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O jornalismo popular no Brasil e na Alemanha uma perspectiva historica atraves dos jornais BILD e Diario Gaucho.pdf

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O Jornalismo Popular no B rasil e na A lemanha: uma perspectiva histórica através dos jornais B I L D e Diário G aúcho1 NUNES, Ana Cecília B.2 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS Resumo: O jornalismo popular no Brasil tal como tratado aqui é um fenômeno ainda recente, datando da década de 1990. No entanto, na Europa, jornais como o BILD dirigem-se a um mesmo seguimento destes periódicos brasileiros, m
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    O Jornali s mo Popular no Bra s il e  na Al e manha: uma p e r s p ec tiva hi s tóri c a atrav é s  do s  jornai s  BILD e  Diário Gaú c ho 1    NUNES, Ana Cecília B. 2  Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS R e s umo:  O jornalismo popular no Brasil tal como tratado aqui é um fenômeno ainda recente, datando da década de 1990. No entanto, na Europa, jornais como o BILD dirigem-se a um mesmo seguimento destes  periódicos brasileiros, mas emergiram muito antes. O jornal alemão em questão é o mais vendido hoje na Europa, com mais de três milhões de exemplares ao dia, e data de 1952. Já o Diário Gaúcho, de 2000, é o nono maior do país e teve como fonte de inspiração o próprio BILD. Épocas diversas de eclosão, contextos sociais nem tanto. Este artigo trata das características do jornalismo popular no Brasil e Alemanha através da análise da conjuntura de nascimento destes dois jornais e do modo como eles se apresentaram ao público quando do seu lançamento. O trabalho é fruto de coleta de material e entrevistas na redação do BILD (sucursal de Hamburgo) e do Diário Gaúcho (em Porto Alegre), além de revisão documental e bibliográfica. A análise revela contextos sociais e filosofias que possuem semelhanças e  particularidades, pensando o jornalismo popular por um viés até hoje pouco explorado academicamente. Palavra s - c hav e :  jornalismo popular; Diário Gaúcho; BILD; Alemanha; Brasil. Introdu ç ão A ascensão dos jornais populares a partir da década de 1990 gerou mudanças no mercado impresso nacional. Dados de 2010 do Instituto Verificador de Circulação (apud   ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS, 2011) indicam que entre os dez periódicos com maior circulação no país, cinco pertencem ao segmento popular, sendo a primeira  posição também ocupada por eles. O Super Notícia (MG) é hoje o maior jornal do país.  Na lista também está o Extra (RJ, 4º lugar), Meia Hora (RJ, 7º lugar), Diário Gaúcho (RS, 9º lugar) e Aqui (consolidado das edições MG, MA, DF e PE, 10º lugar). Com muitas fotos, títulos em fontes gigantes e estímulos visuais por toda a parte, o jornalismo popular hoje representa um segmento impresso significativo no mercado  brasileiro. A fórmula não é totalmente nova: muitas características provêm de jornais do  passado ou que ainda hoje circulam. O diferencial está no tratamento dos temas e no seu 1  Trabalho apresentado no GT de História da Mídia Impressa, integrante do VIII Encontro Nacional de História da Mídia, 2011. 2 Mestranda em Comunicação Social na Famecos  !   PUCRS, email: anacecilianunes@hotmail.com   !   Este artigo é fruto da monografia Jornalismo popular: uma análise do jornal alemão BILD Hamburg # %& '()*(& +,-./&01 .&2 &*(#34,56& %, 7*& fª. Drª. Ana Carolina D. Escosteguy. O trabalho foi apresentado em 2010 na PUCRS.  reconhecimento social por parte das elites como produto para as camadas populares. O segmento popular - intrinsecamente ligado ao sensacionalismo, mas com peculiaridades - exige novo termo para definir-se, com vias a extinguir um preconceito de valor agregado ao antigo termo. Apesar de as publicações assemelharem-se às sensacionalistas, o cenário atual no Brasil é novo. Elas sofreram transformações. A proposta deste artigo é pensar o jornalismo popular através da análise de duas  publicações específicas, analisando o contexto em que nasceram e forma como se apresentaram ao público quando do seu lançamento. A ideia é compreender o jornalismo  popular através das publicações, partindo de um viés histórico. Percebeu-se que o  jornalismo popular, tão recente no Brasil, é um fenômeno mais antigo em países como a Alemanha, por exemplo. Além disso, no continente europeu, o jornal de maior circulação é o popular BILD. O periódico alemão tem vendagem diária superior a três milhões de exemplares e serviu de inspiração para jornais populares brasileiros como o Diário Gaúcho, lançado em 2000 no Rio Grande do Sul e o nono maior do país. Pensou-se então que seria válido entender o surgimento destes jornais e suas características,  para assim melhor compreender o fenômeno e essas publicações no Brasil. Apesar de os jornais populares conquistarem audiências e espaço no mercado, eles ,(3%, %#482 9&:., ,4#356& %, ,.,%#2(,1 .&2& ,;(*2, <2,*,= >?@@A1 9B CADE >BBBD às publicações e aos programas dirigidos às camadas populares destinam-se muitas críticas, pouca análise e, consequentemente, quase nenhuma proposição 0B  Este artigo, então, tem o propósito de ocupar um espaço e agregar análise e reflexão a um segmento que tem merecido pouca atenção da academia, com vistas a melhor entender suas  proposições e singularidades. Percebeu-se a necessidade de identificar as características que compõem as publicações e as abordagens que dizem respeito a este segmento, identificando peculiaridades da publicação brasileira e alemã em questão. O objetivo era  perceber o jornalismo popular nas duas regiões através das publicações recém-citadas. Para tanto, a autora viajou à Alemanha e coletou informações sobre o BILD, na sucursal de Hamburgo (visitando a redação de 8 a 10 de Setembro de 2009) além de realizar entrevistas. Assim também procedeu no Diário Gaúcho, em Porto Alegre (3 a 5 de maio de 2010). A análise dos contextos sociais e das características que permearam o surgimento e popularização dos jornais são analisadas através da primeira propaganda do BILD, em 1952, e do texto de apresentação publicado na primeira edição do DG. As  capas do dia do lançamento são também comparadas com as das publicações de referência em circulação nas respectivas cidades. O Cont e xto Hi s tóri c o e  o Na s c im e nto do BILD e  do DG Radionovelas, crescimento do setor livreiro, início do desenvolvimento do cinema nacional e introdução de uma nova mídia de massa: a televisão. O cenário midiático brasileiro no final da década de 40 e início da de 50 era de expansão em diversos setores. O rádio, após um começo muito elitista, consegue atingir um  percentual maior da população, alcançando, em 1952, a marca de dois milhões e 500 mil receptores no país (ORTIZ, 2001, p. 47). Os livros, revistas e jornais aumentam suas tiragens e, é neste período também, que nascem as fotonovelas (Revista Grande Hotel, 1951; Capricho, 1952). A década de 50 inicia com a chegada da televisão no país: começando na cidade de São Paulo (1950) e chegando a Porto Alegre em 1959. No entanto, com & ,;(*2, F*4(G >?@@C1 9B AHD1 , I(3%-J4*(, .:=4:*,=K # , .:=4:*, 9&9:=,* %# 2,JJ, #2#*L#34# J# .,*,.4#*(G,2 2,(J 9#=, J:, (3.(9(83.(, %& M:# 9#=, J:, ,29=(4:%#0B   No âmbito político, o país saía de uma era populista: o Estado Novo, comandado  por Getúlio Vargas. De 1939 a 1945, o Brasil vive período ditatorial e de consolidação da industrialização brasileira. Ao mesmo tempo, a Segunda Guerra Mundial eclode no mundo, começando e terminando nos mesmos anos, sendo o país contrário ao nazismo e favorável aos Estados Unidos. Terminada a guerra, em 1945, Dutra inicia novamente um período democrático no país e comanda uma política econômica liberal. Em 1952, Getúlio Vargas volta ao poder, desta vez não mais como ditador. Do outro lado do oceano Atlântico, no velho continente, o cenário era outro. Sob o domínio de Hitler e da filosofia nazista, a comunicação radiofônica se alastrava. O estímulo à produção maciça de aparelhos pequenos e baratos ajudou a incrementar o desenvolvimento, e os 4 milhões de ouvintes alemães em 1933, viraram 29 milhões em 1934 e 97 milhões em 1939 quando iniciou a Segunda Guerra Mundial (IRVING apud DINES em MEDITSCH, 2001, p.12). Neste mesmo ano, no entanto, um novo meio de comunicação era apresentado publicamente ao mundo, na Feira Mundial de Nova York: a televisão viria a ter transmissões na década de 40. Com o país em guerra até 1945 e, após, dividido em Ocidental e Oriental, a evolução da televisão no país se deu de forma %(;#*#34#1 J#L:(3%& =(3/,J M:# 9&%#*(,2 4#* J(%& ,34#.(9,%,J  dada a história pós-guerra %, *,%(&%(;:J6&0 >NOP+ GS E BURKE, 2006, p. 241). Na Alemanha Ocidental, a  televisão e o rádio foram uma herança dos Aliados, e a primeira estação de televisão, a  Nordwest Deutscher Rundfunk, começou a funcionar em dezembro de 1952. (Ibidem). É neste contexto e no mesmo ano que, na cidade portuária de Hamburgo no norte da Alemanha, o jornal BILD, da editora Axel Springer  3 , iniciava suas atividades. Ao terminar a guerra, os estabelecimentos do grupo Springer em Hamburgo haviam sido destruídos. Axel Springer reiniciou suas atividades, como as demais empresas alemãs, prosperou e lançou algumas revistas de larga .(*.:=,56&1 .&2& Q*(J4,==01 %# A@@B@@@ #R#29=,*#J1 4(*,L#2 4,2ST2 ,4*(S:U%, , :2 V&*3,= %#3&2(3,%& <S#3%S=,4401 M:# .&2#5&: , . ircular em 1948. Dois passos, no entanto, mudaram os rumos da empresa. Em 1952, apareceu o BILD, de estilo completamente diferente do tradicional, ágil, de caráter popular e que desde logo tomou conta da população. O segundo foi a aquisição, em 1953, do tr  ,%(.(&3,= '(# W#=401 M:# %#9&(J %, L:#**, ;(.,*, sob controle das forças britânicas de ocupação. (André, 1966, p.152) F NPX' Y#(4:3L0 3,J.(,1 ,JJ(21 #2 ?A %# V:3/& %# CZH?1 (3J9(*,%& 3, (29*#3J, ,2,*#=, (3L=#J, .&2 4#2,J %# ;).(= %(L#J46&0 9,*, , 2,JJ a. Axel Cäsar Springer (1912- CZ[HD .&29,*,\, , ;(=&J&;(, %& V&*3,= .&2 & J,S&* %# :2 9#%,5& %# \,3(=, %# 2,3/6 .#%&0  (BILD, 2009, tradução nossa). Ou seja, a idéia era a de um periódico agradável aos leitores, que, por sua vez, enfrentavam a realidade de um país seccionado e em reconstrução pós-guerra. Era o que evidenciava também a propaganda de apresentação do jornal (figura 1), publicada um dia antes de seu lançamento. Na página 6 do Hamburger Abendblatt, da mesma editora, encontrava-se um anúncio vertical de quase meia página, que dizia: ]&%,J ,J 2,3/6J^ ]&%,J ,J 2,3/6J1 & NPX' \,( cuidar para que nenhuma manhã seja maçante. Amanhã você irá conhecer o BILD. A partir de quarta-feira, então, você terá o BILD por toda a parte. 30.000 DM (Marcos Alemães) em concurso de =#(4:*,^0 >4*,%:56& 3&JJ,DB _,(J :2, \#G T 9&JJU\#= 9#*.#S#* , M:# & V&*3,= J# 9*&9:3/,E :2, =#(4:*, =#\#B F 9*#5& #R4*#2,2#34# ,.#JJU\#= ./,2, , ,4#356& 3& ,3-3.(&E C@ 3  Estabelecida em 1946, a editora Axel Springer cria, produz e distribui informação e entretenimento através de jornais, revistas e mídias digitais. Hoje a companhia é a maior editora de jornais da Alemanha e a terceira maior de revistas do país, possuindo cerca de 170 publicações, entre jornais e revistas e 80 serviços de informação online, funcionando em 36 países com cerca de 10.000 #29*#L,%&JB < #29*#J, ,9*#J#34&: *#.#(4, %# ` ?BaCC1a 2(=/b#J %# #:*&J # :2 cNP]'< %# ` dde1@ milhões no ano de 2009. (AXEL SPRINGER, [2010]) Figura 1  !   Anúncio BILD  
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