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Hermes no ciberespaço - 03.11.2011 - 14h38

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1. 1 HERMES NO CIBERESPAÇO Arte, técnica, sociedade e política Uma interpretação da comunicação e cultura na era digital Cláudio C. PaivaUNIVERSIDADE FEDERAL DA…
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  • 1. 1 HERMES NO CIBERESPAÇO Arte, técnica, sociedade e política Uma interpretação da comunicação e cultura na era digital Cláudio C. PaivaUNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA 2012
  • 2. 2 HERMES NO CIBERESPAÇO Arte, técnica, sociedade e política Uma interpretação da Comunicação e Cultura na Era DigitalUNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA 2012
  • 3. 3Prefácio ............................................................................................................................ 6Apresentação................................................................................................................... 71. Introdução - O espírito de Hermes e a complexidade da comunicação.............. 9 A sabedoria de Hermes e o poder da comunicação em rede ...................................... 11 Origem, significação e atualidade do mito de Hermes. .............................................. 12 A imaginação mitopoética, a história e as nervuras do re@l ..................................... 17 O conflito das interpretações no ciberespaço ............................................................. 19 O sono da razão sensível desperta os monstros .......................................................... 20 Hermenêutica e Theatrum Philosoficum .................................................................... 222. Do cavalo de Tróia ao Wikileaks: os estilhaços do poder no ciberespaço ........ 25 Inteligência conectada e empoderamento coletivo ..................................................... 26 A comunicação digital, a força do coletivo e a tecnologia colaborativa .................... 28 Estratégias político-informacionais: da tecnocracia à digitofagia .............................. 30 Informação, Mobilidade e Potência nas Redes Sociais .............................................. 32 Fenomenologia da cultura digital ............................................................................... 34 Interfaces emergentes, estratégias de comunicação em rede ...................................... 383. Hermes, Afrodite e a cultura de convergência.................................................... 40 A cultura de convergência não é um mar de águas tranqüilas.................................... 43 Conexões sociotecnológicas e iconicidades contemporâneas .................................... 46 Aportes teóricos e etnografias do ciberespaço ........................................................... 48 A expansão do saber e as mídias colaborativas .......................................................... 50 Complexidades da Informação, Linguagem e Comunicação ..................................... 51 Não existe ação afirmativa sem tensões e conflitos ................................................... 534. Walter Benjamin e a Imaginação Cibernética.................................................... 55 O singular de Benjamin: a percepção de uma cultura no plural ................................. 58 As imagens digitais têm aura? .................................................................................... 60 Emanações barrocas na era do virtual ........................................................................ 61 Figuras da sorte , figuras do azar: os clichês na Internet ............................................ 64 Alegoria do ciberespaço e sabedoria da comunicação ............................................... 66 Redes de sonhar, redes da imaginação criadora ......................................................... 67 Variações da cultura pop e contracultura no ciberespaço........................................... 70 Fim de partida............................................................................................................. 735. YouTube: artes, invenções e paródias da vida cotidiana .................................. 75 Estrutura e funcionamento do YouTube..................................................................... 77 O YouTube: a escola, o mercado, o domicílio eletrônico .......................................... 79 Competência técnica, educação estética e memória afetiva ....................................... 82 A paródia e o riso na praça pública informatizada ..................................................... 84 Das narrativas da televisão às narrativas telemáticas ................................................. 87 Uma visão mitopoética da TV do futuro .................................................................... 89
  • 4. 46. A blogosfera, o webjornalismo e as mediações colaborativas ........................... 91 O estado da arte na pesquisa sobre os blogs ............................................................... 94 O retorno da escrit@ na era digital............................................................................. 97 Pureza e perigo dos diários e da blogosfera ............................................................... 99 Categorizações no mercado do entretenimento ........................................................ 101 O jornal e as mediações digitais: o blog, o podcast, o Twitter ................................. 103 Os blogs como extensões da casa, da escola e da empresa ...................................... 1057. O Blog do Tas e a crise do Senado Federal na gestão Sarney ......................... 106 Indignação e perplexidade na comunicação em rede ............................................... 108 O espaço público digital e as intervenções infanto-juvenis...................................... 111 O blog e as experiências midiáticas compartilhadas ................................................ 112 Os blogs e as nuances da Comunicação Política ...................................................... 115 Ética, Direito e diplomacia no trato das competências comunicativas..................... 1168. A Crítica da Mídia no site Observatório da Imprensa ....................................... 118 A estrutura organizacional e o espírito comunitário do webjornalismo ................... 120 Monitoramento das notícias na cultura digitalizada ................................................. 122 A economia e política das troc@s digitais ............................................................... 124 O empoderamento dos usuários, e-leitores, cidadãos ............................................... 126 Hipermídia e Comunicação: inteligência, tecnologia e sensibilidade ...................... 128 A Ética e o ethos midiatizado ................................................................................... 130 Emanações do belo na cultura digital ....................................................................... 132 A inteligência crítica para além da vida digital ........................................................ 1339. BOCC - Um paradigma luso-brasileiro de Comunicação colaborativa ......... 135 A imagem do monge eletrônico e o espírito da Biblioteca Virtual .......................... 137 A economia organizacional de um Portal Científico ................................................ 140 Origem e Atualidade da Biblioteca Digital Portuguesa............................................ 142 Importância da BOCC na pesquisa avançada em Comunicação .............................. 143 Estratégias de comunicação: competência editorial e colaboração permanente ...... 144 A nova ambiência pedagógica e a linguagem informacional ................................... 145 Gramáticas e sintaxes da comunicação luso-brasileira............................................. 14610. A contempl@ção do mundo: Google Earth, a Terra-Pátria digitalizada....... 150 Uma exploração crítica da Google-Mundo .............................................................. 155 Estrutura e funcionamento do Google Earth ............................................................ 156 O olho grande digital e a politização do cotidiano ................................................... 158 Para entender os altos e baixos da “hipermodernidade”........................................... 159 Transcendências efêmeras nas interfaces digitais .................................................... 160 Geopolítica da Comunicação e sensorialidade do ciberespaço ................................ 16411. O cinema, a realidade virtual e o chip do futuro .............................................. 166 Máquinas de visão e iluminações do pensamento .................................................... 168
  • 5. 5 Uma nova ambiência comunicacional ...................................................................... 169 Sexo, afeto e arte tecnológica ................................................................................... 172 Ética e estética do cinema na era do virtual ............................................................. 174 Para entender as tramas do mundo virtual ................................................................ 176 Avatares, fakes, nossos semelhantes pós-humanos .................................................. 17812. “Quem matou Odete Roitman?” - Vale Tudo nas Redes Sociais? .................. 180 Consumo, transmídia, comunicação colaborativa .................................................... 183 Blogs, interações e subversões na telenovela Vale Tudo.......................................... 186 YouTube: convergência minimalista e tecnologia da interatividade........................ 187 O FaceBook, a potência da infocomunicação e os estilhaços da política................. 190 O Twitter: a ficção, a mediação e o ethos midiatico ................................................ 190 Orkut: mídia colaborativa, afeto e inteligência conectada ....................................... 19213. A bomba informática do WikiLeaks e o jornalismo no século 21 ................... 194 A repercussão do Wikileaks no espaço público midiático ....................................... 196 WikiLeaks como vetor de empoderamento coletivo ................................................ 199 Convergências tecnológicas e divergências políticas ............................................... 200 WikiLeaks & broadcasting: conect@ndo com o inimigo......................................... 202 Os devaneios da tecnocultura e as razões da comunicação ...................................... 204 O estado da arte do jornalismo no século 21 ............................................................ 20614. Considerações finais ............................................................................................ 20815. Referências ........................................................................................................... 213
  • 6. 6Prefácio O autor deste livro é um intelectual. Um verdadeiro intelectual. Não são muitosem atividade. Tem a libido do saber. Pensa com o corpo inteiro. Sente aquilo queinvestiga. Consegue mesclar o erudito e o popular com uma desenvoltura invejável.Domina o universo do cinema como poucos. Vai de um ponto a outro do imagináriocontemporâneo com leveza e conhecimento. Esta sua incursão no mundo virtual não poderia ser diferente. Traz a marca dequem reflete sem preconceitos e sem amarras. Examina, avalia, interpreta ecompreende. Acessa um número incrível de fontes e nunca se limita a navegações decabotagem. Aposta na renovação. É um pesquisador que não quer apenas repetir as rotas tradicionais. Tem aousadia dos aventureiros. Está longe de se deixar dominar pela camisa-de-força dosdiscursos acadêmicos positivistas. Produzir conhecimento para ele é gerar novidade,abrir novos caminhos, sair dos trilhos e indicar novas pistas. Parece fácil. Não é. Poucos têm essa predisposição para o confronto. Poucos sentem o aroma dainovação. Pesquisar é muito mais do que levantar dados. Exige uma curiosidadeprofunda e uma determinação especial. A determinação para abalar fundamentos,descobrir, “desencobrir”, fazer emergir o novo, revelar, desvelar e até mesmo“desconstruir”. Todas essas qualidades caracterizam o perfil desse pesquisador. Conheço-odesde o tempo em que fazíamos doutorado em Paris e ele via todos os filmes em cartazna cidade. Eu o admirava silenciosamente. Gostava de ver a sua autonomia, a sualiberdade de pensamento, a sua errância pela cidade-luz. Aprendi a conhecer um intelectual, homem livre, com suas idéias e paixões. Nãopreciso dizer mais. Este livro mostra o quanto todas essas minhas observações sãolimitadas para descrever ou qualificar o que o autor representa como pensador docontemporâneo. Sem perda de tempo, comecem a ler. É tudo. JUREMIR MACHADO DA SILVA Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS. Porto Alegre, 2011.
  • 7. 7Apresentação Este livro é uma viagem pelas encruzilhadas e labirintos da atual cibercultura. Oleitor será levado pelas mãos de Hermes, divindade complexa, associada àcomunicação. Rebelde, é o mensageiro dos Deuses, o angelos, o Deus Mercúrio dosromanos, ao mesmo tempo formal e agregador. Assim é o trabalho: formal, agregador,mensageiro e rebelde. Com maestria, o autor nos leva para conhecer os meandros dacibercultura com um olhar aguçado, atento ao atual, sem abdicar de uma atenção àhistória e à tradição das mídias. O autor discute as funções massivas da indústria cultural e as atuais funções pós-massivas em jogo com as mídias eletrônicas, explicando tanto as convergênciastecnológica e cultural, como a emergência das novas redes e mídias sociais, a ampliaçãoda inteligência coletiva e crescimento do ativismo na rede. Nada mais oportuno, emuma época de ocupações potencializadas por redes sociais e de revelaçõesconstrangedoras de segredos de Estados e de empresas (como os hackers do grupoAnonymous ou o site Wikileaks). Investiga a cultura no plural, uma cultura pop, audiovisual, onde o jornalismo, aindústria cultural e a sociabilidade são tensionadas, crescem e se complexificam emmeio ao desenvolvimento de blogs, microblogs, sites de redes sociais e decompartilhamento de música, fotos ou vídeos. O livro é de amplo alcance, assim comosão os impactos da atual cultura digital. O leitor é imerso em um mosaico, ao mesmo tempo imagem fragmentada emétodo mcluhaniano, que permite apreender a comunicação, a indústria cultural, ojornalismo e as diversas facetas da cultura contemporânea através de múltiplos olhares.O livro é escrito em uma linguagem inteligente, descontraída, sem deixar de ser séria eprofunda, passando em revista o que há de mais importante na bibliografia nacional einternacional sobre o tema. O ciberespaço e a cibercultura, como diz o autor na conclusão, não são uma“segunda vida”, um mundo virtual, a parte, mas uma experiência vicária, quotidiana ereal, que mudou, muda e continuará mudando as formas do entretenimento, da
  • 8. 8informação jornalística, do comércio e das relações de trabalho, das artes e das relaçõesinterpessoais. O livro é assim de interesse para estudantes, pesquisadores ou parapessoas interessadas em compreender a revolução da comunicação e das mídias digitaisno mundo atual. A figura ambígua de Hermes é o fio condutor do livro, mostrando as potênciasdo imaginário, as aberturas do sentido e as complexas relações entre o sensível e oracional em jogo nesse ainda iniciante século XXI. Como diz o autor, contrariandoBenjamin, o ciberespaço tem sim, uma aura, “e é neste fenômeno aurático que devemosprocurar o significado mitológico, semiológico ou semiótico cultural do ciberespaçopara os contemporâneos”. Cabe ao leitor aceitar o passeio e se deixar levar pela potênciacomunicativa e agregadora de Hermes.André Lemos é Professor da Faculdade de Comunicação da UFBA e pesquisador doCNPq. http://andrelemos.info
  • 9. 9 1. Introdução - O espírito de Hermes e a complexidade da comunicação Há algo de novo no ar! O fenômeno da internet, hipermídias e redes sociaisconfiguraram uma nova realidade sociocultural, em que os cidadãos interconectadosinteragem de maneira colaborativa, formando laços afetivos, comerciais e políticos. Osgrandes clássicos do cinema, as obras de arte, a música universal, as relíquias literárias,as novidades no mundo da ciência e da tecnologia, tudo isso está disponível em rede.Porém, a modernização tecnológica não trouxe benefícios para todos; do lado de fora dasociedade digital estão os desplugados, os “sem banda larga”, os outsiders do século 21. Logo, constatamos que a grande batalha do nosso tempo se coloca em favor dademocratização da informação, facilidade de acesso, conexão veloz e banda larga paratodos. Por essa e outras razões defendemos um princípio ético-político e estratégico-comunicacional que reconhece a inclusão digital como um caminho para a cidadania. Basta observarmos os acontecimentos recentes como Primavera Árabe, OccupyWall Street, Campanha Ficha Limpa, Movimento de Combate à Corrupção, etc., parapercebermos como as estratégias de comunicação são tramadas, simultaneamente, demaneira presencial e em rede. Após um século de debate sobre o status dos cidadãos nasociedade de massa, hoje, as atenções e a discussão pública se voltam para os meiospós-massivos e as estratégias de empoderamento gerado pelas redes colaborativas. Pulsa na paisagem cotidiana uma inteligência coletiva conectada que perpassa ovasto conjunto das atividades econômicas, socioculturais, ético-políticas, abrangendoexperiências tão diversas como o correio eletrônico, o webjornalismo, o sistemabancário informatizado, o comercio on line, a medicina computadorizada, o voto digital,o GPS, as enciclopédias, dicionários e bibliotecas virtuais, teleconferências e programasde ensino mediados pela tecnologia. Em pouco mais de uma década a nossa relação com o mundo social e naturalmudou radicalmente, de maneira que as experiências sociotécnicas fazem parte dasnossas mediações fundamentais com a chamada “realidade objetiva”. Do presencial ao virtual (e vice-versa) estamos tecnologicamente esensorialmente interligados através de ambientes gerados por meios digitais como ochat, o blog, o MSN, o Facebook, o Twitter e o YouTube, que teletransportam oscorações e mentes para uma outra dimensão da experiência individual e coletiva.
  • 10. 10 Em casa, na rua, na esfera pública e privada, nas atividades das empresas,instituições e organizações, novos atores, códigos, valores e procedimentos ganhamvigência: um novo ethos se instala enredado nos fluxos da informatização social. A partir da segunda metade do século 20, a comunicação digital passou a influir- efetivamente - nos modos de pensar, falar e agir dos atores sociais. Contudo, é preciso separar o joio e o trigo. Há um complexo midiático massivo(seja analógico ou digital) controlado pelo sistema global de produção capitalista,meramente comercial e voltado - principalmente - para o lucro. E existe, por outro lado,um complexo pós-massivo que, parte do coletivo, dos “sistemas sociais de resposta”(BRAGA, 2006), favorecendo estratégias de distribuição e socialização da informação. Sem descartar a importância do mercado na economia de trocas materiais esimbólicas, a comunicação compartilhada é mais democrática e concilia a diversidadede interesses e expectativas sociais, sendo eticamente mais inclusiva. O acesso aos jornais e mídias do mundo inteiro, informações ao vivo, em temporeal, a conexão simultânea entre os vários setores de produção, distribuição e consumo,tudo isso atesta um surpreendente estado de convergência de formas, conteúdos elinguagens, sinalizando conquistas e elevação da qualidade de vida social e política. Neste novo nicho comunicacional, os espectadores se tornam e-leitores, editores,cibercidadãos. Ou seja, ocorre uma transformação profunda no contexto da experiênciamidiática. Antes dos meios digitais havia um ambiente sócio-político e comunicacionalorientado pelas regras da separação: de um lado, os autores, a produção massiva, aindústria cultural, e do outro, os espectadores, a recepção passiva, o consumo de massa. Hoje, o agenciamento coletivo dos usuários expressa uma conjunção maisequilibrada face aos paradoxos comunicacionais: as redes favorecem processos dev
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