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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CIÊNCIAS SÓCIO-ECONÔMICAS E HUMANAS ANGELA CRISTINA RIBEIRO DA SILVA

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CIÊNCIAS SÓCIO-ECONÔMICAS E HUMANAS ANGELA CRISTINA RIBEIRO DA SILVA A POESIA INTIMISTA DE FLORBELA ESPANCA Anápolis 2009 ANGELA CRISTINA RIBEIRO
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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CIÊNCIAS SÓCIO-ECONÔMICAS E HUMANAS ANGELA CRISTINA RIBEIRO DA SILVA A POESIA INTIMISTA DE FLORBELA ESPANCA Anápolis 2009 ANGELA CRISTINA RIBEIRO DA SILVA A POESIA INTIMISTA DE FLORBELA ESPANCA Trabalho de conclusão de curso apresentado à coordenação do curso de Letras da Universidade Estadual de Goiás como requisito parcial para obtenção do grau de licenciada em Letras - Português/Inglês. Orientador: Prof. Dr. Ewerton de Freitas Ignácio. Co-orientadora: Profª. Drª. Débora Cristina Santos Silva. Anápolis 2009 AUTOR: ANGELA CRISTINA RIBEIRO DA SILVA TÍTULO: A POESIA INTIMISTA DE FLORBELA ESPANCA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à coordenação do Curso de Letras da Universidade Estadual de Goiás como requisito parcial para obtenção do grau de licenciado em Letras Português/Inglês, orientado pelo prof. Dr. Ewerton de Freitas Ignácio e co-orientado pela profª. Drª. Débora Cristina Santos Silva. ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: LITERATURA INTIMISTA APROVADO EM: novembro de 2009 BANCA EXAMINADORA Orientador(a): Prof. Dr. Ewerton de Freitas Ignácio Co-orientador(a): Profª. Drª. Débora Cristina Santos Silva Arguidor(a): Profª. Drª. Keila Matida de Melo Costa RESUMO Este trabalho bibliográfico, mostra o lado intimista na obra poética de Florbela Espanca ( ) primeiramente marcado pela escrita memorialística que apresentará a idealização do parceiro e o erotismo; mostrará brevemente, a vida da poeta com análises de seus poemas. A poeta que é tida como a voz feminina mais importante do seu tempo em Portugal, descreve inquietações em sua lírica que em algum momento se adequa a períodos variados e, com isso, é possível perceber diferentes visões sobre a poeta: sensual, sonhadora, solitária e corajosa. Na história dessa mulher que a certa altura é vista como modelo impróprio na poesia ocidental, devido aos preceitos morais da época, deixa entendido que o que a ela importa é desfazer-se de amarras que a impede de se mostrar, de expor suas angústias, de se vê descrita em linhas que revelam sua alma. PALAVRAS-CHAVE: Erotismo. Escrita Memorialística. Lírica Moderna. Solidão. ABSTRACT This work bibliography show side intimate at poetic work by portuguese Florbela Espanca ( ) marker for memorialistic writing that introduce idealization of partner and erotism; will show shortly the poet life with analysis at your poems. Poet is the most important feminine poet of Portugal, put forward anxietys in your liric that some moment. Florbela appropriate varied period is that possible to realize in your work that to put forward in the last, different visions about poet: sensual, dreamer, lonely, and courageous. In poet history, that certain juncture is too seen as inappropriate model feminine westerner, due to rules ethics that time, poet leave that is that care is to dispel at tie that to impede show, at to expose your anguish, at see yourself describe on lines that show your sould. KEYWORDS: Erotism. Memorialistic Writing. Modern Lyricism. Solitude. SUMÁRIO INTRODUÇÃO... 1 FLORBELA: VIDA & OBRA... 2 O EROTISMO QUE PERMEIA A POESIA FLORBELIANA... 3 CONCLUSÃO... REFERÊNCIAS INTRODUÇÃO Com base em estudo de importantes pesquisadoras sobre a poeta portuguesa Florbela Espanca ( ) o presente artigo tem o intuito de investigar aspectos em sua obra que revelam seu lado intimista, dominado por incessantes inquietações, mas que denota antes de tudo, um ser feminino de suprema originalidade. Esta pesquisa bibliográfica descreve, de modo sucinto, a vida e a obra da poeta no capítulo inicial. No segundo capítulo O Erotismo Que Permeia a Poesia de Florbela que, juntamente com a definição de autoras que tratam sobre esse assunto é abordado a análise dos poemas de Florbela que vão do erotismo comedido à entrega desmedida. 7 1 FLORBELA: VIDA & OBRA Florbela D Alma da Conceição Espanca nasceu em Vila Viçosa (Alentejo) em 1894, filha de João Maria Espanca ( um dos introdutores do cinematógrafo no país ) e de Antonia da Conceição Lobo mulher muito simples que concebe a João Maria os filhos que sua legítima esposa não pôde ter. A mãe, Antonia, falece em 1908 e devido a esse ocorrido, a menina e o irmão Apeles foram criados por Mariana Toscano, madrasta e madrinha de Florbela. Ainda na infância a poeta compõe seu primeiro poema, porém, somente quando vai a Lisboa cursar Direito, e após um casamento mal sucedido com Alberto Moutinho, publica o Livro de Mágoas, a Bíblia dos tristes nome dado pela própria autora na poesia Este Livro, de 1919 que abre seu primeiro livro editado no mesmo ano e que passa despercebido pela crítica literária, como afirma José Gomes Ferreira companheiro de Faculdade da poeta (FERREIRA 1966, p.233 apud DAL FARRA, 2002, p. 12), que testemunhou a extrema rudeza com que reagiram seus colegas diante da estréia poética dessa mulher, a verdadeira hostilidade de unhas de cardos com que receberam o Livro de Mágoas, já que, em seus comentários maldizentes não faziam segredo de que encontravam nele um livro licoroso para homens escrito por um Antônio Nobre de saias de dor imaginária. A segunda obra de Florbela, o Livro de Soror Saudade, de 1923, recebe a crítica pesadíssima por parte do jornal lisboeta católico A época, que, segundo Dal Farra (2005, p. 10), acusava o livro de revoltantemente pagão e digno de ser recitado em honra da Vênus impudica... Florbela nem sequer chegou a descobrir o tesouro escondido no evangelho! Era preciso, pois, infringir a ela que purificasse com carvão ardente, os lábios literariamente manchados, e que pedisse perdão a Deus por Ter feito mau emprego das aptidões com que o criador a galardeara... É nesse mesmo período que mais uma vez desditosa em seu segundo casamento com o oficial de artilharia Antonio Guimarães, isola-se da sociedade, vai para Matosinhos, no Distrito do Porto, região norte de Portugal, lecionar português em aulas particulares sem deixar de escrever poesias despropositalmente já que Florbela imerge numa fase de confidências murmuradas com lábios levemente tocados do exílio do claustro... Dal farra (2005, p.10). 8 Contudo, o depoimento de Joaquim Costa no Jornal de Lisboa do dia 22 de fevereiro de 1931, segundo DAL FARRA (2002, p. 13), diz que mesmo assim, a poeta feliz e elegante, exprimindo grande desprezo pelas convenções sociais, parecia querer significar, nas suas atitudes e nos seus gestos, que só o seu altivo desdém poderia dar nota exterior da sua personalidade independente e rara. No ano de 1925, na mesma cidade de Matosinhos, Florbela se casa com o médico Mário Lajes e morre do seu irmão Apeles, fato que, por sinal, marca profundamente a produção de Florbela e a inspira na criação do poema As máscaras do Destino. Essa perda fez com que Florbela piorasse sua neurose, doença que surgiu logo após um aborto involuntário, no mesmo período em que a poeta havia ingressado na Faculdade de Direito e estava no seu primeiro casamento. Apesar dos fatos, nesse mesmo ano Florbela continua a colaborar em revistas importantes, como a Portugal Feminino e a revista Civilização, além disso, conhece Guido Batelli, professor italiano que se oferece a publicar o livro Charneca em Flor. A poeta faz algumas revisões em seu terceiro livro, um suposto edema diagnosticado-, não deixa que visualizem o agravamento de sua neurose; Florbela tenta suicídio por duas vezes. A obra Diário do último ano fica pronto no início do mês de dezembro de 1930 e na data de seu aniversário ( 08 de dezembro), ano que completava 36 anos, além de ser a data do seu primeiro casamento, a poeta finaliza sua vida ingerindo dois frascos de Veronal. Charneca em Flor, terceiro livro de poemas de Florbela,é publicado em 1931, já a publicação de o Diário do último ano se dá em 1981, as duas publicações foram realizadas por Guido Batteli, Charneca em Flor foi um sucesso editorial, chega a ser tido como um livro único na literatura portuguesa e, com tal reconhecimento, tem sua tiragem esgotada em menos de um mês. Dois meses após a morte da poeta, o articulista José Agostinho do jornal O Libertador, de 08 de fevereiro de 1931, segundo DAL FARRA (2002, p. 13), escreve acerca da obra de Florbela expondo ainda a perseguição que sofrera por conta do regime salazarista e da igreja, outros articulista posteriormente, apresentam escritos que seguem a mesma linha. Batteli reúne e publica, Juvenilia, um volume de poemas que a poeta divulgara na mocidade; publica novamente os dois primeiros livro da poeta, além de acrescentar em Charneca em Flor uma seção, que deu o nome de Reliquiae, Batteli publica ainda, um livro de contos inéditos de Florbela. 9 O empresário português Rui Guedes, foi o responsável na publicação de Trocando Olhares em 1985, o quarto livro de poemas de Florbela. 2 O EROTISMO QUE PERMEIA A POESIA FLORBELIANA No gelo da indiferença ocultam-se as paixões como no gelo frio do cume da montanha se oculta a larva quente do seio dos vulcões. ( Vulcões, 1915) Florbela perpassa diferentes períodos literários é simbolista por está presente em sua obra a dor como ingrediente essencial, é romântica por fazer parte de suas composições a busca pelo amor idealizado, porém, foi a voz feminina modernista mais importante de Portugal, época em que o país vivia sob comando do ditador Antônio de Oliveira Salazar - que desenvolveu uma política apoiada no exército e na igreja e tinha por princípio defender a civilização cristã dos males da época: comunismo, internacionalismo, socialismo, etc. Mesmo tolhida pela crítica, a poeta se expôs, quis colocar em cada verso de seus sonetos palavras que transbordassem o anseio de se mostrar viva para o amor, mesmo que dessa forma expusesse suas próprias frustrações. Com isso, Florbela se despe em quatorze linhas e em seus sonetos, cada contenda apresentará um pouco de si e de sua obra, que igual a um mosaico formarão o seu retrato. A dor um dos componentes essenciais na obra de Florbela que fez poemas que em grande maioria, refletem sua solidão, manifestam sua tristeza e apresentam a reprodução de suas experiências pessoais. A opção por essa escrita memorialística é explicada por Branco ( 1991,p. 30) que diz que as mulheres costumam preferir as escritas autobiográficas porque, historicamente confinadas ao universo do lar, ao interior da casa, elas teriam encontrado nesses tipo de escrita o veículo ideal para expressão de sua vida íntima, seus desejos, suas fantasias. A reprodução de experiências tem explicação solidada por Engelmann (1996, p.18) ao afirmar que, a escritura feminina se localizaria, portanto, num lugar de ruptura onde ao invés de suportar seu passado, estaria tentando reinventá-lo, até mesmo subtraindo-o ao tempo,- depurando-o ou mascarando-o imaginariamente. O jogo do oposto, o revelar e o retrair, o uso das cores intensas e o beijo são, na poesia Florbeliana, os recursos que disfarçam toda sua sensualidade, seu meio de sedução, Dal Farra (2002, p. 20) diz que: 10 é possível que um dos primeiros vestígios de erotismo na poesia de Florbela Espanca se exponha não na excedência ou pelo transbordo, mas tão somente pelo seu avesso: pelo comedimento, pelo retiro, pelo silêncio. No lugar de mais, o de menos. Mas essa subtração, quando averiguada mais de perto, se mostra uma camada apenas aparente, já que diz de fato respeito a uma inaptidão, uma incapacidade que é muito típica do erotismo: a de expressá-lo com propriedade. O expressar com propriedade à que Dal Farra (op. cit.) menciona é, para Branco (2004, p. 07), o princípio para se definir o erotismo, seria caminhar em direção oposta ao desejo, ao impulso erótico, que percorre a trajetória do silêncio, da fugacidade e do caos. Ao está em contato direto com a obra da poeta, serão apresentados recursos utilizados por ela para o seu enquadramento em características mencionadas nesse artigo, porém, a escolha das poesias dará a impressão de se estar diante de uma mulher em constante busca, querendo se descobrir, pode revelar um ser insaciável que embora tenha um parceiro ideal (ou idealizado), importa-se somente consigo, o que à remete a uma dor constante, a solidão. As nuances de erotismo que se fazem presentes em muitas poesias da autora irão elas funcionar como confissões íntimas. Para essa averiguação, as poesias Nervos D oiro, Mocidade, Se Tu Viesses Ver-me e Volúpia, integrantes do livro Charneca em Flor serão analisadas: Meus nervos, guizos de oiro a tilintar Cantam-me n alma a estranha sinfonia Da volúpia, da mágoa e da alegria Que me faz rir e que me faz chorar! Em meu corpo fremente, sem cessar, Agito os guizos de oiro da folia! A Quimera, a Loucura, a Fantasia, Num rubro turbilhão sinto-as passar! O coração, numa imperial oferta, Ergo-os ao alto! E, sobre a minha mão, É uma rosa de púrpura, entreaberta! E em mim, dentro de mim, vibram dispersos, Meus nervos de oiro, esplendidos, que são Toda a arte suprema dos meus versos! Nervos D oiro, 1931 Com o uso de rimas externas intercaladas, nesse soneto petrarquiano a mistura de sensações ou a gama de imagens que percorrem todo o corpo da poeta (nervo, coração) a faz 11 experimentar sentimentos paradoxos que vão da mágoa à alegria e, consequentemente, da alegria à volúpia. O emprego da aliteração com consoantes fortes (T,F,V, B,S), ao longo do soneto, o uso da sinestesia, no segundo quarteto apresenta a intensidade imaginária representada pela cor rubra -, que Florbela utiliza para colocar em cada um dos quatro versos, que ao envolve-la por completo, a mostrará aberta para novas composições ou ainda para um novo amor. No último terceto os nervos de oiro, o amarelo da alegria que percorreu todo corpo da poeta, - a epifania sexual -, é exteriorizada com o nome de Arte Suprema. Em Florbela é visível a necessidade exacerbada de amar, de se entregar. Isso a mantém rejuvenescida, vibrante em comparação ao brilho de pedras preciosas, transparente e triunfante como o vermelho dos rubis. O poema Mocidade, escrito em 1931, apresenta rimas internas interpoladas (ABBA) com consoantes e toantes (NTE, OSA,SOS), e utilizando associação de ordem imaginativa sensorial, que remete o leitor a recordações a respeito do que é a mocidade, a fusão da poeta x elementos naturais ( panteísmo ) irá consentir em sua entrega desmedida ao amor. A última estrofe, retoma o Carpe Diem, o presente nunca visto, o presente inédito para se viver, essa expressão não diz somente aproveitar os instantes como se fossem os últimos e ser inconsequente, mas aprender a sincronizar Cronos (tempo medido pelo relógio, o tempo linear que dita o ritmo de nossas vidas) e Kairos (o tempo que é vivido, o tempo qualitativo).porém Kairos prevalece quando a poeta menciona que instantes de felicidade são únicos e a vida foge por entre os dedos assim como também ocorre com a água. A mocidade esplêndida, vibrante, Ardente, extraordinária, audaciosa Que vê num cardo de folha duma rosa, Na gota de água o brilho dum diamante: Essa que fez de mim judeu errante Do espirito, a torrente caudalosa, Dos vendavais irmã tempestuosa, Trago-a em mim vermelha, triunfante! No meu sangue rubis correm dispersos: Chamas subindo ao alto nos meus versos, Papoilas nos meus lábios a florir! Ama-me doida, estonteadoramente, ó meu amor! Que o coração da gente É tão pequeno... e a vida, água a fugir... 12 Mocidade, 1931 Nessa próxima composição, todo um ambiente sedutor é feito para o encontro com o amado. As horas de mágicos cansaços, uso metafórico para se referir ao instante em que estavam juntos; a lembrança do último encontro; o uso das reticências o qual sugere sedução, pois fica subentendido o que havia ocorrido, um fato sem comedimento. Entretanto na escrita, a pratica verdadeiramente explícita é a descrição do beijo. Ao utilizar rimas alternadas (ABAB) e interpoladas (CDDC) no primeiro e segundo quarteto, além do emprego da conjunção se,que faz com que essa mesma sílaba, prolongue, no poema como em um jogo sonoro, um eco, no interior de outras palavras (prendesse, esse, viesse), e que prolonga ainda mais a incerteza da presença do parceiro. Se tu viesse ver-me hoje à tardinha, A essa hora dos mágicos cansaços, Quando a noite de manso se avizinha, E me prendesses toda nos teus braços... Quando me lembra: esse sabor que tinha A tua boca... o eco dos teus passos... O teu riso de fonte... os teus abraços... Os teus beijos... a tua mão na minha... Se tu viesses quando, linda e louca, Traça as linhas dulcíssimas dum beijo E é de seda vermelha e canta e ri E é como um cravo ao sol a minha boca... Quando os olhos se me cerram de desejo... E os meus braços se estendem para ti... Se Tu Viesses Ver-me 1931 No último soneto a ser analisado, têm-se uma Florbela mais ousada que se entrega por inteira ao amor carnal e que instiga ao descrever-se. Na primeira estrofe, a poeta faz uso da comparação para definir orgasmo e morte; a doação do seu corpo ao que ele está prometido -, é a metáfora utilizada para esses segundos de entrega. 13 Corpo como vinho forte, beijo de volúpia, nesse momento é como Florbela se vê e sente, porém, a mesma oscila quando ao início da estrofe diz está a sombra da mentira e da verdade. Os dois últimos tercetos apresentará uma poeta misteriosa, envolta por regaços e leves arabescos que só serão retirados por aquele que essa mulher oferecer as dálias, a flor que representa o reconhecimento... Reconhecimento a aquele que a poeta envolverá em seus momentos libidinosos. No divino impudor da mocidade, Nesse êxtase pagão que vence a sorte, Num frêmito vibrante de ansiedade, Dou- te o meu corpo prometido à morte! A sombra entre a mentira e a verdade... A nuvem que arrastou o vento norte... Meu corpo! Trago nele um vinho forte: Meus beijos de volúpia e de maldade! Trago dálias vermelhas no regaço... São os dedos do sol quando te abraço, Cravados no teu peito como lanças! E do meu corpo os leves arabescos Vão-te envolvendo em círculos dantescos Felinamente, em voluptuosas danças... Volúpia, CONCLUSÃO O que Florbela Espanca desejava ver sua arte reconhecida: Sonho que sou a Poetisa eleita/ Aquela que diz tudo e tudo sabe,/que tem a inspiração pura e perfeita,/ Que reúne num verso a imensidade! (Vaidade, 1919), a imagem de mulher que é apresentada em suas poesias, descrevem-na envolvida em incertezas, dores. Todavia, apresenta-se um ser forte que tentou suportar tudo, as frustrações não somente amorosas como também em relação ao reconhecimento de sua arte, isso em vida. Entretanto, sem deixar de evidenciar seus desejos e mesmo que em suas memórias algumas buscas lhe causem frustrações: Minh alma de sonhar-te, anda perdida.(fanatismo, 1923)-, foi persistente no desejo de obter o parceiro ideal, ter o tão procurado, amor. De acordo com Fonseca e Lima (2002, p. 21): 14 O outro pode representar uma maneira de ser distante e desconhecida; ele pode ser a negação do EU, porém, como por essa razão ele suscita a resistência, sua presença pode implicar a afirmação de um EU mais sólido, mais auto consciente e, portanto, mais funcional ou mais feliz. O outro representa o limite do Eu, mas também deixa claro que ele pode encontrar muitas outras maneiras de existir (FONSECA & LIMA, 2002, p.21). Então, Florbela utiliza de artifícios que acentuam o alto poder erótico em suas poesias: a entrega desmedida em atitudes e em ritmos fleumáticos,/ Erguendo as mãos em gestos recolhidos,/ Todos os brocados fúlgidos, hieráticos,/ Em ti andam bailando os meus sentidos. (O Meu Soneto, 1931)-, a linguagem sensorial e o beijo, A vida, meu amor, quer vivê-la!/ Na mesma taça erguida em tuas mãos/ Bocas unidas hemos de bebê-la -, ao se referir ao erotismo, BRANCO (2004, p.20) assinala que, o mesmo é nobre e grandioso exatamente por saber esconder, vestir a sensualidade, percebe-se, após algumas leituras, que mesmo em suas composições mais ousadas, quando se fala em erotismo, Florbela Espanca o faz com nobreza. 15 REFERÊNCIAS ARISTÓTELES. Poética. São Paulo: ed. Nova Cultural, Coleção Os Pensadores. BRANCO, Lúcia Castello. O que é Erotismo. 2. Ed. São Paulo: Ed. Brasil
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