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A Literatura Indigena No Fortalecimento Da Identidade Dos Povos Indigenas e Utilizada Como Ferramenta Em Sala de Aula

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Literatura Indígena
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    A LITERATURA INDÍGENA NO FORTALECIMENTO DA IDENTIDADE DOS POVOS INDIGENAS E UTILIZADA COMO FERRAMENTA EM SALA DE AULA Tathiana Santos Soares 1   Marizete Lucini 2  Ensino de História e Literatura RESUMO: Este texto objetiva discutir os usos da literatura indígena como um dos elementos  possíveis na composição de um novo olhar dos não-índios para os povos indígenas, bem como para o estabelecimento de relações de identificação com a história e a cultura indígena. A   contribuição da literatura indígena na construção da identidade no ensino escolar nos possibilita conhecer os relatos dos próprios índios para a desconstrução de estereótipos que a história criou tanto no ensino escolar e também na formação de  professores no curso de Pedagogia. A relevância da temática justifica-se pela emergência de pensarmos a formação da sociedade brasileira em sua multiplicidade, suscitada pelas reivindicações de diferentes grupos sociais em relação ao seu direito à história e à memória. A referida discussão pauta-se também no desejo de ampliar o conhecimento sobre a temática no curso de pedagogia que ainda é pouco discutida. Acreditamos que a ausência da abordagem dessa temática em curso de formação de  professores pode dificultar o desenvolvimento de estudos e práticas sobre a História e Cultura indígena nos diferentes níveis da Educação Básica. O conhecimento sobre literatura indígena pode possibilitar a utilização dessa literatura no ensino,  principalmente pode contribuir para o conhecimento das práticas culturais dos povos indígenas através de narrativas construídos pelos próprios povos indígenas. Ao conhecer as narrativas indígenas, a partir de narrativas elaboradas por autores indígenas, as memórias ancestrais são preservadas e reconstruídas na narração que se dá a conhecer  pelo protagonismo de povos até pouco tempo silenciados e sem direito à palavra. Palavras-Chave : Formação de Professores, Identidade, Literatura indígena, Pedagogia. ABSTRACT : This text aims to discuss the uses of indigenous literature as one of the possible elements in the composition of the identity of indigenous peoples using the Indigenous 1   Graduada em Pedagogia na Universidade Federal de Sergipe. Atualmente bolsista do Projeto com o Título Formação Docente em EAD: Impactos e Desdobramentos em Sergipe sob a orientação do Professor Doutor Paulo Heimar Souto vinculada a FAPITEC.   E-mail: tathysoares_83@hotmail.com.   2   Doutora em Educação. Professora no Departamento de Educação da Universidade Federal de Sergipe. Membro Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação  –   PPGED - na Universidade Federal de Sergipe. Membro do Grupo de Pesquisas Educação e Contemporaneidade.    384 Literature as bias and tool in the classroom, in the process of building a new look of the non-Indians for people indigenous, and to also to establish identification relations with history and indigenous culture. Recognition of the very identity of the students. Thus aa contribution of indigenous literature in the construction of identity in school education enables us to know the Indians themselves have reports of subsidies for the deconstruction of stereotypes a stereotypical idea that history created both in school education and also in teacher education in the course of Pedagogy. The relevance of this topic is justified by the emergence of think the formation of Brazilian society in its multiplicity, raised by the claims of different social groups in relation to their right to history and memory. The issue of ethnic and racial differences in school education and teacher training. This discussion also to staff the desire to expand knowledge on the subject in the course of pedagogy that is little discussed. We believe that the absence of this thematic approach in the process of teacher education may hinder the development of studies and practices on the History and Indigenous culture at all levels of basic education. Knowledge about Indian literature can enable the use of this literature in education; especially can contribute to the understanding of the cultural practices of indigenous peoples through narratives built by indigenous peoples themselves. By knowing the indigenous narratives, from narratives prepared by indigenous authors, ancestral memories are preserved and reconstructed in the narration that is made known  by the prominence of people until recently silenced time and without right to word strengthening and a reconstruction of a new identity in school environment as well as in the whole society. We hope with the ideas, promote knowledge and appreciation of the  plurality, with the connection bias the teacher as a mediator that allows the breaking of a teaching story centered narratives that do not contribute to cultural identification  processes. Keywords:  Teacher Education, Identity, Indian Literature, Pedagogy.  Na formação da sociedade brasileira, dada a conhecer por diferentes relatos historiográficos, até o século XIX, predominantemente prevaleceu a narrativa que contemplava o europeu como elemento central. Na década de 1980, as vozes de grupos sociais marginalizados emergem em meio às reivindicações de direito à memória e à história. Esses grupos sociais se organizam e passam a construir espaços de  protagonismo social em diferentes espaços. Um desses espaços é o da literatura. A identidade indígena, na história do Brasil, sempre esteve associada a um estereótipo. Esse estereótipo foi produzido a partir das narrativas imagéticas, orais e escritas por autores não-índios, não correspondendo a forma como o próprio indígena se vê. A Literatura Indígena tem como um de seus objetivos, romper com essa imagem estereotipada em que a sociedade não- indígena ainda tem do índio. “Os estereótipos  385 acabam funcionando como marca distintiva ou como característica principal na composição de uma imagem ” (BONIN; VERÔNICA, 2011, p. 89).  Essa literatura surge em meados da década de 1980, associada as grandes transformações no Brasil, momento em que os movimentos sociais tomam força diante do fim da ditadura militar. É nessa época que a produção dessa literatura emerge e surgem as primeiras publicações. De fato, o movimento político indígena brasileiro da década de 1980, encabeçado em parte por jovens indígenas que tinham sido enviados  por suas tribos para estudarem em universidades, possibilitou o surgimento, a partir da década seguinte, de vários escritores indígenas, entre eles Kaka Werá Jecupé, Daniel Munduruku, Graça Graúna e Eliane Potiguara (FERREIRA, 2010, p. 201). Esse espaço conquistado é ocupado no sentido da necessidade de afirmar e reafirmar a identidade indígena, na perspectiva de que a cultura, os costumes e as crenças sejam abordados na perspectiva indígena, transmitindo histórias que antes eram narradas oralmente pelo e para o seu povo. O domínio da escrita pelos povos de tradição oral possibilitou a socialização dessas narrativas aos indígenas e também aos não-índios. A Constituição Federal de 1988 garantiu aos índios o direito a uma educação diferenciada e, a partir deste fato, um considerável número de professores indígenas tem se dedicado à escrita de diversos materiais, que são utilizados nas escolas indígenas, mas que também estão sendo lidos nas aldeias e fora delas sob uma perspectiva literária. Dessa forma a Lei 11.645/08, que modifica a Lei 10.639/03 no artigo 26-A, torna obrigatório o estudo de história e cultura-africana e indígena no estabelecimento  público e privado no ensino fundamental e médio, no que se refere aos conteúdos  programáticos. Conforme o descrito nessa legislação: § 1º O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos  povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. § 2 o  Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos  povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileira.” (BRASIL, 2008.).  386 A criação de escolas indígenas é contemplada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 9394/96 que no seu art. 78 trata da oferta de educação escolar  bilíngue aos povos indígenas. No inciso I, indica que a escola indígena tem o objetivo de proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências. No art. 79, parágrafo 2º indica-se a necessidade de criação de programas com vistas à elaboração e publicação sistemática de material didático específico e diferenciado.  Nesse sentido, nesse texto entendemos a literatura indígena em seu movimento de criação e socialização de uma oportunidade de alterar o conhecimento sobre a história do índio dentro das escolas e dos novos conceitos para uma educação voltada à valorização da identidade do povo brasileiro e de um outro olhar aos diferentes povos indígenas. Para Gehlen “a escola é o instrumento para que os índios poss am representar seu universo e a si próprios para além da alde ia”. (GEHLEN, 2011, p.88).  Ao representar o universo indígena para além da aldeia, tanto aos índios como aos não-índios, nos parece que é possível diminuir as distâncias criadas por séculos de desconhecimento da cultura desses povos. Isso não diminui a responsabilidade da sociedade brasileira em reparar minimamente sua dívida com os povos indígenas em relação aos seus direitos, mas possibilita que esses povos sejam conhecidos e respeitados pela sua história e sua cultura. Conforme indica Daniel Munduruku no texto “ A escrita e a autoria fortalecendo a identidade ” : De qualquer forma, entendo que há uma preocupação prática nos diversos programas de educação indígena espalhados pelo Brasil afora, sejam eles operados pelas esferas governamentais ou não governamentais. Muitos desses programas têm partido do princípio que é preciso fortalecer a autoria como uma forma de fortalecer também a identidade étnica dos povos que atendem. Isso é muito  positivo se a gente entender que a autoria, aqui defendida, signifique que estes povos possam num futuro próximo, criar sua própria  pedagogia, seu modo único de trafegar pelo universo das letras e do letramento. Só assim posso imaginar que valha a pena o esforço dos que se põem a trilhar este caminho. Se estes grupos de fato acreditarem que estão criando pessoas para a autonomia intelectual e se abrirem espaço na sociedade para a livre expressão deste  pensamento, então eles estarão, realmente, fortalecendo a autoria e apresentando um caminho novo para as manifestações culturais, artísticas, políticas, lúdicas e religiosas dos nossos povos indígenas (MUNDURUKU, online , s/p).
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