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Trabalho de jornalismo_comparado_final_1

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1. A Imprensa Caboverdiana de 1975 a 1990Dúnia Gonçalves nº 5532Ivaniza Barros nº537319-06-2013 2. IntroduçãoO presente trabalho tem como objetivo discorrer sobre a…
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  • 1. A Imprensa Caboverdiana de 1975 a 1990Dúnia Gonçalves nº 5532Ivaniza Barros nº537319-06-2013
  • 2. IntroduçãoO presente trabalho tem como objetivo discorrer sobre a temática “ AIMPRENSA EM CABO VERDE”. Vamos procurar retratar algumas características quemarcaram esta época. Durante, o nosso estudo, constatamos que existem poucasreferências, ou mesmo, documentação relativo a esta temática que nos possa ajudar aperceber como decorreu todo o processo de desenvolvimento da atividade jornalísticadurante o período da independência até a abertura política em 1990.Para este trabalho, recorremos a fontes escritas referentes a dois períodosdiferentes. Uma que antecede o ano da independência, que retrata á imprensa deultramar ou nas colónias portuguesas, e uma outra, referente a um período posterior quefala sobre pós-abertura política.Antes de 1975, a imprensa africana nas colónias portuguesas caracterizavam-seessencialmente por ser uma imprensa revolucionária, porque tinham como objectivo“exporem os seus problemas”, “atacarem governadores” e “denunciar situações menosclaras”1.Cabo Verde foi pioneiro na introdução da imprensa em África Portuguesadevido á proximidade geográfica. Entretanto, a imprensa esteve sujeita a várioscondicionalismos técnicos, humanos, políticos e económicos que dificultavam a suaexistência2.Inicialmente, a imprensa cabo-verdiana surgiu através de publicações emBoletins oficiais, além de conter assuntos oficiais, funcionava, também, como umjornal, divulgando de forma reduzida, notícias de diversas publicações nacionais eestrangeiras, e produções literárias de autores cabo-verdianos3. Muito mais tarde, em1877, surgiu o primeiro jornal denominado “Independente”. Nesta época, os jornaiseram “obras de entusiastas”, ou seja, um trabalho realizado por profissionais que se1Oliveira, João Nobre “A imprensa Cabo-verdiana 1842-1975” pág. 192Idem pág. 193Reis, Leila “Cabo Verde que modelo de Jornalismo: Ocidental ou Autoritário?” Pag.20
  • 3. dedicavam ao jornalismo em Part-time. O profissionalismo aconteceu depois daIndependência, em 1975.De referir que, durante este período, a existência dos jornais passou por váriosmomentos, que o autor João Nobre de Oliveira preferiu chamar de “períodos deletargia”, ou seja, entre uma publicação e outra havia um espaço enorme sem uma únicaedição de jornal e, muitas vezes, estes períodos eram longos.No nosso trabalho cingimo-nos sobretudo no jornal Voz di Povo, por este ser ojornal de maior tiragem e que manteve maior relação com o poder do Partido Único ePós- Independência.A Imprensa de 1975No ano de 1975, Cabo Verde torna-se independente. O país liberta-se docomando português para escrever sua própria história. De realçar que, os ideiais destaépoca eram essencialmente comunistas. Durante este período, passamos a ter jornais dedivulgação tendencialmente noticiosa contrapondo ao período anterior que é dedivulgação ideológica. A imprensa torna-se de vocação regionalista defensora deinteresses nacionais e não provinciais como na época anterior.“Os 15 anos pós-independência viram nascer o jornal estatal nacional Voz diPovo, o jornal nacional mensal da Igreja Católica Terra Nova e o jornal localsanvicentino quinzenal, Noticias”4. Entretanto, relembramos que, um ano antes daindependência surgiu um jornal denominado “Novo Jornal de Cabo Verde”. Este jornal,assumiu-se como um órgão essencialmente noticioso que nunca se colocaria contra ogoverno, empenhando-se fielmente nas mudanças ideológicas e políticas. Depois de 46ªedição, este órgão extinguiu-se nas vésperas da Independência a 4 de Julho de 1975.TERRA NOVAPropriedade dos Irmãos Capuchinhos de Cabo Verde. Este jornal surgiu nacidade de São Filipe, Fogo, era um jornal de edição mensal, foi o único órgão que reagia“violentamente contra o Governo protagonizado pelo PAIGC”5.4Ferreira, Isabel “Transições políticas em Africa – Mal-estar no jornalismo cabo-verdiano. Prestação decontas do governo aos cidadãos, 1991-1998”. Pág. 585Idem Pág. 59
  • 4. NOTICIASO primeiro número saiu em Novembro de 1987 e o último número em Março de1994. Era um jornal mensal, depois passou a ser quinzenal. O número de tiragem era de4000 exemplares, contudo o nº 15 de 1 de Abril de 1989 teve uma tiragem de 5000exemplares.VOZ DI POVOEste jornal é o mais antigo periódico de Cabo Verde, nasceu sob o nome“Progresso”, mas a atribuição deste nome caiu mal no seio dos leitores e impuseram amudança do nome. O primeiro número saiu às ruas a 17 de Julho de 1975, doze diasapós a proclamação da independência nacional, com oito páginas, sob a direção deAlfredo Carvalho Santos, dando um grande destaque a este evento.O jornal chamava-se Voz di Povo pressupondo que se desse a voz ao povo, ásociedade, quando afinal acabou realmente por ser a voz do governo. O conteúdo, aforma de abordagem e o estilo mostravam um compromisso extremo com o partido nopoder. No livro de Isabel Ferreira “Transiçoes politicas em Africa- Mal-estar nojornalismo cabo-verdiano” a autora cita o artigo nº11 que diz o seguinte:“São propriedade do Estado (…) os meios de informação e comunicação (…)”.Formação dos jornalistasPara fazer um jornal pós independência era necessário um corpo redatorialcomposto por jornalistas formados. Na emergência de nascimento de um novopaís, “a solução encontrada foi o recurso a alguns quadros que estavam naltura afrequentar cursos universitários e que haviam interrompido os seus estudos paradar a sua contribuição (…)” no jornal6.A partir de 1987 o jornal Voz di Povo passou a contar com o reforço dosprimeiros jornalistas com formação superior.6Ferreira, Isabel “Transições políticas em Africa – Mal-estar no jornalismo cabo-verdiano. Prestação decontas do governo aos cidadãos, 1991-1998” Pág. 61
  • 5. Liberdade de ImprensaA liberdade de Imprensa e a liberdade de expressão é um direito fundamental eassegurado na Constituição da República, tanto a 1980, quanto a de 1992. Contudodurante o regime de partido único, não havia liberdade de imprensa.Os jornais caracterizavam-se essencialmente por serem declarativos einformativos. O Estado limitou a atividade jornalística em Cabo Verde de duasmaneiras. No artigo nº 11 O Estado declarou-se proprietário dos órgãos de comunicaçãosocial. No artigo nº 12 da Lei de Imprensa de 1987 o Estado declara a exclusividade dosmeios da Imprensa.Os próprios jornalistas da época acusavam o governo de interferências e censuraquer sob o ponto de vista dos conteúdos, quer sob o ponto de vista da nãodisponibilização de meios e condições de trabalho7.O Diretor do jornal Terra Nova, citado no livro de Ferreira, Isabel “Mal estar nojornalismo em CV” diz que o jornal “Voz di Povo não conseguiu ser fiel porta-voz doregime, mas também foi se tornando o jornal incaracterístico, sem personalidade.Desaparecem os editoriais, os artigos de fundo, os textos tendentes a formar a opinião”8.Este trecho mostra-nos claramente que este jornal servia de porta-voz do governo.De acordo com Júlio Vera Cruz, jornalista da Radio Nacional, durante o regime,houve muita gente, no governo, que conseguiu “algumas vezes, utilizar a imprensa a seubel prazer” 9, ou seja, isso demonstra a clara instrumentalização dos órgãos deComunicação social.Relação com o PoderApós a proclamação da Independência, e adopção do partido único, o modelo dejornalismo que foi implementado, resultou do artigo 4º da Constituição da República, oqual proclamava o PAICV, “como força política dirigente da sociedade e do Estado”10.A adopção do partido único afectou todos os sectores da vida política, no país, ea comunicação social não ficou de fora.7Ferreira, Isabel “Transições políticas em Africa – Mal-estar no jornalismo cabo-verdiano. Prestação decontas do governo aos cidadãos, 1991-1998” Pág.588Idem Pag. 629Idem Pág.6210Reis, Leila “Cabo Verde que modelo de Jornalismo: Ocidental ou Autoritário?” Pag.22
  • 6. Nesta época, o controlo da informação e dos órgãos de comunicação social, erafeito pelo partido no Poder, “esse controlo do Partido sobre a comunicação social foivárias vezes explicitado pelos documentos do mesmo e pelos seus dirigentes”11.“Fazer dos meios de comunicação social não só instrumentos de divulgação ideológica, masautênticos meios de educação cultural de massas…”12.Isto nos mostra claramente que o poder não só controlava os órgãos decomunicação social, como o utilizava como seu instrumento de divulgação da suaideologia. Para alguns “o jornal, se tem alguma função, é a de ajudar o Governo deCabo Verde, ajudando, os nossos compatriotas a compreender melhor os nossosproblemas, as nossas dificuldades, o que vai pelo mundo e o valor das nossasdecisões”13.Esta afirmação, mostra como o jornalista afasta do seu papel de intermediário.Coloca-se como um agente do partido, como um trabalhador político, cuja missãoprincipal é a de levar a consciência política às massas, educando-as.O jornalista, não passa de uma extensão do poder do partido, porque perde, emtoda a sua dimensão, a isenção e a independência. O jornalista é apenas umintermediário, entre os poderes e a população.Nesta altura o jornalista limitava-se a sua atividades profissional. AristidePereira, Presidente da Republica disse no seu discurso que “não há especialistas eminformação”14, ou seja, o jornalista era “, um mero propagandista, ou, mais exatamente,ao de um educador de massas”15.DificuldadesFazer um jornal pós independência e durante os 15 anos, o tempo que subsistiuo regime de Partido único, constituiu-se num grande desafio. Muitas dificuldades foramencontradas, nomeadamente, a nível técnico, material, humano e financeiro.- A distribuição do jornal em geral pelo país sempre foi deficiente. Podemosapontar 2 razões: económicas e educacionais. Segundo Isabel ferreira, as pessoasenfrentavam precárias condições de vida e económicas, que impossibilitavam-lhes decomprar um jornal. Ferreira cita no livro “Transições Politicas em Africa - Mal estar no11Reis, Leila “Cabo Verde: que modelo de Jornalismo-Ocidental ou Autoritário?” Pag.2212Idem. Pag.2313Idem. Pag.2314Idem. Pag. 2415Idem. Pag. 24
  • 7. jornalismo cabo verdeano” que o preço do jornal era 100$ (cem escudos) enquanto que1 litro de milho custava cerca de 200$ (duzentos escudos). Outra razão, era oanalfabetismo da população. Em 1975, 60% da população adulta não sabia nem ler nemescrever.- Quanto á distribuição do jornal no arquipélago, este enfrentava inúmeroscondicionalismos. Para além da má gestão, havia dificuldades no transporte inter-ilhas,quando não havia falta de material para editar o jornal, nomeadamente, papel. No quediz respeito ao corpo redatorial, o jornal teve que contar com voluntários queinterromperam os seus estudos para dar a sua contribuição.Perspetivas que se abrem para a atividade jornalística a partir de 1990Com a queda do Comunismo, força ideológica, comandada pela União Soviéticaaté então, abrem-se mais prespetivas políticas, que vêm garantir mais liberdade paramuitos países que eram simpatizantes desta ideologia.Em Cabo Verde entre 19 de Fevereiro de 1990 a 13 de Janeiro de 1991, vive-seum período de transição politica. Durante este período, faz-se uma reflexão sobre papeldos média, daquilo que foi durante os 15 anos e determinar o seu papel no futuro regimeque se abre para a Democracia Pluralista.Para o PAICV, o cenário atual era muito importante a ser alterado, porqueprepara um caminho a ser governado, por ele próprio, no próximo regime. Daí anecessidade de se debater algumas questões que dantes era impossível, uma vez que, asleis criadas pelo anterior regime não o permitiam.A formação dos jornalistas é discutida. Entende-se que é necessário capacitar osjornalistas para análise dos factos e fenómenos sociais e políticos, assentes naobjetividade, isenção e imparcialidade, honestidade e seriedade16.Igualmente, a necessidade de criar um código profissional que divulgue aconsciencialização profissional e dos princípios deontológicos da profissão também édiscutida. A definição do estatuto do jornalista, no qual se define o perfil doprofissional, as incompatibilidades e como proteger as fontes, bem como, a criação e16Ferreira, Isabel “Transições políticas em Africa – Mal-estar no jornalismo cabo-verdiano. Prestação decontas do governo aos cidadãos, 1991-1998” Pág. 63
  • 8. consciencialização para que a classe jornalística se une e crie uma associação dejornalistas também se abrem.A morte do Jornal “Voz di Povo”O jornal “Voz di Povo” circulou nas bancas por 17 anos, tendo sido encerradoem 1992, após a ascensão do Movimento para a Democracia ao poder.A 26 de Fevereiro de 1993 nascia um novo jornal, o “Novo Jornal de CaboVerde”, em substituição do histórico “Voz di Povo”. Novamente encerrado emFevereiro de 1997, no lugar do “Novo Jornal de Cabo Verde” reabre, em Janeiro de1999, o jornal “Horizonte” que manteve nas bancas até 3 de Maio de 2007.BibliografiaOliveira, João Nobre “A imprensa Cabo-verdiana 1842-1975”Ferreira, Isabel “Transições políticas em Africa – Mal-estar no jornalismo cabo-verdiano.Prestação de contas do governo aos cidadãos, 1991-1998”Reis, Leila “Cabo Verde que modelo de Jornalismo: Ocidental ou Autoritário?”
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