Slides

Paper compós 2011 vale tudo 15.10.2011

Description
Telenovela VALE TUDO da televisão aberta migra para o canal VIVA e se multiplica na comunicação compartilhada das redes sociais. Elementos de transmídia, crossmídia, redes sociais. Perspectiva de mediação na recepção dos produtos midiáticos. Crítica e monitoramento da indústria cultural na era da comunicação compartilhada.
Categories
Published
of 16
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
  • 1. “Vale Tudo” nas Redes Sociais? Ética, Mediação e Cidadania no CiberespaçoCláudio Cardoso de Paiva UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA 1. Introdução Após mais de meio século de atuação, no contexto da cultura audiovisual, astelenovelas se tornaram um fenômeno importante no imaginário coletivo e no mercadointernacional, atraindo a atenção da academia. A prova disso é que grandes expressõesdo pensamento social brasileiro tais como Muniz Sodré (1991), Marcondes Filho(1986), Janine Ribeiro (2005), entre outros, fizeram valiosas contribuições sobre o tema. A partir dos anos 80, surgiram estudos sinalizando um reconhecimento daperspectiva teórica da recepção, como Leitura social da novela das oito (LEAL, 1985). De fato, verificamos uma curva no trajeto epistemológico da comunicação como estudo das mediações, a partir da contribuição de Martin-Barbéro, com o livro DosMeios às Mediações (1987). Este tipo de análise, orientado pelos “estudos culturais”, seamplia com as investigações de Canclini (1998) e Orozco (2002), que impulsionaram osintelectuais latino-americanos a reconsiderar a importância do consumo dateledramaturgia por vários estratos da audiência brasileira. Nessa esteira, encontramos trabalhos instigantes como O potencial dialógico datelevisão (MATTUCK, 1997), O fascínio de Sherazade (ANDRADE, 2003) e o estudode fôlego Vivendo a telenovela (LOPES; BORELLI; RESENDE, 2000): um esforço demonitorar o modo como as diversas classes sociais assistem às telenovelas, e como a“realidade imaginada” no universo da ficcão na TV se mescla à própria realidade demilhões de pessoas, que interagem ativamente com os personagens e situações. O grande público se habituou a tirar proveito dessas narrativas, fazendo usos eapropriações das mensagens. E com efeito, a telenovela, como uma modalidade de“obra aberta”, sempre teve o seu roteiro modificado a partir da recepção, aceitação,recusas e pactos de leitura por parte da audiência. Procuramos examinar as interrelações entre a teledramaturgia e as e mediaçõesrealizadas pelos receptores por meio das redes sociais. Ou seja, observamos um produto
  • 2. já consagrado no contexto da cultura popular de massa, que, migra da televisão abertapara outros suportes midiáticos, como a TV paga1, o DVD, a internet. Mirando a telenovela Vale Tudo, que discute basicamente “se vale a pena serhonesto num país de corruptos”, e verificando que esta foi ao ar em 1988 (antes doscaras pintadas e do impeachment do Presidente Collor) e que retorna ao espaçoaudiovisual no ano de 2010 (no fim da gestão do Presidente Lula, após a denúncia dos“mensalões”), encontramos insights valiosos para repensar o tema da corrupção e asinterfaces da ética, mídia, política e sociedade. Exploramos os contratos simbólicos efetivados entre a imaginação criativa dosespectadores-internautas e os conteúdos midiáticos, buscando perceber como asnarrativas televisuais geram modos críticos e competentes de leitura e conversação,migrando para os blogs e sites, como o YouTube, Facebook, Twitter, Orkut. Contemplamos os estilhaços da telenovela Vale Tudo no ciberespaço, onde seincluem diversas interpretações dos seus conteúdos temáticos. Neste ambiente depluralidade e complexidade, encontramos a oportunidade para extrair sentido destaexperiência cultural tão controversa como a telenovela Vale Tudo. O roeteiro focaliza as mazelas nacionais, a corrupção, a violência, a injustiçasocial, a falta de educação, de ética e solidariedade. Migrando da indústria cultural parauma instância pós-massiva e segmentada, a ficção seriada nos dá a chance de perceberas simulações que faz do real, a partir das novas sociotecnologias do olhar. Na primeira semana, a reprise levou o Canal Viva à liderança do Ibope da TV paga. No horário alternativo, ao meio-dia, só perde para os infantis. (...) Tanto sucesso surpreendeu até Letícia Muhana, diretora do Viva. "Tínhamos pesquisas apontando que o público queria programas da década de 80 para trás. Escolhemos Vale Tudo porque foi marcante, mas nos espantamos com esse tsunami." (...) Essa é a segunda vez que "Vale Tudo" é reprisada. A primeira foi em 92, no "Vale a Pena Ver de Novo". Mas dois fatores tornam a reapresentação atual mais badalada: "Quatro anos foi um tempo curto, havia uma ressaca da novela, que foi avassaladora. E hoje há as redes sociais da internet, fundamentais para esse sucesso." (MATTOS, Folha.com, 31.10.2010) Para demonstrar a importância desta obra na imaginação popular e explicitarcomo a sua narrativa extrapolou o âmbito da esfera estritamente midiática, irradiando-senos interstícios socioculturais, na espessura da organicidade cotidiana, mapeamosalgumas informações pertinentes. Assim, apresentamos um percurso que evidencia as1 A reapresentação (de Vale Tudo) vai ao ar no Viva, canal pago da Globosat que faz sucessocom programas antigos da TV Globo. In: Folha.com, 31.10, 2010
  • 3. intersecções entre o plano da ficcionalidade (e midiatização social) e o plano darecepção e das mediações sociais colaborativas. O Brasil inteiro parou em 1989 para saber quem matou Odete Roitman (em pleno sábado de Natal). (...) Houve até um concurso, patrocinado por uma indústria alimentícia para premiar quem acertasse o nome do assassino. (...) Apesar de vilã, a personagem conquistou grande popularidade. Beatriz Segall conta que depois que personagem foi assassinada na trama, uma agência de publicidade criou uma campanha para uma companhia de seguros, na qual, sob uma foto da atriz, lia-se a frase: “Nunca se sabe o dia de amanhã. Faça seguro.” (...) Vale Tudo foi exibida em mais de 30 países, entre os quais Alemanha, Angola, Belgica, Canadá, Cuba, Espanha, Estados Unidos, Itália, Peru, Polônia, Turquia e Venezuela. (...) Em Cuba a novela fez tanto sucesso que “Paladar”, o nome dos estabelecimentos gerenciados por Raquel, passou a designar os pequenos restaurantes privados que acabavam de ser inaugurados no país, depois da abertura econômica dos anos 1990 (In: Dicionário da TV Globo, 2003). O desafio que se coloca é acompanhar a transfiguração de um produto midiático,exemplo de uma experiência linearmente “comunicativa”, forjada em moldes industriaise tipicamente massivos, que passa a se constituir numa “experiência comunicacional”,como distingue Muniz Sodré (2002). Ou seja, extrapola a sua contigência de produto dacultura de massa e se transfigura num produto da “cultura midiática” (Santaella, 2003). Isto se tornou possível após a expansão dos objetos técnicos, comovideocassetes, gravadores, controle remoto, que autorizam um novo modo de uso (derecepção, assimilação e mediação) por parte dos telespectadores, consumidores,pesquisadores. Logo, os fenômenos e ambientes midiáticos e comunicacionais se tornam maisevidentes, proporcionando estudos mais sistemáticos a partir de uma empiricidadesurgida através da comunicação interativa, gerada pelas redes sociais. Após a internet ea comunicação digital, precisaremos reformular tudo aquilo que conhecíamos emtermos de teoria (e estética) da recepção, mediações socioculturais, “contratos deleitura” e “interacionismo simbólico”. Com a inserção social dos computadores e outrosdispositivos de mídias locativas (celulares, palmtops, laptops), verificamos umapragmática da comunicação em que os papéis dos autores, leitores e telespectadores seintercambiam, solicitando reajustes conceituais e metodológicos. 2. As leituras e interações tecnossociais como figuração do Método Buscamos sustentar uma argumentação procurando refletir sobre a seguintequestão: podem as mídias interativas promover elementos argumentativos e
  • 4. comunicacionais contribuindo para a elevação do debate sobre a ética, a percepçãoestética e a inteligência coletiva, no contexto da vida cotidiana? Após uma longa busca, capturamos vários suportes informacionais, dentre osquais site “M de Mulher”, da Editora Abril. E notamos que este traduz antes uma“celebração dos prazeres da audiência” (RONSINI, 2008, 20), do que uma crítica damanipulação e programação da percepção estética e da cognição pela retórica daficcionalidade. E essa é a estratégia do trabalho agrupar, contrapor, criar espaçosdialógicos, acolhendo perspectivas distintas. O site prima na disponibilização de fotosdos personagens e não disfarça a sua apologia à espetacularização midiática por meio deuma retórica esvaziada de sentido e floreada com frases de efeito, expressas no título, esubtítulo da matéria, num texto curto, que serve como legenda da grande foto dapersonagem Odete Roitman: “Vale Tudo: a novela que mostrou a cara do Brasil (...) é sucesso absoluto mesmo quando é reprisada. A trama de Gilberto Braga apresentou personagens que são lembrados até hoje. (...) Uma senhora vilã. Rica e esnobe, Odete Roitman desprezava os pobres e dizia ter vergonha do próprio país. Era a vilã que todos amavam odiar. O mistério envolvendo o seu assassinato parou o Brasil”. (site “M de Mulher”, Novelas e Famosos, 29.10.2010). Não se pode observar um dispositivo de mídia digital como este, sem consideraro seu caráter de provisoriedade, que de certa forma traduz o estado da arte dacomunicação numérica contemporânea, sem reconhecer o nível de gratificação queoferece aos seus usuários. Na perspectiva de uma teoria da recepção, este produto deveser compreendido num contexto sociocultural em que as iconicidades e figurações dascelebridades satisfazem às idolatrias pós-modernas, como aponta Maffesoli (2008), etambém Barthes (1982) e Baudrillard (1997), estudando as mitologias de sua época. Demaneira semelhante, Certeau celebra “as invenções do cotidiano” (1996). O volume de acessos, postagens e recomendações registrados no website atestamo gosto dos leitores-fãs-assinantes, que se dedicam a contemplar, colecionar ecompartilhar as imagens eleitas dos “olimpianos”, como escreve Morin (1989). Caberiarespeitarmos as escolhas das “comunidades de afeto” reunidas em torno dos ícones emitos, banalidades, frivolidades e efemeridades da sociedade digital. De maneira similar podemos apreciar no site da UOL, a introdução do Quiz:Quem é você na novela “Vale Tudo”? Ali os internautas são convocados a encarnar apele dos personagens da trama. E os inúmeros acessos, identificações, “tuitagens” e
  • 5. incorporações surpreendem apenas aqueles não-leitores de Bauman, o filósofo da“modernidade líquida” (2001; 2005), que explica o estado atual dos fenômenos éticos epsicossociais, identidades nômades, relações efêmeras, numa era de extrema aceleraçãoe velocidade, que não permite enraizamentos e identificações duradouras. E, num outro registro encontramos mediações críticas, porque nem todos osgatos são pardos nas intersubjetividades e interações do ciberespaço. Vejamos, nessalinha, a argumentação crítica do jornalista Maurício Stycer acerca do conteúdo temático: De volta à telinha, pelas mãos do canal Viva, da Globosat, “Vale Tudo” está obtendo bons índices de audiência na TV paga, o que não significa muita coisa, causando frisson nas redes sociais, em especial o Twitter, e animando conversas na madrugada –a novela é exibida à 0h45 e reapresentada às 12h. (STYCER, site UOL - Televisão, 2010). O comentário acima possui relevância em nossa análise, não apenas pelainformação acerca do retorno triunfal da telenovela após 22 anos, desta vez na era daTV Digital, mas por outros motivos: a sua reportagem (de teor crítico) se instala numambiente hipertextual, abrindo a possibilidade para os leitores-internautas-telespectadores fazerem suas próprias mediações, intervindo com novos comentários,através das ferramentas de convergência, como o e-mail, Orkut, Facebook, Twitter. Os“sistemas de resposta”, conforme escreve Braga (2006), por sua vez, serãocapturados, comentados, refutados, respaldados; depois porque a interação mútua dosite permite aos leitores-usuários-telespectadores agenciarem mecanismos deinterpretação daquilo que está no centro do conteúdo temático da narrativa de ValeTudo, ou seja, o problema da ética. Este expediente nos é facultado a partir dodepoimento do dramaturgo Gilberto Braga, senão vejamos: Vale Tudo nasceu da (...) distorção – presente em praticamente todo o país – dos que acham que quem não é corrupto é babaca. Foi a única novela em que, antes de ter a história, eu já tinha a temática. Eu queria fazer uma novela sobre o seguinte assunto: “Vale a pena ser honesto num país onde todo mundo é desonesto?” Foi uma novela muito didática. (In: STYCER, ibidem) O próprio colunista lança o mote para uma primeira reflexão dialógica acercado ethos subjacente à organização discursivo-imagética da trama: O depoimento ajuda a entender o que não gostei ao rever o capítulo 29 de “Vale Tudo”. É uma novela destinada a vender uma “mensagem” de cunho moral, escrita didaticamente. Gilberto Braga acreditava que, na exposição exagerada da maldade dos personagens, estaria dando
  • 6. uma lição ao público. Isso inclui até a famosa “banana” que o vilão Marco Aurélio dá no final da novela, ao escapar impune. Vista hoje, “Vale Tudo” me pareceu engraçada e divertida, mas boba. É politicamente incorreta, mas esta qualidade fica em segundo plano diante dos exageros cometidos e ditos para chamar a atenção do público. (STYCER, ibidem) Ao nível das mediações tecnossociais realizadas em rede, a experiênciaamadurece a partir da polifonia dos comentários dos leitores-internautas,disponibilizados nas 34 postagens do twitter e das 51 recomendações no Orkut. Umexame detido destes expedientes interativos nos traria elementos instigantes paraentendermos esta modalidade de comunicação colaborativa. Mas aqui não há lugar nemtempo para isso. O que importa mesmo é perceber como as hibridações e convergênciasgeradas pelo hipertexto modificam o estilo de leitura, recepção e interação por parte dostelespectadores, e como as interpretações do problema da ética e da moralidadeatravessam o corpo da narrativa ficcional. 3. Os blogs, as interações e subversões de Vale Tudo Das Actas Diurnas de Júlio César, na Roma antiga, passando pelos tipos móveisde Gutemberg, chegando aos blogs da internet, uma revolução inteira aconteceu, no querespeita ao modo de produção, circulação e consumo das informações. Após uma busca na Web, desejando apreender a interface que reúne as notíciassobre Vale Tudo no contexto das mídias interativas, encontramos o blog de DaniloThomaz, “Crônicas da Vida Financeira”. Uma modalidade de comunicação interativaque prima pela inteligência e criatividade conectadas, com rigor na análise, resgatehistórico e tratamento da informação. Este especialista em Jornalismo Econômico,compartilha com os seus leitores-colaboradores uma interpretação da novela Vale Tudo,selecionando os temas relativos ao contexto econômico-financeiro do período em que ateledramaturgia foi realizada. Pelas palavras do autor, podemos reconhecer: “um país arrasado, em que os personagens vivem assombrados pelo desemprego, desestabilizados pela inflação e açoitados pela descrença de um futuro no país que levou 20 anos para sair de uma ditadura e acordou numa profunda crise econômica”. Os ricos – esnobes, corruptos e alineados – passam o dia à beira da piscina – sustentados pelos rendimentos da inflação – e as noites em festas. Os que trabalhavam, viviam entre negociatas, críticas mordazes ao Brasil. Os pobres são tensos, têm medo de perder o emprego e passar por sérias dificuldades. O preço do pão, da carne, do leite é o assunto deles à mesa, que agradecem a Deus por ainda ter o que comer. Um dos poucos personagens com formação superior – paga com toda
  • 7. dificuldade do mundo pelo seu pai –, Ivan deixou o emprego em São Paulo para trabalhar numa empresa carioca que lhe pagaria mais. Ao chegar para o seu primeiro dia de trabalho, descobre que 90% dos funcionários foram demitidos. Ele inclusive. A partir daí, Ivan luta para conseguir um emprego que pague suas contas e a pensão para seu filho, já que sua ex-mulher, Leila (Cássia Kiss), nega-se a trabalhar como vendedora de loja. Como quase ninguém consumia naquele país de economia fechada e hiperinflação, ela não achava um bom negócio passar o dia em pé. Ivan, porém, tem que se defrontar com um grande obstáculo em sua tentativa de voltar ao mercado de trabalho: a sua formação. Ao omitir que fez faculdade, consegue vaga como assistente de telégrafo na TCA, a empresa de aviação de Odete Roitman. A música de abertura era Brasil, de Cazuza, que ilustra o país arrasado pela hiperinflação, estagnação econômica, abismo social, desordem, obsolescência política e desamparo é o clássico de Gonzaguinha, “É”. (In: Blog - Crônicas da Vida Financeira, 18.10.2010). O nível de interacionalidade do Blog de Thomaz é alto, pois além de conter osrecursos interativos dos sites, como espaços para postagens dos comentários, assimcomo visualização das postagens dos visitantes e os demais utilitários que permitemvárias formas de compartilhamento, agiliza o acesso ao Youtube com as imagens desons da cantora Simone, interpretando a canção protesto de Gonzaguinha. Barbéro e Rey, no opúsculo Exercícios do Ver (2001), elaboram uma reflexãopertinente, ajudando a decifrar a experiência tecnocomunicacional, realizada peladisponibilização dos sites de vídeos nos blogs. Os autores apontam para especificidadeda conjunção, em que a “oralidade” (das culturas pré-industriais) e a “tecnicidade” dasculturas (pós) modernas concorrem para a configuração de formações “culturaishíbridas”, redefinindo “novos” estilos de identificação e de interações, da parte dostelespectadores-consumidores-cidadãos. 4. O YouTube: convergência minimalista, tecnologia da interatividade A invenção e popularização do site de vídeo YouTube significa uma grandetransformação nos processos de criação, difusão e consumo dos audiovisuais.Ocorreram mutações relevantes também no que se refere especificamente ao problemaque tratamos aqui, a migração dos conteúdos da TV analógica para a sua versão digital. A telenovela Vale Tudo segmentada nos labirintos da cultura digital, proporcionamodalidades inéditas de interação mediada por computador (PRIMO, 2007). Por essavia, os telespectadores-internautas-pesquisadores poderão - por exemplo - ter acesso aosconteúdos do fechadíssimo domínio do broadcasting. Os processos de transmigração e compartilhamento dos episódios de Vale Tudo,
  • 8. pelos diversos procedimentos sociotécnicos propiciam modificações marcantes naambiência comunicacional. Isto se dá, primeiramente, através da sua transcodificaçãodas fitas de videocassete para a linguagem digitalizada, em seguida pela captura de seuscapítulos, em alta definição, durante a sua exibição no canal GNT, e posteriormente,pela “redistribuição” realizada por hackers e especialistas em informática. A operação rompe as barreiras do sistema midiático tradicional engendrandoprocessos inéditos de interacionalidade, e modalidades originais de mediações, novosprocessos intersubjetivos e interativos. O YouTube promoveu a democratização dainformação e da comunicação, assim como originou o nascimento de novos estilos de“cidadania digital “e de “comunidades virtuais” (RHEINGOLD, 1996). Este tipo de site é guarnecido por utilitários operacionais, que realizam àsconvergências midiáticas, ligando-se ao e-mail, twitter, Facebook. Usando osinstrumentos e a performatividade do YouTube podemos compartilhar as informações,imagens, sons, textos, comentários, leituras e interpretações que repercurtem no campoda economia, política, arte, educação, lazer e negócios. Esta experiência pode ter várias designações, como “cultura de convergência”(JENKINS, 2008), “cultura de interface” (JOHNSON, 2001) ou “cultura da virtualidadereal”. O fundamental é reconhecer que se trata de uma experiência geradora deempoderamento social (CASTELLS, 1999; 2009). A GloboSat está atenta para os “riscos” econômicos e políticos trazidos pelasmídias (e mediações) colaborativas e pelas tecnologias de compartilhamento. “Às pressas, dois departamentos
  • We Need Your Support
    Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

    Thanks to everyone for your continued support.

    No, Thanks