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O Círculo Hermenêutico Para Leituras Críticas

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  O Círculo Hermenêutico para leituras críticasO que é o Círculo Hermenêutico?É uma maneira reflexiva de interpretarmos dados com base em outras informações.  circularidade dainterpretaç!o n!o é um mero método mas o processo do círculo #ermenêutico est$ presente em qualquer apreens!o docon#ecimento. lém dessa pr$tica %natural& de compreender a realidade o círculo #ermenêutico é um método complexode leitura e instrumento de an$lise qualitativa. ssim é relevante entendê'lo como teoria e processo de leitura crítica.  #ermenêutica é a arte e o método de interpretar si(nificados expressos textualmente. Como disciplina a#ermenêutica estuda e sistemati)a os processos para construç!o e *ustificaç!o dos sentidos de um texto ou de uman$lo(o ao texto +artefatos cultura material ritual or(ani)aç!o e outros,.  ideia tradicional de #ermenêutica de interpretaç!o visava revelar o conte-do do texto. essa concepç!o cadapalavra possuía um sentido fixo dado pelo autor sustentado /s ve)es pela etimolo(ia. essa aborda(em o papel do#ermeneuta seria meramente encontrar o sentido %certo& do autor. 0odavia a lin(uística provou a arbitrariedade dossi(nos separando as si(nificações de suas bases concretas os si(nificantes. 1or exemplo a frase %H$ va(as&aparentemente possui sentido pleno e fixo sem levar seu contexto e autoria. 2ntretanto se a frase %H$ va(as& aparecena entrada de um #otel ela difere em sentido se aparecer na porta de uma a(ência de empre(os em um cart!o pie(asno dia dos namorados ou diante um presídio em uma c#ar(e. esse exemplo o contexto constr3i o sentido mas outroselementos do 4odelo de Comunicaç!o afetam também o processo de construç!o do sentido. 2mbora a recursividadelin(uística produ)a leituras praticamente infinitas isso n!o implica em uma relatividade dos sentidos. 5entre as leituraspossíveis podem'se restrin(ir aquelas com maior sentido conforme suas aplicações.  #ermenêutica serve como uma ferramenta efica) para compreender o ser #umano e a relaç!o entre aspessoas expressa pela cultura. ssim é empre(ada na interpretaç!o de qualquer texto mas sendo crucial para o direito teolo(ia e literatura.6em aprofundar na #ist3ria da #ermenêutica como disciplina os modelos contempor7neos de CírculoHermenêutico foram desenvolvidos por Heidd(er 8icouer e 9adamer nos meados do século :: sob influências dafenomenolo(ia. 2 sem abordar seus principais críticos ; a desconstruç!o e outros p3s'modernistas ; e sua alternativaconcorrente ; o modelo de 2spiral Hermenêutico ; o modelo de Círculo Hermenêutico passou de um processo deintelecç!o para um método de an$lise textual principalmente pelos trabal#os de 8icouer e 9adamer.Como usar o Círculo Hermenêutico?Círculo Hermenêutico  base do funcionamento do círculo #ermenêutico é seu movimento da leitura do todo para as partes e daspartes para o todo. esse processo um texto é lido v$rias ve)es de uma forma dialética entre compreens!o +a sínteseou o polo n!o metodol3(ico o que o texto di), e interpretaç!o +a an$lise ou o polo metodol3(ico o que se pode concluir com o texto,. O autor em si é uma parte do mundo e sua abstraç!o oriunda da leitura é uma teoria totali)ante. esseprocesso reflexivo se produ) a interpretaç!o e o sentido.1arece simples e é. 4as para quem estiver interessado em leituras aprofundadas além dos fins deentretenimento ou mera informaç!o o uso do círculo #ermenêutico requer mais elaboraç!o. 2sse passo a passo mostrao empre(o do círculo #ermenêutico para leituras críticas de textos liter$rios *urídicos #ist3ricos etno(r$ficos e sacros.1ara fins did$ticos a leitura crítica com o círculo #ermenêutico foi separada em duas fases a leitura e a an$lise.  leituraessa fase de leitura inicia'se com a leitura inicial ou cursiva para adquirir uma compreens!o (eral semdespender muita atenç!o aos detal#es.  leitura do texto como um todo providenciar$ um si(nificado orientador. 6e oleitor conse(uir sinteti)ar o texto em somente uma sentença é porque conse(uiu uma compreens!o inicial do que se édito no texto.5epois dessa %leitura in(ênua & o texto é divido em unidades menores para uma leitura minuciosa. 2ssa unidademenor pode ser a parte de uma frase de uma oraç!o de v$rias orações de um par$(rafo. Ou se*a pode ser um pedaçode qualquer taman#o do qual se visa extrair apenas um sentido v$lido. o dividir o texto em unidades menores de si(nificado #aver$ excertos aparentemente desvinculados dequalquer coisa relacionada com a quest!o de pesquisa. 2sses excertos ser!o considerados depois durante a an$lise.2ssas unidades menores depois de condensadas em palavras'c#aves devem ser anotadas em forma deesboços esquem$ticos de maneira que se*am entendidos / primeira vista. É uma típica an$lise de conte-do. elaboraç!o de esboço esquem$tico revela a existência de temas e de estruturas. s or(ani)ações dos temas em t3picose das estruturas em esquemas servem para mapear o conte-do do texto.esse momento deve'se esclarecer conceitos autores contexto social e #ist3rico palavras descon#ecidas além de estabelecer a terminolo(ia conforme os sentidos que aparecem nos enunciados. <erifica'se se #$ ambi(uidade imprecis!o ou obscuridade que o pr3prio texto +ou contexto, n!o esclareça. =a)'se comparaç!o com a literaturapertinente com níveis de leitura crítica ao (osto intenç!o e disponibilidade do leitor. É #ora de anotar a(ressivamenteinformações externas ao texto e também postar observações pessoais desde que essas este*am claras e de sua pr3priaautoria. esse momento é bom avaliar os pr3prios vieses. Cada um possui seus pr3prios pré'conceitos noções (eraissobre um assunto opiniões. 1ara fins de comparaç!o e an$lise seria proveitoso fic#ar também as opiniõespreconcebidas sobre o assunto.>ma ve) feitos os fic#amentos o leitor revisa suas notas relê o texto anotado as partes isoladas e por fim otexto por inteiro. essa se(unda leitura totali)ante o leitor compara seu con#ecimento preconcebido com o queaprendeu com o texto. esse passo o leitor dever$ ler e reler exaustivamente até redu)ir drasticamente suas d-vidasde compreens!o ao tempo que emer(ir!o as questões de interpretaç!o. +8elembrando compreens!o é %o que di) otexto& e interpretaç!o é %o que o texto quer di)er&,.6omente depois de uma leitura crítica de um texto o leitor pode discordar ou concordar com o autor. 2 asmaneiras (entis e academicamente #onestas de discordar seriam +conforme 4ortimer dler @AB p.D,E%<ocê n!o est$ informado&E falta al(um elemento de informaç!o relevante ao problemaF  %<ocê foi mal informado&E as informações usadas pelo autor s!o contr$rias aos fatos.%<ocê é il3(icoF seu raciocínio n!o é convincente&E o ar(umento n!o possui sentido l3(ico (eralmenteapresentando conclusões sem li(ações com as premissas ou (enerali)ações sem fundamentos.%6ua an$lise est$ incompleta&E o autor possui e usa com maestria as informações v$lidas seu raciocínio écon(ruente porém deixa de abordar questões que ele pr3prio levantou e tin#a meios de resolvê'las mas n!o fe).É o momento de o leitor tomar uma atitude quanto ao texto. Começa por lançar m!o de sua ba(a(em cultural econversar com outros interlocutores. Como duas pessoas n!o vivenciam as mesmas experiências seria oportunodiscutir suas perspectivas com quem este*a familiari)ado com o texto G' desde cole(as a outros autores que *$ utili)aramo mesmo texto ou discutiram questões semel#antes. n$lise6!o v$rias as teorias ou paradi(mas que orientam a leitura analítica. 0omando como ponto de partida a#ermenêutica fenomenol3(ica o ob*etivo é encontrar si(nificados sem esperar ac#ar uma -nica verdade fundamental.sso é devido / consciência de possíveis si(nificados em um processo contínuo entre os limites do do(matismo e da)etética. 5eve'se duvidar tanto do que se interpretou quanto confiar nas interpretações possível. 5e acordo com 1almer +@D@, na #ermenêutica fenomenol3(ica deve'se %deixar as coisas se manifestarem como elas s!o sem forç$'las comas nossas pr3prias cate(orias. sso implica em uma revers!o da direç!o usual. !o somos n3s que apontamos para oque as coisas s!oF ao contr$rio as coisas se mostram para n3s&.  #ermenêutica exi(e a intersub*etividade doinvesti(ador. 2 para isso ele deve alcançar a dist7ncia interpessoal a partir do ob*eto de estudo.>ma ve) estabelecida a teoria de leitura procede'se / an$lise #ermenêutica.6!o v$rios níveis sobrepostos de leituras críticas com seus métodos terminolo(ias e focos. 2ntre eles est!o acrítica textual a an$lise (ramatical a an$lise lin(uística a crítica liter$ria a crítica #ist3rica e a an$lise do discurso. cada uma dessas leituras críticas o leitor dever$ anotar suas observações e impressões para depois relê'las paraformular uma conclus!o.  crítica textual ou baixa crítica tenta reconstruir o texto caso n!o #a*a uma vers!o definitiva. 6!o (losadas asvariantes para decidir quais possuam maior le(itimidade. 2m tempos de pl$(io di(ital é a #ora de *o(ar o texto no9oo(le ou al(um pro(rama de an$lise textual. Outra parte da crítica textual é a alta crítica ou crítica de redaç!o. ela sebusca determinar a autoria autenticidade local e tempo da composiç!o.  determinaç!o de autoria pode ser auxiliadapor usos de colocações vícios de lin(ua(em comparaç!o com outros textos de mesma procedência e notar outrasidiossincrasias. Iuestiona'seE existem motivos para duvidar da #onestidade do texto ou do autor? Con#ecer o autor éfa)er uma introspecç!o em seus motivos seus vieses seu estilo e suas ideias.>ma ve) estabelecido o texto e a autoria se(ue'se uma an$lise (ramatical. É voltar a fa)er an$lises b$sicas demorfossintaxe sem7ntica +aqui campos sem7nticos ser!o valiosos, e pra(m$tica para ver como o texto produ) sentido(ramatical. >ma ve) mais desvios recorrentes da norma padr!o de (ram$tica ser!o elementos de an$lise. p3s a an$lise (ramatical é o momento de se atentar / an$lise lin(uística. essa an$lise examina'se osre(istros presentes os sentidos atribuídos aos termos o cJmputo de #aplax le(ommena a busca da (ram$tica do autor.Com esses dados é possível inferir os elementos de coes!o intencionalidade aceitabilidade informatividade situacionalidade e intertextualidade do texto.1assa'se / crítica liter$ria. H$ uma miríade de te3ricos da crítica +íntimo assim s3 %crítica& mesmo, sem separar neles uma crítica liter$ria aceit$vel deveria conter descrições de enredo arquétipos persona(ens par7metros temas motifs recursos liter$rios e fi(uras de lin(ua(em. 2ntretanto os (êneros e tipos textuais s!o fontes importantespara extrair uma interpretaç!o *ustific$vel de um texto. !o d$ para ler a Kíblia de capa a capa como se fosse um livro deHist3ria ou um c3di(o de condutas. H$ sim trec#os normativos +como o Livro de Levíticos, de tipo in*untivo comotambém #$ (êneros narrativos +9ênesis Monas, e poéticos +6almos,.Contí(uo / crítica liter$ria est$ a crítica #ist3rica. Levantar a #ist3ria da con*untura em que foi produ)ido o texton!o é a simples coleç!o de trivialidades.  #ist3ria serve para iluminar sentidos t$citos correntes e compartil#ados pelacomunidade lin(uística do autor. 6e em B anos o Krasil acabar quem ac#ar um fra(mento de um *ornal cu*a manc#etedi)E %6antos bate 6!o 1aulo& poder$ ter uma compreens!o equivocada se buscar seu contexto em uma #a(io(rafia emve) de um almanaque de esportes.O pr3ximo passo é um dos mais interessantesE a an$lise do discurso. essa aborda(em as v$rias dimensões dodiscurso as expressões n!o verbais +inclusive a forma de veiculaç!o e (estos se possível, e verbais s!o analisadas. an$lise do discurso estabelece o (ênero do discurso +se político educativo reli(ioso ou econJmico, e examina asrelações as interações entre o discurso o emissor a mensa(em e o receptor. O contexto e cotexto s!o examinadospara c#e(ar al(uma interpretaç!o. 2ntre os temas pesquisados o poder o implícito e o n!o mencionado s!oquestionados. 0ambém pertencem / analise do discurso o escrutínio das vo)es em relaç!o ao poderE é uma vo)#e(emJnica? 6ubalterna?8elembrando que leitura e an$lise foram aqui separadas didaticamente o leitor ap3s a an$lise volta a ler suasnotas e o texto como um todo. esse processo contínuo produ)ir'se'$ interpretações v$lidas e s3lidas6K 46 5L28 4ortimerF < 5O82 C#arles. HoN to 8ead a Koo. eN Por 6imon and 6c#uster @AB.H2529928 4artin. Kein( and 0ime. eN PorE Harper Q 8oN @AB.95428 Hans 9eor(e. 0rut# and 4et#od. eN PorE Continuum B.95428 Hans 9eor(e. Hermeneutics and 6ocial 6ciences. in Cultural Hermeneutics @AR.1L428 8ic#ard. HermeneuticsE nterpretation 0#eorS in 6c#leiermac#er 5ilt#eS Heid((er and 9adamer.2vanstonE >1 @D@.8CO2>8 1aul. nterpretaç!o e deolo(ias. 8io de ManeiroE =rancisco lves @AA.8CO2>8 1aul.0eoria da nterpretaç!o. LisboaE 2d. AO @TA.
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