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Perambulando pelo centro histórico de Lisboa: urbanidade, o flâneur e as qualidades visuais da cidade

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Publicado em P. Rheingantz, R. Pedro & A. Szapiro (Orgs.), Qualidade do Lugar e Cultura Contemporanea; Porto Alegre: Editora Sulina, Perambulando pelo centro histórico de Lisboa: urbanidade, o flâneur
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Publicado em P. Rheingantz, R. Pedro & A. Szapiro (Orgs.), Qualidade do Lugar e Cultura Contemporanea; Porto Alegre: Editora Sulina, Perambulando pelo centro histórico de Lisboa: urbanidade, o flâneur e as qualidades visuais da cidade Vicente del Rio Paisagem é nisso que a cidade de fato se transforma para o flâneur. Ou mais precisamente: para ele, a cidade cinde-se em seus polos dialéticos. Abre-se para ele como paisagem e fecha-se em torno dele como um quarto. (Benjamin, 2007, p. 462) Logo em minha primeira viagem à Europa, ainda como estudante de arquitetura, aprendi o quanto suas cidades, particularmente os centros históricos, podem nos ensinar. Desde então aprendo muito caminhando, observando e vivenciando cidades da Europa sempre que posso. Nunca fico cansado de explorar a paisagem e o desenho de suas ruas e lugares, as dimensões sociais e histórias presentes em suas morfologias. Os centros históricos combinam qualidades em ambientes cativantes, geralmente cheios de vida, onde podemos perambular por horas sem nos cansar. Acima de tudo, adoro experienciar a urbanidade das cidades como um flâneur, descobrindo e redescobrindo qualidades do seu desenho urbano e aprendendo muito com isso. Seguidamente gosto de perambular por cidades, particularmente centros históricos, nem sempre com propósito específico e por caminhos que me levam a descobrir, ou redescobrir, lugares. Sempre fico plenamente engajado com o que vejo e sinto, tentando assimilar tudo Nota: Todos os desenhos deste artigo foram feitos pelo autor. 248 Perambulando pelo centro histórico de Lisboa: urbanidade, o flâneur e as qualidades visuais da cidade que posso. A cidade e seus diversos componentes físicos e culturais vão se revelando, pouco a pouco, assim como revelam as suas qualidades: algumas vezes de longe, de modo previsível, outras vezes surpreendendo, mas sempre tornando o caminhar um prazer, fazendo da cidade um cenário de eterno aprendizado. Nesse processo, o desenho principal instrumento do arquiteto-urbanista é a melhor forma de curtir o lugar, de representá-lo e analisá-lo. Ressalto aqui a importância do sketch, ou croqui, e do desenho não apenas como um meio para se observar e representar um lugar, mas como instrumento de análise e descobertas. Isso se torna ainda mais importante no mundo de hoje, onde a facilidade de uso e o fotorrealismo dos meios de representação digitais deslumbram tanto que acabam tomando-os um fim em si próprios, ofuscando a essência do representado e despersonalizando-o. Diferentemente de uma renderização perfeita da coisa inexistente, um bom croqui é uma fusão inconsciente entre o lápis ou caneta, o lugar e a personalidade do seu criador (Richards, 2013). Por outro lado, nada como a simplicidade e a rapidez do croqui para facilitar o desenvolvimento conceitual do projeto, viabilizando a ligação mente/papel e o processo de pensamento gráfico (Laseau, 2001). Em recente artigo, o arquiteto Michael Graves (2012) comenta que a arquitetura não pode se divorciar do desenho, não importa quanto avance a tecnologia, pois eles são parte do processo de raciocínio. Para Graves, desenhar no computador é como ouvir as palavras de um livro contado em voz alta, enquanto o desenho à mão seria o equivalente a ler, que nos permite sonhar um pouco e fazer associações além do sentido literal das palavras no papel. Assim, entendo o desenho como meio de representação e análise que revela e viabiliza o desenho como desígnio e processo. Neste capítulo apresento uma breve discussão sobre o significado de urbanidade e de flâneur, fundamentais para se pensar, analisar, e projetar a cidade. Esses significados justificam o uso dos croquis de observação como método (absolutamente empírico, pessoal e subjeti- 249 vo) para o estudo das qualidades visuais do desenho urbano que são fundamentais à urbanidade, instigam o flâneur e alimentam suas expectativas. Faço isso utilizando Lisboa, maravilhosa cidade pela qual tenho enorme fascínio e admiração e que tenho tido a oportunidade de visitar seguidamente. Nunca me canso de explorar Lisboa, sua paisagem urbana, sua geografia, seu urbanismo, seu desenho urbano e suas arquiteturas: uma cidade de profundo sentido histórico e vida social e cultural rica e intensa. é no seu centro histórico onde todas as suas qualidades se combinam e geram ambientes cativantes, onde se pode caminhar por horas sem se dar conta. Trata-se de uma área de aproximadamente 350 hectares que, apesar da famosa topografia lisboeta, pode ser perfeita e confortavelmente percorrida a pé (walkable) e encontra-se muito bem servida por transporte coletivo. Em minhas andanças por Lisboa eu simplesmente me deixo curtir a urbanidade e as qualidades urbanísticas que vejo e sinto, como um flâneur armado de um olho inquieto, uma mente curiosa, uma câmara e um caderno para croquis. Sobre urbanidade e o flâneur Urbanidade é um termo que traduz um entendimento/significado rico e poderoso, mas impossível de se traduzir em palavras. A busca por urbanidade tem sido uma constante no campo do planejamento e desenho urbano. Os dicionários definem urbanidade como aquilo relacionado à vida urbana e ao contexto da cidade, com se ter boas maneiras e saber como se comportar socialmente; unem-se, portanto, as dimensões física, social e cultural. Entendo urbanidade como a capacidade de se presenciar diferenças e em se experienciar o outro numa cidade (Baudelaire apud Sennett, 1990, p. 123), e sobre estar imerso na esfera pública e escapar da tirania da individualidade (Sennett, 1974). Urbanidade é reconhecer e aceitar diferentes pontos de vista 250 Perambulando pelo centro histórico de Lisboa: urbanidade, o flâneur e as qualidades visuais da cidade na cidade: culturais, políticos e sociais. Ela se encontra na vitalidade e diversidade da cidade e seus espaços (Jacobs, 1961) ou, simplesmente, na dimensão humana da cidade (Gehl, 2010). Para os fenomenologistas, a urbanidade reflete a dimensão existencial da cidade (Norberg- Schulz, 1979), relaciona-se com uma multiplicidade de pequenos atos que tornam o lugar atemporal (Alexander, 1979) e define a qualidade da cidade que nos faz sentir em casa quando no espaço público (Aguiar, 2012). Mas mesmo que não possamos expressar a ideia de urbanidade com a exatidão das palavras e a reconheçamos, acima de tudo, como um sentimento perante a cidade, a urbanidade é o objetivo mais nobre da nossa profissão na construção do lugar (placemaking). Uma forma fundamental de se experienciar a urbanidade é o caminhar, mais especificamente perambular ou caminhar sem propósito específico. Isso nos remete à figura do flâneur, que, em francês, significa uma pessoa que perambula ou um observador urbano um termo surgido no século XIX em Paris, um tempo e lugar em que a cultura e a vida urbana estavam sofrendo profundas mudanças. Naquela época, a cultura francesa era o paradigma da sociedade ocidental e todos os olhos voltavam-se para Paris como modelo de cidade. De um lado, pelas ordens de Napoleão III e as mãos de Haussman, Paris sofria um processo de modernização e de profundas transformações físicas. Criava-se uma Paris monumental com bairros inteiros sendo renovados, o tecido urbano rasgado por novos bulevares e pontuado por praças e monumentos, e a dimensão pública da arquitetura moldada por rígidas diretrizes. Por outro lado, os parisienses e particularmente a crescente burguesia experienciavam uma vida pública intensa e cosmopolita, animada por uma multiplicidade de lojas e galerias, restaurantes, cafés e mesas nas calçadas, além de uma forte cena cultural representada pelos teatros, livrarias e casas de espetáculo. Um grupo extraordinário de pintores e escultores (tais como Manet, Gaugin, Monet, Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Rodin e Matisse), escritores e poetas (tais como Vitor Hugo, Alexandre Dumas, Júlio Verne, Émile Zola, Paul Valéry e Char- 251 les Baudelaire) impulsionava um ambiente criativo por toda a cidade. Fazer parte deste cenário urbano Parisiense e tornar-se visível publicamente transformava-se num importante valor da burguesia e das classes ascendentes. O filósofo Walter Benjamin chamava Paris de a capital do século XIX e diversos teóricos identificam este período e o processo que então ocorria como o nascimento da modernidade. David Harvey (2003), por exemplo, chama Paris de capital da modernidade. Durante esse período, o poeta e filósofo Charles Baudelaire criou a figura literária do flâneur: aquele que tem prazer em perambular e explorar as ruas da cidade, observando sua vida e seus personagens, experienciando a rua como uma narrativa. O flâneur representa um estilo de vida que só se tornou possível na Paris moderna e no tipo de sociedade que ela representa. Em sua obra, Walter Benjamin (2007) não apenas explora o flâneur como um observador urbano, um emblemático explorador da experiência da vida urbana moderna, mas também adota o conceito como um método de análise: o de observador participante. Assim, em sua flanagem (que em português gerou o verbo flanar ), o flâneur perambula e participa das cenas que vê e analisa, imbuído de seu espírito. Para David Harvey (2003), o flâneur representa a ascensão da classe média parisiense e a sua necessidade de mostrar-se em um lugar público e demonstrar a sua disponibilidade de tempo (o que o distanciaria da classe trabalhadora) nos bulevares, praças e demais lugares públicos, particularmente nas galerias comerciais (arcades, em francês), onde sua presença evidenciava o poder do dinheiro, como também notou Benjamin (2007). No Brasil do começo do século XX, as crônicas do carioca João do Rio revelavam o melhor estilo do flâneur, que ele definia como aquele que perambula com inteligência pelas ruas, fator de vida e alma das cidades, contagiado com o vírus da observação ligado ao da vadiagem (Rio, 2012, p. 31). As crônicas de João do Rio, organizadas no livro A alma encantadora das ruas, documentaram sua experiência flanando por um Rio de Janeiro que se transformava, assim como Paris havia fei- 252 Perambulando pelo centro histórico de Lisboa: urbanidade, o flâneur e as qualidades visuais da cidade to, numa metrópole moderna, palco de profundas transformações físicas e sociais e repleta de personagens. As qualidades da cena urbana No campo do urbanismo e desenho urbano, vários autores su-blinharam a importância da percepção visual da cidade em movimento e de sua urbanidade, particularmente através de suas qualidades visuais, como já notei em obra anterior (del Rio, 1990). Embora todos os sentidos contribuam para nossa percepção, a visão é o dominante e a principal fonte de imagens mentais e de conhecimento do mundo. Por exemplo, Camilo Sitte (apud Collins; Collins, 1965), no início do século, e Gordon Cullen (1961), no final dos anos 1950, em contraponto ao modernismo racionalista, notavam que, uma vez que o pedestre percebe o espaço urbano em movimento, as ruas sinuosas e humanizadas, com constantes mudanças, novidades e surpresas nos quadros visuais são essenciais para o interesse, a apreciação estética e a fruição da urbanidade. Em seu famoso livro Morte e vida das grandes cidades americanas (1961), Jane Jacobs também defendeu que o papel central da rua era gerar espaço público para as interações sociais cotidianas e que ela deveria gerar suficientes estímulos visuais. O pós-modernismo e, mais recentemente, o movimento do new urbanism buscam resgatar a experiência visual e social do pedestre na rua como um dos fatores fundamentais na urbanidade ou, como muitos preferem, placemaking (Dutton, 2000). Jan Gehl (1987; 2010), famoso pesquisador e engajado consultor internacional em humanização de cidades, também aponta a importância da dimensão visual para a urbanidade e a experiência do lugar. Ferris Jabr (2014) parece discutir o flâneur quando nota como o andar estimula o cérebro, deixa-o livre para divagar e nos ajuda a 253 pensar, superpondo o mundo que vemos diante de nós com um desfile de imagens do teatro da mente estado mental que a neurociência liga a sacadas e ideias inovadoras. Sob o ponto da psicologia da Gestalt, a atratividade e estética do espaço da rua também são essenciais para a percepção, a identidade e a imageabilidade, além de afetar nosso comportamento (Lynch, 1960; Smith, 1974; Kopec, 2006). Descontinuidades nas fachadas, alterações de perspectivas, variedade, contrastes, pontos focais, percepção de figura-fundo, etc. cativam o olhar e o interesse do observador. Igualmente, a área de saúde ressalta a importância da percepção do nosso entorno em nossa saúde mental através de inúmeros estudos recentes que têm demonstrado a relação entre a qualidade da rua e os índices de obesidade (atualmente tratada como epidemia nos EUA): ruas e espaços públicos interessantes, seguros e cativantes tendem a levar as pessoas a andar mais. Reid Ewing e outros, tomando por base uma pesquisa para a Robert Wood Johnson Foundation especializada na relação entre ambiente e saúde pública destacam os aspectos físico-visuais que incentivam o pedestre a caminhar: imageabilidade, recinto, escala humana, transparência, complexidade, coerência, legibilidade e conexões (Ewing et al., 2006; Ewing; Clemente, 2013). Com isso pretendo reforçar a utilidade da figura do flâneur, que representa a pessoa que é afetada, direta e indiretamente, intencional e não intencionalmente, pela urbanidade e o desenho da cidade através de suas percepções como observador participante. Foi abraçando esse conceito que eu, seguidamente, perambulo pelas ruas de Lisboa observando, sendo atraído, me perdendo, explorando a cidade e sua vida e buscando espaços cujas qualidades urbanas me engajavam em minha exploração visual, fazendo de minha flanagem um prazer e uma experiência memorável. 254 Perambulando pelo centro histórico de Lisboa: urbanidade, o flâneur e as qualidades visuais da cidade Flanando por Lisboa Nas linhas que seguem, revelo algumas das minhas flanagens através de uma série de breves comentários sem qualquer intenção científica, ilustrados por croquis a lápis ou caneta hidrográfica ponta fina, alguns rápidos outros mais caprichados, realizados in loco e a partir do quanto esses lugares me atraíram e emocionaram. Para mim, são parte essencial da urbanidade de Lisboa e de qualquer grande cidade. Minhas flanagens e comentários a seguir, repito, concentram-se nas qualidades visuais, embora, evidentemente, qualquer flanagem também seja influenciada por todos os nossos sentidos (olfato, tato, audição e, por que não, paladar), além de nossa imaginação. Complexidade e surpresa Qualquer flanagem alimenta-se da composição visual dos lugares, dos espaços que se apresentam adiante de nós e das opções que percebemos em nossos próximos passos e no nosso desejo de continuar a caminhar e experienciar a cidade. Descontinuidades na morfologia, ângulos inesperados e becos sem saída, pontos de decisão múltiplos, passagens estreitas e misteriosas, revelações súbitas, contrastes, vistas sucessivas, tensões visuais estimulantes Gordon Cullen (1961) nota que essas qualidades urbanísticas, as emoções e o drama que elas nos revelam dependem da dinâmica entre o lugar onde nos encontramos e as vistas que se revelam ao longo do nosso caminhar, numa combinação que ele chama de visão seriada. Para Peter Smith (1974, p. 236), a paisagem urbana criativa é aquela que estimula a mente [...] gerando imagens e motivando a exploração. Nesta mesma trilha, Amos Rapoport (1977) define complexidade ambiental como quando a mente sente-se atraída por uma multiplicidade de informações e opções de comportamento. Um flâneur encontra muito disso nas ruas do centro histórico de Lisboa, em particular na morfologia medieval do Alfama, na Mouraria e na Graça, e no urbanismo de colina do Bairro Alto. (Figuras 1 e 2) 255 256 Figuras 1 & 2: Complexidade e surpresas no desenho urbano mantem a mente curiosa e o caminhar mais recompensador. O desenho desta ruela no Alfama (acima) e um edifício em arco sobre a Rua dos Acadêmicos (abaixo) com a deflexão no desenho da rua são convites para se explorar além. Perambulando pelo centro histórico de Lisboa: urbanidade, o flâneur e as qualidades visuais da cidade Vitalidade e robustez A presença de atividades humanas e sociais é fundamental para a percepção da qualidade e do senso do lugar (Canter, 1977; Gehl, 1987; 2010; Whyte, 1980; Lynch, 1981). O flâneur é atraído por atividades que animam e dão sentido às ruas e aos espaços que ele percorre. Um lugar robusto possui variedade de usos, densidades, atividades e opções comportamentais que podem sustentar a sua vitalidade ao longo do tempo, constantemente atraindo diferentes tipos de frequentadores (Bentley et al., 1985). As ruas, praças e espaços públicos de Lisboa enchem-se de vida por conta da mistura de tipos residenciais e da multiplicidade de pequenos estabelecimentos comerciais, restaurantes e bares com mesas nas calçadas, quiosques de comidinhas e café nas praças. Muitos desses lugares dinamizam-se mais ainda em momentos de festividades e manifestações. A Figura 3 representa a Praça Camões, lugar popular para se estar (hang out) de dia ou à noite e um dos favoritos para encontros e todo tipo de manifestação social. Marcado pelo monumento ao poeta e um quiosque de café e comidas, seu desenho simples apoia diversos tipos de comportamento social e individual e adapta-se bem à topografia, oferecendo estacionamento subterrâneo. Por conta dos múltiplos usos a sua volta, sua localização no tecido urbano, das vias estruturais e inúmeras opções de transporte coletivo que por ali passam, a Praça Camões é um nó, segundo a clássica definição de Lynch (1960). A Figura 4 mostra popular quiosque histórico no Jardim do Príncipe Real, que serve apenas cafezinhos, enquanto, na outra esquina, outro quiosque abre exclusivamente na hora do rush para cerveja e charutos, sempre atraindo uma pequena multidão de jovens. 257 258 Figuras 3 & 4: Espaços robustos como a Praça Camões no Bairro Alto (acima) são nos sociais e incorporam câmbios e adaptações ao longo do tempo. Quiosques de café, bebidas, e comidinhas criar e animam lugares, injetando vitalidade na esfera publica, como no Parque do Príncipe Real (abaixo). Perambulando pelo centro histórico de Lisboa: urbanidade, o flâneur e as qualidades visuais da cidade Fechamento e conexões Os estudiosos em desenho urbano concordam que o sentido de fechamento de um espaço público (enclosure), com uma boa definição de suas bordas e facilitando o senso de posição do indivíduo e sua percepção de território, possuem profundas implicações psicológicas e são qualidades fundamentais do lugar (Alexander et al., 1977; Smith, 1974; Rapoport, 1977; Bonnes; Secchiaroli, 1995). As corretas proporções entre um espaço e suas bordas (edifícios e elementos da paisagem) fazem-nos sentir confortáveis, protegidos e em controle do ambiente percebido ao nosso redor. Um espaço com bordas claras e acessos visíveis, que se percebe bem definido e controlável, é um espaço defensível. Bordas definidas podem levar nossa flanagem a outros espaços através de conexões no tecido urbano, contribuindo com a acessibilidade e a continuidade espacial. A percepção de como se pode sair de um lugar e de como se conectar ao contexto imediato parece ser tão importante quanto a sensação de fechamento e de espaço defensável: essas qualidades são complementares. Espaços bem definidos por suas bordas e um tecido fluido, bem conectado marcam constantemente a experiência do flâneur no centro histórico de Lisboa. Excelente exemplo de lugar bem definido por suas bordas é a Praça do Comércio, cercada por um conjunto arquitetônico integrado, de linhas harmoniosas, em três lados, e pela borda do Rio Tejo; observam-se as diversas conexões com o resto do tecido e com a cidade mais além, no caso, as encostas do Alfama (Figura 5). Desde a Rua Cecílio de Souza, um surpreendente e elegante desenho de rampas duplas leva ao Jardim do Príncipe Real, excelente momento em que se revelam conexões entre diferent
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