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CHALHOUB, S. Trabalho, Lar e Botequim - o cotidiano dos trabalhos do Rio de Janeiro da Belle Époque.pdf

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Sidney Chalhoub UNICAMP UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS Reitor HERMANO TAVARES Coordenador-Geral da Universidade FERNANDO GALEMBECK TRABALHO, LAR E BOTEQUIM Pr6-Reitor de Desenvolvimento Universiterio JURANDIR FERNANDES 0 cotidiano dos trabalhadores no PrO-Reitor de Extensa° e Assuntos Comunitirios
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  Sidney Chalhoub UNICAMP UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS Reitor HERMANO TAVARES Coordenador-Geral da UniversidadeFERNANDO GALEMBECKPr6-Reitor de Desenvolvimento Universiterio JURANDIR FERNANDES PrO-Reitor de Extensa° e Assuntos Comunitirios ROBERTO TEIXEIRA MENDES Pro-Reitor de GraduacaoANGELO LUIZ CORTELAllOPro-Reitor de Pesquisa IVAN EMILIO CHAMBOULEYRON Pro-Reitor de POs-Graduacao JOSE CLAUDIO GEROMF.1,  os EDITORA DA UN (CAMP Diretor Executivo LUIZ FERNANDO MILANEZ Diretor EditorialTULIO Y. KAWATA Coordenador-Geral CARLOS ROBERTO LAMAR/ Conselha Editorial ELZA COTRIM SOARES — LUIZ DANTAS LUIZ FERNANDO MILANEZ M. CRISTINA C. CUNHA — RICARDO ANTUNES TRABALHO, LAR E BOTEQUIM 0 cotidiano dos trabalhadores noRio de Janeiro da belle époque  EICHA CATALOGRÁPICA ELABORADA PEIA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNICAMP 1 Indices para catalogo sisternatico: I. Trabalhadores - Rio de Janeiro (RI) - CondicOes sociais301.240981532, Rio de Janeiro (RJ) - Usos e costumes301.240981533. Lazer790.0135Copyright © by Editora da Unicamp, 2001Nenhuma pane desta publicacio pode ser gravada, armazenada em sistemaeletrOnico, fotocopiada, reproduzida por meios mecanicos ou outros quaisquer sem autorizacao prEvia do editor. S a 3, 2 Ur ivc‘ricisfie de Brasitil ; D ,0-6-O6 Li; ,„lo i  col Associaclo Brasileim Ed ores Universibiries Editora da Unicamp Caixa Postal 6074 Cidade Universitiria - Bario Gerald°CEP 13083-970 - Campinas - SP - Brasil Tel.: (19) 3788-1015 - Tel./Fax: (19) 3788-1100 www.editora.unicamp. hr   .4 . yzion gz   IMITOR JITJ S PREFACIO A SEGUNDA EDICAO Prefaciar nao ê °tido leve — como raspar mandioca, exemplo de cousa tida por suave no Brasil oitocentista. Pre- faciar nova edicio de livro prOprio, passados 15 anos da publicacao srcinal, a tarefa canhestra, quase improvivel. Nio sei como isso foi acontecer. Talvez eu queira finalmentedar resposta sorridente as virias pessoas que perguntam, ain- da hoje em dia, quando haveri nova edicio de Trabalho, lare botequim. Ci esti. Escrevo essas linhas e fico em paz. 0 tempo e Lugar de urn livro explicam muito de seufeitio. A pesquisa e redacio deste aqui ocorreram em meio a urn turbilhio politico continuo: ressurgimento dos mo- vimentos sociais de massa no pals, luta pela derrubada da ditadura militar, anistia, redemocratizacio, eleicees para governador, campanha para as Diretas-Ji. Tempo que dei-xou saudade, nâo apenas pelo motivo prOprio da juventu- de vivida e ida. Era urn momento histOrico raro, desses emque a crenca no futuro vira experiência coletiva. A histOria 'vivida pertencia tambem a empreitada de produzir conhe-cimento histOrico. Surgiam novos programas de pds-gra- duacio, os debates teOricos alargavam-se, possibilidades de Chalhoub, Sidney. C35t   rabalho, lar e botequim: o cotidiano dos traha- Ihadores no Rio de Janeiro da belle Epoque SidneyChalhoub, - 2 4  ed. -- Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2001. (.1 1. Trabalhadores - Rio de Janeiro (RJ) - CondicOes sociais. 2. Rio de Janeiro (RJ) - Usos e costumes. 3. Lazer. 1. Titulo. CDD   301.24098153ISBN: 85-268-0543-6   790.0135  SOBREVIVENDO... Btquieta fOes   tetiricas e objetivas Este pritneiro capitulo aborda as rixas e conflitos en- volyendo os membros da classe trabalhadora do Rio deJaneiro na primeira decada do seculo XX que estejam dire- tamente associados aos problemas de reproducao da vida material desses individuos. Sendo assim, focalizam-se prio- ritariarnente as tensOes e conflitos que emergem de situa- cees no trabalho e de questaes ligadas ao problema da habi- tat:fat). Nesta tentativa de reconstituicao de alguns aspec-tos essenciais dessas tensOes e conflitos cotidianos, des- taca-se a importincia das rivalidades etnicas e nacionais en- ? quanta expressaes das tensOes provenientes da concorrencia da forca de trabalho — em condiceies bastante desfavori-vcis — num mcrcado de trabalho capitalista em formacio. Parece haver urn certo consenso entre os historiadores de que as rivalidades e conflitos raciais e nacionais se cons- tituiram num dos principais elementos limitadores da efi-cacia do movimento operario brasileiro na Primeira Kepi- blica. Sheldon Maram, por exemplo, escreve que os confli- 59  tos entre brasileiros e imigrantes, e entre os prOprios gruposetnicamente divididos, foram uma das principais limitacóes do movimento operatio brasileiro .' Se isto foi verdade, contudo, provavelmente refletia uma realidade experirnen- tada pela classe trabalhadora em seu conjunto, na prtitica cotidiana da vida. Ou seja, seria necessésio que estas diviseiesnacionais e raciais fizessem parte da visao de mundo da classe trabalhadora, constituindo-se num aspecto importante da ideologia popular. Refletindo sobre a experiencia histOricadas classes pobres no Rio de Janeiro nas decadas anteriores ao advento do movimento operario na RepUblica parece verdadeiro que as divithes nacionais e raciais fossem elementos profundamente arraigados na mentalidade po-pular. Afinal, na composicao etnica da classe trabalhadorado Distrito Federal predominavam imigrantes — especial- mente portugueses — e brasileiros nao-brancos — a cidade apresentava a maior concentracio urbana de negros e mu- latos no Sudeste. 2 Isto significa dizer que duas das principais clivagens da sociedade colonial e depois imperial conti- nuavam a ser parte integrante da experiéncia de vida popular: refiro-me as contradicaes senhor-patrao branco versus es- cravo-empregado negro, e colonizador-explorador portu-gues versus colonizado-explorado brasileiro. 3  No nivel das mentalidades e atitudes populares, isto significava que muitas vezes a igualdade de situacio de classe entre portu-gueses e brasileiros pobres ficava obscurecida pelo ressenti-mento   imigrante trazia de sua terra natal — e refor-cava ainda em terras tropicais — sua concepcao de ser racial e culturalmente superior aos brasileiros pobres de cor; c es- tes, por outro lado, para quern a escravidão era ainda urn passado bastanre recente ressentiam-se dos brancos em geral e, mais ainda, dos imigrantes, que vinham chegando ao Rio 60 de Janeiro ern grander levas desde os 61timos anos da Mo- narquia, abocanhando boa parte da fatia de empregos dis- poniveis na cidade.A constatacao, relativamente Obvia, de que as divisOesnacionais e raciais cram urn elemento importante na menta- lidade da classe trabalhadora carioca nao nos leva, por siso, muito longe na analise. Se esses elementos constituemtracos continuistas importantes no processo histOrico dacidade do Rio de Janeiro ao longo do seculo XIX e da Pri-meira Republica, é Ilia menos relevante atentar para o fatode que essas rivalidades nacionais e raciais sic reativadas e ate reelaboradas pela classe trabalhadora dentro do contexto mais amplo da transicio para a ordem burguesa na cidadeno periodo pOs-Abolicao. A reconstrucio do preconceito racial e nacional neste contexto passa, na verdade, canto por uma serie de imposicOes propaladas de circa para baixo pelas classes dominantes quanta pelos ajustamentos dos po- pulares as condicOes concretas da luta pela sobrevivencia. Boris Fausto, por exemplo, pensa que urn dos dados essen- ciais dessa luta pela sobrevivencia cram as condicOes deoferta da forca de trabalho. A cidade do Rio de Janeiro, na epoca, reunia contingentes de populacao em proporcao superior as limitadas necessidades do setor industrial e deservicos. Essa populacao pobre, continuamente engrossa-da por migrantes internos e imigrantes estrangeiros, lutava na pritica corn uma dificuldade ingente em arrumar em- prego e tinha de se sujeitar a receber salarios baixos que de-terioravam ainda mais suas condicries de existencia. Eulalia M. L. Lobo, por exempla, afirma que a abolicao da escra-vatura liberou mao-de-obra do campo para a cidade, for-mando-se um mercado de trabalho corn superabundânciade oferta, na medida em que o afluxo de imigrantes veio 61

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