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1. É Tudo Verdade 2. Romildo Sant’AnnaÉ Tudo Verdade 3. © 2007 by Autor(a) Direção Geral Henrique Villibor Flory Supervisão Geral de Editoração Benedita…
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  • 1. É Tudo Verdade
  • 2. Romildo Sant’AnnaÉ Tudo Verdade
  • 3. © 2007 by Autor(a) Direção Geral Henrique Villibor Flory Supervisão Geral de Editoração Benedita Aparecida Camargo Diagramação Rodrigo Silva Rojas Foto de capa Jorge Etecheber Ilustrações de capa Pelicano Capa Marcelo Santil Revisão Rony Farto Pereira Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Acácio José Santa Rosa (CRB - 8/157)S232eSant’Anna, Romildo.É tudo verdade / Romildo Sant’Anna; prefácio de Gilberto MendonçaTeles. São Paulo: Arte Ciência, 2007.p. 218, 21 cmO volume reúne 82 crônicas do autorISBN - 978-85-7473-334-01. Crônica e cronistas. 2. Crônica Jornalística. 3. Crônica brasileira. 4. Literatura brasileira -Crônicas 5. Literatura – Gêneros literários. 6. Jornalismo. I. Teles, Gilberto Mendonça, II. Título.CDD - 869.93 - 869.935 - 869.9308 - 869.94 Índices para catálogo sistemático1. Crônicas : Literatura brasileira 869.932. Crônicas: Século 21 : Literatura brasileira 869.9353. Literatura brasileira: Crônicas : Coletâneas 869.93084. Literatura brasileira: Crônicas 869.94Proibida toda e qualquer reprodução desta edição por qualquer meio ou forma, seja ela eletrônica ou mecânica, fotocópia, gravação ou qualquer meio de reprodução, sem permissão expressa do editor. Todos os direitos desta edição, em língua portuguesa, reservados à Editora Arte Ciência Editora Arte Ciência Editora UNIMAR Rua dos Franceses, 91 – Morro dos Ingleses Av. Higyno Muzzy Filho, 1001 São Paulo – SP - CEP 01329-010 Campus Universitário - Marília - SP Tel.: (011) 3284-8860 Cep 17.525-902 - Fone (14) 2105-4000 www.arteciencia.com.br www.unimar.com.br Papel Reciclado: a Universidade de Marília preservando o meio ambiente.
  • 4. SumárioPrefácio de Gilberto Mendonça Teles O Cozinheiro de emoções ...................................9Graciosa Madalena ................................................................9Crônica de parafusos .............................................................Zeróis palacianos ...................................................................A inesquecível final de 70 ......................................................Irmãs Galvão .........................................................................8Dissertação sobre os grilos .....................................................9Fundação do Brasil ................................................................Caras e nomes .......................................................................Índios ....................................................................................6Ao cosmonauta caipira ..........................................................8Livros à mancheia..................................................................Catilinárias brasileiras ............................................................O Masp sem luz ....................................................................Bruta constipação ..................................................................6Sagaranas só de bois ..............................................................8Os bruzundangas...................................................................6Vigilante rodoviário...............................................................6Náufrago da utopia ...............................................................66Crônica para um médico .......................................................67Elsa Fred, o novo cinema argentino ..................................69Zé Fortuna e guarânias em brasileiro .....................................7Fábula do ódio caímico .........................................................7Professor Miziara ...................................................................7
  • 5. Telemarketing e aporrinhações ..............................................76Viste Koyaanisqatsi? ..............................................................79Piazzolla, bandoneón e paixão ...............................................8Da intermitente morte ..........................................................8Crônica da miséria ................................................................87Comidas e vidas de cachorro .................................................89Violinha persistente ...............................................................9O mano Pelicano ..................................................................9Sertões e guerreiras donzelas ..................................................98Yêda e Rufino ......................................................................00O sorriso da soldada ............................................................0Sim ou NÃO, Não ou SIM .................................................0Ginger Fred ....................................................................06Lembranças de Darcy ..........................................................09Maravilhosos retornos .........................................................Entreveros do Bonfim .........................................................É tudo verdade ....................................................................6Pantaleão e as visitadoras .....................................................9Dom Quixote......................................................................Parnaso 78rpm ....................................................................Discussão de acarajés ...........................................................6Pequena enciclopédia ..........................................................9Ruas e nomes ......................................................................Deambulantes camelôs ........................................................Sertão na cidade ..................................................................Das flores calmas do ipê ......................................................8O Silva e as drogas...............................................................Criadores de sacis ................................................................Toscano ..............................................................................7Sobrenomes e apelidos.........................................................9Dinorath e o trabalhador .....................................................Os filhos de Antônio .........................................................Vamo batê lata .................................................................... 6
  • 6. O ébrio ...............................................................................7Supremo tribunal ................................................................9 Véio Tatau .........................................................................60As invasões bárbaras ............................................................6Anjos caídos ........................................................................66Vós fumáveis .......................................................................69Adocicados pronomes..........................................................7Negros blues........................................................................7Em palpos de aranha ...........................................................77Telemarketing e aporrinhações ............................................79O companheiro ...................................................................8A dor de Clarice ..................................................................8A ceia ..................................................................................87Hinos de guerra...................................................................90Crônica dos sapatos .............................................................9Millôr Fernandes .................................................................9J. Pinto Fernandes e a quadrilha ..........................................97Outra crônica do dia ...........................................................00O xerife ...............................................................................0Maravilhosa cartilha Sodré ..................................................0Ratos equatorianos ..............................................................07Adoniran e uma aflição resignada ........................................08Orgia dos sarcófagos ............................................................Padroeira do Brasil ..............................................................Manual do blefador .............................................................Cronista escreve à mãe.........................................................6 7
  • 7. 8
  • 8. Prefácio O Cozinheiro de emoções Acabei de ler o livro É tudo verdade, de No ano passado, ele me honrou com o pedido deum prefácio no momento em que, depois de um Doutorado,jantávamos num restaurante de São José do Rio Preto, ondeele foi professor da UNESP. Atualmente, ensina jornalismoe comunicações na Universidade de Marília. O meu contatocom ele vinha de novembro de 979, quando, no intervalode um exame de Livre-docência, escrevi no quadro-negro opoema “Etnologia” (“Ainda / há índios”), que na hora lhe de-diquei. Qual não foi a minha surpresa quando, dias depois,recebo no Rio de Janeiro uma excelente análise desse poemaminúsculo, que foi no ano seguinte publicada em O Popular,de Goiânia. A fortuna crítica de Saciologia goiana, onde estáesse poema, começava assim antes da publicação do livro, quesó se daria em 98, pela Civilização Brasileira. Agora, ao comemorar os 0 anos de crônica jornalística,em parte resultado de sua atividade de colunista em jornais ecomentarista de televisão, Romildo Sant’Anna continua dividin-do a sua atividade intelectual entre o magistério, orientação deteses e o jornalismo, e sente, como ele me escreve, “um gostinhode realização profissional e um modo inusitado de ser feliz”. Masacrescenta, em tom de humor e de ironia: “Na minha carteiraprofissional encontra-se carimbado pelo Ministério do Trabalho:‘jornalista em caráter provisório’”. 9
  • 9. Experiência é que não lhe falta no trabalho intelectual,principalmente neste de cozinhar emoções, para aproveitar aquie no título deste prefácio uma de suas imagens na definição docronista. Iniciou-se como jornalista a partir de 967 em jornaisde sua cidade – Diário de Região, Folha de Rio Preto, Dia e Noitee Folha Caipira – estendendo a sua colaboração a jornais de ou-tros Estados, como O Popular (de Goiânia), além da Folha de S.Paulo e revista Globo Rural. É hoje comentarista do jornal “TemNotícias ª Edição”, da TV TEM, afiliada à Rede Globo de Te-levisão. Para todos esses órgãos de imprensa escreveu crônicas ecrítica de arte, valendo-se de uma linguagem atraente por forçade sua capacidade estilística de misturar a observação cotidianacom uma cultura literária invejável, como se pode ver nos textospublicados neste livro. Aliás, antes de sair em livro, suas crônicasforam publicadas, entre 006 e 007, na rede de jornais “BomDia” e nos portais www.alomusica.com.br, do Rio de Janeiro, ewww.triplov.org (ciber-arte, ciber-idéias), de Lisboa. A sua atuação como escritor lhe tem valido prêmios comoo “Casa das Américas”, com o livro Silva: quadros e livros, prefa-ciado por Boris Schnaiderman e com edição em Havana. Na ver-dade, Romildo Sant’Anna é detentor de inúmeros prêmios emcrítica de arte, literatura, teatro e cinema, com destaque para o“Prêmio Estímulo” (Prêmio Governador do Estado de São Pau-lo), obtido com o ensaio sobre “A poesia modernista de RubénDarío”. Seu livro A moda é viola – “Ensaio do cantar caipira”,de 00, foi adaptado para teatro como “Puro Brasileiro” e teverepresentações no Teatro Nacional de Lisboa e Teatro Nacionaldo Porto. O mais recente, Liberdade é azul, de 00, é um livrode crônicas que, pelo gênero, tem a sua continuidade neste Étudo verdade, no qual se apura o seu talento de descrever comarte os fatos diversos da vida e da cultura brasileira. A continuidade de que falamos pode parecer paradoxal,uma vez que se trata de livros de textos variados, fechados cada 0
  • 10. um no seu tema, na sua representação de pequenos comentáriosadequados à natureza da crônica. A partir dos títulos assertivos– Liberdade é azul e É tudo verdade –, pode-se perceber o sentidodessa continuidade na acepção mais popular da linguagem dacrônica, isto é, a sua inclinação para o relacionamento das coisase dos fatos, como se no fundo tudo fosse mesmo uma só realida-de: a liberdade, a verdade, o azul, tudo. O tom asseverativo in-depende do atributo, mas precisa dele, seja substantivo, adjetivoou pronome. A diferença aparece na ordem dos fatores, como notítulo acima: uma coisa é dizer “Tudo é verdade” (ou “Verdade étudo”) e outra “É tudo verdade”. A maneira de enunciar sobrede-termina a significação e, neste caso, dá uma rasteira no leitor queespera a interrogação. Não se interroga, afirma-se. O verbo ser,com a sua essência, substantiva o segundo termo da frase, quese faz nominal e concreta. E é por aí que o autor (e seus leitores) andam no arame esti-cado no espaço da crônica, equilibrando-se entre a linguagem quepretende o “real”, o verossímil, o “verdadeiro” (É tudo verdade)e, ao mesmo tempo, deseja outro tipo de real – o (in)verossímil,o “mentiroso” (“Os poetas enganam muito”, escreveu Sólon), oda poesia. Ora, Romildo Sant’Anna é um escritor capaz de saltose prestidigitações: o grácil da sua escrita leva o leitor à levitação,ao circo da alegria, ao círculo de um prazer que só se obtém nosgrandes escritores. * * * Como se trata de um bom, de um excelente livro de crôni-cas e como não disponho de capacidade para forjar agora novasobservações sobre o gênero, tomo a liberdade de transcrever aquialguns tópicos, um tanto didáticos, do que escrevi há pouco tem-po sobre As melhores crônicas de Lêdo Ivo (Global, 00). É como
  • 11. se no circo do livro de Romildo aparecesse um palhaço dandocambalhotas, que já foram dadas. Mas nisto reside um dos moti-vos do humor – uma repetição inesperada: Parece mais fácil dizer que não há uma teoria da crônica (ou da entrevista, da resenha crítica, dos poemas circuns- tanciais, enfim, desses “pequenos” gêneros — ou espécies, para ficarmos na terminologia de outras ciências empregada pela poética) do que partir para um estudo indutivo que faça emergir do conjunto dos livros de crônicas, do roman- tismo para cá, as linhas teóricas do gênero que incontáveis estudiosos teimam em chamar de “menor”. Apesar de con- tinuamente praticadas, essas formas literárias não ganharam a consideração dos gêneros tradicionais nos manuais de literatura. O conto é uma dessas “espécies” que a crítica, a história literária e, na esteira delas, os professores, tiveram de engolir, mas sem estudá-lo bem, preferindo sempre com- pará-lo com o romance, como se faz ainda hoje. No início do século XX, e já depois da morte de Machado de Assis, Sílvio Romero tem a “coragem” de escrever que considera “o conto uma forma elementar e secundária em literatura”. Na época de Aristóteles também não havia uma teoria da tragédia, da épica, da lírica e da sátira. Que fez ele? Juntou os textos produzidos desde Homero e Hesíodo e tratou de sistematizá-los, extraindo daí os elementos teóricos da sua Poética (ΠΠΠì ðïéçôéêÞò...), de que até hoje se valem os estu- diosos. É bem verdade que o termo está pratica- mente ausente dos dicionários especializados em retórica, poética, teoria literária, filologia, lingüística, semiologia e comunicação, aparecendo quase sempre dentro de um ver- bete maior como Narrativa, Jornalismo ou História. Mas a crônica (os livros de crônicas) existem e já são históricos na literatura brasileira [...]. O que se tem de fazer para a consti-
  • 12. tuição de uma teoria da crônica é simplesmente se debruçarsobre esse corpus de narrativas especiais chamadas crônicas,fazendo sair dele os elementos que configurem esse tipo detexto, descobrindo o sentido proteiforme próprio das crô-nicas dos escritores mais notáveis. É daí que vem a teoria,indutivamente...A crônica foi inicialmente um gênero histórico, com os fa-tos cronologicamente alinhados. No séc. XVI muitos cro-nistas começaram a misturar a realidade com o fantásticoproveniente dos medos e superstições das terras exóticas daÍndia e da América. Evoluiu no séc. XIX para artigos de pe-riódicos sobre fatos da atualidade, como em José de Alencare Machado de Assis, o mais importante dos nossos cronis-tas no passado. No séc. XX tornou-se um dos principaisgêneros do rádio e do jornal, chegando à televisão e agora àinternet. Continua gênero narrativo, como na Crónica deuna muerte anunciada, de Gabriel García Márquez. Difereentretanto da historia porque esta compara, estuda e inter-preta; a crônica, não. Está mais perto do conto, pela sua estrutura e tamanho. Elimita-se às vezes com a poesia. Mas se o conto possui nar-ração e descrição, a crônica mais comum não passa de puradescrição: é como um avião que não consegue levantar o vôopara a ficção. O problema é que, dependendo do talento docronista, ela levanta vôo... e o leitor, com mania classifica-tória, fica em dúvida: crônica ou conto? Seja o que o Leitorquiser. Com isto, às vezes ela se apropria de categoriasnarrativas da ficção, e o que era uma pessoa real, cotidiana,adquire status de personagem e de ficção. O termo pode servisto hoje como texto jornalístico desenvolvido de formalivre e pessoal a partir de fatos e acontecimentos da atualida-de: o tema pode ser literário, político, esportivo, artístico ouqualquer amenidade cotidiana. A crônica está assim num
  • 13. meio-termo entre o jornalismo e a literatura, limitando-secom o conto, a poesia e o ensaio e encontrando nessas mar-gens os elementos que a faz especial e própria, a ponto deescapar à classificação dos manuais de literatura... Um boadiferença está na observação de que o cronista sobrepairasobre os fatos, fazendo que se destaque o seu enfoque esti-lístico, a sua linguagem pessoal. O tratamento estilístico detudo isso é que faz o leitor levitar...No estudo sobre a Seleta em prosa e verso, de Drummond,em 97, já havíamos procurado definir a crônica a partirdos textos ali reunidos:O aspecto subjetivo e indefinido da crônica, em cuja evo-lução se percebem transições da área científica para os vas-tos territórios da literatura, dá-lhe características de umaespécie literária que encontra a mais ampla ressonância noespírito criador [...]. O escritor move-se com a mesma natu-ralidade de invenção e linguagem pelos domínios da poesiae da crônica, ingressando de vez em quando numa zonaem que se torna quase sempre difícil dizer se caminhamosno terreno da crônica ou se flutuamos no reino da poesia:no terreiro, portanto, das prosas poéticas e dos poemas emprosa. E a seguir anotamos que, de um modo geral, as crô-nicas de Drummond “não se nutrem de reminiscências. Elasse encontram presas ao burburinho da cidade, à linguagem dosadolescentes, dos comerciantes e dos acontecimentos que dia-riamente, no ônibus ou na praia, conseguem impressionar oespírito do escritor”.A maioria dos dicionários especializados em literatura nãoconsigna o termo crônica. Uma bela exceção é, no Bra-sil, o Dicionário de termos literários, de Massaud Moisés, de97, onde existe um bom verbete sobre a crônica. Nelese lê, inicialmente, que ela “se limitava a registrar os eventos,sem aprofundar-lhes as causas ou dar-lhes qualquer interpre-
  • 14. tação” e que a partir do século XIX os textos denominadoscrônicas “ostentam, agora, estrita personalidade literária”. Oprestígio dessa espécie de narrativa curta cresceu entre osescritores, a tal ponto que a crônica tem sido consideradauma autêntica criação da literatura brasileira. Tem o seu lu-gar de produção no rádio, no jornal e na revista, aparecendomais tarde em livro. Pela concentração de observações quenos parecem importantes, vale a pena a transcrição de umaparte desse verbete: Na verdade, classifica-se como expressão literária hí-brida, ou múltipla, de vez que pode assumir a forma de ale
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