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Queridos Amigos (Minissérie) intercom natal 2008 16.07.2008

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1. XXXI Congresso Intercom Natal - RN - 2 a 6 de setembro 2008  Projeções da Geração 68 na minissérie Queridos Amigos Uma antropológica da comunicação afetiva…
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  • 1. XXXI Congresso Intercom Natal - RN - 2 a 6 de setembro 2008  Projeções da Geração 68 na minissérie Queridos Amigos Uma antropológica da comunicação afetiva  Cláudio Cardoso de Paiva  UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
  • 2. Queridos Amigos minissérie de Maria Adelaide Amaral (Rede Globo, 2008)  Um retrato da Geração 68 Flashes da ditadura militar resistência política e efervescência cultural Da abertura política até as eleições diretas e queda do muro de Berlim.  A passagem do tempo,  o enigma da morte e  o sentido da fraternidade
  • 3. As minisséries contam a história do Brasil  Ana Adelaide Amaral  A muralha, A casa das sete mulheres, Um só coração, JK e Queridos Amigos: memórias acústicas, visíveis e sentimentais do país  Uma outra maneira de escrever a história: evidências documentais e diferentes modos de oralidade e tecnicidade visibilidade e textualidade, revelados pela potência dos audiovisuais. 3
  • 4. Flashes da memória e estratégias de atualização  A minissérie coincide com a efeméride mundial do ano 1968, nas artes, literatura, jornalismo, cinema e televisão  Das utopias sociais ao individualismo e às estratégias de ação nos anos 80.  Zuenir Ventura, 1968, o ano que não acabou (1988), que inspirou a minissérie Anos Rebeldes (1992);  Mais recentemente, Ventura atualizou o seu relato da geração 68, no livro 1968, o que fizemos de nós (2008). 4
  • 5. O contexto da trama Queridos Amigos  Os nublados anos 80  Um período turbulento no Brasil e no mundo: a perda das referências coletivas e expansão do individualismo.  A “família”: Léo, Lena, Pedro, Ivan, Lúcia, Pingo, Tito, Bia, Benny 5
  • 6. As bases epistemológicas  Antropologia, sociologia e história: interfaces no campo das ciências comunicação  Uma etnografia da ficcionalidade : a) as dimensões objetivas do social na subjetividade da ficção histórica b) as dimensões subjetivas da história na objetivação do texto ficcional  Simbiose entre os seres ficcionais projetados nas telas e os seres humanos dispersos na realidade cotidiana  Expressões do trabalho, vida e linguagem no contexto dos audiovisuais  Pesquisas em minisséries  Lobo; Balogh; Paiva; Malcher; Vidal; Motter; Fechine. 6
  • 7. Complexidades na interface do individual e o coletivo  O protagonista Léo (Dan Stulbach): um empresário bem sucedido no cinema  um ser humano em preparação para a morte, buscando fazer dessa experiência uma obra de arte  Sua estratégia de comunicabilidade: um exercício do saber-ouvir, da compaixão e solidariedade 7
  • 8. A ficção seriada como vetor de uma filosofia da vida cotidiana  A modalidade de um ethos agregador, uma consciência trágica iluminada pelo sentimento de pertencer a uma comunidade.  Um modo de existência que ganha significado a partir de uma comunicação irrigada pelos fluidos afetivos, superando as vaidades, os egoísmos e narcisismos exacerbados. 8
  • 9. A comunicação e a amizade  Emanações do ensaio filosófico de Montaigne [1533-1592], Da amizade, a comunicação como base para as emanações afetivas e os laços de amizade  Uma experiência que não se perfaz sem obstáculos devido às limitações e idiossincrasias humanas. 9
  • 10. Ficcionalidade e história  A fotografia antiga dos amigos constitui um ícone importante na narrativa ficcional: expressão dos laços afetivos e sociais  Docudrama  O registro das imagens em vídeo do retorno dos personagens exilados, junto com imagens “reais” de Gabeira, Dante de Oliveira, Arraes, Betinho, Henfil,  entre outros 10
  • 11. Anos 80, o contexto social e histórico da narrativa  Guerra fria, Reagan, Tatcher, Nova República, Plano Cruzado até a disputa presidencial entre Collor e Lula.  Hiperinflação, AIDS e narcotráfico  Modernização industrial-tecnológica e da globalização.  Transformação no regime dos afetos, das identidades e construção de novos modos de subjetividade e sociabilidade. 11
  • 12. A experiência da doação e a solidariedade orgânica  A experiência do dom, da doação (Morin 2008)  Valores “em baixa” na sociedade de consumo:  as trocas afetivas equivalem às trocas monetárias.  A doação do protagonista Léo: metáfora que fortalece as bases éticas fundamentais, os vínculos afetivos e sociais 12
  • 13. Os audiovisuais: educação estética e sentimental  As trilhas sonoras revigoram a memória e a percepção sensível do social, elevando a auto- estima, promovendo a catarse e a liberação do imaginário  uma dimensão superior de educação estética, sensorial, cognitiva  A poética musical de Milton Nascimento, Chico Buarque, Elis, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Rita Lee, Cazuza... Além de  Eric Clapton, Queen, Janis Joplin, Rolling Stones e outros artistas 13
  • 14. A representação do mal: um tema delicado  Os amigos enfrentam o carrasco (Nenên/Nelson Diniz). Solidários, participam do encontro com o torturador, com indignação e revolta, mas agem de maneira contrária à moral da justiça do “olho por olho, dente por dente”.  A ficção toca na ferida aberta da sociedade brasileira, minada pela violência, falência do espaço público e fragilidade das instituições;  A narrativa é nobre pela maneira como nos situa - leitores, espectadores, cidadãos - diante do mal. 14
  • 15. Os indivíduos, as tribos e as revoluções moleculares  Do discurso político formal, engajado, institucional à dimensão ético-política da existência.  Expressões da “micropolítica” (Foucault) e das  “revoluções moleculares” (Guattari),  O avanço da luta pela democracia (anos 70) incorpora a luta pela cidadania (anos 80), pelo estabelecimento dos direitos humanos. 15
  • 16. Uma filosofia política da subjetividade  Queridos Amigos constitui uma representação política da subjetividade  um feixe de linhas evolutivas no estilo do pensamento e ação política, novas maneiras de pensar, falar e agir de ambos os gêneros, sobretudo das mulheres  afirmação das minorias ideológicas, incluindo os gays e os transexuais, empenhados na conquista da cidadania com base justamente nos direitos humanos e nas liberdades individuais  Filosofia ético-política da subjetividade (Foucault) 16
  • 17. O super-homem de Nietzsche  Para o “super-homem” (de Nietzsche) norteado pelos valores afirmativos e superiores, faz-se necessário exorcizar as paixões inferiores e transcender o “eterno retorno do reprimido”. A minissérie nos faz entender a ética da vingança e a vontade de linchamento público como inferiores, características da moral do rebanho, como expressão da fraqueja, do recalque, sintoma de uma cultura do ressentimento. 17
  • 18. As mídias, as velhas e as novas gerações  Projeção das experiências afetivas e amorosas da “terceira idade”: politização do pensamento, da linguagem e da conduta  Elevação da auto-estima de de uma faixa etária normalmente representada de maneira triste, ressentida e solitária.  “Geração coca-cola” (anos 80): iniciação na vida adulta, primeiros contatos afetivos, livres da repressão sexual das gerações precedentes  A geração da cibercultura (sec.XXI) pode aceder a uma história social e política do país através do YouTube  Um banco de dados que permite contemplarmos um “retrato de época” 18
  • 19. Imagens da repressão na teledramaturgia  Dancing Days (1978) primeiro enfoque da repressão política  Araponga (1990/91): sátira da ditadura  Roda de Fogo (1986/87): referência à tortura  Anos Rebeldes (1992)  impeachment de Collor  Em JK (2006): anos de chumbo na política, anos de ouro no mercado  Queridos Amigos (2008) 19
  • 20. A denúncia da ditadura e a luta pela liberdade no cinema nacional  Matou a família e foi ao cinema,  Pra frente Brasil  O que é isso companheiro?  Zuzu Angel  Vlado  Barra 68  Batismo de Sangue 20
  • 21. O discurso político oficial e a politização do cotidiano  Do regime autoritário ao processo democrático  Distensão política, lenta e gradual”.  Derrota das diretas-já  a Morte de Tancredo Neves  Posse de José Sarney 21
  • 22. Cultura do simulacro e espetacularização da política  Espetacularização da política Guy Debord, sociedade do espetáculo (1997)  Simulação e simulacros, Baudrillard [1981],  redes e telas desnaturalizam o real  A sombra das maiorias silenciosas, o fim do social e o surgimento das massas (Baudrillard, 1995 [1985]) e O tempo das tribos, o declínio do individualismo na sociedade contemporânea (Maffesoli, 1987). 22
  • 23. A transfiguração do político e a tribalização do mundo  Para Maffesoli (2005), a metáfora da “transfiguração do político” traduz o novo  contexto e os redirecionamentos dos grupelhos pós-68, cujos estilos de afetividade e  “socialidade” indicam um novo estado de “tribalização do mundo”, com tudo o que isto  contém de afirmativo e regressivo. 23
  • 24. Os indivíduos e a politização da vida cotidiana  Politização da vida cotidiana, construção de uma nova ética e uma nova relação com os outros indivíduos,  uma razão sensível que possa problematizar o sujeito na chamada “condição pós-moderna”.  O cuidado de si na aquisição de novos procedimentos éticos, uma “estilística da existência” (Foucault, 1984),  transcender o desequilíbrio das relações de poder, subverter “a lógica da dominação”, uma estratégia ético-política eficaz para enfrentar o “mal-estar da pós- modernidade” (Bauman, 1998). 24
  • 25. A teledramaturgia é uma forma de conhecimento  A questão que se impõe não é perceber se a ficção da teledramaturgia permite conhecermos a realidade história, social e política. Já existe um consenso epistemológico e institucional - formalizado pela pesquisa rigorosa em vários países – de que a teledramaturgia, além de disseminar informação estética, promove modalidades de conhecimento. 25
  • 26. A minissérie pensa  Queridos Amigos, atualiza as reflexões da filosofia, história, sociologia e ciência política;  teledramaturgia brasileira: lugar privilegiado no mercado internacional dos audiovisuais  minissérie Queridos Amigos: uma versão da revolução cultural de 68, pelas lentes dos trópicos.  Os flashes da história do Brasil recente, através das redes de comunicação, irradiam-se nos espaços e tempos globais, revigorando a memória coletiva e atualizando a experiência cultural 26
  • 27. Para concluir  “As diferenças pessoais, políticas, editoriais, não podem ser maiores que os afetos; a vida é maior que isso, a vida é maior que a gente” Fala do protagonista Leo, na minissérie Queridos Amigos. 27
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