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Boletim Evoliano 2 www.boletimevoliano.pt.vu Editorial A superação do Fascismo Se no primeiro número do nosso Boletim (número 0) nos limitamos a apresentar de maneira sumária Julius Evola aos nossos leitores, recolhendo o trabalho que outros tinham já iniciado, neste segundo número (número 1) decidimos começar a explorar de forma substancial o seu pensamento, apresentando aos nossos leitores textos até agora (tanto quanto sabemos) indisponíveis em português («O Fascismo e a Ideia Política T
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  Boletim Evoliano www.boletimevoliano.pt.vu 2  Se no primeiro número do nosso Boletim (número 0) nos limita- mos a apresentar de maneira sumária Julius Evola aos nossos leito- res, recolhendo o trabalho que outros tinham já iniciado, neste  segundo número (número 1) decidimos começar a explorar de for- ma substancial o seu pensamento, apresentando aos nossos leito- res textos até agora (tanto quanto sabemos) indisponíveis em portu-  guês («O Fascismo e a Ideia Política Tradicional» e «Autodefesa»).  Apresentado frequentemente como um fanático nazi-fascista  pelos adversários (que nunca leram uma linha do que escreveu), e como antifascista por “defensores” tíbios (especialistas em citações truncadas e selectivas), a verdade, como quase sempre, é um “pouco” mais complexa do que isso e desafia alguns preconceitos e categorias ideológicas muito convenientes quando se trata de demo- nizar alguém, mas com muito pouca utilidade explicativa. Não pretendemos ser nós a responder à questão sobre o fascis- mo (ou antifascismo) de Evola, e, de maneira mais geral, sobre a relação entre a Tradição (ver o artigo “O que é a Tradição?”, na pág. 4) e o Fascismo. Pretendemos, isso sim, deixá-lo falar na primeira  pessoa e sem intermediários, apresentando por isso dois textos fun- damentais para a compreensão do seu pensamento em relação ao Fascismo: «O Fascismo e a Ideia Política Tradicional» e «Autodefesa». Evola foi um tradicionalista, um intérprete da Tradição, e fascista apenas na medida em que o Fascismo assumiu aspectos tradicio- nais. Ouçamo-lo: “Sejamos bastante claros a este respeito: contra os detractores, os que mudam de opinião e as medíocres figuras morais dos nossos tempos, nós não repudiamos o passado, antes reconhecemos todo o valor que o período Fascista teve na história italiana, bem como aquele que o período Nacional-Socialista teve na da Alemanha. (…) Quem quer que, como nós, apoiando uma ordem de ideias coincidente apenas em parte com o Fascismo (e o Nacio- nal-Socialismo), tenha colaborado com estes movimentos apesar da consciência precisa dos seus aspectos incompletos ou desviados, fê- lo contando precisamente com a possibilidade de desenvolvimentos futuros que esperançosamente os teriam eliminado. (…) Para lá do “mito”, para lá da nostalgia, para lá do luto pelo grande homem, o Fascismo pode ser usado como uma base apenas na medida em que foi uma manifestação e re-assumpção da grande tradição políti- ca europeia, daquilo que agiu de maneira formativa no plano espiri- tual, político e social antes da Revolução Francesa” («O Fascismo e a Ideia Política Tradicional», pág. 7). Mais do que fascista ou antifascista, Evola foi “supra-fascista” e  grande parte dos seus esforços doutrinários foram precisamente no  sentido de proporcionar aos Homens que se mantêm de pé entre as ruínas a possibilidade de superação do Fascismo. Editorial  A superação do Fascismo ÍNDICE Editorial 2 ————————————————————————————————––––————————————————————————————————————————  Evola e o pós-fascismo 3 ————————————————————————————————––––————————————————————————————————————————  O que é a Tradição? 4 ————————————————————————————————––––———————————————————————————————————————— O Fascismo e a Ideia Política Tradicional 7 ————————————————————————————————––––————————————————————————————————————————  Os Fascismos e a  Tradição Primordial 16 ————————————————————————————————––––————————————————————————————————————————   Autodefesa 19 ————————————————————————————————––––————————————————————————————————————————  Ungern-Sternberg 25 ————————————————————————————————––––————————————————————————————————————————  Tradição em rede 27 ————————————————————————————————––––————————————————————————————————————————  FICHA TÉCNICA Número 1 ————————————————————————————————––––————————————————————————————————————————  2º quadrimestre 2007 ————————————————————————————————––––————————————————————————————————————————  Publicação quadrimestral ————————————————————————————————––––————————————————————————————————————————  Internet:  www.boletimevoliano.pt.vu ————————————————————————————————––––————————————————————————————————————————  Contacto: boletimevoliano@gmail.com ————————————————————————————————––––————————————————————————————————————————    Boletim Evoliano  www.boletimevoliano.pt.vu 3 Marcos Ghio ———————————————————————————————————————————————————————————————— Em concordância com o proces-so de globalização que hoje rege o planeta, o prefixo  pós  tem sido o termo utilizado para referir as dis-tintas correntes de pensamento próprias de tal etapa. Assim, se a  pós-modernidade  significa viver plenamente o moderno nos seus efeitos, libertando-o de qualquer estéril idealismo que interfira com a sua expansão, as correntes  pós  no plano do pensamento político tentaram aplicar tais consequên-cias no seu âmbito próprio. Tal aconteceu especialmente com as suas duas expressões anti-téticas de esquerda e direita. Assim, o  pós-comunismo  represen-ta uma postura que renunciou para sempre a teses conflituosas tais como a luta de classes, a ditadura do proletariado, etc., para se redu-zir a um fenómeno light  , gramscia-no, limitado a meras reivindicações sociais ou culturais que não são outra coisa que uma via reformista de adaptação ao “curso irreversí-vel” do processo histórico e moder-no. O mesmo é dizer, esvaziar tal ideologia de todo o espírito revolu-cionário e anti-burguês que pudes-se ter tido em algum momento. Faltava que também o Fascis-mo vivesse a sua experiência  pós , isto é, que manifestasse plenamen-te aqueles veios modernos tam-bém presentes na sua doutrina, já denunciados no seu tempo por Julius Evola, nos seus escritos da revista La Torre nos quais contras-tava os dois espíritos que comba-tiam no seu seio, o burguês e o legionário. O primeiro era apenas uma simples adaptação ao siste-ma moderno vigente; em vez de o corrigir ou rectificar, tentava tornar-se parte do mesmo. Tal espírito burguês e conformista foi o que se viveu especialmente durante o pri-meiro Fascismo, conhecido como o do Ventennio . A guerra permitiu que esta pri-meira vertente abandonasse rapi-damente o barco, passando-se abertamente para o lado do inimi-go e que, por contraste, o espírito legionário se plasmasse na Repú-blica Social Italiana, cujo significa-do é o da resistência heróica ante o imparável avanço das forças do caos soviético-americanas. Mas o  pós-fascismo , surgido logo a seguir à queda do Muro de Berlim e à “morte das ideologias”, consiste hoje em repudiar esta últi-ma etapa e regressar de forma aumentada ao espírito burguês antes mencionado. Gianfranco Fini, ex-líder do fascismo italiano no século passado, hoje confesso ade-rente à ideologia  pós , mostrou até que limites pode chegar tal traba-lho de esvaziamento doutrinário. Logo depois de ter visitado Israel, denunciado o Holocausto, repudiado Mussolini e usado a kipá , conseguiu alcançar o cargo de Ministro dos Negócios Estrangei-ros do Governo de Berlusconi. Um dos seus primeiros actos de gover-no foi justamente viajar até ao país a que devia o reconhecimento pelo seu arrependimento e adesão à ideologia  pós . Ali teve a honra de ser recebido por Sharon em pes-soa. Grande foi a sua surpresa perante as indicações recebidas desta vez. Muito solto de corpo, o Primeiro-Ministro indicou-lhe de for-ma peremptória que, se quiser con-tinuar a ter o seu “apoio”, deve impedir a difusão das doutrinas de Julius Evola. O chefe do sionismo compreen-deu muito bem, seguramente devi-do à leitura incessante dos nossos comunicados, que não existe pen-samento mais contrastante com o sistema hoje vigente no mundo do que o formulado à luz de tal corpo doutrinário. Talvez o seu compreen-sível medo se deva à possibilidade de que, da mesma maneira que o moderno só pode ser negado pelo que lhe é superior e não pela sua consequência mais sombria — o fenómeno  pós  —, também o fascis-mo possa ser negado nas suas facetas burguesas e conformistas que o transformaram num fenóme-no escasso e insuficiente. Tal como disse Evola, somos supra-fascistas e não pós-fascistas. Somos anti-modernos e não pós-modernos. Opinião Evola e o pós-fascismo  Boletim Evoliano www.boletimevoliano.pt.vu 4 Julius Evola ———————————————————————————————————————————————————————————————— (tradução e notas de César Ranquetat Jr. — franquetat@yahoo.com.br)* Há duas razões pelo qual hoje é oportuno precisar o conceito de Tradição em sua acepção particu-lar, pelo qual se converteu muito corrente usar tal termo com letra maiúscula. A primeira razão é o interesse crescente que a ideia de Tradição como ponto de referência suscitou e continua suscitando nos ambien-tes de cultura e contestação de direita, em especial entre os per-tencentes à nova geração. A segunda razão se refere ao facto que, ao mesmo tempo, e se pode dizer que justamente por haver se constatado tal interesse, se formularam intentos de susten-tar uma interpretação caduca e tíbia do conceito de Tradição, qua-se para suplantar o srcinário e integral e substituí-lo com um con-teúdo menos comprometido e mais acomodado, de modo tal de permitir a continuidade das routi- nes de uma mentalidade em gran-de medida conformista. Se poderia falar, a tal respeito, usando um ter-mo francês, de uma escamotage . E é assim como aconteceu, por exemplo, o distanciamento de cer-tas pessoas, que atraídas em um primeiro momento pelo conceito de Tradição, terminarão aderindo a um “tradicionalismo católico” (1) . Acerca do sentido interno de tal distanciamento são bastante signi-ficativas as palavras expressadas por um escritor expoente desta direcção, em uma entrevista conce-dida por ele a Gianfranco de Turris. O escritor em questão reconheceu que da mesma maneira que outros de sua geração e das sucessivas, em um primeiro momento se inte-ressou pela ideia tradicional, espe-cialmente pelas suas aplicações políticas, mas logo distanciou-se sentindo que as coisas aconteciam como em uma “sã cura de heliote-rapia”, havia que “retirar-se do sol antes de ser queimado”. Evidentemente este não é se-não um modo elegante para dizer que não se suportava a força de certas ideias formuladas sem ate-nuações, daí então o distanciamen-to e a adesão ao “tradicionalismo católico”. Um caso importante é o constituído por um livro, editado por Bompinani que se intitula: “O que é a Tradição?” Aparte do facto de que não se trata de uma exposi-ção sistemática, senão de um gru-po de ensaios que muitas vezes tem pouco que ver com o tema, o autor dá novamente uma versão tíbia da Tradição, com visíveis preo-cupações de carácter religioso e moralizante, o alarde expressado através de citações múltiplas de uma cultura variada vale mais para confundir que para esclarecer, dada a falta de um rigoroso quadro sistemático. É bastante visível que este livro foi justamente escrito em relação ao mencionado crescente interesse pela ideia de Tradição. Há um aspecto que merece ser assina-lado, o autor do livro em questão, que pretende dizer o que é ou que seria a Tradição, por certo não sonhou jamais de aproximar-se a tal ordem de ideias até não faz muito tempo quando andava junto com Moravia e com outros expoen-tes da intelectualidade esquerdista italiana. Ele ignora que o conceito integral de Tradição havia sido já formulado nos anos 20 por René Guénon (2)  e seu grupo, e depois em nossa obra Revolta contra o Mundo Moderno , editada em 1934 na Itá-lia e em 1935 na Alemanha, a pri-meira parte desta obra se intitula  justamente “O mundo da Tradi-ção”. O autor aludido cita apenas um par de vezes a contribuição da corrente guenoniana, entretanto ignora sistematicamente a nossa. Lamentavelmente ele dispõe de um círculo bastante vasto de leito-res, pelo qual sua tíbia apresenta-ção do que seria a Tradição resulta sumamente perniciosa. O autor em questão se perde em uma discussão quase teológi-co-escolástica quando afirma que a “tradição por excelência é a trans-missão do conhecimento do objec-to óptimo e máximo, o conheci-mento do ser perfeitíssimo”. Isto poderá valer no campo contempla-tivo-religioso, e só com referência ao mesmo se pode dizer que a Tra-dição “se concreta em um conjunto de meios: sacramentos, símbolos, ritos, definições discursivas cujo Doutrina O que é a Tradição? * O texto a seguir escrito por Julius Evola, compõe um capítulo de uma de suas últimas obras “O Arco e a Clava” (1968). O pensador italiano procura explicar a ideia de Tradição desvinculando esta de qualquer forma de tradicionalismo. Para Evola, a Tradição possui um conteúdo meta-histórico e supra-temporal. O autor analisa ainda o chamado método tradicional e o papel das elites na transmissão do conhecimento tradicional. 1. Para Evola a ideia de Tradição é algo mais vasto e universal que o catolicismo. Em sua obra “Os homens e as ruínas” afir-ma: “Deve, pois permanecer firma a ideia de que ser tradicional e ser católico não é a mesma coisa. Não só isto, por mais que possa parecer paradoxal a alguns, quem é tradicional sendo só católico em sentido corrente e confessional, não é tradi-cional senão pela metade do caminho. Repetimos: o verdadeiro espírito tradicional é uma categoria muito mais vasta que todo que é simplesmente católico.” 2. Para Guénon, tudo o que é de ordem tradicional tem uma relação com algo que é de srcem supra-humana. A Tradição possui uma srcem divina e não se confunde com mero costume ou hábito.
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