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OS (DES)ENCONTROS DAS RELAÇÕES SOCIAIS NO COTIDIANO ESCOLAR

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OS (DES)ENCONTROS DAS RELAÇÕES SOCIAIS NO COTIDIANO ESCOLAR Caroline Andrea Pottker (Mestre em Psicologia, Faculdade Ingá, Maringá-PR, Brasil); Robson Lima dos Santos Miranda (Graduando em Psicologia,
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OS (DES)ENCONTROS DAS RELAÇÕES SOCIAIS NO COTIDIANO ESCOLAR Caroline Andrea Pottker (Mestre em Psicologia, Faculdade Ingá, Maringá-PR, Brasil); Robson Lima dos Santos Miranda (Graduando em Psicologia, Faculdade Ingá, Maringá-PR, Brasil). Palavras-chave: Psicologia Escolar, relacionamento, estágio. Introdução contato: O presente trabalho apresentará a experiência vivenciada no decorrer do estágio na área da Psicologia Escolar, o qual foi realizado em um colégio localizado na cidade de Maringá. Este estágio teve como objetivo possibilitar que os estagiários pudessem diagnosticar, propor e executar intervenções psicoeducacionais, enfocando aspectos sociais nesta instituição de ensino. Assim, com a realização do diagnóstico, foi observado que uma das demandas identificadas nesta escola foram as dificuldades no relacionamento entre os alunos do ensino médio com a direção da escola. Na sequência, foi proposto e planejado um projeto de intervenção referente a esta demanda. Este projeto teve como objetivo propiciar um momento de reflexão sobre as relações interpessoais estabelecidas na escola entre alguns alunos do ensino médio com a diretora e a coordenadora pedagógica. Para tanto, faz-se necessário no projeto ter um respaldo teórico, que apresenta-se abaixo. Os relacionamentos conflituosos na escola Pelo fato da escola ser uma das instituições abarcadas pelo contexto social, por vezes as relações interpessoais se caracterizam por uma convivência intensa levando assim a situações de conflitos, e esta constatação é afirmada por Lisboa, Campos e Dias (2011, p. 245) ao citar que a escola, entendida como um micro sistema de suma importância para o desenvolvimento psicossocial pode ser e é palco de conflitos. Tais conflitos podem ser considerados como queixas entre professores e alunos e vice e versa, onde as principais queixas destes alunos estão voltadas para a metodologia utilizada pelos mesmos, gerando assim insatisfações e fonte de desinteresse para o aluno, que, consequentemente, sente-se desmotivado (LEAL & SOUZA, 2012). Com isto, a insatisfação dos alunos pode gerar comportamentos e atitudes que variam entre passividade, desinteresse e indisciplina, o que torna o ambiente escolar difícil para alunos e professores (LEAL & SOUZA, 2012). A extensão das dificuldades de relacionamentos chega à direção também, que por sua vez, em seu papel de autoridade segundo Lisboa, Campos e Dias (2011) não percebem o quanto prejudicam as relações dentro das escolas, seja com alunos, professores ou pais. A partir destas dificuldades de relacionamento nas escolas salientase o trabalho do psicólogo escolar. Para Andrada (2005) algumas intervenções estabelecidas pelo CFP na resolução nº 014/00 caracterizam algumas práticas do psicólogo escolar, entre elas, de forma geral, sua atuação ao analisar as relações entre os diversos segmentos do sistema de ensino e sua repercussão no processo de ensino para auxiliar na elaboração de procedimentos educacionais capazes de atender às necessidades individuais. Conforme este breve aparato teórico, passamos a apresentar as atividades desenvolvidas no projeto de intervenção citado acima. Método: Neste projeto, inicialmente houve a divisão dos estagiários em dois grupos, sendo um deles formado por quatro integrantes, chamado de grupo I. Este grupo responsabilizouse por desenvolver as intervenções com os alunos, o grupo II, composto por três estagiários, realizou as intervenções com a diretora e a coordenadora pedagógica. As intervenções foram realizadas em semanas intercaladas, seguindo um cronograma previamente estabelecido. Iniciou-se com os alunos houve a apresentação do filme Escritores da Liberdade, e uma reflexão sobre o mesmo, em outro encontro foi realizada a dinâmica denominada braços entrelaçados, e por fim, a dinâmica da Cartolina (cartazes). Com a diretora e a coordenadora pedagógica, os encontros foram separados, sendo realizadas as mesmas atividades, como proporcionar a discussão a partir de reportagens referentes a agressões escolares, em outro encontro ocorreram reflexões de um vídeo com o tema Violência gera violência, e por fim, uma reflexão sobre os cartazes elaborados pelos alunos. Resultados e Discussão: Com os alunos, a primeira atividade foi assistir ao filme Escritores de Liberdade ; onde neste momento, os alunos demonstraram participativos, com atenção totalmente voltada a esta atividade. Este filme retrata o cotidiano escolar, principalmente o relacionamento entre os alunos de uma turma considerada bagunceira com uma professora nova. A partir deste filme, foi proporcionado um espaço para reflexão, no qual tentou-se relacionar aspectos apresentados no filme referentes a problemas de comunicação entre alunos e a professora com a realidade vivenciada por estes alunos com a direção da escola. Nesta reflexão houve muitos desabafos dos alunos sobre problemas que já tiveram na escola com as profissionais da direção, não sendo possível a discussão se estender mais devido ao tempo. Na semana seguinte, foram realizados os encontros com a direção e a coordenação da escola separadamente, foram entregues a elas diversas reportagens sobre agressão escolar, que possibilitaria que relatassem fatos da rotina escolar. Entretanto, a diretora mostrou-se pouco participativa, pedindo para ler a mesma em outro momento e em seguida inicia um diálogo relatando o quanto gosta de estar em sala de aula, de que nunca houve agressões físicas entre direção e alunos, desviando do assunto e mostrando resistência quando era retomada a relação desta com os alunos. Ambas, a diretora como a coordenadora pedagógica em seus encontros com os estagiários demonstraram não perceberem dificuldades no relacionamento com os alunos do ensino médio. No encontro seguinte com os alunos, a dinâmica proposta foi braços entrelaçados, onde de mãos dadas, em circulo, de costas para dentro do circulo, sem que soltassem as mãos, se posicionassem de frente ao lado interno do circulo. De forma breve, os alunos conseguiram realizar a dinâmica, que proporcionou muitas risadas e descontração, após este momento foi levantada a discussão sobre como eles conseguiram juntos resolverem aquele problemas. E assim por diante neste encontro com os alunos, foi destacada a importância de em grupo, organizadamente, e educadamente, poderem estar conversando para a solução de inúmeras dificuldades enfrentadas no cotidiano escolar, sem que sejam desrespeitosos e indisciplinados. No meio desta discussão, os estagiários chamaram a atenção para o relacionamento destes com a direção da escola, o que gerou muitas falas ofensivas em relação à diretora como a coordenadora. Por fim, estes alunos reclamaram delas, porém não conseguiram compreender que para melhorar o relacionamento com ambas era preciso que estes também tentassem serem respeitosos com estas profissionais. No próximo encontro com a direção e coordenação, separadamente, foi apresentado um vídeo sobre pessoas que agiam com agressiva com as outras a reciproca era mais agressividade. Nestes encontros os estagiários tentaram romper com algumas ideias cristalizadas de ambas profissionais, como por exemplo, o fato de demonstrarem autoridade sobre os alunos falando em um tom de voz alto, sendo que a reciproca de alguns alunos era responder no mesmo tom de voz o que gerava mais e mais discussão. Nesta dinâmica houve pouco resultado, pois a coordenadora não percebia que gritava com os alunos, com isso faltando com respeito com os mesmos; enquanto que a diretora, sempre ressaltava que os alunos eram mal-educados, mas no final todos se entendiam de forma satisfatória e harmoniosa. No ultimo encontro com os alunos, foi proposto aos mesmos, à confecção de cartazes, com mensagens a direção e coordenação da escola. Neste momento, divididos em pequenos grupos, extravasaram alguns pensamentos, os quais convocados a refletir quanto ao sentimento que teriam ao receber tais pensamentos verbalizados, colando recortes de revistas que caracterizassem solicitações e ou dicas de boa conduta e respeito ao próximo. Como encerramento, foi entregue os cartazes confeccionados pelos alunos, a diretora, pois a coordenadora estava ocupada com suas atribuições, propondo reflexões sobre as mensagens encontradas nos mesmos, a qual demonstrou surpresa diante das frases solicitando mais respeito no relacionamento entre eles. Provavelmente este tenha sido um dos poucos momentos que a diretora tenha percebido que a relação com estes alunos não estava tão bem quanto ela imaginava. Devido ao tempo e a disponibilidades de ambas profissionais não foi possível realizar mais encontros que pudessem aprofundar a temática até então discutida. Conclusão: Houve grande participação e colaboração das coordenadoras, sempre nos atendendo e permitindo que as intervenções fossem realizadas, no entanto, pouca abertura para a mudança de ideias previamente cristalizadas diante dos anos de experiencia em suas funções na escola. Com os alunos, o objetivo foi também alcançado parcialmente, sendo constatada a dificuldade dos alunos em refletirem sobre suas próprias atitudes e comportamentos agressivas com a direção. Mesmo não atingindo o resultado esperado, o estágio foi de grande valia a minha formação profissional, sendo possível associar a teoria com a prática, dentro da realidade do cotidiano escolar. Por meio da discussão de casos, aprimorando e compartilhando conhecimentos, com todos os envolvidos nesta comunidade, sobre o poder criar, e a cada momento recriar uma sociedade mais justa, com uma escolarização com de maior qualidade e responsabilidade. Referências: ANDRADE, C. G. E. (2005). Novos paradigmas na prática do psicólogo escolar. Psicologia: Reflexão e Crítica, 18, ANDRADA, E.G. C. (2005). Sugestões Práticas, focos de intervenção em Psicologia Escolar. Psicol. Esc. Educ. Vol. 9 nº 1, Campinas. LEONARDO; T. S. N. (2012). In: LEAL, G.; R.; F.; Z.; SOUZA.; R.; P.; M.. (Org.), Pesquisa em queixa escolar: desvelando e desmistificando o cotidiano escolar. (pp.) A queixa escolar sob a perspectiva do aluno: a contribuição do processo de escolarização na formação do indivíduo. Maringá: Eduem. MEIRA, M. E. M.; ANTUNES, M. A. M. (2003). Psicologia escolar: Práticas Críticas. São Paulo: Casa do Psicólogo. (pp.63-85) OLIVEIRA, É.C.S.; MARTINS, S.T.F. (2007). Violência, sociedade e escola: da recusa do diálogo à falência da palavra. Psicologia & Sociedade, 19,
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