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  84 Rev Bras Med Esporte _ Vol. 8, Nº 3 – Mai/Jun, 2002  ARTIGOORIGINAL Avaliação antropométrica e de composiçãocorporal de atletas paraolímpicos brasileiros Sílvio Soares dos Santos 1  e Fernando José de Sá Pereira Guimarães 2 1.Professor Adjunto II – Faculdade de Educação Física, Universidade Fe-deral de Uberlândia (UFU).2.Professor da Universidade de Pernambuco (UPE).Submetido em: 4/4/02Versão revisada recebida em: 1/5/02Aceito em: 19/5/02 Endereço para correspondência: Rua Benjamin Constant, 1.28638400-678 – Uberlândia, MGE-mail: silvio@ufu.br  ABSTRACT  Anthropometric and body composition evaluation of Bra- zilian paralympic athletes  A number of studies featuring aspects related to the di-mension, proportion, composition, and human maturationshow very close relationships between forms and propor-tions and human movements 1 . It has also been shown that there is a clear relationship between some anthropometrichuman measurements and the risk of metabolic diseases 2 . Helmrich et al. 3  have shown the relationship between the  IMC   (index of corporal mass) and the development of dia-betes in men, and Manson et al. 4  showed similar relation-ships for women. An anthropometric evaluation of Brazil-ian paralympic athletes was performed to identify the profileof different groups of athletes and define their status under the light of corporal formation. This study aimed at find-ing out new methods of optimizing athletic performanceduring the Sydney 2000 Paralympic Games. Some of themain parameters used to define diets and specific trainingwere the measures of the body fat distribution, total num-ber of cutaneous folds,  IMC   and  RCQ . A number of alter-ations were detected when comparing those parameterswith the different groups of athletes. These data can beused to create a data bank for future studies of anthropo-metric parameters of disable athletes.  Key words:  Anthropometry. Body composition. Paralympic sports. INTRODUÇÃO Ao estudarmos as formas e proporções do homem, tor-na-se difícil a dissociação delas com o movimento huma-no. Ross e Marfell-Jones (1991) citado por Petroski (1999) 1 ,ao estudarem aspectos relacionados à dimensão, propor-ção, composição e maturação humanas evidenciaram es-treitas relações entre formas e proporções, com o movi-mento humano.A cineantropometria ou medida do movimento humano,definida por Petroski (1995) 5 , objetiva dentre outros as-pectos avaliar a forma, a dimensão, a proporção, a compo-sição, a maturação e o desenvolvimento do corpo na onto- RESUMO Estudos de aspectos relacionados à dimensão, propor-ção, composição e maturação humanas evidenciaram es-treitas relações entre formas e proporções com o movimentohumano (Ross e Marfell-Jones apud   Petroski, 1999) 1 . Es-tudos têm demonstrado haver uma relação de algumasmedidas antropométricas humanas com risco de doençasmetabólicas (assim como o IMC  (índice de massa corporal)com o desenvolvimento do diabetes em homens e tambémem mulheres 2-4 .   Não obstante à sua estreita correlação comvárias patologias a avaliação antropométrica dos atletas pa-raolímpicos brasileiros visou identificar o perfil dos dife-rentes grupos de atletas, descrever suas condições sob oponto de vista da formação corporal, visando otimizar oseu rendimento atlético durante os Jogos Paraolímpicos deSydney. Medidas de distribuição da gordura corporal, somadas dobras cutâneas, IMC  e RCQ  foram alguns dos parâme-tros utilizados para se prescrever dietas e treinamentos es-pecíficos. Foram detectadas várias alterações nesses itensem vários grupos de atletas. A partir dos dados coletadospoder-se-á criar um banco de dados com os parâmetros an-tropométricos de cada grupo de atletas para futuras com-parações. Palavras-chave: Antropometria. Composição corporal. Esporte pa-raolímpico.  Rev Bras Med Esporte _ Vol. 8, Nº 3 – Mai/Jun, 2002  85 gênese humana em relação ao cresci-mento, ao desporto, à atividade física eà nutrição.A cineantropometria está relacionadaainda, segundo Beunen e Borms (1990),citado por Petroski (1999) 1 , com as ca-racterísticas físicas do homem assimcomo com as medições e avaliações dediferentes aspectos do mesmo, em mo-vimento.As características físicas podem sermodificadas em função de múltiplos fa-tores, dentre eles: hábitos quotidianos 6 ;hábitos alimentares e quantidade de ati-vidade física (Nóbrega, 1986) 7 ; condi-ções socioeconômicas e culturais da fa-mília 8 ; estado desnutricional 9,10 , ou derombudas para medir medidas de profundidade e de largu-ra; e finalmente o estadiômetro, para a medida de estatura.Dessa forma, as medidas foram assim conduzidas: Medida da massa corporal   (Petroski, 1999) 1  – tomadaem balança digital com precisão de 50gr; Medidas de alturas   (Petroski, 1999) 1  – feitas com oantropômetro em posição ortostática com unidade em cen-tímetro.ãAltura do centro de gravidade corporal; Altura sentado;Altura dos ombros direito e esquerdo; Altura dos quadrisdireito e esquerdo; Altura dos joelhos direito e esquerdo. Medidas de profundidade (Petroski, 1999) 1  – foramconduzidas no plano sagital com precisão de milímetros,com o compasso de pontas rombas e pontas retas.ãProfundidade da cintura; Profundidade das nádegas;Profundidade do tronco; Largura máxima sagital do tronco. Medidas de largura 1  – foram conduzidas no plano fron-tal com o compasso antropométrico de pontas retas comprecisão de milímetros, mantido paralelamente ao solo.ãLargura do tronco; Largura dos quadris; Envergadura. Medida de comprimento 1  – medida com paquímetroantropométrico com precisão de milímetros.ãComprimento dos pés. Medidas de circunferência 1  – foram feitas com umafita antropométrica com precisão de milímetros.ãCircunferência do peito; Circunferência da cintura;Circunferência do abdome; Circunferência do quadril; Cir-cunferência braço; Circunferência coxa; Circunferênciapanturrilha. Dobras cutâneas  – medida com o compasso de Langesegundo protocolos padronizados 1 .ãDobra bicipital; Dobra axilar; Dobra tricipital; Dobrasubescapular; Dobra abdominal; Dobra supra ilíaca; Do-bra da coxa; Dobra da panturrilha. TABELA 1Quadro classificatório da cineantropometriaCineantropometriaIdentificação Especificação Aplicação Relevância Cineantropometria Para o estudo Para ajudar o Com aplicaçõesdo homem entendimento para:Mensuração do Tamanho Crescimento Educaçãomovimento Forma Exercício Medicinahumano Proporção  Performance   GovernoComposição Estado nutricional TrabalhoMaturação EsportesFunção Adaptado de Ross e Marfell-Jones (1991) por Petroski (1999) elevada nutrição de um povo 11 .Estudos têm demonstrado haver uma relação de algu-mas medidas antropométricas humanas com risco de doen-ças metabólicas, assim como o IMC  (índice de massa cor-poral) com o desenvolvimento do diabetes em homens etambém em mulheres 2-4 . As formas andróide e ginóide dedistribuição de gordura corporal estão relacionadas comvárias doenças. A primeira relaciona-se com doenças crô-nico-degenerativas (hipertensão, cânceres etc.) assim comovárias outras medidas antropométricas ao desenvolvimen-to de desordens metabólicas e coronarianas (Van Itallie apud   Guimarães, 1999) 12 .Não obstante à sua estreita correlação com várias pato-logias a avaliação antropométrica dos atletas paraolímpi-cos brasileiros não visou identificar neles qualquer relaçãode morbidade. Ela visou sim e sobretudo, identificar o per-fil dos diferentes grupos de atletas participantes daquelesJogos, descrever suas condições sob o ponto de vista daformação corporal além de subsidiar ações de prescriçãono campo da nutrição e do treinamento, visando otimizar oseu rendimento atlético durante os Jogos Paraolímpicos deSydney. METODOLOGIA A antropometria foi dividida em nove grandes gruposde medidas, que visavam descrever o perfil morfológicode cada atleta. Foram utilizados os seguintes instrumentospara medição: antropômetro para as medidas de largura,altura, comprimento e profundidade; compasso de Lange,para medição de dobras cutâneas; balança digital para amedida da massa corporal; uma prancha de madeira combalança, para localização do centro de gravidade corporal( CG ); fita métrica antropométrica com precisão de 0,1cm,para as medidas de circunferência; compasso de pontas  86 Rev Bras Med Esporte _ Vol. 8, Nº 3 – Mai/Jun, 2002 TABELA 2Medidas antropométricas da equipe de futebolAtletas S. central S. periférica S. dobras Estatura IMC Idade(%) (%) (mm) (cm) (kg/m 2 ) (anos) M.F. 66,41 33,59  128   178  22,03   18,7M.L. 55,77 44,23 52 176 20,5 23,4L. 65,29 34,71  121  174  23,78   24,1F. 66,67 33,33 48 176,5 20,22 34,5R. 53,06 46,94 49 176,5 19,32 20,9J. 55,32 44,68 47 182 18,42 18,9A.C. 51,39 48,61 72 176 20,47 25M. 62,5 37,5 48 178 20,26 21,4J.A. 61,79 38,21  123   174  24,11  27,6D. 63,64 36,36  88   187  21,85   35,3M.W. 58,82 41,18 68 177  22,41  20,1 Média 60,06 39,94 76,73 177,73 21,22 24,54DP 5,47 5,47 32,97 3,76 1,78 5,79Mín. 51,39 33,33 47,00 174,00 18,42 18,70Máx. 66,67 48,61 128,00 187,00 24,11 35,30C. Variab. 9,12 13,71 42,97 2,12 8,41 23,58TABELA 3Medidas antropométricas da equipe de basqueteAtletas S. central S. periférica S. dobras Estatura IMC Idade(%) (%) (mm) (cm) (kg/m 2 ) (anos) C.S. 57,83 42,17 83 187,5 20,65 18,7L. 58,04 41,96  112   189,5  24,9   26,7J. 62,11 37,89 95 182  25,51  27,5N. 68,84 31,16  138   200  24,93   27,7I. 53,23 46,77  124   205,5  22,69   28A.L. 56 44  125   174,5  25,65   23,7G. 60,71 39,29 56 170,5 18,85 21,7R.R. 69,92 30,08  123   180,5  22,41  24D.B. 57,14 42,86 63 178 20,64 17,5A.C. 61,19 38,81 67 183 20,36 22A.O. 54,69 45,31 64 180 20,31 17,2A.M. 56,72 43,28  134   182 21,62 31,1 Média 59,70 40,30 98,67 184,42 22,38 23,82DP 5,22 5,22 30,83 10,02 2,35 4,52Mín. 53,23 30,08 56,00 170,50 18,85 17,20Máx. 69,92 46,77 138,00 205,50 25,65 31,10C. Variab. 8,74 12,95 31,25 5,43 10,51 19,00 Estatura 1  – medida em posição ortostática do chão aotopo da cabeça com o olhar dirigido para frente com antro-pômetro com precisão de mm. Densidade corporal 13  – medida através de pesagem hi-drostática. RESULTADOS As tabelas seguintes mostramo resumo dos resultados das me-didas antropométricas das equi-pes paraolímpicas brasileiras.São mostradas a soma das me-didas centrais (S. central) emporcentagem, a soma das medi-das periféricas (S. periférica) emporcentagem, a soma das oitodobras (S. Dobras), a estatura, oíndice de massa corporal ( IMC ),que é relação entre a massa cor-poral e a estatura ao quadrado,e a idade média de cada atleta.Ao final de cada tabela obser-vamos ainda a média, o desvio-padrão, os valores mínimos emáximos e o coeficiente de va-riabilidade da amostra quando amesma for maior que três ele-mentos. Algumas medidas colo-cadas em vermelho e itálico natabela, destacam valores acimada média do grupo.A tabela 2 mostra os resulta-dos da equipe paraolímpica bra-sileira de futebol. O coeficientede variabilidade foi especial-mente alto na soma das dobrasdemonstrando uma heterogenei-dade entre os atletas nesse parâ-metro. Os atletas mostraramuma predominância de percen-tual de gordura na parte centraldo corpo (60%). Quatro dos atle-tas apresentaram em relação aoparâmetro “soma das dobras”,índices superiores aos da médiado grupo (~50%). Cinco dosatletas mostraram índices supe-riores aos da média do grupo(~8%) para o “ IMC ”, sendo qua-tro deles, aqueles mesmos atle-tas que já apresentaram índices acima da média no parâ-metro soma das dobras.A tabela 3 mostra os resultados com os valores médios,o desvio-padrão, os valores mínimos e máximos e o coefi-ciente de variabilidade das medidas antropométricas daequipe de basquete paraolímpica.  Rev Bras Med Esporte _ Vol. 8, Nº 3 – Mai/Jun, 2002  87 O coeficiente de variabilidade foi alto na soma das do-bras demonstrando uma heterogeneidade entre os atletasnesse parâmetro. Os atletas mostraram uma predominân-cia de percentual de gordura na parte central do corpo(59,7%). A estatura média da equipe (184cm) se compara-da com equipes olímpicas dessa modalidade se mostra re-lativamente baixa. Seis dos atletas apresentaram em rela-ção ao parâmetro “soma das dobras”, índices superioresaos da média do grupo (~26%). Seis dos atletas mostraramíndices superiores aos da média do grupo (~9%) para o“ IMC ”, sendo cinco deles, aqueles mesmos atletas que jáapresentaram índices acima da média no parâmetro somadas dobras.A tabela 4 mostra os resultados das medidas antropomé-tricas dos corredores da equipe paraolímpica de atletismo.Nela encontram-se a média, o desvio-padrão, os valores TABELA 4Medidas antropométricas da equipe de atletismo masculina (corridas)Atletas S. central S. periférica S. dobras Estatura IMC Idade(%) (%) (mm) (cm) (kg/m 2 ) (anos) A.L. 72,73 27,27 44 169 21,78 19,6A. 64,71 35,29  51  169  22,27   37,8A.D. 63,41 36,59 41 175 21,29 29S. 57,89 42,11  57   180 22,16 23,8F.J. 56,1 43,9 41 158 20,31 38,4E. 62,26 37,74  53   180,5 21,73 18,2G. (guia) 60,94 39,06  64   178  26,07   34,8 Média 62,58 37,42 50,14 172,79 22,23 28,80DP 5,40 5,40 8,69 8,07 1,82 8,48Mín. 56,10 27,27 41,00 158,00 20,31 18,20Máx. 72,73 43,90 64,00 180,50 26,07 38,40C. Variab 8,63 14,43 17,33 4,67 8,17 29,44TABELA 5Medidas antropométricas da equipe de atletismo feminina (corridas)Atletas S. central S. periférica S. dobras Estatura IMC Idade(%) (%) (mm) (cm) (kg/m 2 ) (anos) M.J. 54,1 45,9 109 165 20,35 23A.S. 44,3 55,74 61 161,5 20,09 25,8 TABELA 6Medidas antropométricas da equipe de atletismo feminina (arremessos)Atletas S. central S. periférica S. dobras Estatura IMC Idade(%) (%) (mm) (cm) (kg/m 2 ) (anos) S. 72 28 250 92 94,28 32,7R. 60,45 39,55 268 170 31,31 28,8E. 54,46 45,54 314 163,5 39,65 33,5 Média 62,30 37,70 277,33 141,83 55,08 31,67DP 8,92 8,92 33,01 43,28 34,20 2,51Mín. 54,46 28,00 250,00 92,00 31,31 28,80Máx. 72,00 45,54 314,00 170,00 94,28 33,50C. Variab. 14,31 23,65 11,90 30,51 62,10 7,94 mínimos e máximos e o coefi-ciente de variabilidade dessaequipe.O coeficiente de variabilida-de não foi alto para a soma dasdobras mostrando portanto umaheterogeneidade relativa entreos atletas nesse parâmetro(17,3%). Os atletas mostraramuma predominância de percen-tual de gordura na parte centraldo corpo (62,6%). A estaturamédia da equipe foi de 172,8cmcom uma variabilidade bastantebaixa (~4,7%). Quatro dos atle-tas apresentaram em relação aoparâmetro “soma das dobras”,índices superiores aos da médiado grupo (~12%). Apenas doisdos atletas mostraram índicessuperiores aos da média do gru-po (~9%) para o “ IMC ”, estandoesses atletas entre aqueles queapresentaram índices acima damédia no parâmetro soma dasdobras.A tabela 5 mostra os valoresdas medidas antropométricasdas corredoras da equipe parao-límpica de atletismo. Não foipossível estabelecer qualquercomparação ou mesmo determi-nar seus valores médios e o coe-ficiente de variabilidade daamostra devido ao pequeno nú-mero de atletas (dois). É interes-sante notar que ambas as atletasparticipam de provas curtas masapresentam uma inversão na dis-tribuição da gordura corporal.Outro aspecto interessante é agrande diferença mostrada nasoma das dobras (~79%), suge-
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