serro. Uma delas eu adorei. Do pequeno povoado de Milho Verde – sete quilômetros à frente de São Gonçalo – até o Serro, a ER encontra-se asfaltada. Parti às 7h. Entre São Gonçalo e Itapanhoacanga as subidas e as descidas são mais leves do que as encontradas no dia anterior entre Diamantina e São Gonçalo. Percorrer 65 quilômetros nessas condições me pareceu possível. Os 30 quilômetros que separam São Gonçalo do Serro foram percorridos em pouco mais de uma hora. Fiquei uns 30 minutos fotografando o centro histórico da cidade do Serro. Saquei dinheiro no BB e fui degustar um pedaço do queijo do Serro, o melhor do Brasil. Aproveitei para tomar uma dose de pinga, que o dono do estabelecimento disse ser a melhor de Minas Gerais. Tive minhas dúvidas. Às 9h 32 segui no rumo de Alvorada de Minas , 18 quilômetros à frente, em estrada recém asfaltada. Que maravilha. O tempo estava esplendoroso: céu sem nuvens e temperatura de 22ºC. IGREJA SANTA RITA. SERRO (MG).. IGREJA SANTA RITA. SERRO (MG) Foto: F. Mendes
  • 9. SÃO GONÇALO DO RIO DAS PEDRAS (MG) A ITAPANHOACANGA (MG). A média horária, muito baixa no dia anterior, passou a ser de 20 km/h, o que elevou bastante o moral. O dia ensolarado e a paisagem magnífica me deram forças para pedalar firme e chegar a Alvorada de Minas (3.500 habitantes) às 10h 40. Naquele ritmo alcançaria Itapanhoacanga a tempo de fotografar a cidade. Fui conhecer a Igreja de Santo Antonio, do século XVIII. Alvorada de Minas teve sua ocupação com o início da mineração do ouro no Rio do Peixe, a partir de 1712. Almocei e segui rumo a Itapanhoacanga, retornando à ER às 12h, agora em leito natural. Alvorada, como a maioria das cidades da Estrada Real pelas quais passei, fica dentro de um buraco fundo. Descia pra chegar. Penava pra sair. Pedalei por dois quilômetros uma subida forte até ver Alvorada lá baixo, bem pequena e com a torre da igreja matriz em destaque. Até ali, havia pedalado 48 quilômetros. Faltavam 17 quilômetros para Itapanhoacanga. Oito quilômetros após deixar Alvorada, a ER se sobrepõe à Rodovia MG-010, ponto no qual muitos viajantes se equivocam por não ver o marco da ER, que indica a direção de Itapanhoacanga. Nesse ponto é preciso seguir como se estivesse voltando para o Serro pela MG-010. Três quilômetros à frente tem um marco da ER indicando Itapanhoacanga à esquerda e a ER se desmembra da MG-010, acabando a sobreposição. Uma bela paisagem é oferecida ao viajante. Na região conhecida como Duas Pontes está um curso d’água, que passa sob duas pontes e segue formando pequenas quedas d’ água. Cheguei à pequena Itapanhoacanga às 16h 30. Torci para encontrar lugar para ficar. Perguntei para umas moças que estavam conversando na calçada onde poderia me hospedar. Uma delas me disse: “ocê vai lá na casa do Biu uai, que ele ruma um lugar procê moço. É pertim daqui. Fala com a muiê dele. Mas se ocê prifiri, o Biu passa aqui gurim messss. Ele foi apanhá o fi dele, o Jãozim, na escola. Preciso traduzir? CHEGADA A ALVORADA DE MG ESTRADA REAL ENTRE SERRO E ALV. DE MG Foto: F. Mendes Foto: F. Mendes
  • 10. SÃO GONÇALO DO RIO DAS PEDRAS (MG) A ITAPANHOACANGA (MG). ESTRADA REAL ENTRE ALVORADA DE MG E ITAPANHOACANGA Foto: F. Mendes
  • 11. SÃO GONÇALO DO RIO DAS PEDRAS (MG) A ITAPANHOACANGA (MG). Fui para a Pousada do Bill, modesta, confortável e com excelente comida. Após o jantar, o Bill me disse que está iniciando uma expansão no estabelecimento. Serão construídos mais quartos “num puxadim para cima”, falou-me orgulhoso. A Pousada Real, única até então na cidade, foi arrendada para uma mineradora que trabalha na região. O Bill se deu bem. Itapanhoacanga fica encravada em um vale muito profundo e cercada pela Serra do Espinhaço, que recebe denominações locais de Serra do São José, também chamada de “Serra da Escadinha”. Ao longo do Caminho dos Diamantes – trecho compreendido entre Diamantina e Ouro Preto -, o Espinhaço recebe diversas nomenclaturas dadas pela população nativa. Em Itapanhoacanga (1.700 habitantes) existem monumentos religiosos e ricas manifestações culturais. O povoado é distrito de Alvorada de Minas. O pequeno vilarejo é símbolo da época em que esse pequeno distrito, na porção central de Minas Gerais, era o mais rico garimpo de ouro do Serro Frio (arraial que deu origem à cidade do Serro-MG). A reforma da Igreja de São José (edificação barroca construída entre 1746 e 1787) está emperrada há 11 anos. Aguarda a liberação de verba. A situação é tão precária que as imagens e peças sacras foram retiradas e levadas para um local mais seguro. Não há TV no quarto da pousada. Fui dormir cedo. Eram 20h. Encerrei a jornada daquele segundo dia de viagem bem animado e pensando na subida da Serra da Escadinha, programada para o dia seguinte. Dormi por longas 11 horas, que me proporcionaram o descanso merecido. A Lua entrou na fase Nova. Quando entrar na fase Cheia, chegarei a Paraty. Faltavam 872 quilômetros. IGREJA DE SÃO JOSÉ CAPELA DO ROSÁRIO EM ITAPANHOACANGA Foto: F. Mendes Foto: F. Mendes ITAPANHOACANGA Foto: F. Mendes
  • 12. 03/05/2011. (3ªf) ITAPANHOACANGA (MG) A CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO (MG). 47 KM PERCORRIDOS. Pontualmente às 8h daquela 3ªf, dia 3 de maio de 2011, deixei a pequena Itapanhoacanga saindo pela rua principal, virando à esquerda após o término do calçamento. Avistei o marco da ER . Zerei o ciclocomputador no mesmo instante em que o GPS de pulso recebeu sinal do satélite, informando-me que a cota altimétrica era de 700m. A próxima cidade – Santo Antonio do Norte –, também chamada de Tapera, dista 14 quilômetros de Itapanhoacanga e fica na cota 800m. Se não tivesse estudado a altimetria desse trecho, eu diria que seria moleza percorrê-lo, afinal saí de 700m para 800m. No entanto, Itapanhoacanga e Santo Antonio do Norte (Tapera) são intervaladas pela Serra da Escadinha. Nos primeiros nove quilômetros, subi de 700m para 1.100m. Os primeiros 500m são impedaláveis, em virtude das ravinas (valas) e muitas pedras soltas. Nesse caso, o mais ponderado é descer e empurrar a bike. A falta de tração pode resultar em tombo, e tombo é tudo que um ciclista deve evitar, pois a viagem pode terminar prematuramente. Vencidos esses 500m, voltei a pedalar de coroinha (marcha leve) e apreciando a paisagem que se descortinava ao meu redor, apesar de o tempo estar nublado e com cara de chuva. E fui subindo, subindo e pareceu-me que chegaria ao céu. Um silêncio delicioso, quebrado, às vezes, por fracas rajadas de vento. Foi possível ver Itapanhoacanga, lá em baixo, dentro de um buraco e cercada pela Serra da Escadinha. SERRA DA ESCADINHA Foto: F. Mendes Foto: F. Mendes
  • 13. ITAPANHOACANGA (MG) A CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO (MG). E subi, subi e subi. Parava, fotografava e ouvia sons variados que vinham lá de baixo, no vale. Depois de uma hora pedalando em moderado ângulo de subida, consultei o ciclo computador que indicava quatro quilômetros percorridos. Parei , tomei água e consultei o GPS. Havia chegado à cota 840m. Faltavam cinco quilômetros e mais 260m de ascensão. Isso demonstra que, a partir desse ponto, o moderado ângulo de subida suavizou-se e a pedalada tornou-se mais fácil, sendo possível trocar a marcha para a coroa do meio. À frente, o topo côncavo da Serra da Escadinha apareceu. A ER serpenteia-o até chegar ao mirante, alcançado às 11h, após 3 horas de pedal, 400 de ascensão e nove quilômetros morro acima. Quando a inclinação deu lugar a um platô, exclamei: “cheguei”! No ponto mais alto da Escadinha, a visão de 360º é espetacular. O tempo começou a abrir. O Sol brilhou forte. Foi a recompensa pelo esforço despendido na subida. Avistei os mares de morros formados pela Serra do Espinhaço. Como se estivesse a bordo de um avião, avistei o pequeno povoado de Santo Antonio do Norte (Tapera), encravado num vale cercado pelas serras do Intendente e São José. Sentei-me numa pedra à beira do mirante. Momento de reflexão, contemplação e agradecimento. O GPS marcava exatos 1.100m de altitude. O mesmo valor está gravado no marco da ER localizado na “vira da serra”, ponto no qual começa a descida da Serra da Escadinha, com apenas 4 quilômetros em fortíssima declividade. Nesse ponto, a ER transforma-se numa trilha muito técnica e sombreada. Às 11h 52, cheguei à pequena Santo Antonio do Norte, também chamada de Tapera. O povoado de Santo Antônio do Norte ou Tapera é parte do caminho que liga Ouro Preto a Diamantina, hoje chamado Estrada Real. Suas construções, feitas de taipa caiadas de branco, se reúnem ao redor da única praça desse distrito de Conceição do Mato Dentro. Fonte: www.wikimapia.org Fotos: F. Mendes Fotos: F. Mendes
  • 14. ITAPANHOACANGA (MG) A CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO (MG). Santo Antonio do Norte é uma pacata localidade da ER. A rua principal é calçada e a igreja do Rosário tem seu charme. O sol brilhava forte depois de um início de manhã bastante nublado. No Restaurante da Enny almocei arroz, feijão, salada, ovo e umas batatinhas da hora. O estabelecimento tem o nome da proprietária, uma senhora que estampa a simpatia dos mineiros. Ela também administra a Pousada Coiote, a única da cidade. Pontualmente às 12h 20, segui meu rumo. A próxima localidade, 10 quilômetros à frente, chama-se Córregos que, igualmente a Santo Antonio do Norte (Tapera), pertence a Conceição do Mato Dentro. O trecho é quase todo plano com descidas e subidas bem suaves . Às 13h 50, após 1h e 30 de pedal, cheguei à pequena Córregos, com ruas de terra e casas bem simples. O ponto alto da localidade de Córregos é a Igreja de Matriz de Nossa Senhora de Aparecida. Presume-se que a sua construção ocorreu entre os anos de
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