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A CONTRIBUIÇÃO DOS GÊNEROS TEXTUAIS PARA O ENSINO DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

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FACULDADE SÃO LUÍS DE FRANÇA Aracaju-SE, Brasil, 24 e 25 de novembro de 2012 A CONTRIBUIÇÃO DOS GÊNEROS TEXTUAIS PARA O ENSINO DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA. Izabela de Lima CARLOS (UFS)1 Eliane dos Santos SILVA (UFS)2 RESUMO: O presente artigo traz algumas metodologias para o professor de Língua Portuguesa trabalhar as variações linguísticas na sala de aula, tanto as populares como a norma padrão, que é considerada de prestígio. Faz-se um conciso relato sobre alguns fatores que influenciam no apar
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    FACULDADE SÃO LUÍS DE FRANÇA Aracaju-SE, Brasil, 24 e 25 de novembro de 2012 A CONTRIBUIÇÃO DOS GÊNEROS TEXTUAIS PARA O ENSINO DAVARIAÇÃO LINGUÍSTICA. Izabela de Lima CARLOS (UFS) 1  Eliane dos Santos SILVA (UFS) 2   RESUMO: O presente artigo traz algumas metodologias para o professor de LínguaPortuguesa trabalhar as variações linguísticas na sala de aula, tanto as populares como anorma padrão, que é considerada de prestígio. Faz-se um conciso relato sobre alguns fatoresque influenciam no aparecimento dos fenômenos linguísticos presentes na língua portuguesa, mostrando como são tratadas pela sociedade e, sobretudo, na instituição escolar.Para obter um bom resultado a melhor indicação é o trabalho com os gêneros textuais emque especificamos três, a saber: a revista em quadrinhos, a telenovela e o texto literário.Estes servirão para explanar as questões que podem ser levantadas na sala de aula, entreeducador e alunos com o objetivo de uma renovação no ensino em relação às variantes. Paraisso, nos basearemos no aporte teórico de MONTEIRO (2008) SOARES (1996), BORTONI(2005), BAGNO (2007), MARCUSCHI (2005) e CAMACHO (1995). Desse modo, oconhecimento e a compreensão das variantes contribuem para amenizar as diferençaslinguísticas e o julgamento social, que são consideradas as causas do fracasso escolar, dosalunos provenientes das classes baixas e usuários de dialetos populares desprestigiados.Enfim, a disciplina língua portuguesa pode ser trabalhada de maneira mais eficaz eagradável para os alunos se atrelada às questões sociolinguísticas, sobretudo com o uso dosgêneros textuais adequados a cada caso. PALAVRAS-CHAVE: Língua; Variação Linguística; Gêneros Textuais; Ensino; Classesdesfavorecidas. INTRODUÇÃO  No contexto educacional uma problemática se evidencia: as diferenças linguisticase culturais que ocorrem na língua materna dos alunos-usuários. Qual a srcem dessasdiferenças? O que a escola faz para minimizar esse problema? Qual a metodologiaadequada para o ensino aprendizagem de língua materna dentro da perspectivasociolinguística e de acordo com as orientações dos PCNs? Essas são apenas algumas 1 Graduanda. Veiculada ao PIBID- “Escrita e Autoria: o jornal em sala de aula”. Email:  bellargirl@hotmail.com 2 Graduanda. Email: elipig@hotmail.com    FACULDADE SÃO LUÍS DE FRANÇA Aracaju-SE, Brasil, 24 e 25 de novembro de 2012 indagações que serão respondidas no decorrer desse trabalho com o objetivo de ao finaltermos um panorama claro da realidade linguística do português brasileiro e assimtrabalhá-la de maneira mais humanizadora nas nossas escolas levando em conta a pluralidade da língua, concebendo-a em sua totalidade, pois só assim será possível umaverdadeira democratização do ensino que seja realmente favorável à todos, e principalmente aos alunos provindos da classe baixa que são sem dúvida nenhuma os mais prejudicados pelo sistema educacional atual.Para obtermos melhor resultado nesta questão, sugerimos o trabalho com gênerostextuais, instrumentos de grande relevância nas aulas de língua, pois eles estão presentesnas atividades comunicativas do dia-a-dia. Assim, representando o alunado em seusaspectos sociais, culturais e regionais como forma de ação social. DESENVOLVIMENTOFatores que influenciam nas variações linguísticas O Brasil como se sabe é um país miscigenado pela mistura de africanos, portugueses e índios que aqui viveram. No que diz respeito à linguagem destes povosinfluenciaram na composição do Português brasileiro, pois muito do acervo linguísticodeles foram assimilados ao nosso. Para compreender a língua é necessário não perder devista esses acontecimentos históricos uma vez que a mesma é uma instituição social e paraanalisá-la devemos recorrer a fatores de ordem extralinguísticos: socioeconômicos,culturais e históricos.Por muito tempo acreditou-se que a língua fosse homogênea, dentro dessaconcepção a mesma era trabalhada destituída do contexto social por ser consideradaisolada, fechada e monológica (Camacho, 2004). Dentro dessa perspectiva o falante dalíngua é idealizado e passivo, significando que a língua é algo que está fora do sujeito e, portanto não pode ser modificada pelos seus usuários.Porém, estudos realizados por Labov na década de 60 comprovam que aheterogeneidade é inerente ao sistema linguístico, superando a homogeneidade da língua edessa forma agregando fatores extralinguísticos para a compreensão da mesma. Alémdisso, a natureza discriminatória que a linguagem pode assumir devido aos mecanismos de    FACULDADE SÃO LUÍS DE FRANÇA Aracaju-SE, Brasil, 24 e 25 de novembro de 2012 estigmatização são diminuídos quando a língua é concebida pelo viés da heterogeneidade, pois a norma culta é entendida como uma das variedades linguísticas.Camacho (2004), diz que: “ toda língua comporta variantes: (I) em função daidentidade social do emissor; (II) da identidade social do receptor; (III) das condiçõessociais de produção discursiva ” . Em função do primeiro fator pertencem as variantesgeográficas e socioculturais, ou seja, a região em que mora o emissor muitas vezes podeser identificada, pois ao falar este trás traços dialetais específicos da sua região, por exemplo, a região nordestina se identifica com base na abertura sistemática da vogal pretônica de dezembro e colina, sistematicamente fechada na região sudeste; também aclasse social, idade, sexo, profissão, escolaridade, vai fazer diferença na maneira de seexpressar de cada pessoa. No segundo e terceiro fator pertencem as variantes de registros ou estilísticos, estes por sua vez, referem-se ao grau de formalidade da situação e ao ajustamento do emissor àidentidade social do receptor, ou seja, dependendo para quem o emissor refere-se ele temuma preocupação maior ou menor com a linguagem e ainda as circunstâncias é um fator que define a escolha do falante para o uso formal ou informal da língua.Assim, numa conversa entre amigos em que os termos usados geralmente são maissimples, de uso cotidiano sem maiores preocupações com a norma padrão da língua;entretanto em situações mais formais como numa palestra, por exemplo, o emissor tende aselecionar melhor os seus vocábulos, aproximando-se da língua oficial, porque acircunstância daquele momento exige uma linguagem mais elaborada. Sobre essa questão,Allan Bell afirma que: “ a escolha de estilo é essencialmente uma acomodação do falante àscaracterísticas dos seus interlocutores ” . (BELL apud BORTONI-RICARDO, 2005 pp. 41)Como podemos perceber, esses fatores influenciam de maneira favorável ou não nasituação discursiva do sujeito o que pode provocar o preconceito linguístico caso não hajaadequação com a norma culta. Isso ocorre porque a língua não está dissociada do contextosocial das pessoas e, portanto, deve ser levada em consideração para ser trabalhada demaneira mais eficaz, sobretudo tal qual é objetivo deste artigo, poder trabalhar com alinguagem de maneira satisfatória no ambiente escolar. Voltamos o nosso enfoque para asclasses socialmente marginalizadas, que são as mais prejudicadas pela forma errônea naqual o processo pedagógico ocorre em nossas escolas. E como as instituições de ensinolidam com a variação no repertório linguístico dos seus alunos?    FACULDADE SÃO LUÍS DE FRANÇA Aracaju-SE, Brasil, 24 e 25 de novembro de 2012 Contribuição da Sociolinguística O americano Willian Labov é o iniciador dos estudos da sociolinguística, seu primeiro estudo em 1963, tem a proposta de analisar um fenômeno de mudança fonética a  partir dos dados da fala dos habitantes da ilha de Martha’s Vineyard. Com esta pesquisa , anova área de estudos da linguística ganha espaço com este modelo-metodológicodesenvolvido por Labov, que consiste na análise dos aspectos sociais que influenciam nafala dos indivíduos. Nesta nova perspectiva a língua passa a ser vista como um sistema heterogêneo por ser composta pelas variedades linguísticas, considerando a variação como essencial alinguagem humana. Em meio às diversas variações presentes na língua, temos asconsideradas de prestígio e as estigmatizadas pela sociedade, sendo que o valor atribuído àvariante será de acordo com a classe social dos falantes que fazem uso da variação. No entanto, não deveria existir a distinção entre variante de prestígio e variantesestigmatizadas, mas é necessário um estudo voltado para a compreensão das diversasvariações. Se referindo ao Brasil, por ser um país com grande extensão territorial ediversificado social, cultural e economicamente é inevitável a influencia desses fatores nalíngua dos brasileiros, o que a divide em vários dialetos. Fazendo necessário um estudo quecontemple as variedades linguísticas presentes no português brasileiro, sendo a escola aresponsável por este conhecimento.Apesar do tradicionalismo do ensino de gramática nas aulas de língua portuguesaainda fazer parte da realidade da maioria dos professores dessa área, existe uma outraforma de trabalhar a língua materna que se propõe mais dinâmica, interacionista e o maisimportante, veiculado com o contexto social do aprendiz. Tal concepção não usa a dicotomia “certo” e “errado” nem impõe uma única variedade, ao contrário esta reconhece que a variação é inerente a língua, concebendo-a como heterogênea e por isso não privilegia uma em detrimento da outra, porque aqui o mais importante para o professor de português é elaborar uma metodologia que o aluno consiga assimilar o conteúdo ao seucontexto para que realmente tenha significação para ele. Nessa concepção o educador é acima de tudo crítico e tem consciência que numaclasse pode ter havido formas diferentes de socialização e por isso mesmo procura levar 
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