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INFLUÊNCIAS DA POLÍTICA NA EDUCAÇÃO MEDIEVAL A PARTIR DO TRATADO A MONARQUIA DE DANTE ALIGHIERI

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INFLUÊNCIAS DA POLÍTICA NA EDUCAÇÃO MEDIEVAL A PARTIR DO TRATADO A MONARQUIA DE DANTE ALIGHIERI OLIVEIRA, Viviane de (DHI/UEM) OLIVEIRA, Terezinha (DFE/PPE/UEM) Essa pesquisa, que a partir de bibliografias,
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INFLUÊNCIAS DA POLÍTICA NA EDUCAÇÃO MEDIEVAL A PARTIR DO TRATADO A MONARQUIA DE DANTE ALIGHIERI OLIVEIRA, Viviane de (DHI/UEM) OLIVEIRA, Terezinha (DFE/PPE/UEM) Essa pesquisa, que a partir de bibliografias, analisa o tratado político Monarquia, escrito por Dante Alighieri e as suas possíveis influências dela na produção do conhecimento político no final da Idade Média. A obra Monarquia é uma reflexão de Dante sobre os dois poderes do mundo medieval, Sacro Império Romano e Papado. Desse modo, os estudos visam compreender em que medida um autor laico, do final do século XIII, elaborou um tratado político, no qual propôs a separação entre os poderes laico e eclesiástico e como é possível analisar a estreita relação entre a educação e a política na história. Dante Alighieri, como o próprio se define: Florentino de nascimento, não de costume, foi um intelectual que possuía uma serie de perfis, pois era poeta, escritor, religioso, político e patriota. Franco Jr. (2000), o define como: Um conservador, alguém que construiu uma utopia baseada no passado e que sua nostalgia a idealizava. Foi ainda, um patriota, apaixonado por Florença e tendo mesmo forte senso de italianidade. Foi um Grande sábio, conhecedor de quase tudo que havia em sua época... Um poeta do absoluto. (FRANCO JR, 2000, p.121). Segundo Orlandi (1972), o primeiro contato de Dante Alighieri com a vida pública foi quando serviu nas guerras entre as cidades da Península Itálica. Apenas em 1295, o poeta tem, de fato, início em sua carreira pública, e isso ocorreu porque foi estendido novamente aos nobres o acesso aos cargos públicos, desde que estivessem escritos em uma das corporações de Arte ou de Mestres. Entre 1295 e 1297 participou do conselho especial do Povo e foi membro do Conselho dos Cem (Conselho da Comuna de Florença). O envolvimento político de Dante acarretou-lhe vários problemas. Segundo Orlandi (1972), ao tomar partido pelos Guelfos Brancos, que apoiavam a tese de divisão 1 do poder papal e real, tornou-se inimigo do Papa Bonifácio VIII, que tinha a pretensão de ocupar Florença. Assim, quando os Guelfos Negros, os que apoiavam o Papa, venceram, Dante foi exilado de Florença. Amargurado com a situação que se encontrava, Dante começou a escrever obras como A Divina Comédia. O poeta tem um acervo de obras muito importantes como: Convívio; Vida Nova; Monarquia entre outras. Dante Alighieri viveu em um período transitório da Europa Ocidental, no qual o feudalismo se limitava e a ascensão urbana era marcante, como aponta Franco Jr. (1986). Foi entre os séculos XII e o XIII que surgiram intensas atividades econômicas e intelectuais, um aumento demográfico acelerado, uma marcante expansão territorial e um grande deslocamento do rural para urbano, como afirma Le Goff (2007): O que caracteriza a cidade medieval e que será encontrada na Europa moderna é, sobre tudo, a constituição de um tipo de sociedade e de governo que, ao mesmo tempo em que se acomoda às estruturas feudais, manifesta uma notável diferença e sofre uma evolução específica. (LE GOFF, 2007, p.151). Conforme exposto, uma das características importantes para o desenvolvimento das cidades foi o crescimento demográfico. Vários fatores o desencadearam, entre eles, a queda nos números de mortalidade devido à ausência de epidemias no Ocidente dos séculos X-XIII. O crescimento econômico também foi um elemento essencial, segundo FRANCO JR (1986), ele se manifestou por três fenômenos: maior produção, progresso no setor urbano e acentuada monetarização. Foi a partir de pequenos excessos na produção agrícola que foi sendo gerado a matéria prima para a indústria artesanal que o comércio teria se intensificado. É nesse cenário de grandes transformações que se encontra Florença e é nela também que o autor participa das grandes disputas travadas entre os dois gládios. Segundo Franco Jr. (2000), desde o século XI, as características papistas dominaram Florença. Quando, na famosa disputa entre o Papa (Gregório VII) e o imperador (Henrique IV), a condessa florentina Matilde tomou partido pelo Papa, cristalizando a posição papista, depois denominada de Guelfos. O que marcaria Florença por muito tempo, consequentemente, a vida de Dante Alighieri. 2 Ainda segundo Franco Jr. (2000), quase toda nobreza Florentina era de origem feudal. Mas à medida que os comerciantes iam prosperando a nobreza ia perdendo os seus poderes. Em 1293, uma nova legislação é imposta pondo fim aos privilégios da nobreza. Isso legitimava o fato de Florença ser governada por muitos comerciantes. O tratado estudado nessa pesquisa, a Monarquia, foi escrito em latim. Não há exatidão quanto ao período em que a obra foi escrita. Todavia, Orlandi (1972) afirma que, provavelmente, ele foi escrito posterior ao Convívio, já que algumas ideias como a legitimidade do poder universal dado aos romanos, são esboçados nesta obra e longamente explicados por Dante, no segundo livro do tratado Monarquia. Monarquia é dividida em três livros, o primeiro é Necessidade da Monarquia. Nele, Dante defende a ideia de que a monarquia é a única que garante a paz e a ordem do mundo. Como o poeta afirma em trecho do primeiro livro: Toda humanidade se ordena a um fim único. É preciso, então, que um só coordene e reja. Tal chefe deverá chamar-se o Monarca ou Imperador. Torna-se evidente que o bem estar do mundo exige a Monarquia ou Império. (DANTE, 1999, p. 20). Para confirmar a sua tese Dante se baseia tanto em passagens bíblicas quanto em obras de filósofos como Aristóteles e Tito Lívio. Após uma leitura, é possível perceber certo caráter utópico em relação ao modelo de governo proposto, no qual, por meio de silogismo, o poeta tenta convencer o leitor que o Monarca tem mais condições, do que qualquer outro homem, de possuir o amor recto. Todo o ser amável é tanto mais amado quanto mais perto está do amante: os homens estão mais chegados ao Monarca do que aos outros príncipes; é por ele que são mais amados. (DANTE, 1999, p.29). No segundo livro: Como o Povo Romano obteve legitimamente o encargo da Monarquia e do Império, o poeta afirma que o domínio universal dos romanos não ocorreu em virtude da força, mas sim, pela proeminência divina, ou seja, o povo romano seria legitimamente o herdeiro da insígnia imperial. Para comprovar isso, Dante cita diversos milagres que ajudaram os romanos: Quando os gauleses, depois de conquistada a cidade, confiados nas trevas nocturnas, escalavam furtivamente o Capitólio, último baluarte do nome romano, um ganso, que nunca tinha sido visto nesse lugar, denunciou a presença dos inimigos, e levou os guardas a defenderem a cidadela. Tito Lívio e muitos escritores ilustres encontraram-se de acordo para atestar o fato. (DANTE, 1999, p. 56). 3 Dante busca em Virgílio, na obra Eneida, para legitimar a ideia de que o governo laico é o único legítimo. Segundo ele, o glorioso Rei Enéias foi o pai do povo romano, não só por sua virtude pessoal, mas também pela de seus progenitores e consortes, portanto, ela foi passada por direito hereditário. No terceiro livro: O Encargo da Monarquia e do Império provém imediatamente de Deus, Dante explicita que o poder do Imperador provém diretamente de Deus, portanto não há necessidade de intermediário, como o Papa. Ou seja, ele propõe uma divisão de poder temporal e do espiritual, sem desconsiderar a divindade do Papa, mas reorganizando as suas reais funções: Afirmo, então, que o poder temporal não recebe do espiritual nem a existência, nem a faculdade que é a autoridade, nem mesmo o exercício puro e simples. Recebem, sim, do poder espiritual aperfeiçoamentos acidentais: age com maior eficácia pela luz da graça que Deus, no céu, e a benção do Sumo Pontífice, na terra, lhe infundem. (DANTE, 1999, p.98). Para Orlandi (1972), Dante propõe um modelo de governo no qual o Imperador teria o poder supremo. O Imperador ou Monarca mandaria em todos os reis e chefes políticos de forma justa e todos agiriam justamente conforme o exemplo imperial. Ao propor esta nova forma de governo e de poder político, Dante expõe também uma nova forma do saber, posto que será necessário aos homens de seu tempo construir uma nova mentalidade social que se visse nesta forma da política, a forma de seu existir social. Assim, ao buscar as influências do tratado Monarquia na educação, propomos analisar um tema cuja à importância é crucial, principalmente para a formação dos profissionais de história e os que estão relacionados ao ensino dessa disciplina. Esse trabalho considera que é preciso analisar na história os grandes embates políticos para que possamos compreender que os acontecimentos do passado e do presente são frutos das ações do homem no tempo. Desse modo, o ensino está diretamente relacionado com o seu momento histórico. Quando a Igreja era quem dinamizava e organizava a sociedade, o ensino atendia as propostas da religião e por ela era dominado. Com o humanismo e as transformações sociais na época moderna, a educação também recebeu outro plano pedagógico, visando atender a necessidade de uma nacionalidade. A compreensão de que as transformações políticas interferem diretamente na educação nos permitem entender a importância desta obra de Dante. 4 REFERÊNCIAS ALIGHIERI, Dante. Monarquia. Tradução de Carlos Eduardo de Soveral. 5º Edição, Lisboa: Guimarães Editores, JUNIOR, Hilário Franco. Dante Alighieri O poeta do absoluto. São Paulo: Plínio Martins Filho, JUNIOR, Hilário Franco. O Feudalismo São Paulo: Ed. Brasiliense, LE GOFF, Jacques. As Raízes Medievais da Europa. Tradução de Jaime A. Clasen. 2º Edição, Rio de Janeiro: Vozes, 2007 ORLANDI, E. Gigantes da literatura universal: Dante Alighieri. Tradução de José V. de Pina Martins. Lisboa: Verbo,
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