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Matraca 2013.1

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1. JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA FACULDADE CEUT Teresina, 24 de junho de 2013 - Ano 6 - nº 13 O cordelista e a biblioteca popular aberta em…
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  • 1. JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA FACULDADE CEUT Teresina, 24 de junho de 2013 - Ano 6 - nº 13 O cordelista e a biblioteca popular aberta em casa Redes Sociais: “pais e filhos” ou “pais versus filhos”? Uma pesquisa que foi le- vantada pela McAfee Inc. (empresa de informática fo- cada em soluções de seguran- ça), realizada no ano de 2012, constatou que 65% dos pais estão nas redes sociais para vigiar os fi- lhos. Em con- traste, a pes- quisa ainda revelou que 45% dos jo- vens que es- tão conecta- dos revelam Foto:DiógenesMacêdo Esgotos a céu aberto no Dirceu Câmara Municipal de Teresina As sessões ordinárias da Câmara Municipal de Teresi- na ocorrem de terça a quinta e as segundas e sextas são os dias destinados às audiên- cias públicas. A maioria das pautas discutidas são sobre saúde, transporte público e regulamentações fundiárias. Pág. 11 Lesões no trabalho Conheça as lesões mais co- muns ocorridas no trabalho. Confira casos de lesões, saiba como preveni-las e a impor- tância do tratamento medi- camentoso e fisioterapêutico. Pág. 09 Pedal Noturno: a noite, em Teresina, agora conta com prática do Ciclismo. Pág. 08 Galeria de esgoto a céu aberto no bairro Dirceu, na zona sudeste de Teresina, causa transtornos como mau cheiro, proliferação de inse- tos e enchentes, aos morado- res do bairro há mais de dez Enquete Você acredita que política e religião trabalham bem jun- tas? Por quê? Pág. 12 LEI MARIA DA PENHA: Segundo a Delegada Vilma, a lei é uma arma contra a violência Foto:AbdiasNascimento Infográfico:MozartMenezes que, se soubessem que estão sendo vigiados pelos pais, mudariam de comportamen- to. Confira os dados da pes- quisa na matéria. Pág. 07 anos. Teresina é considerada a 5ª pior capital em cobertu- ra de esgoto, mas a AGESPI- SA promete expandir a rede de abastecimento através de recursos do PAC. Pág. 06 José Bezerra de Carvalho, conhecido como Zé Bezerra ou Águia de Prata, cearense. Mudou-se para Teresina ainda criança, onde há anos escreve uma trajetória bem sucedida como poeta cordelista com 56 folhetos e 12 cordelitos. Violência contra a mulher De acordo com o Levanta- mento do Poder Judiciário, em relação à Lei Maria da Penha durante os cinco pri- meiros anos de validade da lei, o Piauí ocupa o 3º lugar no ranking nacional onde as mu- lheres mais sofrem vio- lência do- méstica. Pág. 03 Foto:FranciscoBarbosa
  • 2. JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA FACULDADE CEUT Diretor Geral: Hornório José Nunes Bona Diretor Financeiro: Ranieri Mauro Vilarinho Brito Diretora Administrativa: Zizita Dolores Bona de Carvalho Diretora Acadêmica: Maria de Fátima Araújo Portela Divisão de Criação e Divulgação: Moema Antonina Bona de Carvalho Coordenadora de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão: Christianne Matos de Paiva Assessora Acadêmica: Lina Rosa de Jesus Bona Coordenadora do Curso de Comunicação Social: Maria Helena Almeida de Oliveira Professor Responsável: Cristiane Lima Ventura Editor: Cristiane Lima Ventura e Fernando Carvalho Brito Planejamento Gráfico: AGECOM - Agência de Comunicação Jr. Revisão: José Airton F. de Sousa Equipe de Redação e Reportagem: Abdias Nascimento, Artur Vasconcelos, Camila Fortes, Denis Alves, Denison Duarte, Diógenes Macêdo, Fernando Brito, Francisco Barbosa, Gregória Silva, Lisiane Ventura, Lucas Marreiros, Mayara Soares e Sidney Cardoso. Centro de Ensino Unificado de Teresina - CEUT Avenida dos Expedicionários - nº 790 - Bairro São João - Teresina / Piauí - CEP: 64046-700 Fone: (86) 4009-4300 - Fax: (86) 3232-4888 E-mail: jornalmatraca@ceut.com.br Teresina, 24 de junho de 2013 2 Tempos de convergência EDITORIAL M uito se fala sobre convergência nos dias de hoje, mas o entendimento ainda é pouco. A convergência tecnológica e a convergência midiática completam uma a outra e, dessa maneira, formam o cenário da comuni- cação atual. A utilização de uma única tecnologia para vários fins e a união de tecnologias para multi- funcionalidades consiste em um novo caminho, que os meios de comunicação encontraram para se adaptar à internet, já que assim outras mídias podem fazer parte da internet. Nos dias de hoje o mundo vive conectado. E as pessoas também. Um acontecimento não fica isolado do outro lado do mundo, pode rapida- mente chegar ao conhecimento de muitas pes- soas, em várias partes do mundo. Além disso, ainda existe uma necessidade de se trabalhar em vários tipos de mídia, não só para se manter atual, mas para conseguir dar conta da grande demanda de informação, que pode ser trans- mitida de maneira diferente por cada mídia e assim conquistar públicos cada vez mais hetero- gêneos. O jornalismo ganha muito com essa conver- gência, podendo ser trabalhado de diversas for- mas e ser consumido de maneira local e global, somando novas formas de comunicar, divulgar e produzir. A chegada da interatividade permi- te aos interlocutores uma chance de dar uma resposta, contestar, compartilhar e até modificar a maneira como a comunicação está sendo feita, diminuindo as fronteiras (não só entre países), mas também a distância entre veículos e inter- locutores, tornando-se quase impossível estar alheio aos acontecimentos. A informação é transmitida de um veículo para outro e de uma tecnologia para outra, acessível pelo computador, televisão, celu- lar, rádio e outras tecnologias. O profissional da comunicação deve estar apto a trabalhar com várias mídias ao mesmo tempo, para se encaixar nesse mercado que, embora esteja constantemente em crescimento, ainda é ca- rente de profissionais que realmente saibam trabalhar com a convergência, respeitando as particularidades de cada meio de comunica- ção. Esse profissional, que sabe passar de uma tecnologia a outra sem perder conteúdo, encaixa-se nesse cenário de convergência tec- nológica. É o conteúdo que mantém acesso e audiência, e principalmente a maneira como esse conteúdo é trabalhado para conquistar o acesso e a audiência do veículo. Hoje, a grande preocupação é em saber como esse profissional está sendo prepara- do, se a comunicação nunca foi como é hoje. Como as academias podem preparar o aluno para essa convergência? De certa forma, o mundo acadêmico mal começou a dar aten- ção às mudanças que se aproximam de forma rápida, o que exige um novo perfil do profis- sional da comunicação. A tecnologia faz mais descobertas a cada dia e elas cada vez mais estão entrando em uso comum no dia a dia das pessoas. Esse modo tecnológico de viver contribui para facilitar a aderência de conteúdo gerada pelos grandes e pequenos geradores de informação. Mas, se hoje vivemos o começo da conver- gência tecnológica e midiática, só o tempo vai tornar mais fácil entender e teorizar melhor a respeito dessa novidade, da sua complexi- dade e da responsabilidade necessária para sua utilização, para que as pessoas e o mundo desfrutam de conteúdos cada vez mais ricos. LUCAS MARREIROS Não à violência contra a mulher A violência contra a mulher costuma ser divulgada na mídia de maneira recor- rente e banal. Na maioria dos casos, observamos o agressor sendo colocado como figura central, ou seja, seu rosto é estampado nos diferentes veículos na prática de um sensaciona- lismo exacerbado em relação ao sofrimento da vítima. Diante de um tema tão relevante para a socie- dade, resolvemos abordar o assunto sob uma ótica diferenciada. Costuma ser falado e realçado o enorme sofrimento porque a mulher, seja ela, esposa, filha, enteada, sobrinha, passa. Puro sensacionalismo? Talvez sim, já que a busca desenfreada por audiência serve de justificati- va para inúmeros tropeços na conduta ética. É importante lembrar que essa agressão ocorre não só no ambiente familiar como também em outros cenários, não se limitando apenas à esfe- ra privada. A assistência à saúde da mulher nesse contex- to degradante é muitas vezes esquecida. É como se o aparato jurídico, que precisa garantir a se- gurança, cuidar dos processos, dá voz para as ví- timas, já desse um conforto e fechasse a lacuna que a agressão causa na vida de quem sofre. Na verdade, esse delito, que não se restringe apenas à questão física, como também sexual e psicoló- gica, necessita de uma maior atenção da saúde pública e dos cidadãos quanto à importância Apurem os olhos, abram a mente, conectem os sentidos para as notícias que movimentam nossas vidas, está em cena mais uma edição do nosso jornal laboratório Matraca, o veículo im- presso e on-line produzido por alunos do curso de Jornalismo do CEUT, editado e diagramado pela AGECOM CEUT - Agência de Notícias Jr., da faculdade, sob a orientação da professora Cristiane Ventura. Fruto da aplicação prática dos conteúdos aprendidos em sala de aula e no ambiente da AGECOM CEUT, o Matraca tem por missão divulgar matérias sobre temas de relevância para a comunidade acadêmica do CEUT e para a sociedade de modo ampliado, vez que o espaço privilegia a apuração e a reflexão acerca dos con- teúdos abordados e não a urgência do furo. Longe de ser um noticiário frio, entretanto, o Matraca traz o que há de mais quentinho em produção de informação e comunicação, que é o vigor da busca pela pauta não convencional. Aquela que se mostra oportuna pelo que traz para além do imediatismo, cuja relevância está na propriedade de abrir espaço ao que nem sempre é visto e dito na grande mídia. É a isso, a final, ao que se propõe a experimentação acadê- mica, a revelar um novo modo de falar sobre a gente que está no mundo fazendo com ele gire e promova acontecimentos que mereçam virar notícia. Boa leitura e que o Matraca faça um barulhi- nho bom na sua mente e na sua vida, produzindo ecos para as notícias que precisam ser propala- das mundo afora. Maria Helena de Almeida Oliveira Coordenadora do Curso de Comunicação Social da Faculdade CEUT. Apresentação de denunciar e, acima de tudo, entender a dimensão do problema que acomete todas as classes sociais, sem distinção. Ao imaginarmos uma vítima de estupro, por exemplo, precisamos ter noção do enor- me trauma passado com marcas profundas, que precisam ser levadas em consideração e trabalhadas com auxílio multidisciplinar para recuperar o amor próprio e possibilitar a continuação da vida para essas mulheres. Se a violência contra a mulher é recorrente, se a saúde está debilitada, é preciso que os representantes do povo comecem a trabalhar essa situação questionando as melhorias que podem ser feitas para amenizar o problema. ARTIGO Boa leitura e que o Matraca faça um barulhinho bom na sua mente e na sua vida, produzindo ecos para as notícias que precisam ser propaladas mundo afora. “ ”Maria Helena de Oliveira Jornalista e Publicitária
  • 3. Teresina, 24 de junho de 2013 3 Violência contra a mulher é problema de saúde pública MATÉRIA ESPECIAL ARTUR VASCONCELOS D e acordo com o Le- vantamento do Poder Judiciário, em relação à Lei Maria da Penha duran- te seus cinco primeiros anos de validade, o Piauí ocupa o 3º lugar no ranking nacio- nal onde as mulheres mais sofrem violência doméstica. Além desse tipo recorrente de agressão, o SAMVIS (Ser- viço de Assistência à Mulher Vítima de Violência Sexual) que funciona na Maternidade Evangelina Rosa registrou, em 2012, 459 casos de estu- pro em Teresina. Na manhã do dia 15/04 foi realizada uma audiência pú- blica na Câmara da Capital, que objetivava discutir os vá- rios tipos de violência contra a mulher e a situação atual do nosso estado. A proponente da discussão foi a vereadora Teresa Britto, que afirmou a importância desse debate em todos os setores sociais, Foto: Francisco Barbosa baseando-se em dados da si- tuação atual enfrentada. “O Brasil ocupa o 7° lugar mun- dial de homicídios contra as mulheres. Em Teresina, 25% das ações tramitando na jus- tiça hoje são relacionadas a esse tipo de agressão. É pre- ciso discutir e criar novas po- líticas públicas, já que essa violência tem consequências graves para a família e gera- ções futuras”, afirmou a vere- adora. Tatiane Seixas é presiden- te da UBM (União Brasilei- ra das Mulheres) e militante ativa em prol dos direitos das mulheres. “A discussão mais latente desse contexto é a violência doméstica. Mas, não podemos esquecer que todo esse contexto ocorre de- vido à disputa de poder, que também é muito recorrente no trabalho e na política. É preciso estar atento também, a esse tipo de ocorrência não só no cenário privado como também no público”, enfati- zou. As consequências para a saúde da mulher são as mais devastadoras possíveis. Infla- mações, contusões, hemato- mas, e em casos mais graves podem deixar complicações para a vida toda, como limi- tações no movimento motor devido a fortes agressões. De acordo com dados do Minis- tério da Saúde, 10% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil são gastos com o siste- ma de saúde, resultantes da violência contra a mulher. Rita Portela é Conselheira do Conselho Municipal de Saúde e trabalha nas linhas de cuidados, prevenção e orientação da mulher quando ela passa por uma violência sexual. “Hoje, a mulher víti- ma dessa agressão é atendida nos Centros de Perinatologia da Maternidade Evangeli- na Rosa, onde recebe apoio psicológico, medicamentos contra DST (incluindo os re- trovirais) e toma as vacinas necessárias. O gasto é gran- de”, afirmou. Ela relatou na prá- tica como funciona o atendimento da vítima de cunho sexual no nosso estado. “Quando a mulher é violenta- da, a primeira as- sistência que ela necessita não é a jurídica, e sim a saúde. Ao che- gar no hospital e ser constatada a violência sexual, é feito o encami- nhamento ao SA- MVIS que funciona na Ma- ternidade Evangelina Rosa. É preciso tomar uma atitude imediata para evitar que a ví- tima adquira certas doenças. Logo depois desses cuidados, a mulher é estimulada a fazer a denúncia”, finalizou Rita Portela. Segundo a Delegada Vilma Alves, a violência doméstica não se restringe apenas à mu- lher da periferia, e enfatizou a importância da Lei Maria da Penha. “Nenhum artigo do Código Penal beneficiava a mulher porque nós éramos consideradas objetos. Essa lei surge depois da Constitui- ção de 1988, que consagra to- das nós mulheres sujeitos de direitos, funcionando como um manto de proteção para coibir o agressor tirando a mulher do direito privado para o público. A violência é psicológica, por isso é preciso atuar efetivamente para que a vítima não tenha dentro de sua casa, a autoestima aba- lada. É um crime que deixa marcas eternas, feridas que não saram”, revelou. Quando a mulher é violentada, a primeira assistência que ela necessita não é a jurídica, e sim a saúde. “ ”Rita Portela Conselheira do Conselho Municipal de Saúde Piauí ocupa o 3º lugar no ranking nacional de violência contra a mulher Caso de violência contra a mulher C leonice de Paula tem 42 anos, diarista e mãe de sete filhos. A teresinense conta que seu primeiro companhei- ro, com o qual foi casada por oito anos começou a agredir-lhe fisicamente a partir do 3º ano de união. “Ele não queria que eu tra- balhasse, me amarrava e batia em mim com cordas constantemente.Como era pedreiro, não aceitava que eu fosse trabalhar, mas precisava para ajudar no sustento dos meus filhos. Denunciei ele em 1999, na Delegacia da Mulher do Dirceu e logo ele fu- giu para São Luís e nunca mais tive notícias dele”, revela. Os cinco filhos do agressor de Cleonice con- viviam com as agressões constantes à mãe e nunca perdoaram ao pai. “Hoje em dia meus filhos não gostam dele e nunca pro- curaram saber como ele está ou coisa do tipo. O trauma não foi só meu e sim deles também”, con- tou a diarista. Antes de finalizar, a vítima conta que é um as- sunto muito difícil de ser conversado e que não re- cebeu auxílio psicológico. “Evito falar e nunca tive acompanhamento psico- lógico, porque é um as- sunto que me incomoda até hoje. Tenho medo de me relacionar com qualquer ou- tro homem, por lembrar das agressões do passado”, la- mentou Cleonice. A psicóloga Diana Prado afirma que, como se trata de uma situação delicada, na qual a mulher vítima da violência se sente envergo- nhada, o psicólogo deve criar um espaço de acolhimento, oferecendo uma atenção de qualidade. Ela revela os sintomas co- muns resultantes das agres- sões, sejam elas, psicológicas ou físicas, e ressalta a impor- tância da terapia. “Isolamen- to afetivo, sentimentos de culpa, nos casos mais graves pode ocorrer o DSPT (Distúr- bio de Estresse Pós-Traumá- tico), “stress”, depressão e até mesmo tentativas de suicídio. Por isso, é importante a tera- pia e muitas vezes o trabalho conjunto com o psiquiatra é extremamente necessário. O apoio e contato com a família também são válidos, já que é nela que a paciente vai en- contrar conforto”, explicou. As denúncias podem ser feitas através do Disk Mulher 180, ou na Delegacia da Mu- lher do Centro de Teresina (86) 3222-2323. O SANVIS, que proporcio- na os cuidados necessários às vítimas de violência sexu- al, funciona na Maternidade Evangelina Rosa e o telefone é (86) 3228-1605. É preciso discutir e criar novas políticas públicas, já que essa violência tem consequências graves para a família e gerações futuras. “ ”Teresa Britto Vereadora de Teresina Foto:FranciscoBarbosa
  • 4. Teresina, 24 de junho de 2013 4 O cordelista e a biblioteca aberta em casa ENTREVISTA Zé Bezerra, 85 anos. Sargento da PM e cordelista apaixonado. Conhecido como Águia de Prata, é sócio fundador do Sindicato dos Cantadores e Poetas Populares do Piauí. A pesar de não ter nenhuma biblioteca mantida pelo poder público, o bairro Aeroporto é uma região privilegiada da zona norte de Teresina, é que lá está instalada a bibliote- ca da literatura popular “A Voz da Poesia”, inaugurada em 2001 pelo cordelista e sargento reformado da Polícia Militar do Piauí José Bezerra de Carvalho, de 85 anos de idade. José Bezerra de Carvalho, mais conhecido como Zé Bezerra ou Águia de Prata, nasceu em Ipueiras, Ceará, no final da década de 20. Mudou-se para Teresina ainda criança, onde há anos escreve uma trajetória bem sucedida como poeta corde- lista brasileiro com 56 folhe- tos e 12 cordelitos publicados por várias editoras. O pequeno quarto da frente da residência de seu José Bezerra se transformou em biblioteca no momen- to em que ele diz ter sido “avisado por Deus” de que a sua missão na Terra só seria concluída com proximidade à perfeição se fundasse uma biblioteca. O espaço reúne um acervo de mais de mil exemplares de livretos de cordel e além de um grande apoio inte- lectual para os moradores da região e uma boa opção para todo o povo dos bairros Aeroporto e Mafrense, já que esta é a única que dispõe somente de livros em Cordel. Aos interessados em conhe- cer o espaço, a biblioteca popular de Zé Bezerra fica localizada na avenida Cente- nário, nº 1178, Bairro Aero- porto, aberta de segunda a sábado das 8h às 18h. Em uma entrevista ao JORNAL MATRACA, ele revelou um pouco de suas experiências ao longo de 85 anos bem vividos e deu uma aula de literatura de cordel. Eu recebo aqui mais de 200 es- tudantes por mês e para mim é a maior recom- pensa do mundo pelo que fiz com o Cordel. “ ” Zé Bezerra, mantêm em casa uma biblioteca de Cordel aberta ao público sem nenhuma ajuda do poder público ou da iniciativa privada Quando começou sua paixão pela escrita? Comecei escrever com 10 anos, mas a minha primeira publicação aconteceu em 1985 porque antigamente era difícil. Eu ia escrevendo e com o tempo jogava muita coisa boa fora. É coisa de dom, meu filho. O Espirito Santo sopra, me dá um dom, dá outro pra você, distribui um pra cada um. Como o senhor apren- deu a ler? Aprendi só, você não aprende a poesia com ninguém, mas o que eu aprendi durante a vida foi a rimar melhor. Tudo come- çou quando eu comprei uma cartilha do ABC pedindo “lição” pra um e para outro. Depois eu tive três meses de aula com uma professora chamada Alda Veloso. Ela morava perto do cemitério do São Pedro, mas dava aula lá na Vermelha. Não tenho formação nenhuma, só o dom mesmo. O que a literatura de cordel nos conta? A vida, o dia a dia de cada pessoa. Apesar
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