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Análises de Modelos- Uma Revisão Da Literatura

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As análises de modelos são utilizadas rotineiramente nos processos de diagnóstico e planejamento do tratamento ortodônti - co, o objetivo deste trabalho é fazer uma avaliação das análises mais utilizadas através de uma revisão da literatura publicada sobre as mesmas.
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  Revisão de Literatura 64 R Clin Ortodon Dental Press, Maringá, v. 5, n. 1 - fev./mar. 2006  Análises de modelos: uma revisão da literatura Raul Couto Leal*, Leila Nilce Tanque*, Stella Angélica de Souza Gouveia**, Elvira Gomes Carmadella***  * Especialistas em Ortodontia e Ortopedia facial da ABOM/RJ. ** Professora do curso de especialização em Ortodontia e Ortopedia facial da ABOM. *** Ortodontista. Membro titular da Academia Brasileira de Odontologia, Fellow of the International College of Dentists. R As análises de modelos são utilizadas roti-neiramente nos processos de diagnóstico e planejamento do tratamento ortodônti-co, o objetivo deste trabalho é fazer uma avaliação das análises mais utilizadas atra-vés de uma revisão da literatura publicada sobre as mesmas. São descritos métodos que relacionam o tamanho dentário com o tamanho das estruturas de suporte, como Índice de Pont, Korkhaus, Linder-Hart, Schwarz e Howes; métodos que relacio-nam o tamanho dos dentes e o espaço dis-ponível durante a dentadura mista (análi-ses da dentadura mista), como análise de Moyers, Tanaka e Johnston, Nance, Tweed, Huckaba e Watson e métodos que relacio-nam o tamanho das estruturas dentárias PALAVRAS-CHAVE:  Análises de modelos. Índice de Pont. Análises da dentadura mista. Análise de Bolton. entre si como a análise de Bolton. Houve uma preferência pela literatura publicada sobre pesquisas realizadas em populações diferentes daquelas que srcinaram os mé-todos descritos. Concluiu-se que os índices de Pont-Korkhaus devem ser considerados com reservas para utilização em pacien-tes brasileiros. Há uma carência de estu-dos sobre a análise de Howes em amos-tras brasileiras. Os métodos de Moyers e Tanaka e Johnston mostraram, em geral, discrepâncias para populações com ca-racterísticas raciais diversas. A análise de Bolton demonstrou eficácia, havendo uma discussão sobre o real impacto das discre-pâncias de tamanho dentário na oclusão e sobre as diferenças de proporção entre os diversos grupos raciais.  Raul Couto Leal, Leila Nilce Tanque, Stella Angélica de Souza Gouveia, Elvira Gomes Carmadella 65 R Clin Ortodon Dental Press, Maringá, v. 5, n. 1 - fev./mar. 2006 IRçã Os modelos das arcadas dentárias são indispensáveis no diag-nóstico e planejamento ortodôntico, sendo utilizados também para a avaliação do tratamento, controle de contenção e controle pós-contenção. Medindo-se as estruturas reproduzidas, mudanças contínuas no comprimento, largura e curvatura das arcadas podem ser avaliadas e quantificadas 24,33 . Através destas medidas podemos também relacionar o tamanho dentário com o tamanho das es-truturas de suporte, relacionar o tamanho dos dentes e o espaço disponível durante a dentadura mista (análise da dentadura mista), relacionar o tamanho de grupos dentários entre si e avaliar o ta-manho e a forma dos dentes individualmente. Estas análises são usualmente denominadas análises de modelos e devem constar em uma ficha inclusa na documentação de cada caso.Os modelos, normalmente confeccionados em gesso, devem reproduzir além de todos os dentes, todas as bases apicais, a sutu-ra palatina mediana e as inserções musculares. Devem ser obtidos com a observação cuidadosa dos preceitos da técnica, principal-mente no quesito armazenagem dos moldes, na maioria das vezes feitos em alginato, material sujeito a grandes alterações dimensio-nais se o molde não for preenchido imediatamente. Devem tam-bém possuir um acabamento que lhes confira um padrão estético e durabilidade. Recebem também uma conformação geométrica em suas bases, que permite a avaliação em três planos de referência posicionados em uma angulação padrão. O plano da rafe média palatina (sagital) permite a avaliação das discrepâncias transver-sais, o plano da tuberosidade (parafrontal) é usado como referência para a análise das más posições dentárias ântero-posteriores e o plano oclusal (horizontal) permite a avaliação das más posições verticais 3,9,13,50 .Diversos pesquisadores contribuíram para o desenvolvimento de inúmeras análises de modelos. A discussão de todas as análises existentes ultrapassaria os limites do presente trabalho, optamos então por selecionar algumas entre as mais utilizadas para serem descritas e avaliadas por meio de uma revisão da literatura. RvIã  IRRRelacionando o tamanho dentário com o tamanho das estruturas de suporte Para uma correta adequação dos dentes nas bases apicais é necessária uma relação favorável entre o tamanho das mesmas e o tamanho dentário. Van der Linden 34  afirmou que a área api-cal varia de acordo com a fase do desenvolvimento do indivíduo. Na dentadura decídua ela é formada pela região onde se localizam os ápices dos dentes decíduos e as partes dos permanentes em for-mação. Na dentadura mista, consiste da região onde se situam as raízes dos dentes decíduos e permanentes e as partes em formação dos dentes não erupcionados. Na fase adulta é a região onde estão os ápices dos dentes totalmente formados. O tamanho desta área tem conseqüências importantes para a posição dos dentes nos ma-xilares enquanto os mesmos ainda não emergiram, para o processo de transição entre decíduos e permanentes e para a situação final após o complemento e desenvolvimento da dentição.Autores como Davis, Begole 15  e De La Cruz et al. 16  descrevem as alterações nas dimensões transversais e nas formas dos arcos dentários como causas de instabilidade dos resultados obtidos pelo tratamento ortodôntico. Litle, Riedel e Artum 35 , no entanto, afirmam que a preservação da largura interarcos srcinal não é garantia de estabilidade. De acordo com McNamara Jr. 37 , quando se proporcio-na um mecanismo de expansão das bases apicais, aumentando a largura e o perímetro do arco, pode-se obter um aumento do es-paço para o alinhamento da dentição permanente. É claro que esta expansão dos arcos não pode ser feita arbitrariamente, como tem sido demonstrado por muitos estudos publicados a respeito. Tendo em vista que a expansão do arco dentário é apenas uma das opções terapêuticas para os problemas de discrepância entre perímetro do arco e tamanho dentário, nenhum tratamento deve ser planejado antes de se fazer uma análise completa dos modelos, do traçado cefalométrico e de um exame clínico minuciosoDiversos cálculos e tabelas têm sido formulados tentando relacio-nar o tamanho dos dentes com um tamanho ideal de arco alveolar, visando possibilitar um melhor planejamento das expansões. ÍI  P Pont (1909, apud STIFTER 57 , 1958), através de estudos antropo-métricos em arcos dentais de uma amostra de indivíduos bascos do sul da França, idealizou um método para determinar uma largu-ra ideal de arco, baseado na soma dos diâmetros mesiodistais das coroas dos incisivos superiores. Afirmou que a medida apenas dos quatro incisivos simplificava o método e permitia utilizar os prin-cípios de predição da largura dos arcos antes da erupção dos cani-nos permanentes. Os maiores diâmetros mesiodistais dos incisivos eram obtidos com um paquímetro ou compasso de ponta seca e transferidos para uma linha desenhada em uma ficha, depois so-mados em milímetros e anotados. As larguras inter-pré-molares no arco superior eram medidas no ponto mais central do sulco oclusal dos primeiros pré-molares e no arco inferior no ponto de contato mais vestibular entre primeiro e segundo pré-molares. As larguras inter-molares no arco superior eram medidas nas fossas centrais dos primeiros molares (Fig. 1) e no arco inferior na parte mais alta das cúspides médio-vestibulares dos primeiros molares (Fig. 2). Ao dividir a média combinada dos diâmetros mesiodistais dos incisivos superiores pela média da largura inter-pré-molares en-controu uma proporção constante de 80 e ao fazer o mesmo cál-culo para a largura intermolares encontrou a proporção de 64 para um arco dentário ideal. Foram elaboradas fórmulas, a partir destas  Análises de modelos: uma revisão da literatura 66 R Clin Ortodon Dental Press, Maringá, v. 5, n. 1 - fev./mar. 2006 FIGURA 1  - Valores utilizados no Índice de Pont-Korkhaus para o arco superior. FIGURA 2  - Valores utilizados no Índice de Pont-Korkhaus para o arco inferior. medidas, que buscavam prever a largura ideal do arco dentário su-perior: seria multiplicada a soma dos diâmetros mesiodistais dos incisivos (SI) por 100 e o resultado dividido por 80 para se obter a largura inter-pré-molares e por 64 para a largura inter-molares. A partir dessas duas fórmulas foi construída uma tabela de valores que ficou conhecida como índice de Pont. Os valores desta tabela são acrescidos de 1 ou 2mm visando compensar as recidivas que ocorrem após o tratamento ortodôntico. Pont frisou que sua pes-quisa era feita exclusivamente em indivíduos franceses e que seria de grande valia se colegas seus verificassem a aplicação do índice em outras raças.Korkhaus (apud MARTINS, LIMA 39 ,1997) e Linder-Hart (apud SCHWARZ 54 , 1965) sugeriram modificações para adaptar a tabela aos indivíduos com padrões mesofaciais, propondo valores de 84 e 65 onde os valores de Pont eram 80 e 64 em um estudo realizado com uma amostra de indivíduos romenos (Tab. 1). Também inclui-ram a medida LO ou comprimento do arco anterior.Schwarz 54  também contestou a validade da tabela afirmando que a mesma não levava em consideração o tipo facial, uma vez que a amostra estudada por Pont era de indivíduos com faces lar-gas e padrão braquifacial e corrigiu a tabela no intuito de adequá-la ao padrão facial do paciente (Tab. 2).Chateau 12  concorda com os valores estabelecidos por Pont para o tratamento ortodôntico, confirmando o aumento de 2mm nas distâncias inter-pré-molares e inter-molares visando as adap-tações após o período de contenção. Realizou também medidas relacionando o perímetro dentário dos 14 dentes (PD) acrescidos dos terceiros molares, quando existentes (espaço requerido total), perímetro dentário final, com o perímetro ósseo habitável final PHF ou PO (espaço disponível final) acrescido do crescimento na super-fície alveolar na tuberosidade distal. Stifter 57  realizou um estudo em 48 modelos de arcadas com oclusão ideal e normal de indivíduos americanos. Foi encontrada uma correlação maior entre o diâmetro dos dentes anteriores e a largura dos arcos nos modelos com oclusão ideal. Os modelos de oclusão normal não apresentaram correlação com os valores da ta-bela, levando à conclusão de que não se deve presumir que todo caso deve ser guiado pelos valores encontrados no índice de Pont para se obter sucesso, entretanto os valores poderiam ser um objetivo quan-do se estiver trabalhando próximo ao ideal. Foi observado ainda que os pontos utilizados para medir-se a largura inter-pré-molares na maxila eram mais difíceis de se localizar que aqueles na mandíbula e que estas duas medidas não foram iguais, como era de se esperar.Bimler 5  utilizou os valores de Pont e Korkhaus para montar uma análise em gráfico do desenvolvimento das alterações dimensio-nais das arcadas durante o tratamento. Os valores são descritos em milímetros e se observa uma curva de reação individual ao trata-mento, a qual deverá se aproximar das medidas ideais. Afirma tam-bém que os valores dos índices de Pont e Korkhaus representam apenas referências para comparação com as medidas apresentadas pelos pacientes e não objetivos a serem alcançados.Joondeph, Riedel e Moore 30  aplicaram o índice de Pont em 20 in-divíduos tratados ortodonticamente sem extração e com 10 anos pós contenção. As medidas foram feitas nos modelos pré-tratamento, pós-tratamento e com dez anos após a remoção da contenção. Foi encontrada uma correlação pobre entre a soma dos diâmetros dos incisivos e as larguras finais inter-pré-molares e inter-molares. Uma melhor correlação foi encontrada entre a largura maxilar srcinal e a largura do arco 10 anos pós-contenção. Alta correlação foi encontra-da entre as medidas pós-tratamento e as de 10 anos pós-contenção. Concluíram que a relação entre as medidas dos incisivos e as largu-ras inter-pré-molares e inter-molares não tem valor para determinar a largura final do arco nestas áreas. A largura do arco mandibular e a largura intercaninos, como se apresentam na má oclusão srcinal, são guias de tratamento mais racionais para a largura final dos arcos maxilar e mandibular em comparação com o índice de Pont.Oliveira, Negra e Aguiar 46  realizaram medidas em 111 modelos de indíviduos brasileiros brancos, negros e mulatos; com oclusão normal e ausência de tratamento ortodôntico. Não foi encontrada diferença estatisticamente significante entre os valores da tabela LODIPDIMDIMDIP  Raul Couto Leal, Leila Nilce Tanque, Stella Angélica de Souza Gouveia, Elvira Gomes Carmadella 67 R Clin Ortodon Dental Press, Maringá, v. 5, n. 1 - fev./mar. 2006 de Pont e os da amostra. Foram encontradas diferenças nas lar-guras inter-pré-molares e inter-molares para a mesma soma de diâmetros de incisivos, provavelmente srcinadas da variação dos tipos faciais. Foi encontrada diferença estatisticamente significante quando se comparou os valores dos índices de indivíduos masculi-nos e femininos, sendo os destes mais elevados. A média do índice foi 82,7 ± 1,20 para a largura inter-pré-molares e 63,8 ± 1,42 para a largura inter-molares.Moyers 40  afirmou que o índice de Pont é de pouca valia se em-pregado isoladamente e de maneira indiscriminada; sendo, na me-lhor das hipóteses, um guia muito rudimentar de pouco uso num plano de tratamento racional.Oliveira 45  avaliou 79 indivíduos brasileiros, leucodermas, na fai-xa etária de 12 a 17 anos, de ambos os gêneros, que apresentavam ausência de apinhamento, oclusão normal e nunca haviam se sub-metido a tratamento ortodôntico. Concluiu que os valores obtidos através da correlação entre os diâmetros inter-molares e inter-pré-molares superiores e inferiores foram 0,90 e 0,89 indicando uma correlação alta. Através da aplicação de médias aritméticas obteve-se o índice de 67 e 87 para os índices de molares e pré-molares. En-controu-se valores semelhantes aos de Pont para os comprimentos das arcadas e a largura relativamente mais estreitaMartins e Lima 39  relacionaram as medidas do índice de Pont com os tipos faciais em 66 indivíduos brasileiros, leucodermas, portado-res de oclusão normal e não tratados ortodonticamente. Utilizaram os traçados cefalométricos de Ricketts (índice VERT) e McNamara para avaliar o tipo facial da amostra. Também confrontaram os re-sultados com as modificações propostas por Korkhaus, Linder-Hart e Schwarz. Concluíram que não houve correlação significante en-tre o índice de Pont e os valores obtidos pelas mensurações feitas. Comparando os mesmos valores com os das correções efetuadas no índice de Pont por Korkhaus, Linder-Hart e Schwarz, também não foram detectadas correlações estatisticamente significantes. Não se considerou válida a aplicação deste índice ou de suas correções para pacientes brasileiros, desde que apresentem características seme-lhantes às da amostra avaliada no estudo (padrão mesofacial), e foi proposta a correção das proporções constantes para 85,8 no cálculo da largura inter-pré-molares e 67 no cálculo da largura inter-mola-res superiores, para o arco ideal, na amostra objeto do estudo.Kanashiro e Vigorito 31  compararam os padrões médios das medidas transversais das arcadas dentárias superior e inferior nos diversos tipos faciais em 90 modelos de indivíduos brasileiros, de ambos os gêneros, leucodermas, com má oclusão Classe II, divisão 1 de Angle, com idades de 11 anos e 4 meses a 17 anos. Os tipos fa-ciais foram definidos segundo a análise cefalométrica de Ricketts (índice VERT). Praticamente não se encontrou diferença estatisti-camente significante entre os tipos facias, com exceção das medi-das inter-segundos molares na arcada superior e inter-primeiros molares na arcada inferior, que se mostraram maiores no tipo bra-quifacial em relação ao tipo dolicofacial. O grupo mesofacial e do- 21124-46-6 27 32 41,527,5 32,5 42,328 33 4328,5 33,5 43,829 34 44,529,5 34,7 45,330 35,5 4630,5 36 46,831 36,5 47,531,5 37 48,532 37,5 4932,5 38,2 5033 39 5133,5 39,5 51,534 40 52,534,5 40,5 5335 41,2 5435,5 42 54,536 42,5 55,5 21124-4 meso4-4 braqui6-6 meso6-6 braqui 27 33 34 41 42,527,5 33,5 34,5 41,5 4328 34 35 42 43,528,5 34,5 36 42,5 44,529 35 36,5 43,5 45,529,5 35,5 37 44 4630 36 38 45 4730,5 36,5 38,5 45,5 47,531 37 39 46,5 48,531,5 37,5 39,5 47,5 49,532 38 40 48 5032,5 38,5 41 48,5 50,533 39 41,5 49 51,533,5 39,5 42 50 52,534 40 42,5 50,5 5334,5 40,5 43 51 5435 41 44 52 5535,5 41,5 44,5 53 5636 42 45 53,5 56,5 TABELA 1  - Valores de Korkhaus e Linder-Hart. TABELA 2  - Valores modificados por Schwarz 54  de acordo com os tipos faciais.

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Sep 4, 2017
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