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Representações sociais sobre a atuação

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UNIVERSIE IDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE ENFERMAGEM DE RIBEIRÃO PRETO PROGRAMA INTTERUNI I IDADES DE DOUTTORAMENTTO EM ENFFERMAGEM Representações sociais sobre a atuação do enfermeiro psiquiátrico no cotidiano
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UNIVERSIE IDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE ENFERMAGEM DE RIBEIRÃO PRETO PROGRAMA INTTERUNI I IDADES DE DOUTTORAMENTTO EM ENFFERMAGEM Representações sociais sobre a atuação do enfermeiro psiquiátrico no cotidiano FRANCISCO ARNOLDO NUNES DE MIRANDA Atualizado em 21/06/06 RIBEIRÃO PRETO / SP 2002 FRANCISCO ARNOLDO NUNES DE MIRANDA Representações sociais sobre a atuação do enfermeiro psiquiátrico no cotidiano Tese apresentada ao Programa Interunidades de Doutoramento em Enfermagem, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, para obtenção do título de Doutor em Enfermagem. Orientadora: Profª. Drª Antonia Regina. F. Furegato RIBEIRÃO PRETO / SP 2002 Aos meus pais, Joãozito e Ilca (in memorian) Aos meus tios esquisitos e excluídos, Tichichico, Tiayres (in memorian) e Tia Lurdinha Às minhas irmãs, Arnóbia e Arlene Á minha filha e netas, Ilka Cecília, Milla e Sarah Á minha esposa, Clélia, pela qual homenageio as mulheres e as enfermeiras A Deus, por sua infinita bondade e amor... AGRADECIMENTOS À Profª Drª Antonia Regina Ferreira Furegato, amiga e orientadora À Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Ao Programa Interunidades de Doutoramento em Enfermagem. Ao Depto de Enfermagem Psiquiátrica e Recursos Humanos EPCH. À Seção de Pós-Graduação da EERP. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico CNPq. Ao Prof. Dr.Oscar Alves À Universidade Norte do Paraná - UNOPAR Aos docentes do Curso de Enfermagem, campus Arapongas. Ao Prof. Ms. David Roberto do Carmo. Aos seus familiares que me acolheram com confiança e respeito. Aos munícipes de Arapongas. Ao octogenário Sr. Antonio Dias Mussi, amigo e mestre da longevidade. Ao doente mental, objeto indireto da pesquisa. Aos enfermeiros assistenciais e pós-graduandos, sujeitos da pesquisa. Aos amigos e colegas de pós-graduação, não nominados para evitar injustiças. Ao cotidiano, em sua imprecisão heurística e histórica. SUMÁRIO LISTA FIGURAS LISTA DE GRÁFICOS LISTA DE QUADROS LISTA DE ABREVIATURAS RESUMO ABSTRACT RESUMEN i ii iii INTRODUÇÃO A motivação para pensar o cotidiano através das relações do eu e o outro 1 CAPÍTULO 1 Cotidiano: um mosaico teórico e de significados para a experiência humana 8 CAPÍTULO 2 Percurso metodológico na apreensão do cotidiano através dos procedimentos projetivos 33 a) Teoria das Representações Sociais 33 b) Conceitos e Características dos Procedimentos Projetivos 45 c) A Técnica de Investigação em Situação Cotidiana TSC 47 d) População do Estudo e Coleta dos Dados 54 e) Procedimento de Análise 58 e.1) Análise de Conteúdo 59 e.2) Análise pelo ALCESTE 63 CAPÍTULO 3 Cenários da atuação do enfermeiro: representações sociais polêmicas em seu cotidiano 74 a) Discutindo os dados sob a luz da Análise de Conteúdo 76 b) Discutindo os dados sob a luz do ALCESTE 92 CAPÍTULO 4 Situação de risco controlado pela enfermagem como teoria implícita 124 a) Configurando a atuação do enfermeiro em seu cotidiano 130 b) Comportamentos situacionais no cotidiano do enfermeiro 132 c) Comportamentos representacionais no cotidiano do enfermeiro 136 d) Configurando as representações sociais 144 CAPÍTULO 5 Discussão dos achados sobre o modo de atuar do enfermeiro 158 CAPÍTULO 6 - Reflexões finais sobre o cotidiano 176 APÊNDICES 184 Apêndice 1 - Cartilha, o dia-a-dia do enfermeiro - TSC 185 Apêndice 2 - Declaração Livre Consentida 188 ANEXOS 189 Anexo 1 - Manifestações Discursivas sobre as cenas que geraram as categorias Anexo 2 - Cenas e vocabulários definidos pelo ALCESTE na composição das classes Anexo 3 - Formação das classes pelo ALCESTE 197 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 199 LISTA DE FIGURAS Figura 1. ALCESTE - Classificação hierárquica descente 69 Figura 2. ALCESTE - Definição do perfil das classes 69 Figura 3. Exemplos das três classes geradas pelo ALCESTE 94 LISTA DE QUADROS Quadro 1. Relatório descritivo criado pelo ALCESTE 72 Quadro 2. Metáfora da atuação como controle de um saber 78 Quadro 3. Metáfora da atuação como poder de um saber 80 Quadro 4. Metáfora da atuação como limites de um saber 83 Quadro 5. Metáfora da atuação como saber de um saber 86 Quadro 6. Quadro 7. Exemplos dos contextos na composição das classes sobre a atuação do enfermeiro em seu cotidiano 96 Distribuição das categorias e sub categorias da atuação do enfermeiro 106 Quadro 8. Trechos das falas dos sujeitos nas cenas selecionadas do ALCESTE, referentes a CAT 1- Relações por Procedimentos Técnicos - RPT Quadro 9. Trechos das falas dos sujeitos nas cenas selecionadas do ALCESTE, referentes a CAT 2- Relações Interpessoais RIT Quadro 10. Trechos das falas dos sujeitos nas cenas selecionadas do ALCESTE, referentes a CAT 3- Relações de Interação Social RIS Quadro 11. Trechos das falas dos sujeitos nas cenas selecionadas do ALCESTE, referentes a CAT 4- Relações Institucionais RIN Quadro 12. Quadro As mensagens explícitas e implícitas, agrupadas pelo ALCESTE, na cena sobre o Relato de Ocorrências 122 Representação esquematizada e distribuição da ação, relação e atuações do enfermeiro no espaço e tempo simbólico criado pelo enfermeiro 130 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1. Gráfico 2. Gráfico 3. Gráfico 4. Experiências Vividas, Relatadas e Imaginadas 75 do Enfermeiro Perfil Profissional Distribuição dos enfermeiros, instituições, tempo de graduado, tempo de trabalho na área, compondo a atuação do enfermeiro no cotidiano 99 Cenas do TSC Distribuição das cenas selecionadas pelo ALCESTE, para compor a atuação do enfermeiro no cotidiano 101 Distribuição dos Termos e Palavras que mais contribuíram para compor atuação do enfermeiro no cotidiano 101 LISTA DE ABREVIATURAS EERP - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto R.S. - Representações Sociais TSC - Técnica de Investigação em Situação Cotidiana ALCESTE - Analyse Lexicale par Contexte d'un Ensemble de Segments de Texte CAT - Categoria [1, 2, 3, 4] ACS - Atuação como Controle de um Saber APS - Atuação como Poder de um Saber ALS - Atuação como Limite de um Saber ACS - Atuação como Saber de um Saber UCI - Unidade de Comando Inicial UCE - Unidade de Contexto Elementar AFC - Análise Fatorial de Correspondência QID - Quadrante Inferior Direito QSD - Quadrante Superior Direito QIE - Quadrante Inferior Esquerdo QSE - Quadrante Superior Esquerdo i MIRANDA, F.A.N. Representações sociais sobre a atuação do enfermeiro psiquiátrico no cotidiano p. Tese (Doutorado) Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto. RESUMO Captar a atuação cotidiana do profissional enfermeiro e suas representações sociais no contexto institucional psiquiátrico, foi o objetivo desta pesquisa. Neste cotidiano, o enfermeiro está envolvido com conflitos, tensões, contradições, ambivalência e polissemia. Utilizou-se um instrumento projetivo (TSC), com 16 cenas que retratam a atuação do enfermeiro no contexto institucional. Nas duas etapas de coleta dos dados, os sujeitos participantes eram 17 enfermeiros assistenciais de cinco instituições psiquiátricas do município de Ribeirão Preto e 17 enfermeiros pósgraduandos [ensino e pesquisa], doutorandos em Enfermagem Psiquiátrica, atendendo aos critérios éticos. Os achados foram submetidos à Análise de Conteúdo e à análise léxica do ALCESTE, com o suporte teórico das Representações Sociais. Os resultados mostram que o enfermeiro atua junto ao doente mental utilizando-se de artifícios mediados pelas relações técnicas, interpessoais, interacionais e institucionais. Considerando as permanências e diversidades de sua atuação, observa-se o afastamento do enfermeiro do objeto central do seu trabalho, o doente mental. Os elementos periféricos sustentam sua posição, percebida através das metáforas da atuação como controle, poder, limites e saber. Emanam desses resultados as representações sociais polêmicas, mediadas pela teoria implícita da dissonância cognitiva. Palavras-chaves: Representações Sociais; Procedimentos Projetivos; Atuação; Profissional Enfermeiro. ii MIRANDA, F.A.N. Social representations of psychiatric nurse s daily performance p. Thesis (Doctor s Degree Program) Nursing School of Ribeirão Preto, São Paulo University, Ribeirão Preto. ABSTRACT This research aimed at finding out the nurse s performance and its social representations in the psychiatric institutional context. In his daily activities, the nurse becomes involved in conflicts, tension, contradiction, ambivalence and polysemy. A projection tool (TSC) comprising sixteen scenes, which portray the nurse s performance in the institutional context, was used. The data were gathered from a sample of seventeen social nurses from five psychiatric institutions of Ribeirão Preto and seventeen postgraduate nurses who has been attending the Doctor s Degree Program in Psychiatric Nursing. The findings were submitted to content and ALCESTE lexical analyses, guided by studies of social representations. The results of this research show the way nurse treats his mental ill patients is linked to technical, interpersonal, interacting and institutional relationships. Consequently, one can notice the nurse keeps himself away from his main object, that is, the mental ill, if the permanence and diversity of his performance is considered. The peripheral elements support nurse s performance and this can be perceived through such metaphors as control, power, limits and knowing. Thus, controversial social representations, mediated by implicit theory of cognitive dissonance, are present in the results of this research. Key-word: Social representation; projection tool; daily activities; nurse s performance iii MIRANDA, F.A.N. Representaciones Sociales sobre la actuación del profesional de enfermero psiquiatrico en el cotidiano p. Tesis (Doctorado) Escuela de Enfermería de Ribeirão Preto. Universidad de São Paulo, Riberão Preto. RESUMEN Captar la actuación cotidiana del profesional de enfemero y sus representaciones, en el contexto institucional psiquiatría fue el objetivo de está investigación. En este cotidiano, el enfermero está envuelto en conflictos, tenciones, contradicciones, ambivalencia y polissemia. Se utilizó un aparato proyectivo (TSC) con 16 escenas las cuales retratan la actuación del enfermero en el contexto institucionale. En la dos fases de la colección, los partícipes eran 17 enfermeros asistenciales de cinco instituciones psiquiatrico del municipio de Ribeirão Preto y 17 enfermeros posgraduados (enseñanza y pesquisa) doctorandos en enfermaje en Psiquiatría, atendiendo a los criterios éticos. Los hallasgos fueron sometidos a Análisis de Contenido e a Análisis Lexico de ALCESTE con el suporte teórico de las representaciones sociales. Los resultados demuestran que el enfermero actua junto al enfermo mental utilizándose de los artificios mediados por las relaciones técnicas, interpersonales, interaccionales e institucionales. Considerando las permanencias y diversidades de su actuación se observa que el enfermero se aleja del objeto central de su trabajo, el enfermo mental. Los elementos perifericos sostienen su posición, percibida por entre las metaforas de la actuación como control, poder, límites y saber. Emanan de eses resultados, las representaciones sociales polémicas, mediadas por la teoría implícita de la disonancia cognoscitiva. Palabra-clave: Representaciones sociales; Aparato proyectivo; Actuación; profesional de enfemero. INTRODUÇÃO A motivação para pensar o cotidiano através das relações do eu com o outro 1 INTRODUÇÃO O que será que faz ou leva uma pessoa a se interessar em investigar uma outra? O que será que faz ou leva outra pessoa se mostrar a ela? Será que a ciência é a única justificativa para eu conhecer uma pessoa e abrir sua vida para a minha? Porque uma pessoa contaria coisas verdadeiras, falaria de sentimentos a quem lhe é praticamente desconhecido? Trench (1999) Ao construir o desenho teórico dessa tese, deparei-me com inúmeras dúvidas sobre o arcabouço teórico que estava sendo engendrado por meus neurotransmissores, em especial, pelo estoque armazenado de diferentes contribuições, visto que havia bebido na fonte de diferentes autores e correntes teóricas, filosóficas e epistêmicas que olhavam o cotidiano. As inquietações acompanhavam-me em função das exigências do modelo científico quanto a forma de pensar e produzir conhecimento na academia, as críticas e as exigências da fidedignidade, validade e confiabilidade que conferem linearidade ao trabalho acadêmico. Meu objeto de pesquisa, o cotidiano, é algo físico que encerra o abstrato. No sentido físico, a tridimensionalidade tem como limites a altura, a largura e o comprimento definindo o espaço, num dado tempo. No sentido abstrato, configuram-se significados do espaço físico como formas de explicar as relações humanas desta dimensão, definindo um tempo, num dado espaço. A motivação para pensar o cotidiano através das relações do eu com o outro 2 O cotidiano, compreendido como tridimensional, assemelha-se a INTRODUÇÃO uma película ou um filme em três dimensões (3D), onde é preciso descobrir a nitidez das imagens, uma vez que a olho nu estas apresentam-se imprecisas e vagas. Assim, é preciso descobrir o terceiro olho para simplesmente captar a impressão imagética e os conteúdos explícitos e implícitos que preenchem todos os espaços do ambiente projetado. De um lado, é possível compreender os elementos tridimensionais, tais como altura, largura e comprimento, ampliando a visão da realidade circundante e, com isso, aproximar-se um pouco mais da essência e da natureza da cotidianeidade, marcada pelas metáforas do poder, saber, controle e limites dessa realidade. Por outro lado, é necessário deixar-se embevecer pela energia das diferentes interlocuções com diferentes autores para ampliar a compreensão para além das metáforas, na expectativa de entender o universo de atuação do profissional enfermeiro, no contexto dos serviços de saúde mental e psiquiátricos. Nessa aproximação teórico-conceitual, acompanhou-me a autocrítica sobre minhas limitações, a respeito de métodos, técnicas e abordagem para olhar este contexto polissêmico, ambivalente e conflitivo, tendo em vista a condição de profissional da área, quer na assistência clínico-prática, quer na docência e pesquisa. Entendo que meu olhar capta um recorte do cotidiano situado num dado e determinado registro sócio-histórico, cuja verdade, sobre esta temática, é algo fugidia, flutuante, aberta, dinâmica e volátil, que se desloca A motivação para pensar o cotidiano através das relações do eu com o outro 3 para outras esferas e domínios trans ou interdisciplinares. A partir disso INTRODUÇÃO reconheço que essa tese limita-se a compreender parcialmente o cotidiano psiquiátrico e de saúde mental, através da atuação do enfermeiro. O presente estudo não reflete um conhecimento retilíneo, pronto e acabado, mas fractal, cabendo a cada leitor descobrir e aproximar seu entendimento deste espectro conceitual e imagético. A Técnica de Investigação em Situações Cotidianas, ou simplesmente TSC, por ser um procedimento projetivo (Miranda, 1996), sugere a revisão de um acontecimento cotidiano com possibilidades de ser acessado através de lembranças vividas, relatadas ou imaginadas, nas múltiplas interações entre os sujeitos psicossociais. O cotidiano do profissional enfermeiro é captado pelas manifestações discursivas emanadas do TSC sobre a atuação do mesmo, originando imagens (re)produtoras de sentido do contexto institucional. As relações que se estabelecem entre o pesquisado e o TSC remetem para a esfera do conhecido, criando um jogo de fantasias que envolve os sujeitos psicossociais e o contexto à medida que as imagens evocadas revelam a lógica estruturante do trabalho, tornando-o compreensível para si e para o outro, sendo este outro o doente mental. Ambos sabem da posição demarcatória da linha divisória em que estão colocados. E, assim incorporam e desempenham seus papéis. A compreensão do cotidiano situa o enfermeiro, objeto-sujeito da ação, como produtor de sentidos sobre o contexto, redimensionando-o, tanto A motivação para pensar o cotidiano através das relações do eu com o outro 4 pelas verossimilhanças, quanto pelos estranhamentos derivados das INTRODUÇÃO relações estabelecidas entre ele e o doente mental. O TSC criou uma atmosfera de espontaneidade entre entrevistado e entrevistador, possibilitando captar aspectos implicados no cotidiano que encerra a dimensão de totalidade. A facticidade da enfermagem no cotidiano frente à atuação profissional vai além do cumprimento da estandartização das normas e rotinas institucionais e da relação com o doente mental, por ser uma questão ontológica. Partindo dessa condição, tanto o enfermeiro como o doente mental, modificam sua conduta, conferindo um movimento único e singular no qual e pelo qual a apreensão da realidade não é captada isoladamente, mas pelas determinações contextuais e das relações humanas, tornando o cotidiano factível. As representações sociais da atuação do profissional enfermeiro são, ao mesmo tempo, individuais e sociais, por sua relação entre o eu com o outro, ou seja, pela alteridade. O enfermeiro é também objeto do seu próprio conhecimento, conferindo sua marca que se caracteriza como uma construção identitária multifacetada. Para Andrade (1999), esse reconhecimento identitário pode ser mutante e contraditório entre si, mas mantém uma certa organização, coerência e estabilidade interna. Segundo Jodelet (1984, 1989), as representações sociais têm funções de comunicação, apreensão e controle social possibilitando a interpretação da realidade circundante. Esta interpretação rege nossas A motivação para pensar o cotidiano através das relações do eu com o outro 5 relações com o mundo, orientando e organizando as formas de comunicação INTRODUÇÃO e de conduta. Reconheço que os diferentes serviços de saúde mental e psiquiátricos atuais, ainda caracterizados pelo aspecto custodial e pelo tratamento farmacoterápico, revelam o baixo impacto na reabilitação psicossocial e na reinserção social do doente mental institucionalizado, tendo em vista os parcos instrumentos substitutivos ao modelo médico custodial. Assim, perpetua-se uma triste realidade social marcada pela diferença entre o profissional e o doente mental, entre a pessoa e o louco, entre o aceito e o rejeitado, entre o integrado e o alienado, entre o incluso e o excluído. Teci o desenho do presente trabalho, alimentando-me das contribuições da Teoria das Representações Sociais e dos seus avanços no campo conceitual, dos procedimentos projetivos, como instrumento técnico e, finalmente, da interlocução com estudiosos de outras áreas sobre questões que permeiam o cotidiano do profissional enfermeiro. Entendo que, em todas as circunstâncias cotidianas, a conduta diz respeito aos diferentes graus de conhecimentos, habilidades e competências de cada ser humano, especialmente o enfermeiro, que através de sua atuação e do seu modo de ser encerra a compreensão do cuidado como um valor humano. Encerra portanto, sua dimensão bioética. Tradicionalmente, o trabalho da enfermagem na área psiquiátrica constitui um espaço onde as decisões e as condutas adotadas são consideradas alternativas e irrelevantes. Por outro lado, são valorizadas A motivação para pensar o cotidiano através das relações do eu com o outro 6 como atribuições na esfera da gerência, na esfera administrativa ou INTRODUÇÃO burocrática. Aquelas atividades consideradas subjetivas do ponto de vista do tecnicismo, revelam um modo de fazer de enfermagem, pois muitas delas dependem de decisões do enfermeiro em condições e situações específicas nem sempre objetivadas. É uma zona pouco clara e aceita pelos profissionais enfermeiros. Se de um lado pode ser o campo propício para a criatividade, por outro, o seu caráter não previsto o situa no nível da intuição e da subjetividade, portanto âmbito pessoal. Ambas tendem a revelar a incapacidade do enfermeiro atuar de forma negociada e participativa para dar solução aos conflitos emergentes. No cotidiano, ou seja, o locus da atuação do profissiona
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