History

guerreiro cativaria para sempre a sua alma e o seu coraусo!

Description
Sinopse Da bruma entre as trevas da noite e a luz da aurora, a irmс de Merlin emergiu de seu refщgio em Avalon para uma Bretanha devastada por batalhas e onde um corajoso guerreiro cativaria para sempre
Categories
Published
of 58
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
Sinopse Da bruma entre as trevas da noite e a luz da aurora, a irmс de Merlin emergiu de seu refщgio em Avalon para uma Bretanha devastada por batalhas e onde um corajoso guerreiro cativaria para sempre a sua alma e o seu coraусo! Inglaterra, Sжculo XI Мrfс da Щnica mсe que conhecera, Rianne cresceu fora dos limites de Camelot, sem saber que era herdeira de um legado de magia forjado nas brumas de Avalon. Atж que um jovem e belo cavaleiro chegou Я sua procura, despertando nela anseios e desejos desconhecidos Tristсo estava preparado para enfrentar em combate o guerreiro inimigo que ameaуava a paz de Camelot. Atendendo ao pedido da mulher que o criara, Tristсo partiu em busca da menina que ela enviara para longe de Avalon anos atrрs e o que ele encontrou foi uma jovem linda e apaixonada, cujos poderes imortais determinariam o destino de Camelot e de seu prзprio coraусo! Filha de Camelot Quim Taylor Evans ILUSTRAК O: Hankins + Tegenborg, Ltd. Copyright (c) 1999 by Carla Simpson Originalmente publicado em 1999 pela Kensington Publishing Corp. PUBLICADO SOB ACORDO COM KENSINGTON PUBLISHING CORP. NY, NY - USA Todos os direitos reservados. Todos os personagens desta obra sсo fictьcios. Qualquer semelhanуa com pessoas vivas ou mortas terр sido mera coincidжncia. T TULO ORIGINAL: Daughter of Camelot EDITORA: Leonice Pomponio ASSISTENTE EDITORIAL: Patrьcia Chaves EDIК O/TEXTO Traduусo: Gabriela Machado Copidesque: Roberto Pellegrino Revisсo: Luiz Carlos Chamadoira ARTE: MЗnica Maldonado MARKETING/COMERCIAL: Silvia Campos PRODUК O GR FICA: SЗnia Sassi PAGINAК O: Dany Editora Ltda. (c) 2007 Editora Nova Cultural Ltda. Rua Paes Leme, CEP Sсo Paulo - SP Impressсo e acabamento: RR Donnelley Moore Prзlogo Camelot A despeito da cegueira, a curandeira seguiu seu caminho sem hesitaусo pelos corredores do castelo do rei Arthur. Nсo precisava da luz do sol que, durante o dia, se espalhava pelas paredes de pedras de arenito pрlido, ou da iluminaусo brilhante das lamparinas de зleo, Я noite, para guiр-la. Em vez disso, era conduzida pela visсo interior, que a servia bem melhor, uma percepусo de tudo em torno de si que os mortais nсo conseguiam enxergar. Seus pensamentos estavam em outro lugar, pois se sentia preocupada com os sonhos perturbadores da noite. Nсo dormira bem. Os sonhos assombravam suas noites insones desde que partira de Monmouth, sonhos de sangue e morte em nuvens de bruma, amortalhados em trevas e maldade. - Se partirmos logo cedo, estaremos em Monmouth ao cair da noite - disse ela, mais para si mesma do que para Grendel. E se sentiu reconfortada com o fato de que apenas em poucas horas estaria em casa, com Connor. Grendel estremeceu. Detestava cavalos. Nunca se acostumaria a eles. Arrepiou-se como um galo de briga pronto para o combate. - uma viagem de meio dia pelas piores estradas de toda a Bretanha. Sз estamos aqui faz quatro dias; meu traseiro ainda estр preto e azulado. E jр se esqueceu? Temos uma celebraусo esta noite, em honra do noivado do rei com lady Guinevere. Nсo podemos partir, seria inconcebьvel. Meg nсo o escutava. Sз ouvia ou sentia o sussurro atravжs de seu sangue e a mсo gelada que se apertava em torno de seu coraусo - algo que nсo escutava ou pressentia fazia tanto tempo que atж quase se esquecera. Parou e fez meia-volta. O olhar sem vida percorreu a parede de um lado do corredor. Seus sentidos imortais captavam algo - uma sombra de Maldade que tentava obstruir a luz do sol, invisьvel Я visсo humana. Sentiam a presenуa do mal encarnado como naquele dia, longo tempo antes, em meio ao anel de pedras eretas. Morgana. Fora apenas uma ilusсo? O que serр que a fazia pensar em Morgana agora, quando nсo pensara nela em todos aqueles anos? Morgana lhe roubara a vista. Mas Morgana estava morta, e seus poderes, emanados das Trevas, destruьdos. Mesmo assim, a lembranуa fez Meg sentir um pressрgio maligno naqueles sonhos, e no frio que agora penetrava atravжs de seu sangue, tal como acontecera naquele dia, longo tempo antes. - Quero voltar para casa. O mais depressa possьvel. Encontre Tristсo. Mande que prepare tudo. Diga a ele que partiremos tсo logo eu tenha terminado meu trabalho na enfermaria. Tenho um mau pressentimento Tristсo e diversos cavaleiros da guarda de Monmouth tinham acompanhado Meg atж Camelot. Ele era como um filho para Meg e Connor, um зrfсo cuja famьlia fora assassinada pelos guerreiros de Maelgwyn naqueles longos anos de terror. Depois disso, quando Arthur se tornara rei, Tristсo fora viver com Meg e Connor em Monmouth. Preenchera o vрcuo doloroso quando ela perdera seus prзprios bebжs. E era um filho digno de orgulho. Meg pouco o vira desde a chegada a Camelot, mas nсo tinha dщvida de onde poderia ser encontrado. A filha de um dos nobres era sua nova conquista. Ninguжm era capaz de resistir Я combinaусo letal de beleza, intensidade de alma e humor adolescentes que poderiam fascinar qualquer moуa e fazж-la tirar o vestido para ele. Meg estava encantada com a garota. Era inteligente, rрpida para aprender e nсo fraquejava diante de um ferimento feio ou carne putrefata. - Este ж o pior de todos - Cynwin a informou, ao tirar a atadura manchada do pж de um menino - O pai nсo achou que o ferimento fosse sжrio. A mсe o trouxe esta manhс quando a carne comeуou a descolorir. Meg reconheceu o rapazinho como um dos meninos dos estрbulos. Postou-se ao lado de Cynwin com a facilidade de quem enxerga e examinou o pж inchado com um toque suave. Sentiu os ossos quebrados, assim como os tendшes e ligamentos rompidos. Na simples conexсo de seu toque com o pж esmagado, Meg aliviou a dor e o medo do garoto. E usou o dom com que nascera para soldar os ossos fraturados. Depois, fechou o ferimento, e Cynwin o enfaixou. - Os ossos precisam de tempo para se consolidar e ficar fortes; e a atadura deve ser trocada diariamente - disse Я mсe do menino. Por fim, os dois saьram e Meg enfiou ambas as mсos dentro da bacia. A рgua se revolveu sob a ponta de seus dedos como se agitada por mсo invisьvel. Imagens se remexeram no fundo, mudaram e depois, gradualmente, tomaram forma. Meg as sentiu, percebeu-as, enxergou-as do jeito antigo - imagens de sangue e morte, de um escarlate brilhante a se revolver na рgua e a lhe cobrir as mсos, e depois a deslizar por seus dedos como a areia numa ampulheta; como a vida, precisa e cara para ela, que Meg nсo poderia reter. Dentro daquela visсo de sangue e morte, uma Щnica imagem tomou forma, tсo clara como se ela a enxergasse - Connor. Meg soltou um grito de dor quando uma pontada lancinante, semelhante Я de uma faca retorcida dentro dela, a invadiu. E enquanto a visсo se aguуava e se tornava mais clara, parecia que era seu sangue que escorria e redemoinhava na bacia. - O que foi, senhora? - Cynwin perguntou, alarmada. Entсo, viu o sangue que turvava a рgua. - A senhora se feriu! Pegou um pano grosso e tentou enxugar o sangue das mсos de Meg. Mas o pano logo se encharcou. Cynwin ergueu os olhos e encarou Meg com um pavor crescente. - Nсo consigo parar a hemorragia! A senhora precisa me dizer o que fazer. Nem Meg poderia contж-la. Nсo havia nenhum ferimento e, contudo, o sangue fluьa sem parar. Grendel estava a seu lado no mesmo instante. O susto retorcia suas feiушes, fazendo-o parecer ainda mais um gnomo enrugado. - Diga-me o que deve ser feito. Meg acalmou os medos de Cynwin enquanto seus pensamentos alcanуavam a mente de Grendel com apenas uma palavra: Monmouth. E naquela palavra concentrava-se todo o seu medo nсo vocalizado: hр perigo em Monmouth. - Ache Tristсo - ela murmurou. - Precisamos voltar sem demora. A distрncia normalmente percorrida em meio dia foi feita em pouco mais de duas horas. Entсo, avistaram a espiral de fumaуa dos incжndios antes que entrassem no vale de Monmouth. Mesmo assim, Meg rezou para que nсo tivesse acontecido o que vira na рgua revolta da bacia. E quando sentiu que as torres de vigia de Monmouth surgiam Я vista, amortalhadas na fumaуa, ela ainda manteve a esperanуa e recusou-se a aceitar as imagens que atormentavam seus pensamentos. Sabia, porжm, que acontecera, com tanta certeza como se tivesse presenciado. Sentiu a violжncia da batalha que ainda perdurava no ar, junto com a fumaуa dos incжndios; tal como sentira o pressрgio de sangue e morte, na visсo dentro da bacia. Chegou aos portшes apenas umas poucas passadas adiante de Tristсo e seus homens. Saltou sozinha da sela. Nenhum guarda gritou no alto para anunciar seu retorno. Nсo havia guarda algum, e os portшes estavam abertos. Meg tropeуou e abriu caminho entre os restos da destruiусo daquilo que fora seu lar. A despeito do grito de aviso de Tristсo, ela seguiu pelo pрtio em direусo ao рtrio interno e aos jardins murados, como fizera milhares de vezes no passado. Ao tropeуar em um corpo, encolheu-se instintivamente ao cair. Entсo, levantou-se e, com o dom da visсo interior e um Щnico pensamento, enxergou - nсo era Connor! Viu tudo como tinha visto na primeira vez em que Connor a trouxera ali, havia tantos anos. Antes de seu encontro com Morgana. Fora ali que se tornaram amantes. E fora para ali que haviam voltado quando ela deixara o mundo imortal pela Щltima vez para ficar com Connor. Em todos aqueles anos, Meg aprendera a conhecer cada pedra, cada degrau, cada lugar dentro do jardim que ela plantara, onde um beijo pudesse ser roubado e o prazer, usufruьdo. Era naquele lugar que Connor muitas vezes a encontrava a cuidar das flores e das ervas; um local especial, escondido entre as рrvores e as sebes perfumadas e floridas, onde se refugiavam nas noites quentes de verсo e desfrutavam o prazer em lentos beijos e carьcias igualmente demoradas. No mesmo lugar onde contara a Connor que carregava o filho dele. Um filho que nсo era para ser. Encontrou-o nсo muito longe dali, onde enfrentara os atacantes num sangrento confronto, dentro dos muros do jardim. Seus homens tinham lutado a seu lado. Meg tropeуou em seus corpos para chegar a Connor. O sangue encheulhe as mсos e escorreu por seus dedos, quando ela o alcanуou, como as visшes de sangue e morte que vira em seus sonhos. - VocЖ precisa fazer alguma coisa! A voz de Meg elevou-se no ar gelado da madrugada que enchia o quarto em Monmouth. Do outro lado da cama, o olhar sombrio de Merlin encontrou o dela. - Fiz tudo que podia. Meg rodeou a cama e parou diante dele. - Nсo ж o bastante! Cure os ferimentos - ela exigiu, com a voz tremendo de desespero. - Use seu poder. - Agarrou-o pela frente da tщnica. - VocЖ pode fazж-lo. - Suas mсos se fecharam em punhos de impotжncia e raiva. Incapaz de atacar um inimigo desconhecido, Meg o agrediu. - Presenciei isso milhares de vezes! Faуa, irmсo! Cure-o, agora! Os socos tinham pouco efeito e, no entanto, Merlin sentiu cada um no fundo da alma, pois o sofrimento de Meg era o seu sofrimento. Suas mсos se fecharam gentilmente sobre as dela, e suas palavras foram igualmente gentis. - Os ferimentos sсo profundos e houve muita perda de sangue. O olhar sem vida de Meg procurou o dele. Captou-lhe os pensamentos e as palavras nсo pronunciadas. - Nсo! Merlin puxou-a para dentro dos braуos e segurou-a com firmeza, enquanto ela se entregava Я raiva e Я impotжncia. Depois, continuou a abraур-la quando a irmс mergulhou num desespero devastador e, por fim, quando nсo conseguia mais chorar. - Eu queria mais tempo - Meg murmurou contra o peito do irmсo. - Deverьamos ter mais tempo. - O tempo ж nosso inimigo - Merlin a relembrou. - Para aqueles como nзs, o tempo joga um jogo cruel. VocЖ sabia que seria assim. Fique grata pelo tempo que teve. - Merlin acariciou-lhe docemente os cabelos - bem mais que muitos de nзs conheceremos um dia. Ela ouviu a tristeza e o sofrimento em sua voz, e algo mais impronunciado, uma preocupaусo bem mais profunda. E medo. - O que ж? - Algo que eu nсo sentia fazia muito tempo. Meg captou um pensamento logo escondido, entrelaуado ao medo. Uma lembranуa partilhada da filha que ela dera Я luz e as escolhas feitas para mantж-la a salvo. Agora, Connor estava morrendo. E a filha que haviam gerado com tanto amor nсo mais estava em seguranуa. Capьtulo I As sombras se alongaram conforme a noite chegou, a se mesclarem pela paisagem nсo familiar e a tornar difьcil de distinguir o marco de pedra da antiga estrada romana. Fazia cinco dias que percorriam aquela estrada e atravessavam agora a regiсo desolada e desconhecida alжm das fronteiras do reino de Arthur. O vento uivou, a alertр-los para a tempestade que os acompanhara durante toda tarde. O gnomo estremeceu no lombo do cavalo, os olhos escuros mal visьveis acima da borda do grosso manto de lс em que se enrolara. - O que acha? - perguntou, mal-humorado. Os olhos de Tristсo se estreitaram num ar de desagrado. - Estр perguntando a mim? VocЖ ж que deveria conhecer o caminho. - Conheуo o caminho, ora - Grendel retrucou, num murmщrio abafado. - Mas faz um longo tempo e nсo sei ler latim. uma lьngua difьcil e complicada. Ler os pensamentos de alguжm ж mais simples. - Entсo, leia os meus. - Tristсo bufou de desgosto. - E o que me diz desse cheiro? O gnomo sorriu com satisfaусo irзnica. - uma infusсo protetora para afastar os outros, caso contrрrio ficariam muito curiosos a nosso respeito, ao nos encontrarem nestas longьnquas paragens do norte. Tristсo saltou do cavalo ao se aproximar do marco de pedra, para enxergр-lo mais claramente Я luz que findava. - forte o bastante para afastar o prзprio demo. - Nсo ж o demo que vocж deveria temer, menino - Grendel retrucou. - Existem outras forуas e poderes em aусo aqui. Seu olhar sombrio esquadrinhou o horizonte onde a Щltima luz do dia se demorava, antes de se render Яs trevas, como se tivesse medo que aquelas forуas desabassem sobre eles apenas por serem mencionadas. Estremeceu. - E entсo, menino? - perguntou. - Decifrou as letras? Ou descobriu que deveria ter passado mais tempo com suas liушes e menos com essa espada? Tristсo saltou para a sela e encolheu-se com outra lufada cortante de vento. - Neste momento, a espada me serve muito melhor. - Fez a montaria dar meia-volta. - Deixaremos a estrada a partir daqui e continuaremos rumo norte. E nсo me chame de menino! - A tempestade logo virр sobre nзs. Estamos perto da floresta de Bedwyn. Vamos procurar abrigo para a noite? - o gnomo perguntou, esperanуoso. - Nсo - Tristсo o informou com satisfaусo. - Quanto mais depressa encontrarmos o lugar, mais cedo voltaremos a Monmouth. Mantenha distрncia - retrucou, ao se colocar contra o vento. - Talvez seu cheiro horrьvel nos ofereуa alguma proteусo, afinal. Seus pensamentos voltaram a Monmouth. Como os demais ataques Я regiсo, aquele fora bem calculado. E, diferentemente dos outros, nсo tinha sido contra uma vila distante ou uma aldeia, mas se abatera sobre Monmouth, quando muitos de seus homens estavam longe. E ele tambжm. Normalmente Connor acompanhava lady Meg atж Camelot. Porжm Tristсo o convencera a ficar e seguira com Meg, ansioso por rever a srta. Alyce, que possuьa mais encantos que juьzo. E enquanto se deitava com ela, Monmouth fora atacada; e o homem a quem Tristсo considerava como pai, gravemente ferido. Naquele exato momento, cinco dias desde o ataque, Connor poderia estar morto e frio na sepultura, e ele fora mandado naquela missсo idiota na companhia de outro idiota! Mas quando lady Meg insistira que nсo poderia confiar em ninguжm mais, Tristсo nсo pudera se recusar. A pressa o tornou incauto. Nсo viu a рrvore que de repente assomou diante de si na escuridсo. Nсo houve tempo para frear o passo do cavalo. Um galho baixo o atingiu. O golpe arrancou o ar de seus pulmшes, arrancou-o do lombo do cavalo e lanуou-o ao chсo. Grendel sorriu, enquanto Tristсo ofegava para recuperar a respiraусo e lutava contra a dor. - Quem ж o idiota agora? - perguntou, com ar satisfeito. Tristсo o encarava com uma fщria muda, sabendo que o gnomo lera seus pensamentos. - Vamos acampar para a noite agora? Ou gostaria de cavalgar um pouco mais? Quando, finalmente, conseguiu encher de ar os pulmшes, Tristсo murmurou um sim gutural. Foi tudo que pзde dizer no momento, e soou mais como uma ameaуa. - Bem, suponho que tudo ficarр bem - retrucou Grendel ao passar por onde Tristсo jazia. - A favor do vento, claro. - E sem tentar esconder o sorriso de prazer ou procurar ajudar o rapaz. - O que temos aь? - Grendel indagou, algum tempo depois, quando jр tinham acampado e Tristсo retornava com uma galinha-d angola que caуara no mato e trouxera para o jantar. O guerreiro ainda estava dolorido do tombo e seu humor nсo era dos melhores. - Tem penas - retrucou. - Voa e bota ovo. Pai do cжu! - exclamou, com enorme ironia - Deve ser uma ave! O gnomo soltou uma praga. - Posso ver muito bem por mim mesmo. Apenas fico preocupado se era realmente uma ave ou um mutante. - Um parente seu, talvez? - Tristсo comentou com satisfaусo ao erguer a caуa. Entсo, emendou, com um sorriso malicioso: - Tome cuidado para nсo acabar do mesmo jeito. E faуa algo de Щtil, homenzinho. Prepare a comida. - Homenzinho? - Grendel resmungou para si mesmo ao se aproximar cautelosamente da ave morta. - Chegarр o dia, menino, em que descobrirр que tamanho nсo ж o que importa. - Pergunte Я bela Alyce - retrucou Tristсo, com um sorriso de malьcia. A galinha-d angola foi assada com perfeiусo. Tristсo engoliu um bocado de comida, pensativo. Tentou entender a mudanуa daquilo em que sempre acreditara: que a crianуa a que lady Meg dera Я luz tantos anos antes morrera logo depois do parto e estava enterrada no pрtio da capela em Monmouth, diante do que soubera havia apenas poucos dias. - Do que vocж se lembra quanto Я crianуa? Grendel comia, agachado no chсo diante do fogo, enrolado no grosso manto de lс. - O que hр para lembrar? Era um bebж naquele tempo. Pequeno, barulhento e fedorento. Tristсo arqueou uma sobrancelha. - Ah, um espьrito afim. Parece que vocжs tжm muito em comum. - Sim, um espьrito afim! - esbravejou o gnomo. - E muito mais. E ж melhor que se lembre disso. - Entсo, reclamou: - Maldiусo, mas que frio! - Por quж? - Tristсo perguntou. - noite de inverno! - Grendel retrucou, como se nсo tivesse entendido. - normal nesta жpoca do ano. - Por quж? - Tristсo repetiu. - Lady Megwin mentiu sobre a morte da crianуa? Tinham cruzado metade da Bretanha durante cinco dias porque Meg assim pedira. Por respeito e amor, ele nсo questionara. A devoусo de Tristсo para com os pais adotivos era mais forte que os laуos de sangue. Uma devoусo de coraусo e alma. Agora queria saber a razсo e tinha intenусo de descobrir. Mas Grendel deu de ombros. - Ela nсo mente. Nсo pode mentir. E vocж sabe bem disso. Tristсo percebeu que nсo seria fрcil. Era зbvio que o gnomo optara por revelar tсo pouco quanto possьvel a respeito daquela missсo que lhes fora confiada. Porжm, assim como lady Meg era incapaz de mentir, tambжm o gnomo nсo podia, e Tristсo aprendera, muito tempo antes, que a melhor maneira de arrancar algo do homenzinho era encurralр-lo com a verdade. - Ela devia ser deformada de alguma maneira - concluiu, tomando um longo gole de vinho com рgua. - Nсo era deformada coisa nenhuma! - Grendel berrou, indignado. - Era perfeita em todos os sentidos. - Entсo, devia ter verrugas por todo o corpo e o nariz pendurado atж o queixo. Sim, esta ж a razсo pela qual lady Meg a mandou embora. - O nariz era muito bem-feito, e ela era linda como a mсe, sem nenhuma marca! - Os olhos do gnomo se estreitaram em fendas faiscantes de fщria. - Conheуo seu jogo, menino! E vocж nсo vai arrancar outra palavra de mim. - Entсo, nсo seguiremos por mais outro quilзmetro nesta jornada - Tristсo o informou. - Ou me conta a verdade agora, tudo, tudo, ou nсo irei em frente. - Tudo bem, nсo vр - Grendel o desafiou. - Nсo preciso de vocж para encontrar o lugar. Lembre-se, sou eu quem sabe onde fica. - Sim, sabe tсo bem que nсo consegue nem mesmo se recordar dos marcos da estrada - Tristсo reclamou. Levantou-se e se encolheu com dor nas costelas.-encontre sozinho, se puder. Voltarei a Monmouth, onde precisam de mim. - Esta noite?! - Grendel exclamou. - Mas, e
Search
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks