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Book review of Barry Buzan's From international to world society? English school theory and the social structure of globalization

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Book review of Barry Buzan's From international to world society? English school theory and the social structure of globalization
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  D esdeoiníciodosanos1990,BarryBuzantemescritobastanteso-bre a Escola Inglesa, suas potencialidades e seus limites. Em todosestes escritos, Buzan enfatiza a possibilidade de ligações de talEscolacomteoriasdo mainstream norte-americano:sejaoneo-rea-lismo,oneo-institucionalismoou,comoéocasonestelivro,ocons-trutivismo de vertente wendtiana. Agora Buzan propõe uma refor-mulaçãodatríadedosconceitosdesistemainternacional,sociedadeinternacional e sociedade mundial, de forma a dar-lhes a clarezaconceitual necessária para que a Escola Inglesa possa ser mais bemreconhecida dentro da disciplina e oferecer uma importante contri-buição para o debate sobre a relação entre atores estatais e não esta- 423 *Resenha recebida em maio de 2006 e aprovada para publicação em março de 2007.**MestreemRelaçõesInternacionaispeloInstitutodeRelaçõesInternacionaisdaPontifíciaUniversida-deCatólicadoRiodeJaneiro(IRI/PUC-Rio),professordocursodeRelaçõesInternacionaisdoCentroUniversitárioMetodistadoRio(BENNETT),daUniversidadeEstáciodeSáepesquisadordoGrupodePesquisa sobre a Ordem Mundial Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). CONTEXTO INTERNACIONAL Rio deJaneiro, vol. 29, n o 2, julho/dezembro 2007, p. 423-434. Resenha From International to World Society? EnglishSchool Theory and theSocial Structure of Globalization* Barry Buzan. Cambridge, Cambridge University Press, 2004,294 páginas. Emerson Maione de Souza**  tais inerente à globalização. Como veremos adiante, tal reformula-ção possui vários pontos controversos, mas que, por isso mesmo,podem gerar uma importante discussão sobre os desenvolvimentospelosquaisaEscolaInglesavempassandonosúltimosquinzeanos.Na sua visão, a grande questão política de nosso tempo é a tensãoexistentenarelaçãoentreomundoestatalenãoestatal(p.88-89).Oautorafirmaqueasmudançassignificativasqueestamosvivendosãogeralmenteabarcadasnotermo“globalização”,que,porabrangersi-multaneamentetantosfenômenos,muitasvezesévistocomoumter-moanaliticamentevazio.Paraosquesepreocupamcomestaindefi-nição, Buzan busca oferecer uma interpretação estrutural de cunhosocial (inspirada em Wendt) da Escola Inglesa como uma boa solu-ção para os problemas de como pensar analítica e normativamentesobreaglobalização.AEscolaInglesaéperfeitamenteajustadaparaabordar esta questão, apesar de até aqui não ser usada muitas vezesdessa forma. A tríade de conceitos desta Escola capta simultanea-menteaexistênciadesistemasestataisenãoestataisoperandoladoaladoeumpormeiodooutro,semacharissoconceitualmenteproble-mático. Ela mantém o velho, enquanto traz o novo, e, dessa forma,está bem equipada para analisar a transição de uma política interna-cionalvestfalianaparaumapós-vestfalianaemnívelglobalouregio-nal.BuzansustentaaindaqueaEscolaInglesapodelidarcomaidéiadeumamudançadebalançadepodereguerraparaomercadoemul-tilateralismo como as instituições dominantes da sociedade interna-cional,eprovêumarcabouçoidealparaseexaminarquestõesdein-tervenções, sejam humanitárias ou não. Ele afirma que levar a caboessaexpansãodeumapolíticainterestatalparaumapolíticamundialé importante para a disciplina de Relações Internacionais como dis-ciplina. Sustenta que os pontos mais fortes desta disciplina estão nosistemadeEstados,equeelaprecisacombinarestescomoutrosele-mentosdosistemainternacional,paraevitarficarpresanaarmadilhade escolhas desnecessárias entre alternativas estatais e não estatais. Resenha 424 CONTEXTO INTERNACIONAL – vol. 29, n o 2, jul/dez 2007  Na sua visão, a Escola Inglesa mostra como isso pode ser feito me-lhor do que qualquer outra alternativa disponível (p. 3).Buzan volta-se, em primeiro lugar, para o conceito de sociedademundial( world society ).Esteéoconceito-chaveparaligaroqueelechamadeteoriadaEscolaInglesacomosdebatessobreglobalizaçãoesobredesenvolvimentosregionais,comoaUniãoEuropéia(UE).Oproblemaéque,aocontráriodoprincipalconceitodaEscolaInglesa,o de sociedade internacional, que foi bem desenvolvido conceitual-menteecontacomumconsideráveltrabalhosobreahistóriadasso-ciedades internacionais, o de sociedade mundial, que também temum lugar-chave na Escola Inglesa, foi muito menos trabalhado.Enquanto o primeiro conceito é focado nos Estados, o segundo im-plica em algo que se estende muito além dos Estados em direção aimagens mais cosmopolitas de como é, ou deveria ser, organizada ahumanidade. O que exatamente seria este “algo” definidor da socie-dademundialpermanece,namelhordashipóteses,contestávele,napior, simplesmente confuso. E uma vez que a sociedade mundialpode ser (e é) facilmente vista como uma desafiadora da sociedadeinternacional,aambigüidadesobretalconceitoéumgrandeimpedi-mento para se pensar claramente sobre a estrutura social do sistemainternacional (p. 1).O autor destaca que, com a necessidade preeminente de se teorizarsobreosetorsocialdosistemainternacional,talnegligênciasetornainsustentável.Porisso,umdosprincipaisobjetivosdolivroéajudaradesenvolver o potencial analítico do conceito de sociedade mundiale, principalmente, como este conceito interage com o de sociedadeinternacional.Emprimeirolugar,Buzanfazumaexegesedoconcei-to de sociedade mundial na história intelectual da Escola Inglesa.Posteriormente, analisa a utilização deste conceito por autores e es-colas de pensamento fora da Escola Inglesa. Tudo isso na busca deuma construção teórica coerente do conceito. Resenha 425  Buzanafirmaque,dentrodaEscolaInglesa,oconceitodesociedademundial é cercado por confusões analíticas. Por exemplo, MartinWight (1991, p. 36) e C. A. W. Manning (1962, p. 177), refletindosuas raízes intelectuais no pensamento de teoria política e jurídica,vêem o mundo composto de Estados e indivíduos e suas definiçõescom freqüência misturam os dois níveis. Por outro lado, Buzan cha-maaatençãoparaofatodequeadefiniçãodeHedleyBull,aoafirmarque a “sociedade mundial abarca a totalidade das interações sociaisglobais” (BULL apud BUZAN, p. 37, tradução minha), não ajudamuitoemtermosanalíticospordeixarumasériedequestõesabertas.Todavia,pelomenos,Bulldeixaclaroqueasociedademundialsere-fere ao setor não estatal da política mundial (p. 37).Entreos“paisfundadores”daEscolaInglesa,oquemaisdeuatençãoàsociedademundialfoiR.J.Vincent.Suapreocupaçãocomosdirei-toshumanosfezcomquefocasseseutrabalhoprecisamentenasten-sõesentreonívelindividualeoestatale,conseqüentemente,nazonadefronteiraentreasociedadeinternacionaleamundial.QuandoBu-zan se volta para analisar a concepção que Vincent tem do conceito,nãoencontranemaomenosaseparaçãomínimaentreosníveisesta-talenãoestatal,queencontramosemBull.SegundoVincent,asocie-dade mundial é composta de atores (estatais ou não) que são rejeita-dospelasociedadeinternacionale,portanto,lhesãohostis.Paraesteautor, então, a sociedade mundial faz oposição à internacional. Suasoluçãoseriaunirosdois.AsoluçãodeVincent,portanto,seriaqueasociedademundialabarcasseainternacional,misturandoosdoisní-veis e acabando com a oposição entre ambos.Buzan afirma que, apesar desta visão, de misturar os dois níveis, terumagrandeforçanormativaeprofética,dopontodevistadaconstru-ção de teoria as conseqüências são enormes e não necessariamenteboas.OautordestacaqueseguirocaminhoindicadoporVincentre-quermisturarosdoisníveisdaEscolaInglesaemapenasum,perden-dodessaformatodooganhoanalíticoquepoderiaadviraosemanter Resenha 426 CONTEXTO INTERNACIONAL – vol. 29, n o 2, jul/dez 2007  separadas as ontologias dos Estados e indivíduos. Buzan mostra-sepreocupadocomofatodeautoresdanovageraçãodaEscolaInglesacominclinaçõessolidaristasnãosepreocuparemmuitocomtaiscus-tos.DemonstraqueaabordagemdeVincentestábemclaranamentedetaisautores(comoTimDunne,TonnyB.Knudsen,JoãoMarquesdeAlmeida,NicholasWheeler,entreoutros),queelechamade“vin-centianos”. Ele cita, como exemplo, Dunne, que afirma que [...] Bull estava errado em interpretar a sociedade internacional como uma“sociedadede  Estados ”,umavezquemuitasdasregraseinstituiçõesdaso-ciedade internacional antecedem a emergência do Estado moderno.(DUNNE apud BUZAN, p. 43, tradução minha). A meu ver, neste tipo de crítica aos solidaristas, está mais um dospontos controversos do livro de Buzan. Ele parece fazer uma rígidaseparaçãoentreteoriaepráticaaoafirmar,porexemplo,que“háumadivisão entre aqueles que se preocupam principalmente com argu-mentosnormativoseaquelesinteressadosempoderanalítico”(p.43,tradução minha). Devemos perguntar se é possível tal distinção, atéquepontoelasesustenta.Buzanparececolocarumafalsadicotomiaentreabordagensnormativaseanalíticas,eparececriticarjustamen-te aquilo que muitos consideram como as principais riquezas daEscola Inglesa. Contudo, apesar de tais separações, o autor destacaque sua concepção é complementar e não excludente de outras con-cepções da Escola Inglesa.Portanto, para ele, exceto como um objetivo normativo, a sociedademundialpermanecenasmargensdaEscolaInglesaenãofoiconcei-tualmente desenvolvida. Como outra forma de analisar a questão dasociedade mundial, o autor volta-se para um debate que nos últimosanos tem, de certa forma, polarizado a Escola Inglesa: a discussãopluralismo/solidarismo.Buzanquerolhartaldiscussãoemperspec-tiva mais abrangente ao divorciar os termos em debate das questõesdedireitoshumanos,umavezque,nasuaopinião,estetemapolarizaaquestãoaodarênfaseaodesenvolvimentonormativo,restringindo Resenha 427
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